Alex

—o que está acontecendo aqui? — Era mamãe

Não deu tempo nem de abrimos a boca para explicar, e a porta já estava cheia de gente curiosa com muitas perguntas

—por que está segurando a cintura dela? — Eram Erick e Mah, indignados

—Por que está semi nu? — Era minha mãe

—POR QUE VOCES ESTAO NESSA POSIÇÃO? ELE TÁ PRATICAMENTE PELADO, AÍ MEU DEUS — Era Mary e Mille.

—Pelo amor de Deus. Não está acontecendo nada. — Eu disse, irritado e envergonhado. — Cadê a privacidade?

— e pra que você precisa de privacidade? — Agora fode de vez a situação — e quem é essa vagabundinha aí? — Era meu pai.

—Tom, não fale assim da menina. — Mamãe tentada acalmar a situação

—Ela está num quarto com o meu filho semi nu. Como não vou trata — lá assim? — Sua expressão era fria. Peguei a mochila e fiz um sinal com a cabeça para todos descerem.

—vai descendo, eu cuido disso. — Sussurrei no ouvido dela — E leva minha bolsa. — Ela fez que sim com a cabeça e desceu, passando com a cabeça baixa pelo meu pai. — Nunca mais dirija uma palavra a ela. — Eu o encarei como nunca na vida. Sempre tive medo dele e o obedeci. Mas não hoje.

—Olha como fala comigo — Ele disse, dando um passo a frente.

—Então, veja como falou dela. — Minha mãe se colocou na frente dele. — Alexander vai dormir na casa do Marcelo hoje. Marco foi pra praia com uns amigos e eu vou dormir na casa da Julie, já que já conheci a mãe dela e ela me aceitaria de braços abertos, tenho certeza. — Ela disse, com um sorriso falso no rosto — Durma sozinho com a tua ignorância e pense muito no que fez .

—Está me deixando de castigo? — Papai perguntou, indignado. — Tenho quarenta e dois anos, não cinco.

—Do jeito que agiu a pouco, parecia uma criança birrenta sedenta de atenção. — Mamãe foi dura. — Então, sim. Está de castigo. — Pegou meu braço e foi até o quarto dela — Me ajude a pegar aquela bolsa, por favor?.

—claro — peguei a bolsa para ela e a entreguei — obrigada por defender a Julie — Disse, sem jeito

—Não há de quê. — Ela deu de ombros — Além do mais, ele está insuportável já faz uns dias. Precisava botar pra fora, sabe?

—Sei sim, mãe — Dei risada. Ajudei ela com as roupas e descemos. Logo que saímos do quarto, papai entrou e se trancou. Ao chegar na sala, meu coração se despedaçou. — Julie? — Ela estava..... Chorando?

—Me desculpe — Ela dizia, aos soluços — Não queria causar briga. — e abaixou a cabeça de novo.

—Ju-chamei. Vendo que ela não estava levantando o rosto, sentei no chão e levantei um pouco o rosto dela, de modo que nossas testas ficassem encostadas. — Não chora, por favor. Ele não tinha o direito de te tratar assim.

—Viu como ele falou? — Ela levantou a cabeça subitamente. O rosto manchado de lágrimas — Ele me olhou com tanto nojo... — Ela fechou os olhos e mordeu o lábio. Comecei a ver gotas de sangue surgindo da boca dela

—Ju- Toquei suas bochechas — Para. Olha pra mim. — Ela abriu os olhos e soltou o lábio. — Ele foi ignorante. Não olhou pra você direito. Não perguntou nada. Ele é sempre assim. Impulsivo. E as vezes, aliás, na maioria das vezes, quase sempre.... — Parei, pensando um pouco — É, quase sempre ele machuca as pessoas a volta dele. Mas ele está tão cego de poder que não percebe. — Me aproximei dela e beijei — lhe o nariz, fazendo a garota corar- Não fica assim. — disse, tornando a tocar seu rosto. Então, ela me abraçou. Agarrou meu pescoço, os cachos pelo meu ombro nu, no meu rosto, no meu peito.... E aquele cheiro de mel do cabelo dela? E então, eu pude ouvir, bem baixinho.

