Meu estranho amor 2
2 Travessuras e mais travessuras

— Como você está elegante, Excelência Senador da República! Onde estão seus jeans?
Amintas sorri e abre os braços para abraçar o amigo. Os dois riem e ficam algum tempo abraçados.
— Como você está?
— Ser um homem casado é bem complicado, mas é maravilhoso! E como se sente sendo Senador da República?
— Muito cansado, Killian. Essas eleições foram desgastantes demais. Mas terei alguns meses para recuperar minha saúde.
— E Juliette? Como ela está?
Amintas sorri sem exibir os dentes. Mas que cara sem graça! Por que quer saber sobre ela? Não quero falar sobre ela! O que tenho para responder? Aliás, por que tenho de responder?
— Ela está...bem.
— Deve estar sim, afinal o casamento é daqui a dois dias! – Killian aponta para o helicóptero e sorri. – A família Mills está esperando você no rancho, para uma festa de boas vindas e parabenização! E serei o seu piloto!
— Você tem brevê? Desde quando?
— Ah, desde meus vinte anos! Esta aeronave é de minha família. Pode confiar que sou bom com máquinas. Apenas não consigo entender aquele painel, porque cada um dos relógios marca uma hora diferente. Mas como não tem trânsito, semáforo e nem carro na frente, consigo dirigir o helicóptero.
— Dirigir o helicóptero? Falta apenas dizer que você o manobra e o estaciona.
— Sabe que ainda não tentei?
Amintas sorri e inspira profundamente. Ia fazer alguma piada, mas desiste ao ver Regina caminhando na direção deles. O que era aquilo? Por que ela estava ali? O que estava acontecendo? E como ela conseguia ser tão linda a cada encontro? Mesmo usando jeans, coturno e uma simples camiseta, era a visão mais sexy que ele pudera ter! Por que ela fazia aquilo?
— Ah! Espero que não se importe em dividir o espaço com Regina! Ela teve a CNH apreendida e eu ofereci um espaço na nave. Incomoda-se?
Negando com a cabeça, Amintas abaixa os olhos e não observa a aproximação de sua diva. Sensual, Regina se aproxima e massageia o ombro de Amintas. Ele levanta os olhos e sorri.
— Olá, Senador Amintas! – ela se estica e fica nas pontas dos pés. Beija os lábios dele e não é repudiada. Ele jamais a repudiaria porque já morava em coração! – Você está tão lindo!
— O que houve com sua CNH?
— O policial me tirou depois que eu dei um soco nele.
É melhor não me aprofundar nessa conversa. Nem quero saber o que ela fez em algum momento de raiva. Será que estava armada?
— Vamos, crianças? O tio Killian irá levá-los para uma aventura nos céus!
Amintas indica o caminho para que Regina caminhe em sua frente e seus olhos imediatamente descem pelo corpo dela, admirando a sua redonda arquitetura logo abaixo da cintura. Que coisa bem feita! Dá vontade de pegar!
— Vocês dois são meus convidados e vão no banco de trás. Aqui na frente, somente o piloto e sua mochila de viagem.
— Mochila para uma viagem de quarenta minutos? – Amintas auxilia Regina a entrar na nave. Não que ela precisasse, mas e visão que ela iria oferecer seria bonita demais para ser desperdiçada.
— Depois da festa pretendo fazer um acampamento. – Killian levanta as sobrancelhas grossas e espreme os lábios num sorriso cínico.
Depois que a nave levanta voo, Regina se acomoda mais próxima ao homem e sorri amável. Segura sua mão e beija-lhe o dorso.
— Pode segurar a minha mão. Sei que você tem medo de altura.
— Eu me sinto seguro sabendo que Killian é o piloto e que você está ao meu lado. – Amintas sorri irônico.
Regina se acomoda no banco e começa a afrouxar a gravata do homem. Queria qualquer oportunidade para tocar nele outra vez e provocá-lo com sua proximidade. Sabia que aquilo mexia com ele e o torturava muito.
— Como estão Mary e o novo bebê?
