Um navio pomposo e escuro atraca num ponto do litoral de Oz. Não havia como não atrair as atenções dos trabalhadores assustados das docas, temerosos por mais problemas além dos que já existam.

— Bom, aqui estamos, senhoras! O Reino de Oz!

Verena se aproxima da lateral do navio e observa a imensidão de terras que iria ter de avançar.

— E se o Reino Precioso não for Oz?

— Teremos de procurar outro e outro, outro e outro. – responde Killian sorrindo.

— Vamos continuar seguindo pelo litoral? – Verena indaga

— Por mais dois dias, amor. Até chegarmos à Floresta das Esmeraldas. Mas antes de seguirmos viagem, seria interessante se usássemos algum objeto que pudesse nos mostrar se nossos fugitivos estão mesmo por aqui.

Belle sai da cabine do Capitão trazendo uma garota pela mão. Uma menina grande e com a aparência de alguém com quatro anos de idade.

— Papai! – a garota corre para Killian, porque não o havia visto ao acordar. É imediatamente segura nos braços do homem. – Eu comi todo meu café da manhã!

— Você é maravilhosa, Robin, e será uma piratinha muito forte!

— Que os Céus a poupem disso. – resmunga Verena se mostrando impaciente. — Você se refere a uma bola de cristal?

Robin fica nas pontas dos pés e olha as docas do lado de fora do navio. Aquilo era maravilhoso!

— Neste reino precisa ser isso, já que não temos TV a cabo. – Killian é malcriado com a mulher. A primeira vez no dia. Ele se vira para Verena. – Por que não une suas forças comigo e providencia um objeto para vermos algumas cenas?

Pouco depois do meio dia, com sol a pino, o grupo entra em uma taverna em busca de um almoço que tivesse um pouco mais de variedade e tempero.

— Poderia comer um javali! – Belle se acomoda em uma das mesas e percebe todos os olhares na direção do grupo. – Estamos chamando a atenção.

— Não, Passarinho! Eu estou chamando a atenção de todos. Primeiro porque sou naturalmente lindo e em segundo porque estou acompanhado pelas mais lindas mulheres que eles já viram e vão ver!

— Eu não sou mulher, papai!

— Não! Você é a menina princesa mais linda deste reino! – Killian acomoda a nova Robin ao seu lado no banco.

Verena se mostra radiante pela certeza de que seu protegido estava vivo e saudável. Mas não conseguia sentir-se segura ao saber que ele estava sob a tutela de uma Fera escondia no corpo de uma mulher. A Rainha exibia apenas uma máscara fria, escondendo uma face que poderia apavorar caso fosse exposta.

— Depois do almoço, seguiremos ainda hoje para os próximos portos. Mais dois dias e chegaremos nas proximidades do Castelo que não está tão brilhante como me descreveram. – Killian ajuda Robin a começar a comer. – Aquilo está sombrio demais e poderemos nos preparar para algum comitê mal-humorado de recepção.

— Macacos voadores? – Belle mexe na carne e não se sente animada em comer.

— Acredito que estando Regina e Zelena vivendo numa situação pouco confortável naquele castelo do Drácula, deva ter favorecido o nascimento de um exército pouco agradável de lidar. Macacos voadores devem ser nossos menores problemas.

— Regina está usando máscara...- a bibliotecária se emociona.

— A irmã dela proferiu que este era o objetivo da maldição: deixar Regina horrenda para que Dashiel a repudiasse e fugisse dela, impedindo que houvesse o final feliz. – Verena comenta. – Como estão seus poderes, Capitão?

— Caso a água fria bata em meu bumbum, darei um belo pulo.

O clima fica ameno por alguns segundos. Todos riem discretos.

Mais dois dias são deixados para trás e com eles algumas mudanças no corpo de Robin. A menina estava maior e sua beleza estava acentuada. O sorriso era lindo e vinha direto do coração, sem passar pelos lábios. Tão doce e atraente, sempre conseguia roubar outro sorriso de volta em quem a visse sorrir.

— O navio ficará camuflado e iremos andando daqui para frente. – Killian fala como se fosse o chefe da expedição. – Vamos nos vestir de maneira adequada, mas protegida e confortável para nossa caminhada

— Papai Killian! – Robin chega ao deque sorridente e contagiante. Corre para abraçar seu pai postiço e depois decide mostrar a roupa de pirata que estava usando. – Veja! Sou a Capitã Robin Jones! Veja tia Belle, meu colete é ainda mais lindo que do meu pai!

Robin sorri e torna seu rosto parecido com o rosto de uma boneca de porcelana. Aquela simples expressão atinge o coração de Killian com absurda força e provoca um encantamento que há muito tempo parecia estar adormecido em seu peito. O que ele estava pensando da vida?

— Emma e Mary ficarão furiosas quando despertarem e perceberem que nós as deixamos para trás. – Belle ajeita as luvas sobre as mãos. Ela se volta para Verena e a encoraja. – Vamos conseguir encontrar nossos amigos.

A mulher concorda com a cabeça e sorri sem exibir os dentes. Ela agradece às palavras, mas seu coração apenas sonhava em reencontrar seu príncipe e reconduzi-lo à sua proteção, afinal o Rei Omar a havia incumbido de uma tarefa especial e não poderia falhar mais uma vez.

