Meu Vizinho, Justin. - Third Season
21 Vou ficar do seu lado
POV Tamara
- Você tem que se lavantar e se arrumar se quiser ir pra aula. — minha mãe dizia enquanto me cutucava, mas eu não esboçei nenhuma reação.
Ela saiu do quarto e eu tentei levantar, tinha que ter ânimo pra poder ir na escola, seria o único lugar que eu poderia ter contato com todo mundo. Fui ao banheiro e tomei um banho gelado,respirei calmamente, a medida que o ar ia enchendo os meus pulmões e eu ia lembrando novamente de cada detalhe da noite passada, lágrimas começaram a rolar e se misturar com a água gelada que me fazia tremer, mas eu não estava ligando muito. Percebi meu braço vermelho com vários arranhões e na minha perna também. Mas não doía, aliás parecia que eu estava intorpecida, acho que ainda num tava acreditando muito no que eu tava passando, tava parecendo aquelas histórias bizarras que a pessoa é trancafiada num quarto pro resto da vida.
Mas comigo num ia ser pro resto da vida, uma hora ela ia notar do quanto isso que ela fez foi estúpido e uma atitude sem pensar.
Me arrumei com um desânimo que nem eu mesma sabia o porque, eu ia ver ele não era? Eu ia poder abracá-lo, nem que fosse por pouco tempo.
Peguei minha mochila e nem fiz questão de saber quais livros levaria ou se tinha algum dinheiro ali dentro. A porta do quarto estava aberta então saí e me direcionei até a porta, tentei abrí-la mas estava trancada.
- Eu vou te levar na escola, agora senta e vai comer alguma coisa.
Dei meia volta e sentei no sofá.
- Não vai querer comer? Tudo bem. — Ela disse ríspida.
Continuei encarando o vazio e acho que estava mais parecendo um zumbi, o olhar vazio, o cabelo desgrenhado, não liguei muito pra isso. Só queria sair dessa casa.
- Vem. — Ela disse e abriu a porta.
Fomos até o estacionamento e entrei no carro. O caminho inteiro foi de um silêncio que me deixava mais nervosa. Tinha medo que até da escola ela me tirasse. Aliás, ela já devia tá no trabalho! Então o que ela veio fazer me deixando na escola, por favor que não seja algo pra me deixar mais infeliz.
Paramos em frente a escola e pude ver o J, o Math, a Nick, o Chaz, o Ryan e a B. Todos na entrada da escola. Respirei aliviada, eu ia poder ficar perto deles e longe daquela casa por algumas horas, abri a porta mas ela me puxou.
- Não vou poder te proibir de falar com ele na escola, mas eu sei que aqui vocês não vão poder se agarrar.
Puxei meu braço de volta e fingir não ter ouvido uma palavra do que ela disse. Saí do carro e o J estava apreensivo, ele me olhava e parecia não poder aguentar mais um segundo pra poder me abraçar. Me virei pra ela e a encarei, ela não aguentou me encarar, deu a partida no carro e saiu. Fechei os olhos e dei um meio sorriso, sabia que eu ia ganhar um abraço do meu J e aquilo já me reconfortava.
Dei passos curtos, mas o J não aguentou, assim que o carro da minha mãe dobrou a esquina, ele saiu da escola e veio quase que correndo até mim. Me abraçou apertado e sentia seu peito pressionando contra o meu, as batidas do seu coração acelerada me acalmaram e eu sabia pelo modo que ele me abraçava apertado que ele estava com tanto medo quanto eu, de que nós dois tivéssemos que terminar.
Me deu um beijo na bochecha e entrelaçou as nossas mãos, os outros saíram da escola e vinheram até nós.
— Como você tá? — A Nick perguntou e me abraçou.
- Uma bagunça. — balbuciei as palavras.
- A situação tá tão ruim assim? — O Math me olhou.
- É bem pior do que parece, minha mãe nunca agiu assim antes. — Eu apoiei minha cabeça no ombro do J e ele depositou um beijo na minha testa. Dei um sorriso torto que não durou muito.
- O que ela fez? — O Ryan perguntou.
- Basicamente ela quebrou o meu chip pra mim não ligar pra mais ninguém e me tirou o computador. Ah e esqueci, como se já não fosse o suficiente ela me trancafiou no meu quarto, provavelmente as paredes do meu quarto vão ser as únicas coisas que eu vou ver por um bom tempo.
- A Marie fez isso? Não acredito! — A Nick falou surpresa com toda aquela revolução que tinha acontecido.
- É... — eu disse cabisbaixa.
- Olha, eu moro no apartamento aqui pertinho da escola e se vocês quiserem a gente pode ir pra lá, acho que você não tá com cabeça pra assistir aula , né Tamy? — O Math propôs.
- O que você acha shawty? A gente pode ir pra lá se você quiser.
- Você iria amor? — Eu o perguntei.
- É claro, eu não tô interessado em passar horas nessa escola quando na verdade não quero perder um minuto do seu lado.
- Tudo bem, eu quero ir. — Fiquei mais animada com aquela ideia.
- A gente também pode ir ou só eles dois podem? — A Nick perguntou.
- Lógico que todo mundo pode ir! — o Math disse.
- Perfeito, amo matar aula. — o Ryan sorriu.
Todos saímos pela rua até dobrar a esquina, as ruas pareciam um tanto desertas pra aquele horário da manhã, era um bairro bem mais calmo e logo pude ver alguns prédios. Um deles era enorme e lindo, nos direcionamos até lá e ele falou com o porteiro. Entramos sem problemas e nos direcionamos ao seu andar. Era um dos últimos, lógico que não devia ter ninguém em casa.
