Notas iniciais
Sou apaixonada por Jason Mraz. Então vai aí a dica: escrevi este capítulo ao som de It's So Hard To Say Goodbye To Yesterday. Se alguém achar legal, pode ouvir enquanto acompanha a história.

Seus sapatos chutavam a neve alta e provocavam pegadas fundas e raivosas ao longo do trajeto desde a grande porta dos fundos do castelo até determinada entrada da floresta negra. Geava muito. Suas vestes da escola, antes cinzas, agora se tornavam brancas.

A medida que adentrava mais a floresta, ficava mais escuro e a neve caía menos. Fitava o chão, com as mãos dentro dos bolsos e seguia em frente, determinada. Quanto mais longe de tudo e todos pudesse ir, iria. Pequenos galhos congelados se partiam sob seus pés conforme a garota caminhava com pressa em direção ao coração daquele mar de árvores gélidas.

Ao fundo, podia ouvir o canto de alguns pássaros se distanciando cada vez mais da realidade. Não queria ouvir nada, a única coisa de que precisava agora era do silêncio e da solidão total.

Parou e olhou em volta. Era difícil visualizar a uma certa distância, pois a alguns poucos passos chegaria na altura da floresta em que as copas das árvores se fechavam por inteiro, provocando escuridão total.

Não que haveria problema em adentrar aquela realidade negra, pois já estava vivendo algo muito parecido com isso. Mas algo no fundo a dizia para não continuar.

Sentia raiva e nada além disso. Uma vontade enorme de gritar estava presa em sua garganta e a fazia sentir um nó, entalado, que a irritava ainda mais. Ela não merecia passar por isso.

Cerrou os punhos e fincou as unhas nas palmas das mãos, com toda força que conseguia. Apertava os olhos, mas não conseguia chorar. Sentia algo muito mais forte do que a tristeza. Estava vazia por dentro.

A garota recostou-se em um tronco de árvore e encostou a cabeça no mesmo. Como em um impulso, socou a madeira, com força. A dor lancinante percorreu todo seu braço. Ainda não estava satisfeita. Precisava de mais para sentir que estava viva. Socou a madeira novamente. A dor a fez gritar. Era disso que precisava.

Hermione gritava com todas as forças dos seus pulmões. Era um grito que estava contido ha um bom tempo. Estava tão cansada de ser forte.

Em um ímpeto, jogou seu casaco no chão e rumou em frente, em direção a escuridão. Ela não se importava. Empurrava os galhos e folhas congelados a sua frente com tanta fúria que não era capaz de sentir os mesmos a cortando em seus braços.

Não enxergaria mais nada a poucos passos de distância. Conforme se aproximava mais, a escuridão ficava mais próxima. E a dor ficava mais intensa.

Continuou, firme. Fechou os olhos e adentrou o negro. Parou por um instante, e ainda com os olhos fechados, apenas ouvia sua respiração. Estava extremamente frio.

E então algo, ou alguém a puxou de volta, violentamente. Não queria saber o que era, não queria olhar, não queria mais viver. Tentou se desvencilhar mas aquilo a prendia com muita força. Abriu os olhos, mas não conseguia enxergar nada, apenas sentia que estava sendo carregada. A garota gritava a plenos pulmões, tentando se empurrar de volta. Experimentava agora um novo sentimento. Medo.

Não soube dizer quanto tempo aquilo durou, pode ter sido segundos. Ou mesmo minutos. Chegaram de volta à clareira e foi posta novamente no chão. Tinha medo de encarar a realidade. Não precisou, como em um despertar do transe, uma mão quente encostou em seu queixo e o levantou suavemente. Toda a tensão de um minuto atrás havia se dissipado.

Levantou os olhos e encarou Victor Krum. O garoto a observava nitidamente preocupado, mudo. Sua outra mão ainda apertava o braço de Hermione e parecia sentir medo de a soltar. A garota ofegava, ainda o encarando. Seu coração batia muito forte, como se fosse sair do peito a qualquer momento.

Olhou para baixo, perdida. Sentiu a mão de Victor deslizar pelo seu rosto e adentrar seus cabelos, até chegar em sua nuca. O garoto trouxe o rosto de Hermione, com cuidado, até seu peito, sem dizer uma só palavra.

De repente, todos os sentimentos a acertaram de volta com um golpe arrebatador. Todo o vazio estava novamente sendo preenchido de uma forma tão intensa, que não cabia dentro dela. Um soluço quebrou o silêncio que até então, reinava. E assim, elas finalmente vieram a tona. As lágrimas molhavam o peito de Victor. O garoto a puxou ainda mais e a abraçou forte contra seu corpo.

Hermione encolheu seus braços e mergulhou a fundo no abraço do rapaz, extremamente vulnerável. Chorava como uma criança, externando toda sua dor. Sentia as mãos de Victor acariciando seus cabelos, tentando acalma-la, enquanto a abraçava.

– Como me encontrou? — As palavras sairam trêmulas da boca da garota.

– Estava voando quando te vi atravessando o gramado. — Krum falou baixo, com sua voz levemente rouca.

Hermione se afastou um pouco e enxugou as lágrimas do rosto. Suas mãos tremiam muito, não sabia se era de frio ou de vergonha. Olhou em volta e viu seu casaco jogado no chão, pouco adiante. Caminhou até ele e notou, caído logo ao lado, um envelope amassado. Abaixou-se e o abriu com pressa. Tinha se esquecido completamente da carta de Harry.


"Estamos bem. Ainda sem resultados. Aguardando a nevasca diminuir um pouco para podermos seguir em frente com o acampamento. Estive pensando em Falmouth, uma vila perto de Godric's Hollow. Pode ser que encontre algo por lá. Me responda o que acha.
Obs: Rony já está dormindo ha 3 horas seguidas. Falei para ele descansar um pouco, para podermos revezar a ronda da noite. Não sei se foi uma boa idéia traze-lo.
Harry".


Dobrou novamente o papel e o guardou no bolso das vestes. Voltou a vesti-la e se virou para Krum, que estava recostado em uma árvore, a observando. Segurava sua vassoura em uma das mãos. Hermione se aproximou dele e parou a uma certa distância. Tomou coragem centenas de vezes, antes de conseguir dizer:

– Erm...sobre o que aconteceu aqui, eu...

– Está um belo tempo para um chocolate quente, o que acha? — Krum a interrompeu. Deu um sorriso de canto e montou a vassoura. Fez um aceno com a cabeça para que Hermione a montasse também.

A garota ficou parada por alguns instantes tentando entender o que se passava. Viu Krum sorrindo novamente para ela e, finalmente, foi até ele e montou sua vassoura, passando seus braços em volta do rapaz.

– Segura firme. Vai ver agora o que é voar com um Abutre de Vratsa. — Com um impulso forte no chão, Krum levantou vôo e escapou da floresta por um estreito vão entre as copas da árvores.

Notas finais
MUITO obrigada aos leitores que comentam. Mesmo que seja para fazer uma crítica ruim, é válido. Para quem escreve, o que motiva são os comentários! Preciso muito deles para saber se continuo e o que posso fazer para melhorar. Obrigada!