—Obrigada — Ela disse. Tão baixo para que só eu pudesse ouvir. Senti suas lágrimas tocarem minha pele. Passei os braços em volta da pequena e fechei os olhos, me permitindo sentir o calor daquele abraço....

Não sabia ao certo quando tempo havia se passado, mas ela havia parado de chorar. Tirou os braços do meu pescoço e beijou- me a testa. Abri os olhos e encarei aquele sorriso encantador. Minha pele formigava onde outrora seus lábios me tocado. Não pude deixar de sorrir ao ver seu narizinho vermelho.

—Vamos? — ela perguntou as meninas, incluindo minha mãe, e se levantou. — Vem- ela estendeu a mão para de ajudar a levantar. Aceitei. Ela me estendeu uma camisa branca e azul escrito "Surf" com uma prancha florida em baixo e logo após me entregou a bolsa.

—Obrigado. — disse, sorrindo. Peguei a mão dela e fomos até a porta. — Mãe, vai com o carro?

—Vou. Pega a chave pra mim? — Peguei e joguei pra ela- Obrigado. — Ela disse, acenando. — Vamos, meninas? — ela perguntou animada, e todas concordaram. Me despedi das meninas, dei um abraço forte na mamãe e um beijo na testa de Julie. E elas foram. Entrei no carro do Mah.

—Seu pai acordou de mau humor nessa década, foi? — Erick perguntou, sério. Mas percebi uma pontada de sarcasmo.

—Pra vocês verem o que eu "suporto"- Fiz as aspas com os dedos e revirei os olhos teatralmente — Ele não cumprimentou ninguém e já chegou chamando Ju de vagabundinha. — Coloquei a mão na cabeça enquanto fazia sinal negativo com a mesma. — Não consigo acreditar.

—Se não fosse pela sua mãe, você teria tomado uma surra igual quando a gente era moleque -Mah disse, preocupado. Quando eu tinha 6 anos, meu pai tinha brigado com o advogado e chegou em casa bravo. Ele me olhou e simplesmente me bateu. E isso se tornou hábito nos próximos oito anos. Ele chegava bravo e me batia. Dava uma surra em mim e no Marco. Nunca entendíamos. Até que, um dia, quando tinha quatorze e Marco quinze, nós nos defendemos e batemos nele. Claro, não como ele batia na gente, mas batemos. Desse dia em diante, ele nunca mais nos bateu.

—Bom, então vamos. — Mah disse, acelerando o carro. A noite foi tranquila. Filmes de terror, vídeo game, assalto a geladeira de madrugada. Fiquei dois dias na casa do mah, e depois fomos perturbar a mãe do Erick. A semana passou voando, e não vi Julie. Eu mandei várias mensagens que ela não respondeu. Pedi pra Mille me passar o Instagram dela. Fui olhar e haviam fotos recentes. "noite do pijama com as meninas" "shopping com os melhores" "manhã no Starbucks com a mamãe" ela andou bem ocupada. Mas, ela estava me evitando? Não entendia porque. Será que era por causa do meu pai? Desconfiava que sim, mas deixei pra lá. Talvez ela só precisasse de um tempo pra ela.

Ouvi a buzina de um carro e peguei minhas coisas. A mãe do erick, Cármen, abriu a porta pra mim.

—Oi mamãe — Cumprimentei ela com beijos na bochecha. — Como foi sua semana?

—Ótima. — ela disse sorrindo. — Seu pai mal deu sinal de vida. E a sua, amor?

—Ótima. — eu disse, animado. — embora eu ache que a Julie está me evitando... — Eu disse, dessa vez sem animação nenhuma.

—Bobagem. — mamãe disse, mas sabia que estava escondendo algo. Mas achei melhor não perguntar. — então, vamos? — ela perguntou. Apenas concordei, e ela acelerou. Estávamos indo de volta pra casa. De volta para o monstro que havia acabado de voltar para nossas vidas.

Notas finais
Desculpe pelos errinhos. Estou pelo celular e morrendo de sono. Espero que tenham gostado.