— Ela está muito bem e a menina também. – Regina percebe o incômodo do homem e aproxima-se ainda mais.
— Mary ainda está enorme, com bochechas rosadas e gostosa para abraçar. – Killian se intromete na conversa.
— Mary é uma das poucas mulheres que fica linda quando está grávida. – Amintas sorri e tenta desvencilhar-se dos toques de Regina.
— Ah! Mas isso é porque você ainda não viu como Regina irá ficar quando estiver esperando um filho seu! O bebê será grande e forte! Ela vai ficar bem redonda, com mais excesso de gostosura e você terá de fazer massagens nos pezinhos dela, em todas as noites! Sem contar que afirmam que mulheres grávidas sentem mais desejo sexual!
Delicado, Amintas segura as mãos de Regina e as afasta de dele. Olha para a paisagem lá fora e luta para ignorar o perfume que a mulher estava exalando seu lado. Será que estou sendo indiscreto? Ela está percebendo o que consegue fazer comigo? Ah, Juliette, isso é mais forte que minha racionalidade! Acho que vou pular desse helicóptero!
Regina ousa mais e apoia sua mão espalmada na coxa forte do homem e ele quase bate a cabeça no teto, com o pulo que dá sobre o banco.
Um tempo de voo depois, Killian dá uma pequena batida em um espaço no painel, como se quisesse testar se tudo estava funcionando ou se o ponteiro estava inerte. Emite um som que provoca preocupação em Amintas.
— O que houve?
— Vamos ter de fazer um pouso emergencial, porque o combustível não será suficiente para chegarmos ao nosso destino.
— Quando você me falou sobre os relógios que marcavam horas diferentes no painel, pensei que estava brincando.
— Temos de pousar e depois entrarei em contato com o hangar para pedir ajuda. – Killian sorri tranquilo. – Não iremos nos machucar e ficaremos felizes!
Alguns minutos depois, fora da aeronave, Regina coloca um chapéu para proteger-se do sol forte. Observa Amintas mais afastado no descampado e espera que Killian saia da nave para conversar.
— Esse é o seu plano? Pousar o helicóptero no meio do nada embaixo de um sol escaldante como este e sem mantimentos?
O homem gargalha.
— Eu trouxe mantimentos para que fiquemos acampados aqui por pelo menos dois dias. É o tempo que você terá para convencer Amintas de que não poderá casar-se com Juliette.
— Então tem combustível?
— Mas é claro que sim! Fiquei lá dentro no helicóptero para que Amintas pensasse que eu estava falando com a base. Eles irão nos procurar no final do dia, mas não ficaremos expostos aqui no descampado. Quando nos encontrarem, estaremos no meio da mata. – ele aponta para os lados.
— E desde quando você se tornou guia florestal? Estamos perdidos no meio do nada e você nem sabe onde estamos! Confesse!
Amintas retorna e consegue ouvir as últimas palavras de Regina. Ele se aproxima do casal e apoia as mãos na cintura. Expira pelo calor.
— Não estamos no meio do nada, Regina. O nosso piloto de caça israelense, resolveu pousar em uma pista clandestina, para pouso de aviões clandestinos que carregam mercadoria clandestina. Estamos numa pista de pouso para aviões com drogas.
— Que tipo de drogas? – Killian se interessa.
— Pergunta relevante a sua. – Amintas coloca os óculos escuros e vasculha a região em volta, com os olhos. – Certo, vamos sair desse campo aberto para não sermos alvos fáceis. Vamos caminhar rente às árvores, porque acredito que haja alguma estrada por perto, por onde eles escoam a mercadoria para os aviões.
Amintas olha para o casal e não resiste ao comentário irônico:
— Ainda bem que vocês dois estão com roupas apropriadas para caminhadas, enquanto eu terei de caminhar usando sapatos de festa.
— Por coincidência, eu tenho um par de coturnos em meu kit acampamento. – Killian sorri.
Um tempo depois, o trio está caminhando pelas sombras das árvores para fugir do sol e de algum ataque possível.
— Pense no lado bom da coisa, Amintas.
— Qual lado?
