Meu delinquente favorito. Nalu
2 Ganhando créditos.
Notas iniciais
“- Mãe. – Gritei alto a vendo de costas. Estava como eu sempre a imaginava: o vestido rosa longo no corpo parecendo uma boneca, o cabelo preso num coque alto e alguns fios soltos, e aquile sorriso de “está tudo bem” no rosto. – Viu onde papai me colocou? Aqui é horrível...
– Lucy, como você está maior desde a última vez que a vi... Afinal, faz muito tempo. – Ela disse a última frase mais para si do que pra mim. – Vi sim, mas não se abale. Daqui pra frente coisas incríveis vão acontecer com você. Várias pessoas vão entrar na sua vida...
– Mas mãe...
– Eu sei que coisas ruins aconteceram para você estar aqui... Mas, Lucy, acredite em mim, não existe melhor lugar para você estar... Pelo menos não agora... – Ela olhou para cima, pro nada, uma escuridão nos rodeava. – Você precisa ir, não esqueça que eu te amo demais.
– Eu também te amo, mamãe. – Fechei os olhos e voltei ao meu sono profundo.”
Acordei com o meu despertador, que eu nem sabia que tinha, tocando. Olhei para ele com a maior cara de hostilidade que eu possuía e rapidamente me lembrei da onde estava. O maldito reformatório. Bati a mão sobre ele e me levantei. Sete horas, minhas aulas começavam as oito. Olhei para a janela e vi que era um dia normal, fresco e o sol estava se espreguiçando ainda. Peguei minha escova de dentes, minhas roupas e uma toalha, parti para o banheiro.
Demorei algum tempo lá. Depois que sai, coloquei minhas roupas, peguei minha coisas de dentro da necessaire e me arrumei. Desci para o meu quarto com os olhos de algumas pessoa me encarando furtivamente e ignorei. Abri meu quarto e parei atrás da porta. Arrumei meu cabelo e olhei no espelho pela última vez. Respirei fundo abrindo a porta e me entregando de corpo e alma para o desconhecido. “Bem diplomático” pensei comigo.
Carreguei comigo um caderno, estojo e papel das minhas aulas. A primeira era português... Eu gostava, então não me importei, segui direto para os prédios 1, 2 e 3. O prédio 1 possuía somente as aulas de Português, inglês, história e geografia. O 2, Artes, biologia, filosofia, e por incrível que pareça, “cozinha”. O que não era nada bom, eu detesto cozinhar. O 3 e não menos importante, Matemática, química e física.
Segui para o primeiro prédio evitando os olhares em minha direção. Passei ao lado da fonte que se encontrava na frente do refeitório, peguei uma maçã e segui para a sala de aula. Entrei e todos estavam sentados, o sinal bateu no instante que passei pela porta e o professor me encarou.
– Senhorita Lucy, suponho. Que bom que chegou na hora. Sente-se. – Ele apontou pra um lugar vago na fileira do canto, no meio. Senti algo queimar em minha pele, quando olhei ao lado, a menina, Lisanna, estava me olhando com a pior cara que podia fazer. Segui reto para meu lugar e me sentei.
Que meu dia começasse. Só lembro de pensar. “Me surpreenda, Fairy Tail.”
~*~
Eu já estava na última aula quando notei, pela milésima vez uma menina baixinha me encarando, cabelos azuis e as vestes bem miúdas, estava começando a ficar irritada, e por ser aula de física, aquilo não me surpreendia.
Bateram na porta e o professor deu permissão para que entrasse. A secretária que fica no balcão veio entregar um papel e cochichou algo no ouvido do professor, ele olhou para mim e eu já sabia até do que se tratava.
– Senhorita Heartfilia, a diretora está chamando-a. — Todos se viraram para mim.
Meus pés estavam no encosto da cadeira do meu vizinho, quando botei meu pé no chão, as correntes de meu coturno cintilaram e fizeram um barulho um pouco irritante, ameaçador. Segui a secretária e olhei por um breve momento pela sala, Lisanna não se encontrava, e tinha uma outra carteira vazia. Apenas ignorei.
Depois de dar uma caminhadinha pelo campus, estávamos no primeiro lugar da escola, a secretaria, a porta ao lado com a placa pendurada em um amarelo dizia “Diretoria.” Entrei.
Lisanna estava sentada em uma das cadeiras em frente a diretora, murmurando algo em meio a um choro falso, revirei os olhos.
– Mandou me chamar? – Perguntei num tom despreocupado.
– Srt. Heartfilia? Sim, sente-se. – Me sentei. – Fui informado do que houve ontem... Queria saber, o que houve?
– Um acidente... – Lisanna abriu a boca mas eu a interrompi. – Eu estava olhando as pessoas no refeitório e sem querer esbarrei nela.
