Julie

Havíamos chegado no cinema, estavam todos descendo do carro, até que percebi que Alex estava pegando alguns doces e chocolate.

–O que você está fazendo?- Perguntei, curiosa.

–Espera pra ver.- Ele disse, com um sorriso misterioso no rosto

Descemos do carro. Fomos escolher o filme. Acabaram escolhendo O Pacto. Só de olhar para o cartaz, meu estômago revirou. Pedi para o Alex ir comprar pipoca comigo, e ele aceitou. Enquanto estávamos na fila, comecei a sentir uma tontura repentina.

–Tive uma ideia.- Eu disse, meio que do nada.

–Ok- Ele se virou para mim- Me fala.

–Guarda a pipoca e o refri na bolsa, junto com os doces.- Eu disse, dando tudo para ele- Nós vamos ficar fora dessa sala de cinema com esse filme de terror horrível.

–Eu não to entendendo...- Ele parecia confuso, mas quando eu comecei a encenação,ele entendeu tudo.

– Nossa, não estou me sentindo bem..- E fui cambaleando até Mary, Mille, Mah e Erick.

–Ju? – Mille parecia preocupada.- Tudo bem? O que está sentindo?

–Eu to me sentindo tonta, não to legal- Comecei a cair perto do Alex- Vão ver o filme, vou ficar tomando um ar por aqui, ok?

–Tem certeza?- Erick me olhava,confuso.

–Tenho sim, ta tudo bem – Eu disse, me segurando nos braços do Alex .

–Eu fico com ela, podem ir.- Ele disse, me segurando.

–Ah claro.- Mah disse, nos olhando com malicia- Vamos, gente.

–Não sei, não.- Mary disse- Quero ficar – Nesse momento, fingi um desmaio. Alex me pegou no colo.

–Vou colocar ela no carro- Ele disse- Quando ela acordar, se ainda quiser ir, entramos La ok?

–Ok...- Mary estava incerta,mas foi mesmo assim. Por via das dúvidas, continuei com a ceninha.

–Ok, pode abrir os olhos agora.- Ouvi a voz de Alex e sua risadinha tímida. Abri os olhos e a primeira coisa que vi foi sua boca, aberta num sorriso lindo. Só depois de alguns instantes, percebi que estava sentada no colo dele.

–Desculpa...- Senti que meu rosto estava pegando fogo e sentei ao seu lado.- Então...

–Você está vermelha de novo.- Ele disse rindo, e pegou algumas mechas do meu cabelo.- Posso deitar no teu colo?- Ele perguntou, olhando pra mim. Assenti e me arrumei para que ele pudesse deitar a cabeça.- Minha bolsa está ali, quer pegar algo?

– Quero saber de você- Eu disse, tentando, com todas as forças, ficar menos corada. – O que fa no seu tempo livre? Tem algum hobbie?

–Na verdade, tenho sim. – Ele disse, olhando pra mim.- Eu surfo.

–Você surfa? Mentira- Eu não acreditei.- Me ensina?- Eu pedi, rindo

–Claro.- Ele disse, mexendo no meu cabelo.- Sabe ficar em cima de um skate, pelo menos?

–Não- Eu disse, rindo – Eu sou meio desajeitada pra essas coisas

–Ah, ok- Ele disse, rindo- Então, agora tenho um trabalho a mais. E você? Algum hobbie?

–Tenho dois, na verdade.- Eu respondi

–Quais são?- Ele perguntou, olhando dentro dos meus olhos

– Ler e dançar- Eu disse- Mas acho que já sabe que gosto de dançar- Eu disse, um pouco sem graça

–É, gosta .- Ele disse, e agora havia malicia nos olhos dele. Começamos a comer a pipoca, e depois os doces, e então o chocolate, tomamos todo o refri e mal percebemos isso. Estávamos conversando tanto, conhecendo um ao outro.

–Cor preferida?- Ele perguntou

–Verde- Disparei, rindo- E a tua?

–Azul- Ele disse, e pegou um pedaço do meu vestido- Principalmente azul escuro.- Ele esboçou um sorriso, e senti meu rosto quente de novo.- Eu falo coisas tão constrangedoras assim pra você ficar vermelha?

–Não estou vermelha...- Eu disse, tentando me defender.Ele se aproximou

–Ah não, claro. Erro meu.- Ele se aproximava cada vez mais- Essa vermelho aqui é sua cor natural?- E tocou meu rosto. Olhei pra ele

–Alex....- Mas ele continuou se aproximando. Fechei os olhos, senti a respiração quente chegar mais e mais perto, nossos narizes se encostando e....

–AAAAAAAAAAAAAAH- Ouvimos um grito e nos afastamos rapidamente- QUE LINDOS-Era Mille e Mary

–O que ?- Erick se aproximou da janela do carro- O que é lindo?

–Quero ver também- Era Mah, tentando ver o que quer que estivesse acontecendo

–Nada- Alex disse, e percebi que estava vermelho-Não tem nada pra ver...

–Ah claro.- Erick disse, e ia continuar se Mary não o tivesse interrompido

–Se ele disse que não tem nada pra ver, é porque não tem mesmo.- Mary disse, e olhei pra ela agradecida.- Ju, eu e a Mille podemos ficar na sua casa hoje?-Ela perguntou.

–Claro, mas e a aula?- Perguntei,confusa.