Mas assim que entramos vi uma mulher.- Math, não foi pra aula? — Ela disse.- E ainda trás pessoas pra fazerem bagunça?
Nós trocamos olhares e confesso que não me senti bem-vinda!
— Relaxa Lola, esses são outros amigos, não vinhemos pra... Dar uma festa. Viemos resolver umas coisas, mas eu explico melhor pra minha mãe. — Ele sorriu, mas ela ainda não estava convencida, acho que os outros amigos dele causaram um grande trauma nela com a bagunça.
- Entra gente, a Lola só tá um pouco receosa. O J segurou minha mão e todos seguimos o Math até a sala de estar, lá tinha uma TV enorme e uma vista bem urbana, os prédios iam até a linha do horizonte praticamente.
Sentamos no sofá e eu sabia que eles queria detalhes do que tinham acontecido. O Justin não perguntava nada, acho que ele tinha medo das respostas. Me aconcheguei no seu abraço e apoiei minha cabeça em seu ombro, ele não soltava a minha mão por nada.
- Você acha que vai durar quanto tempo esse castigo? — A Nick quebrou o silêncio.
- Não muito... Vou dá um tempo pra ela, mas não vai ser todo o tempo do mundo, uma hora ela vai ceder por bem ou por mal.
- O que ela descobriu exatamente? — O Chaz perguntou.
Eu olhei pro J que não parecia nada contente com aquele questionário.
- Que eu menti, que eu dormi na casa do J na noite que devia dormir na casa da Nick.
- Puta que pariu? Como assim? Isso era uma história morta, de onde ela tirou isso? — A Nick perguntou.
- Isabeka. — O Justin disse baixo.
- Mas a Isabeka não tava aqui quando a gente foi pra festa. — o Ryan disse o óbvio.
- Essa não era bem a intenção dela, ela só queria que a Marie soubesse que a Tamara dormia na minha casa às vezes, mas acabou que ela conseguiu que ela descobrisse as duas coisas, acho que nem ela mesmo sabe. — O Justin disse.
- Que vagabunda. — A Nick disse e tapou a boca. — Desculpa Math.
- Tudo bem, palavrão é o idioma mais falado nessa casa! — Ele sorriu.
- Cadê sua mãe? — Eu perguntei.
- Ela... saiu, nem sei bem pra quê. — Ele desconversou. — Mas, chega desse clima, não vamos remoer essas coisas, o que a gente vai fazer?
- Vocês façam o que quiserem...- J me encarou e quase sussurrou. — Só quero ficar com você. — Se inclinou e encostou nossos lábios por alguns segundos.
Sorriu ainda de cabeça abaixada, mas o sorriso sumiu assim que ele abriu os olhos.
- O que é isso? — Ele sussurrou e tocou meu pulso, bem onde estava marcado.
- Nada. — eu puxei meu braço rápido.
- Math, desculpa pedir isso, mas tem algum lugar que eu possa falar com ela a sós? — O J disse.
- É... Claro. Vem. — Ele levantou e o J me puxou me fazendo seguir o Math junto com ele.
Passamos por um longo corredor e havia um quarto com alguns adesivos na porta, com certeza era o quarto dele.
- Entrem. — ele abriu a porta. — Tá uma bagunça, mas fiquem à vontade, qualquer coisa, me chamem... — Ele disse.
Entramos e o Math já não estava mais na porta, o J trancou a porta e me puxou até a cama, nos sentamos lado à lado e ele puxou meu braço.
- Me diz o que é isso? — Ele me olhou indignado.
- Não é nada demais... — Eu abaixei a cabeça. — Eu só...
- Você só se cortou? — Ele insistiu.
- Não. Eu... Me arranhei, mas...
- Mas? Não tem motivos pra você fazer isso consigo mesma! Me diz o que te deu na cabeça pra fazer isso?
- Eu estava muito triste e depois uma raiva me consumia, eu queria muito bater na Isabeka, mas minha mãe me trancou no quarto então tinha que descontar a raiva em algo...
- Shawty, nunca mais faça isso, ok? Eu não quero que fiquem marcas do que essa vadia veio e fez com a gente. Eu vou dar o meu máximo pra ela ir embora, mas só se você prometer que não vai trocar mais nenhuma palavra com ela, porque ela vai fazer com que isso se torne mais um problema. — Ele segurou meu rosto com suas mãos e acariciava minhas bochechas.
- Eu prometo.
- Ótimo, eu não quero mais nada pra nos impedir de ficar juntos, mais nada. — Ele me abraçou forte e fungou, acho que ele tava quase chorando, mas ele não choraria na minha frente, ele tinha que manter a imagem de forte, ele não podia demonstrar fraqueza, ele não queria me deixar mais assustada.
- J, o que nós vamos fazer se meu pai quiser me levar embora? — Segurei as lágrimas nesse momento porque o mero pensamento sobre essa possível atitude dos meus pais fazia todos os meus pensamentos ficarem turvos e negativos.
- O quê? — ele me soltou e me olhou incrédulo.
- É... Eu não sei o que ela pode fazer mas se ela contar pro meu pai, ele vai me levar embora. Eu sei...
- Você não vai embora, tá me ouvindo? Ninguém vai te levar pra longe de mim. Eu não vou deixar ninguém nos separar, vou fazer o impossível desde que...
- Eu faça o mesmo? J... Eu não quero problemas pra você. — Eu disse triste.
Notas finais
JBeijos :*
P.S: ameei os reviews.
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