– Você manchou meu vestido branco e seda pura. – Lisanna disse chorosa.
– E você me bateu. Bom, — Disse me virando a diretora. – Diretora... – Olhei na plaquinha a cima da mesa. – Minerva. Ela começou com as agressões e eu não me contive, espero que entenda que entrei aqui ontem e que não posso passar a imagem de “fraca”.
– Hum... — Minerva olhou para nós pensativa. – Não quero mais que isso se repita, ou terei que interferir... Ouviram? – Acenamos com a cabeça. – Alguma pergunta?
– Eu tenho. – Falei. – O que ele está fazendo aqui? – Apontei a um menino parado na janela, cabelos róseos. – Ameba cor-de-rosa?
Ele se virou pra mim e sorriu sarcástico.
– Esse é Natsu. – Ela disse. – Ele disse ter observado tudo desde o começo, eu o chamei aqui para me contar o que viu, já que ele disse que estava do lado, onde toda confusão começou.
– Sim, foi um belo combo. – Ele disse. Após disso eu já sabia quem era. Foi o idiota que gritou “combo” enquanto eu batia na Lisanna.
– Hum... – Eu estava o olhando de baixo e ele saiu. – Só isso?
– Sim, podem ir, e não se esqueçam... – Minerva disse meio sombria. – Não quero isso acontecendo de novo, espero que eu esteja sido clara.
Lisanna saiu na frente andando rápido. Eu olhei para a diretora e dei um aceno breve de cabeça, passei pelo balcão e fui até a sala ao lado para me dirigir ao campus. Notei que brevemente havia um mapa da escola, colorido e com uma enorme bola vermelha escrita “você está aqui.”
Um armário ao lado estava com a porta aberta, cheguei perto para ver o que era e senti uma mão tão quente deslizar pelo meu corpo e me puxar para dentro.
– Lucy... – Disse alguém com voz reconhecível dentro de um quarto que pelo cheiro de poeira e desinfetante percebi ser o armário de limpeza.
– Huuuum... – Era a améba cor-de-rosa. – Nasu? – Falei provocando.
– Não... – Ele disse irritado. – Natsu...
– Oi. – falei seca.
– Você é muito bonita... Tem um belo corpo... – Ele disse passando a mão pela minha cintura. Eu não podia negar, ele soltava um calor eminente e delicioso.
– Eu beijo muito bem também. – Tentei parecer oferecida e funcionou, ele se inclinou para mim todo sorridente.
– Posso ver se é mesmo? – Quando estávamos bem perto, senti as mãos deles afrouxarem, escorrei por baixo e de suas pernas abri a porta e sai de quatro, chutando suas costas e fechando a porta, tudo tão rápido e ninja, senti orgulho de mim mesma.
Me ajeitei e segui para o refeitório, era por volta de duas horas da tarde e eu estava faminta. Andando em direção ao objetivo “matar a minha fome” vi a mesma menina de cabelos azuis me encarando, fiquei muito irritada. Comecei a andar em direção a ela, que não se moveu.
–Oi, algum problema? – Perguntei. – Por que está me encarando?
– Não... – Ela disse assustada. – É que eu gostei da sua blusa.
Olhei pra baixo automaticamente e vi que usava minha blusa de uma banda que gostava muito, Warrant, sorri e perguntei:
– Conhece?
– Eu amo. – Ela respondeu com o mesmo sorriso.
– Eu estava indo pro refeitório, ta afim?
– Qualquer pessoa que deu uma surra na Lisanna que me chamasse para comer, eu aceitaria. — Eu ri, enfim estava ganhando créditos. — Claro, estou faminta. – Ela se levantou do banco onde estava sentada e foi comigo para o refeitório.
Pelo menos agora eu já não estava tão sozinha.
~*~
Depois de comermos eu Levy fomos para o dormitório, nós, ficamos no mesmo andar, o segundo, e o quarto dela era o número 14, ela me disse que naquela noite aconteceria uma festa no quarto de um dos meninos, e sim, era do outro lado do corredor, mas, obviamente tinha as inspetoras.
– As pessoas vão arrumadas? Não é arriscado?
–Sim, vamos muito bem arrumadas, até muito. – Ela riu. — É um risco que corremos, mas é divertido. – Disse Levy. – O quarto dele é do outro lado do corredor, o número dele é 16 também, a localização é a mesma que a sua, a única coisa é que fica do lado deles, te vejo lá?
