Meu estranho amor 2
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Dois dias depois, Regina desembarca do helicóptero na fazenda de Miranda. A fazendeira havia combinado com os proprietários da revista, para que uma reportagem sobre sua vida fosse criada por Regina. O objetivo era vender a imagem bem sucedida da mulher administradora.
— Onde está Orville? – Regina cumprimenta a fazendeira. – Pensei que estivesse aqui...
— Ele teve de sair um pouco, mas pela tarde estará de volta.
— Já pensou sobre o que quer falar na reportagem?
Miranda sorri. Estende a mão e toca os cabelos de Regina.
— Você está mais bonita. O que fez?
— Engordei e entrei num regime. – Regina indica a varanda. – Poderíamos fotografar você na varanda de sua casa. Depois, faríamos algumas tomadas pela fazenda e junto à plantação. Poderíamos até fotografar o seu helicóptero, também. Algo que ostentasse bastante.
— Deixo tudo ao seu critério, querida.
Durante um período. Regina e Miranda conversam e tudo é devidamente registrado, assim como as fotografias para a ilustração da matéria paga. Não era natural e Regina não conseguia sentir prazer em realizar aquele trabalho em específico. Sua mente vagava em outros assuntos e sempre finalizava em pensamentos sobre Amintas. Como ele estaria naquele momento? Sua solidão, seu abandono e sua falta de modéstia para pedir ajuda, estariam sendo seus companheiros naquele dia? O que se passava no coração do homem?
— O que está passando pela sua cabecinha linda?
A voz de Miranda rouba o momento de reflexão da jornalista e quando ela encara a fazendeira, a encontra invadindo seu espaço pessoal, sentando-se bem próximo.
— Estava pensando em Amintas. Ele tem apenas o filho, agora.
— Mas ele pode vir a casar-se. Poderá constituir uma família e não ficará sozinho.
— Tenho pensado nele mais do que deveria. Estou apaixonada pelo seu irmão, mas não consigo deixar de pensar em Amintas.
— Ora, Regina! O homem é a coisa mais linda que já vi! Não se culpe em nutrir desejos por ele! Eu não sinto vergonha em nutrir desejos, nem por ele e nem por você.
Regina abre e fecha a boca. Olha a mulher como se um nariz estivesse nascendo na testa dela.
— Você não percebeu? Sinto fome de você, desde que a vi pela primeira vez, assim como sinto desejo em estender minhas mãos e agarrar Amintas. Por que não ficamos os três juntos?
Sem responder, Regina apenas levanta as sobrancelhas. O que dizer numa hora como aquelas? De maneira alguma seria rude, mas não iria incentivar. Mas a decisão acontece tarde, porque as mãos de Miranda avançam atrevidamente sobre seus seios.
— Espere um pouco! – ela se levanta bruscamente. – Eu não lhe disse que poderia tocar-me assim!
— O que há com você? Pensei que não tinha preconceito algum, já que se declarou apaixonada por Orville! – mais uma vez, Miranda ousa em seus toques.
— Pare com isso! Eu não permiti que invadisse meu espaço!
Miranda sorri e levanta-se também. Começa a caminhar na direção de Regina e entusiasma-se quando a jornalista vai afastando-se.
— Quer brincar, querida? Isso será mesmo bem excitante!
Excitante? Qual mensagem Regina havia vendido? O que Miranda estava vendo quando olhava para ela? Quais as informações que flutuavam na cabeça da fazendeira?
Mais um avanço atrevido e a cintura de Regina é aprisionada. Em seguida, um beijo é furtado dos lábios da jornalista, que mais uma vez refuta o toque indesejado. Sem pestanejar, o punho de Regina vai voando contra o queixo de Miranda. E não é algo suave ou zeloso.
Tendo caído sentada no chão, Miranda não consegue acreditar que havia levado um gancho de direita contra seu rosto. A brincadeira não estava tão divertida assim!
— O que foi isso? – a fazendeira massageia o queixo e observa a jornalista sair correndo da sala.
Um tempo depois, Orville entra na sala e observa a irmã com uma bolsa de gelo contra o queixo. Ele olha para os lados e toca os cabelos de Miranda.
— Onde está Regina? E a entrevista? O que houve?
— Regina me deu um soco no queixo.
— Por quê?
— Eu apenas a agarrei e a beijei. Ela refutou meu toque e me bateu.
Orville começa a rir, maneia negativamente a cabeça e olha para os lados.
— Onde ela está?
— Sei lá! Saiu correndo! Que se dane! Pensei que por ela ter aceitado você, teria a cabeça mais aberta!
— Não deveria ter deixado que ela saísse da fazenda sozinha. Faz tempo que ela saiu?
Miranda dá de ombros.
— Tem mais de meia hora. – ela se vira e vê o irmão caminhar para fora dali. – Eu sou a vítima aqui! Fui eu quem levou um soco! Merda!