— Estamos os três juntos e sozinhos sem pessoas criticando ou opinando.
Amintas para e estende a mão para Regina. Ela sorri e aceita a oferta. Killian estava certo porque aquele momento tinha seu lado bom. Ficariam cansados e expostos, mas quando teria uma possibilidade tão intimista como aquela?
Tendo caminhando por duas horas, o trio decide sentar-se à sombra e hidratar-se. O kit milagroso de Killian viera como uma benção para aquela situação. Pura coincidência!
— Eu quero ir ao banheiro. – Regina se levanta e sacode as folhas que estavam coladas em sua calça.
— Tome isso. Irá precisar!
Estreitando as sobrancelhas numa careta interrogativa, Amintas observa a mulher recebendo um rolo de papel higiênico que Killian havia tirado da mochila. Ela sorri e afasta-se dos homens.
— O que foi isso? Papel higiênico?
— Eu ia acampar, lembra-se? Como eu iria me limpar? Com folhas de árvores?
— Regina e você estão confortavelmente vestidos e calçados, você tem um kit acampamento, tinha um par de coturnos com o meu número, tem água...o que há mais em sua mochila? Devo pensar que tudo isso foi um grande acidente às vésperas de meu casamento?
— Ah! Véspera de sua terceira tentativa de casamento, amigo!
Amintas ia abrindo a boca para responder, quando Regina retorna e vai sentar-se ao lado dele. Devolve o rolo de papel para Killian e acomoda-se confortável, encostada ao corpo do atual político.
— Essa situação é emocionante! Eu me sinto num sitcom! – Killian apanha o rolo de papel e fica em pé. — Vou até ali fazer algo que somente eu posso fazer por mim. Juízo, hein?
— Espero que o autor da sitcom mate a sua personagem! – Amintas força uma risada.
Afastando-se do casal, Killian ainda dá uma olhada por cima do ombro. Pisca um dos olhos.
— Muito bem, Amintas, vamos conversar.
— Não, Regina, eu não vou desistir de meu casamento. Mesmo que Juliette e você briguem e destruam a igreja, seus vestidos, quando tudo se acalmar eu vou dar continuidade e...
Sem hesitar, Regina se inclina e invade a bocarra do homem com um beijo molhado e guloso. Deita-se sobre ele e começa sua exploração onde conseguia encontrar pele. As mãos grandes de Amintas não se paralisam e também se atrevem na procura de espaços mais secretos do corpo de Regina. O beijo provoca aumento da temperatura de seus corpos e a situação começa a ficar complicada.
Momentos depois, Killian tem a impressão de ouvir gritos. Sim! Eram gritos de homem e de uma mulher! Ele coloca seu minigame no bolso lateral da calça e corre na direção da confusão e quando retorna para onde havia deixado seus amigos, encontra Amintas saltando e sacudindo a camisa, como se quisesse tirar algo de suas costas.
Regina tentava em vão ajudar o homem e gritava para que ele parasse quieto. Amintas estava bravo e histérico, até que consegue arrancar totalmente a camisa e a atira longe deles. Sofre espasmos de repulsa e passa várias vezes as mãos pelos braços, ombros e barriga. Ele se afasta a passos largos.
— O que houve aqui? Pensei que vocês dois estavam quase finalizando o...a...o...”coiso”.
— Estávamos, mas Amintas tem paúra de aranhas! – Regina apanha a camisa do homem.
— Ahhh! Então está explicado porque ele não se decide entre você e Juliette! Ele é gay!
— Não fale besteira! Eu me refiro a aracnídeos! Sabe o que é isso? – ela sacode o tecido e o oberva para verificar se não há nenhum bicho ali. – O bicho caiu em cima dele e o homem surtou!
Killian alarga o sorriso.
— Claro que sei! Aracnídeo é um inseto quadrúpede ao quadrado. – ele apanha o minigame e solta um palavrão. – Estava tão avançado! Agora é game over!
— O único quadrúpede aqui sou eu. – Regina segue Amintas, enquanto Killian apanha a mochila e segue o casal.
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