Duas noites depois...

A porta do loft de Dashiel é aberta e a fugira altiva de Regina entra triunfal como se estivesse numa passarela de alguma Fashion Week. Linda em um vestido vermelho colado ao corpo, deixava pouco para a imaginação alheia.

— Regina? Não me ligou...

— Eu queria fazer uma surpresa. – ela espalma as mãos sobre o peito dele. – Você está bem sexy hoje. Vai me dizer que está com alguém e eu estou interrompendo?

Ele gagueja.

— Não. Acabei de chegar de viagem e estava no banho... você quer jantar?

Regina percebe o pouco entusiasmo do seu amigo e decide que não perderia aquela noite para momentos de cansaço por uma viagem. Ela seria mais interessante do que uma volta de viagem.

Momentos depois, os dois estão deitados na cama de Dasheil, olhando o teto e buscando mais ar para seus pulmões. Cansados e saciados, como dois náufragos que conseguem encontrar a praia, depois de horas de nado em mar revolto.

— O que há com você, moço? Enjoou de sua amiga?

— Eu não me enjoo de corpos humanos, Regina. Apenas quero ser avisado quando você quiser me ver. São as suas regras.

— Ficou ofendido? Foi uma noite deliciosa: jantamos, conversamos, fizemos amor...

— Você me convidou para um relacionamento aberto e sem cobranças. Então, fizemos apenas sexo, querida. Não comece a me confundir.

Regina se deita sobre um dos lados do corpo e exibe o seu mais sedutor sorriso. Poderia usar algum truquezinho para quebrar o gelo daquele homem, mas queria saber até onde iria o seu charme feminino.

— Poderíamos apimentar um pouco mais o nosso relacionamento. Por que não me apresenta um de seus amigos?

— O que pensa que está fazendo?? – ele se levanta da cama e vai vestir sua calça jeans. Volta-se para ela. – Não tente criar vínculos comigo, porque você não terá chances, Regina. Não queira receber das pessoas, aquilo que elas não estão dispostas a dar!

Regina abre as mãos em gesto de rendição.

— Tudo bem! Apenas sexo sem compromisso. Mas não precisa ser grosseiro. – desta vez, ela se levanta e começa a vestir-se. – Posso sair de sua vida, rápida como entrei.

O homem cruza os braços diante do corpo e mantém o rosto fechado numa carranca.

— Não gosto de ser pressionado, não gosto de surpresas e não gosto de frequência. Quando quiser me ver...caso ainda queira me ver, peço que me ligue.

Terminando de vestir-se, Regina se olha no espelho e ajeita facilmente os cabelos escuros, calça os sapatos e vai procurar sua bolsa. Caminha para a porta de saída do loft e aguarda que Dashiel se apresse em facilitar sua saída.

— Não torne a me agredir desta forma, moço. Não sou responsável pelos abusos que sofreu. – ela sai do prédio e não olha para trás, sabendo que havia tocado fundo na alma do amigo.

Naquele mesmo momento, na casa de Regina, a figura assustadora de Zelena surgia para procurar a irmã. Entra sem cerimônias e percebe que Regina não se encontrava no prédio e que certamente estava no mausoléu, porque percebe um foco de luz aceso no local. Deixa a pequena Robin acomodada em um berço e desce a escada de volta para a saída da casa.

Lá dentro do mausoléu, Zelena vasculha o ambiente em busca da irmã. Precisava conversar, embora soubesse que as horas eram avançadas e que Regina ficaria furiosa com sua presença sem ser anunciada, mas queria estar perto de alguém de seu sangue. A presença de Regina é sentida em cada espacinho daquele lugar e era recente a sua estadia ali. Talvez, ainda estivesse.

Caminhando sem hesitar, Zelena chega ao cômodo, onde Regina guardava livros antigos sobre toda forma da magia. Muitos livros estavam espalhados sobre uma velha mesa e confirmavam um trabalho minucioso feito recentemente. O que Regina estava tentando fazer? Trazer a lama obliterada de Robin de volta? Abrir algum portal? Caso quisesse abrir um portal, poderia pedir que ela, Zelena, abriria com prazer!

— Hummm....o que quer fazer, maninha? Poção de esquecimento...poção de restauração de memória...transposição de lembranças...visualização de memórias escondidas...materialização de memórias...espelhos como tela...do que Regina está tentando lembrar usando espelho como tela? Algo que passou despercebido durante a obliteração da alma de Robin?

Zelena observa o espelho e a curiosidade é maior do que sua ética. Gesticula sobre a superfície do espelho e imediatamente surgem imagens que Regina havia impregnado ali, para saber como tinha sido seu primeiro encontro com Dashiel. Uau!

Quando Regina entra em casa, assusta-se ao ver Zelena sentada num dos sofás, embalando a pequena Robin em seus braços. Automaticamente, corre até a irmã para saber o que havia acontecido para uma visita inesperada como aquela.

— Peço desculpas por vir sem avisar, mas eu preciso de algum apoio com Robin. Estou esgotada e sem paciência.

— É isso?? – Regina sorri e despenca sobre o sofá. – Pensei que estivéssemos com problemas sérios.

— Você não está, mas eu estou. Não estou conseguindo ser a mãe perfeita para Robin.

— Jamais seremos a mãe perfeita, Zelena. – Regina estende os braços e apanha a sobrinha. – Vamos dormir e amanhã discutiremos o destino das mães perfeitas.

Zelena sorri e aceita o convite. Segue a irmã até o segundo andar da casa.

— Onde você estava?

— Num bar, dançando e bebendo.

“Dançando poderia estar, sim. E numa dança bem coreografada com seu novo amante. E talvez tivesse bebido, sim, depois da maratona de devassidão. Quer mesmo mostrar que está sentindo falta de nosso Robin?”