Muito mais de quatro quilômetros longe da fazenda, Regina caminhava furiosa e sem olhar para trás. Não havia calculado os riscos de caminhar sozinha por aquela estrada longa e empoeirada. Sensível, enxugava as lágrimas que caiam pelo seu rosto, sentindo-se ultrajada em seus desejos de ser humano. Não gostava de ser contrariada.
— Regina, entre no carro. – Orville fala delicada e suavemente, como sempre. – Vamos voltar para a fazenda, por favor.
— Eu vou ficar exatamente aqui. – ela se senta na beirada da estrada e chora ainda mais. – Não gostei do que sua irmã fez comigo. Eu disse não e ela insistiu!
Ele sai do carro e agacha-se ao lado dela.
— Por favor, volte comigo!
— Não vou sair daqui! – ela grita com toda a força de seus pulmões. – Eu quero que Amintas venha me buscar! Nem que se passe uma semana, vou fica aqui e esperar pelo meu amigo!
E de fato, precisam esperar muito. Orville pede ao seu piloto que vá buscar o político na Capital Federal, enquanto providenciava uma proteção para impedir que o sol tocasse a pele de Regina chorosa e amuada. Trata de hidratá-la para evitar maiores problemas à saúde dela.
Mais de três horas depois, uma caminhonete preta se aproxima do casal sentado à beira da estrada. De dentro do carro, surge a figura sisuda e enfurecida de Amintas, retirado de alguma reunião para o salvamento de Regina.
— O que você fez a ela? – o tom de voz é rude e grave.
Ao ver seu salvador tão próximo, Regina se levanta e enche os braços dele com seu corpo. Chora com mais vontade ainda e agarra-se a ele como a tábua de sua salvação. Não entendia porque estava chorando tanto.
— Ela precisa do senhor, Senador. Vamos levá-la para minha casa?
— Vamos levá-la para um hospital, Orville. Ela está descompensada. – Amintas levanta Regina nos braços e caminha para o veículo em que havia sido trazido. O motorista abre a porta e o ajuda a pôr a mulher ali dentro. – Você virá conosco?
Momentos mais tarde...
— Como se sente?
— Enjoada e com muito sono. Olhe para meus pés...
— O que estava fazendo naquela estrada? Quando recebi o pedido de ajuda, quase surtei. Por que não estava na fazenda ou percorrendo a estrada num carro?
— Fiquei furiosa com Miranda. Ela me ofendeu e eu me senti sozinha. – Regina sorri ao ver Orville retornar ao quarto. Depois, segura a mão de Amintas. – Obrigada por ficar ao meu lado.
Amintas sorri e beija a testa de sua amada.
— Não posso deixar meus afazeres em todos os seus chamados, Regina. Procure atrair menos problemas, porque eu também tenho a minha vida. Deixei Jonny com minha assessora e isso não é correto para meu cotidiano.
— Eu não queria outra pessoa ao meu lado. Queria somente você, Amintas. Não seja chato!
— Não seja infantil. – ele se afasta da mulher. – O médico já a liberou para ir para sua casa. Então, sugiro que faça isso e pare de agir como se o universo fosse antropocêntrico. Deixe Orville levá-la para casa e procure descansar, além de permitir que eu continue minha rotina.
— Chato! Você é um velho muito chato!
O político se vira para olhar Orville e o encontra muito próximo, invadindo seu espaço pessoal. Gesticula e pede que o homem mais jovem se afaste.
— Peça ao seu motorista para levar a todos nós de volta à fazenda. De lá, retornarei para a Capital Federal e levarei Regina comigo. Combinado?
— Eu sinto muito pelo transtorno, Senador. Mas não me sinto arrependido em tê-lo chamado. É sempre bom ficar perto do senhor. Gosto do seu cheiro!
— Você está merecendo levar algumas porradas, menino. – Amintas abre espaço com seu corpo, empurrando o corpanzil do homem mais jovem.
— Adorarei, desde que seja o senhor quem as dê em mim. – Orville sussurra.
Era tarde da noite, quando Regina se larga na cama. Sorri ao ver o sobrinho deitar-se ali com ela. Amintas se senta na cama e sorri paternalmente.
— Você precisa ser mais cuidadosa, Regina. Principalmente agora em seu estado.
— Eu quero apenas dormir, chato!
— O que houve na fazenda para você ter fugido. Orville me telefonou e disse que você havia fugido para a estrada e não queria retornar.
— Miranda me assediou sexualmente.
Emitindo alguns muxoxos, Amintas encara a situação como algo cômico.
— Com todo esse furor que você demonstra, um dia sua casa iria cair.
— Ah, por que você não vai à mer...vai por aí à fora. – ela não termina a frase ao perceber que Johnathon estava bem atento ao que ela iria dizer.
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