Acenei minha cabeça e sorri, entrei no meu quarto e olhei em volta. “Que dia mais louco” pensei. Lembrei do sonho que tive com a minha mãe, sorri automaticamente. O que ela disse de repente apareceu na minha cabeça com letras de cores fortes “Daqui pra frente coisas incríveis vão acontecer com você. Várias pessoas vão entrar na sua vida...”. Tomara que seja verdade, eu nem espera pra ver isso acontecer, pensou, eu deixando todo meu passado para trás, tudo aquilo que eu realmente não queria lembrar.
Pensei um pouco sobre tudo que aconteceu na minha vida até agora e me lembrei da festa. Peguei minha toalha e minha necessaire e subi para o banheiro, tomei meu banho e depois voltei, dormi um pouco pois estava sem muita coisa para fazer. Não sonhei com nada, foi apenas um sono normal, que mais pareceu uma cochilada, eu acordei exausta.
Levantei e fiquei no meu notebook sem ter muito o que fazer, olhei umas lojas de roupas e outras de celulares, ouvi música, essas coisas. Em certo momento vi que já eram onze horas da noite e me lembrei da festa. Levantei relutante e abri o guarda-roupa.
Escolhi uma camiseta branca estilo T-shirt, estampado com algumas coisas escritas, uma calça preta com uns rasgos que iam de cima em baixo e uma bota estilo coturno com algumas taxinhas coladas, eu adorava ela. Fiz uma maquiagem bem forte e baguncei meu cabelo. Passei um perfume muito bom que comprei uma vez que fui para França.
Depois de quase 40 minutos me arrumando, olhei no espelho e fiquei satisfeita com o que eu vi. Eu não era muito de me achar mas me sentia gostosa sempre. Meus seios eram fartos, minhas curvas impecáveis... Passei a mão pela cintura e por um breve momento lembrei de Natsu.
– Babaca! – Eu disse para mim mesmam, revirando os olhos e suspirando fundo.
Coloquei meu corpo para fora do quarto e observei o corredor que se estendia até o outro lado, o lado dos meninos, cheguei a beira da escada principal e vi duas inspetoras conversando e rindo de algo. “Belo serviço” pensei comigo.
Corri pateticamente para o outro lado e estava quase chegando ao quarto dezesseis, se não fosse, pela – TAN TAN TAN – inspetora que vinha na direção do corredor, entrei em pânico e me vi na frente do quarto 15, eu podia andar e abrir a porta entrando muito rápido, mas o som que viria de lá de dentro ainda seria audível. Eu fiquei perplexa sem saber o que fazer. Quando a inspetora virou a esquina do corredor a porta trás de mim se abriu, eu nem pensei duas vezes, entrei de costas mesmo, só pra ela não me ver, caindo sobre algum corpo.
– Arrgh. – Reclamaram abaixo de mim. Me levantei rápido e fechei a porta. – Lucy?
Era Natsu.
– Inspetora está vindo, o que eu faço? – Eu deveria estar branca. Minha fala saiu quase robótica.
– Deite-se... – Eu o olhei perplexa. – Ora, vamos, deite logo. – Ele bufou.
Obedeci, deitando, fechei os olhos, Natsu abriu o guarda-roupa dele e jogou tudo em cima de mim, me tampando por completa. Nesse momento, a inspetora abriu a porta.
– Senhorita? Entre. – Ele segurou na mão dela, que entrou cheia de malícia. Oferecida. Natsu a encostou na parede e colocou seus joelhos em meio as pernas dela. – Quero lhe pedir um favor. – Sussurrou no ouvido dela.
– O-oque você quiser... – Ela disse tremendo em cima dele.
– Um dos meus amigos estão fazendo uma festinha aqui no quarto 15... Não deixe as outras inspetoras chegarem muito perto, ok?
Ela acenou com a cabeça.
Natsu selou os lábios dela de um jeito tão quente que eu me remexi de baixo daquele monte de roupa, que cheirava a ele fortemente. Estava calor.
Ele olhou rápido para mim e riu, soltou a moça que partiu envergonhada.
No momento em que a porta se fechou eu empurrei toda a roupa para cima e respirei. Natsu veio e se deitou em cima de mim, me pirraçando.
– Livrei sua cara outra vez.
– E por que seria outra vez? – Perguntei.
– Por que acha que Minerva não te castigou? – Ele sorriu maliciosamente.
– Aaaaah Natsu. – Disse entediada. Levantei ele com uma de minhas pernas e o joguei contra a parede encostada na cama. – Cale a boca.
Desci da cama e Natsu agora estava deitado me olhando como se dissesse “como você fez isso?”. Eu ri com a expressão dele. Me ajoelhei na cama e cheguei bem perto de seu ouvido.
– Vamos lá Natsu, você não está me entretendo o suficiente, você é capaz de mais, não é? – Passei minha língua pela sua orelha e dei as costas, saindo do quarto dele.
Vocês deveriam ver a cara dele.
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