Um tempo depois, o grupo chega à trilha principal que levaria aos bosques vizinhos do castelo de Regina. Era uma pequena estrada utilizada pelas pessoas e pelas carroças para a locomoção.

— Preciso deixar claras as regras. – Killian ajeita uma mochila minúscula nas costas de Robin, orgulhosa por estar conseguindo andar. — Regra número um: todas devem obedecer às ordens do Capitão Gancho. Regra número dois: todos devem andar em fila indiana para facilitar nossas defesas. Regra número três...bom...regra número três...aquele que soltar um pum irá para o fim da fila. Sempre sonhei dizer isso!

Robin exploda numa gargalhada e acaba por contagiar as mulheres que riam discretamente.

Era quase noite, quando o grupo para se alimentar. Killian providencia comida forte para que todos recuperassem suas forças físicas para o que precisariam enfrentar.

— Eu ficarei na primeira vigia da noite por duas horas. Depois vocês decidem quem me substituirá por mais duas horas. Procurem pensar que não estamos no Reino de Oz que era comandado por Zelena. Há muita nuvem escura pairando sobre nossas cabeças. – o pirata ajeita sua espada e seu casaco poderoso para o frio da noite e vai para a vigília.

Quando Verena assume a posição de vigia, ela se concentra ao máximo e aguça seus instintos de caçadora para conseguir ouvir qualquer som que se parecesse ameaçador. E não demora muito a identificar passos suaves e sorrateiros se aproximando do grupo. Ela dá o alerta e todos se põem em pé, inclusive Robin que se protege nos braços de Belle.

Ela produz luminosidade e todos conseguem identificar que os visitantes eram lobos grandes demais para o tamanho convencional e pareciam muito, mas muito ferozes exibindo dentes gigantes e olhos amarelos.

— Não façam movimentos bruscos, senhoras. Isso exala pura magia e pode dilacerar a todos, caso erremos nossos golpes.

— O que sugere, Capitão? – indaga Verena controlando até o ritmo de sua respiração.

— Vamos usar as mesmas armas que usaram quando criaram essas feras. – Killian exibe um sorriso que provoca calafrios em Emma. Era o sorriso do cínico Dark Killian.

Os lobos rosnam e dão alguns passos adiante. Estavam famintos e assustadores.

— Devem ser humanos transformados, assim como eram os macacos voadores. – Belle fica alerta, mas não retira flecha alguma. Qualquer movimento poderia ser letal.

— Humanos? – Killian decide rapidamente, gesticula e ordena. – Virem seres humanos!

Os lobos são envolvidos por nuvens e em seus lugares surgem pessoas magras, carecas, com peles esticadas sobre músculos definidos e pouquíssima gordura.

— Misericórdia! São vampiros canibais!! – o pirata cobre a boca com a mão. Unindo suas forças à Verena, cria esferas de fogo e as atira na direção das criaturas, mas elas se desvencilham com tamanha rapidez e conseguem golpear a lateral de seu corpo, que cai. Rapidamente, ele evoca seus conhecimentos da rápida passagem como sucessor de Gold e produz uma luminosidade extraordinária azulada. Luz ultravioleta, provocando a imediata incineração daquelas coisas.

Correndo para socorrer seu pirata, Robin pensa que o ajuda a levantar-se.

— O que foi aquilo, papai?

— Uma versão humana de luz do sol, amor. Mas não ficarei bem em usar esses poderes em cada um dos encontros com os guardiões que devem ser muitos.

Belle se aproxima e concorda com o amigo.

— Tenho de reconhecer que você está certo. Precisa reforçar suas forças e fazer um revezamento para que nenhum dos dois fique fraco demais. – ela apanha o arco e as flechas. – Porém, antes, sugiro que um de vocês potencialize nossas armas.

Levantando o indicador, Verena se aproxima e se oferece para fazer a tarefa. Todas as espadas, adagas e flechas são potencializadas em sua capacidade de ataque. Iria lidar com criaturas criadas por alguém muito feroz e depressiva, por isso precisavam ter mais do que ao vontade e habilidade de luta.

Era manhã e o grupo retoma sua caminhada.

— Por que não surgimos diante do castelo e encontramos uma entrada subterrânea? – Verena se mostra impaciente.

— Porque o único que tem força suficiente para nos transportar numa única vez é Killian. E caso ele se aprofunde nos poderes, ele voltará para a escuridão. Lutamos demais para livrá-lo dessa sina e iremos lutar para mantê-lo afastado. – Belle para e encara a mulher. – Eu não vou permitir que ele seja engolido por aquela coisa, outra vez. Entendeu?

— E o que nos espera por estes caminhos?

— Seja o que for, Verena, iremos enfrentar como a equipe que somos. Basta seguir nossos combinados e respeitar um ao outro. – a bibliotecária toca o ombro da morena. – Você também faria qualquer coisa para evitar que Dashiel fosse consumido pelo lado mal da vida.

Um gemido abafado é a resposta de Verena. Ela sabia que a mulher pequena estava com a razão: não perderia Dashiel para nada ou ninguém, sem lutar muito antes.