–Ah não. Essa semana não tem mais aula porque alguém bagunçou todo o sistema da escola, vai levar dias pra arrumar tudo.- Ela explicou- Então, Mah, deixa a gente na casa da Ju?

–Claro, deixo sim –Ele disse, distraído – E vocês? Querem ficar La em casa?

–Ta, por mim ok.- Erick disse.

–Por mim também, sem problemas.- Alex disse- Só precisamos avisar minha mãe..

–A gente ta quase na sua casa. Tem problema ser agora?- Mah perguntou

–Não, por mim tudo ok.- Ele olhou pra mim- Tudo bem pra vocês meninas?- Eu assenti, então ele olhou para as meninas, que também concordaram. Mah parou o carro, e todos descemos. – Venham, minha mãe adora visitas.- Então, ele pegou minha mão e me conduziu até a porta.- Mãe, vem Ca. Meus amigos estão aqui.- Ele gritou, e uma mãe super animada entrou na sala e abraçou todos- Mãe, essa PE a Julie, ela é nova.

–Oi, querida- Ela disse,e me deu um abraço e um beijo na bochecha

–Até que enfim- Eu disse, e todos olharam pra mim – Alguém com os mesmos costumes brasileiros que eu.- Eu disse,sorrindo.

–Ah, você é brasileira?- Ela disse, surpresa

–Sou, sim-Eu disse.- Morei La ate os 6 anos, ai me mudei pra Itália, e depois pra Londres, etc. – Eu disse- Meu pai é um agente da CIA muito famoso, o ruim disso é só nunca ter casa fixa;- Eu disse, num riso forçado.

–Ah, eu entendo.- Ela disse, colocando a mão no meu ombro- Sou brasileira também. Vim pra Ca aos 17 e nunca mais voltei, tenho tanta saudades.- Ela disse, rindo e me olhando carinhosamente.- Meu nome é Carla, alias.

–Muito prazer, Carla- Eu disse,e percebi que Alex me olhava com um sorriso no rosto.

–Mãe, posso dormir no Mah hoje?- Ele perguntou, e explicou sobre o sistema da escola.

–Ah,claro que pode- Carla disse.- Então, me contem do filme.- Começou uma faladeira interminável. Vozes tentando se sobrepor umas as outras. Quando sinto Alex agarrar minha mão.

–O q..- Ele tapou minha boca. Subi as escadas,como ele pedia,até chegar no quarto dele.- Pr que me trouxe aqui?- Perguntei, surpresa.

–Calma- Ele disse,rindo- Só vim te mostrar minha prancha- E apontou para o objeto azul, enorme ao lado da cama.

–Azul..- Murmurei, sorrindo. Era enorme, azul com entalhes roxos . –Caraca.

–É, é grande- Ele riu

–Sim, muito.- Eu dizia, de boca aberta. Percebi que ele me olhava,rindo.- Que foi?

–Você- Ele disse,com a maior naturalidade- Toda fascinada numa prancha.- E riu

–Me da teu celular- Eu pedi

–Pra que?-Ele perguntou,surpreso

–Só me da-Eu disse,rindo. Ele pegou o celular do bolso e me deu.- Senha?- Pedi. Ele colocou e me devolveu. Salvei meu número no celular dele.- Pronto.- Entreguei a ele

–Eu te chamo, depois.- Ele pegou, rindo.

–Vamos descer?- Perguntei.

–Só vou pegar umas roupas- Ele disse, se virando e abrindo o armário. Pegou duas camisas, uma bermuda e duas cuecas.

–Por que duas?- Eu perguntei, apontando pra suas roupas íntimas.

–Eu surfo com uma. – Ele respondeu, meio sem jeito

–E claro que tinham que ser azuis- Eu disse, rindo.

–Olha,nem são todas azuis ok?- Ele respondeu, um tanto sério?

–Jura?-Eu disse

–Juor.- Ele disse

–Prova.- Eu desafiei. Então, ele abriu o zíper da calça e a abaixou

–Viu?Essa é branca- Arregalei os olhos e me virei de costas. Dessa vez , eu tinha certeza que estava vermelha- Pode virar, já coloquei de volta- Ele disse, rindo.

–Por que fez isso?- Eu me virei, rindo totalmente sem graça- Podia só ter pego outra no armário.

–Ah não- Ele disse- Que outra chance você terá de ver minhas pernas e minha cueca?

–Ok- Eu disse, rindo- Podemos ir agora? Ou vai continuar tirando a roupa?- Ele riu

–Ah, se você quiser posso tirar a camisa- E fez menção de levantar a camisa

–Não é necessário – Eu disse, indo em direção a ele e baixando sua camisa

–Tem certeza?- Ele perguntou,enquanto pegava minha mão e levantava a camisa. Ia dizer que sim, mas olhei para aquele abdômen e não consegui falar nada- Pode passar a mão- Ele pegou minha outra mão e passou no corpo dele. Desde o peito até a calça.

–Tenho certeza- Tirei as mãos dele e virei de costas

–Poxa, só por que eu ia te fazer um showzinho?- Ele perguntou, se aproximando do meu pescoço

–Que show?- Perguntei, o incentivando. Então, senti suas mãos na minha cintura, me virando.

–O que está acontecendo aqui?-Era Carla, a mãe do Alex