Meu estranho amor 2

10 O tempo não para, mesmo


Regina se olha no espalho e desiste de vestir a calça. Mais uma peça perdida.

— Tente esta daqui. – Zelena entrega uma calça de moletom para a irmã.

— Mas isso é calça de ginástica! Olhe o tamanho desta barriga!

— Use até que cheguemos à loja. Sabe que terá de reformar seu guarda-roupas. – a ruiva acaricia as costas de mulher furiosa. – Depois, você poderá doar todas as peças que comprar.

— Eu vejo mulher grávidas tão elegantes nas revistas...eu quero ser uma delas. Olhe o tamanho da barriga!

— Quando será a consulta para o ultrassom?

Regina acaricia a barriga e sorri.

— Vai permitir que Amintas a acompanhe?

— Vai depender da vontade dele. Ele está tão distante de mim.

Uma risada sutil ilumina a boca de Zelena. Ela fala:

— Ele está tão lindo usando aqueles ternos...

— Por que você não fica com ele, então? Sempre o admirou tanto!

— Porque ele ama você, sua cabeçuda. Somente você o rejeita quando ele está livre. Agora, vocês terão um vínculo.

Dando de ombros, Regina consegue vestir a calça horrorosa.

Mais dias se passam.

Naquela manhã, Regina chega sozinha à clínica e não nutre esperanças de contar com a presença de Amintas para viver aquela emoção. Preenche a ficha na recepção e vai sentar-se na sala de espera, apanhando uma revista qualquer para folhear.

Alguém se senta ao lado dela e permanece em silêncio, até que Regina levanta os olhos e encontra Amintas sereno, com as pernas cruzadas e os olhos fixos num ponto qualquer da sala.

— Você veio! – ela se move na poltrona e sorri.

— Por que pensou o contrário? – ele alarga um sorriso e aumenta a dimensão de sua bocarra.

— Depois de nossa última conversa na festa de meu pai...

— Não estou esperando um filho com seu pai. Você e eu produzimos uma vida e sou responsável por vocês, até que o bebê nasça. Estarei sempre aqui para você, Regina.

Ela sorri e estende a mão para acomodá-la na coxa forte do homem. Sente a manzorra dele tocar sua pele, de maneira protetora.

Lá dentro do consultório, os dois encantam-se com as imagens surgidas na tela do aparelho de ultrassom. Para Regina, tudo era novidade e encantamento.

— Isso é a coluna vertebral do bebê? Aquilo é a coxa dele? – ela pergunta sorridente. – Ele está encolhidinho!

A médica e Amintas se entreolham e começam a rir.

— Estamos vendo a imagem apenas do crânio da criança.

Regina estreita os olhos e tenta localizar o que seria apenas a cabeça. Poderia jurar que havia visto o corpo todo e com detalhes.

— Vamos saber o sexo do bebê?

Naquele momento, Regina sente a pressão da mão de Amintas aumentar sobre a sua. Ela se esquece de olhar para a tela, porque o rosto bonito do homem chamava mais a sua atenção. As emoções passavam avassaladoras e exibiam-se em expressões diversas naqueles traços maduros. Como ele conseguia ficar mais bonito a cada encontro? Por que ela se recusava a assumir seus sentimentos e fazer parte definitivamente da vida dele?

— Parabéns, papais! Vocês terão uma menina!

Um grito involuntário eclode da garganta de Amintas. Ele gira, bate palmas e quando se vira para as mulheres, está com os olhos marejados pelas lágrimas. Inclina-se atrevidamente e beija os lábios de Regina por diversas vezes. Depois percebe a situação e volta a compor-se.

— Sim, Amintas. O homem é você!

Os olhos cor de avelã se voltam indagadores para o rosto sorridente de Regina. Eu? Que homem? Homem sou eu? O quê?

— Você é o homem que eu amo e o homem que eu quero.

Amintas desaba. Começa a chorar ruidosamente, emocionado com mais uma declaração de amor de Regina. Mas até quando ela sustentaria aquelas palavras? E ele chora pela incerteza e por todas as vezes em que havia acreditado naquela frase e despertado logo em seguida para outra realidade.

Ainda chorando, ele sai do consultório e vai aguardar o final daquela situação, bem longe de qualquer influência do poder do olhar de Regina sobre ele.

— Obrigada por ter vindo! – momentos depois, ela surge linda e farta. Toca o ombro dele e mantém o sorriso.

Ele se levanta e sorri. Estava controlado e mais calmo.

— Foi um imenso prazer.

— Mês que vem terei de retornar. Avisarei você quando marcar a data.

— Quer almoçar comigo?

— Adoraria. – ela segura atrevidamente o braço dele e os dois saem dali, sendo observados e admirados pelas funcionárias da clínica. Regina percebe os olhares e sorri, piscando um dos olhos para elas.

Depois do almoço, Regina não refuta o convite de Amintas para fazer a sesta num quarto de um hotel no centro comercial. Um local agradável e luxuoso para um momento especial. Além do sono, surgem muitos beijos e momentos de total intimidade.

Sem recusar-se em curtir o que lhe era lindamente oferecido, Amintas se aproveita de todas as oportunidades para embebedar-se da beleza de sua amada. Havia fartura a ser explorada e ele não se recusa em aproveitar-se de todos os detalhes, das mudanças naquele corpo e das novas reações e sensações que poderia oferecer a ela.

E é naquela semana que o casal assume o namoro oficialmente e trocam alianças de compromisso numa cerimônia discreta entre os familiares. Cerimônia discreta com a família de Regina e com Killian? Alguns adoram a novidade, mas outros lamentam a perda dos dois solteiros mais desejados no momento. Orville aprova o relacionamento, mas seu coração lamentava que seus objetos de desejo estivessem tão perto de seu corpo e longe de seu coração. Mas enquanto não formalizassem o casamento, tudo poderia acontecer, sobretudo, sendo Regina a mulher da relação.