Notas iniciais
Agradecimento a quem ler esta história.

Regina observa Killian ao longe, conversando com Johnathon, o filho de Mary e Amintas. Não consegue entender o que os dois teriam tanto para conversar, mas se tratando de Killian, o nível intelectual estava pareado e os assuntos também.

O homem fala algo e o menino começa a gargalhar, saindo correndo dali. Depois, o homem afasta-se e vai na direção de Regina, que já o aguardava por algum tempo.

— E então, super Regina? Qual é a pressa do chamado?

— Vamos conversar lá dentro. Aqui tem sempre muita gente.

Ele a segue e ambos entram no escritório da casa de Cora.

— Preciso de sua ajuda, Killian. E o assunto é sério.

— Alguém está morrendo e precisa da minha medula?

— Sua medula está contaminada pelas suas ervas. Quem precisaria dela?

Killian se senta no sofá e funga algumas vezes, coçando o nariz. Não parece muito interessado no problema de Regina, porque sentia que tinha algo a ver com a terceira tentativa de casamento de Amintas e Juliette.

— Mande logo essa maçã!

— Eu não estou com criatividade e não sei como convencer Amintas de que eu o amo. Ele irá tentar casar-se mais uma vez.

— Não entendo você, amiga. Quando o cara está sozinho, você o despreza para conseguir viver aventuras com outros saradões. Daí, ele decide dar um rumo na vida e você determina que ele deve ser seu.

— Tenho tanto medo de compromisso, Killian. Mas agora, é sério!

O homem nega com a cabeça e começa a rir. Por que não consigo acreditar em você? Por que sempre que fala em ficar com Amintas, na verdade você somente quer ligar o ventilador na farofa dele?

— O que está passando nessa sua cabeça oca?

— Imagine só: Killian Jones me chamando de cabeça oca. – Regina sorri desdenhosa. – Eu quero que ele continue solteiro.

Levantando-se, Killian demonstra impaciência.

— Você já teve sua chance, querida. Ele lhe deu todas as oportunidades e você desperdiçou todas elas! Tudo o que Amintas lhe pediu foi respeito e o que você fez durante esses meses? Brincou mais uma vez com os sentimentos dele. Sabe, Regina, nem você e nem Juliette merecem o amor do meu amigo. Estou pensando seriamente em pegá-lo para mim...ah, não vai dar! Eu sou casado!

Regina mantém a cabeça baixa e continua brincando com os próprios dedos. Ao levantar a cabeça, exibe o mais triste dos olhares de cachorrinho na chuva.

— Não me olhe desse jeito! Isso é golpe baixo! Não vou olhar para você e nem escutar você! Lá,lá,lá,lá!

— Eu somente posso pedir isso para você, Killian! – ela altera o tom de voz e tira as mãos dele, que cobriam os próprios ouvidos. – Somente posso pedir isso para você!

— Você não pode pedir isso para ninguém! Ninguém tem o direito de atrapalhar o casamento de Amintas!

O silêncio invade o cômodo e por longos minutos o casal permanece olhando-se como se estivesse numa competição para saber quem falaria primeiro.

— Eu vou me odiar por isso ou talvez eu me ame ainda mais. O que tem em mente?

— Nada! Por isso eu o chamei aqui. – Regina segura os ombros do amigo. – Você é quem irá criar alguma situação que impeça essa patuscada que Amintas insiste em fazer.

— Eu? Quer que eu entre na igreja e atrapalhe o casamento? O que vou dizer ao padre? Que estou esperando um filho de Amintas?

Mordendo o lábio inferior, Regina fica pensativa e depois maneia negativamente a cabeça.

— Por favor, Killian! Eu tenho somente você para pedir ajuda!

— Ai, como eu me odeio! Vou inventar algo e espero que não me critique depois.

Dias depois, Killian recebe Regina em sua casa e mostra-se mais animado do que no último encontro.

— Vamos conversar e não ligue para a mulher feia atrás da cortina. – ele aponta Emma que estava sentada e escrevia algo. – Ela está com o rosto verde, mas não é decomposição. É apenas um creme para relaxar a pele.

Regina sorri e percebe que Emma estava contrariada com o envolvimento de Killian em mais uma trapaça contra a tentativa de casamento de Amintas.

— Prometo que será a última vez que farei algo dessa natureza. Caso eu não consiga agora, deixarei Amintas livre para viver com quem ele quiser.

Massageando as frontes, Emma encara a amiga.

— Por que você tem tanto medo de compromisso, Regina? O que a impede de avançar para Amintas quando ele está sozinho? Por que sente tanto interesse somente quando ele está nos braços de outra mulher? Isso é patológico, sabia?

— Pode até ser, mas é mais forte que eu. Só que desta vez, eu firmarei minha palavra de que não insistirei pela quarta vez.

— Eu estive pensando...

Emma olha para o marido e exibe uma expressão furiosa.

— Você me disse que não iria ajudá-la nessa empreitada, Killian!

— Disse, mas agora eu “desdigo”. Mesmo que seja para que ela quebre a cara, eu vou participar disso. Sabe por que? Porque Amintas está pedindo socorro e quer ser salvo desse naufrágio que será um casamento com Juliette. Ele quer que Regina o jogue nos ombros e saia correndo com ele da igreja!

— Juliette o ama!

— Não, amor! Juliette está numa disputa de braço de ferro com Regina! – Killian sorri.

Olhando para o marido e depois para a jornalista, Emma não crê no que ouve.

— E Regina está agindo de forma diferente dela?

— Caso meu plano infalível não dê certo, eu encontrarei outro alguém para casar-se com ele. Amintas está louco para casar-se e já fez até promessas para todos os santos casamenteiros e os que não são do ramo! Caso eu o atrapalhe por um lado, ajudarei de outro.

— Não-se-meta-nisso, Killian!

— Eu quero ajudar os meus amigos, porque também sou um santo casamenteiro, mas legítimo.

— Você está falando sério? – Emma começa a ficar ainda mais irritada.

— Sim! Eu sou um santo casamenteiro!

A veterinária volta seus olhos bravos para Regina e a encontra inerte, aguardando o final da eletrizante discussão.

— Pelo visto, vocês dois não estão dispostos a desistir dessa maluquice! Já pensaram nos sentimentos de Amintas? Será que é isso que ele quer?

Killian vai sentar-se diante da esposa e segura suas mãos.

— Querida, o meu amigo Amintas ama Regina. Tudo o que ele deseja é ser conquistado, buscado e valorizado por ela. Finalmente, Regina percebeu que ele merece ser desejado como ser humano e eu vou ajudá-la a conquistá-lo.

— Vocês são dementes, sabiam? Vão ferir Amintas mais uma vez! Espero que ele dê um tiro em cada um de vocês!

— Você está do lado de Juliette? – pergunta Regina, provocando indignação em Emma.

A loira se levanta e retira-se da sala, indo para seu quarto sem responder.

— Ela está furiosa...

— Não se preocupe com ela. Emma está apenas momentaneamente brava, mas lá no coração sabe que amamos demais o Amintas para entregá-lo aos melindres de Juliette. Melindres por melindres, que fique com os seus.

Regina sorri e aproxima-se do amigo.

— O que você planejou?

— Venha. Sente-se aqui e ouça o que vou dizer.