POV Tamara

Parece que finalmente ia sair daquele hospital, a Marie tinha trazido algumas das minhas roupas, tomei um banho e me vesti, queria muito sair dali e ir pra minha casa. Não sabia muito bem o que esperar, mas acho que qualquer lugar seria melhor do que aquele quarto no qual eu estava mofando há dias.

Não troquei muitas palavras com ela durante a viajem, era como andar com uma desconhecida, nunca se sabe o que falar. Tentava não parecer idiota quando às vezes sem querer ficava olhando cada detalhe no rosto dela. Uma coisa eu não podia negar, ela era minha mãe. Parecia tanto comigo, os olhos eram tão parecidos e a boca também. O que será que eu tenho do meu pai? Soube que ele está viajando, aliás ele trabalha nisso.

Falei com ele há dois dias atrás e ele até chorou por telefone, eu me senti muito mal. Todo mundo ao meu redor estava tenso e triste.

Fechava os olhos na tentativa inútil de me afundar em memórias, elas não estavam ali. Era como se alguém tivesse arrancado todas elas de mim.

Era meio ridículo, mas parecia que eu tava sonhando, é muito estranho você acordar e não saber o próprio nome, não quero ter que duvidar, mas é difícil ter que acreditar apenas no que dizem sobre você.

Queria que apenas uma única memória voltasse pra mim ter certeza de que eu não estava ficando louca e que essa realmente era minha vida, a que eles tanto falam.

Depois de uns 40 minutos chegamos a um prédio, era enorme e num bairro bem tranquilo. Ela foi pro estacionamento e só depois subimos.

Já era quase 19 horas e finalmente entramos no apartamento, estava tudo escuro.

Ela acendeu as luzes e pude ver o apartamento bem melhor, tinha uma sala bem espaçosa com uma TV enorme, um corredor pra esquerda e um pequeno balcão a direita que acho que é onde fica a cozinha. Entrei na sala e passei direto, fui até a varanda enorme, tinha uma bela vista da cidade, um vento leve bateu no meu rosto e acho que poderia me acostumar a chamar aquele lugar de casa.

- Vem filha, vem conhecer o seu quarto. — Ela me puxou pelo braço.

- Tá.

Fomos pelo corredor e era a primeira porta. Quando eu entrei esperava lembrar de algo, afinal era o meu quarto, eu praticamente vivia ali, eu deveria lembrar de algo, mas não é bem assim que funciona, porque eu não lembrei.

Tudo muito bem arrumado, uma cama enorme e do lado uma escrivaninha com um notebook, do outro lado uma janela enorme. Não tinha do que reclamar do guarda-roupa, era enorme.

Tinha muitas roupas e embaixo muitos sapatos. Acho que eu não me vestia tão mal assim.

Em geral o meu quarto era bem aceitável e tinha até um banheiro, eu gostei muito.

- É lindo. — Eu disse.

- Que bom que gostou. Você que fez questão de reformar todo o seu quarto assim que nos mudamos pra cá. Geralmente todo ano você muda...

- Legal...

- Esqueci de mencionar, nós temos uma empregada aqui. O nome dela é Clarice e acho que ela gosta muito de você, ela estava super preocupada.

- Como assim você acha que ela gosta de mim? — Perguntei confusa.

- Bom, faz apenas alguns dias desde que a contratei... Mas ao que parece vocês duas realmente estavam tendo uma boa relação. Provavelmente ela vai surtar quando te ver na segunda, então não se surpreenda, tá?

- Ok. — Eu sorri. — Eu vou tomar um banho e...

- Comer... Você precisa comer algo diferente daquela comida de hospital.

- Ok, acho que pode ser uma boa. — Eu concordei.

- Tá, ela deixou algo preparado eu vou esquentar no microondas enquanto você toma banho e fica pronta...

- Tá.

Ela saiu e eu fechei a porta do quarto. Respirei fundo e abri o guarda-roupa, sorri novamente ao ver todas aquelas roupas, peguei um short jeans e uma blusa branca. Fui pro banheiro e tomei um banho demorado, saí do box e fui até o espelho, olhei todos aqueles produtos e nem eu mesma acreditava que tinha tantas coisas. Vesti minha roupa e ela bateu na porta.

- Estou te esperando na mesa...

- Já estou indo.

Amarrei meu cabelo e saí do quarto, no corredor tinha uma mesinha com algumas fotos, parei por uns instantes para observar, vi umas fotos que talvez fossem minhas quando era bebê e tinha esse homem branco, alto, cabelos castanhos e sorria pra mim.

Acho que era meu pai e também acho que ele é legal como todos falam. Eu era uma criançinha bem magrela, acho que ainda sou.

Olhei pra sala e caminhei passando pelo balcão , na mesa uma macarronada que me parecia uma delícia.

Sentei a mesa e ainda um pouco envergonhada peguei um pouco.

- Não tem problema se você quiser mais, é a sua casa... tem algumas coisas que você... Gosta... Na geladeira, se sentir fome, sinta-se à vontade.

- Obrigada.

- O que quer fazer amanhã?

- Eu não sei... O que eu faço geralmente nos domingos?

- Sai com os amigos... Então eu não sei o que vocês fazem. — Ela me olhou confusa.

- Acho que nesse domingo vou passar isso. Ainda não me sinto à vontade.

- Eles falaram ou fizeram algo? — Ela me perguntou.

- Não, não... É que eu não deixo de pensar que eles sabem tudo e eu nada, e eles me olham com pena, eu não sei...

- Deve ser bem chato, mas olha... Assim que você voltar pra aula e pro ambiente escolar vai ter muito mais tempo pra conhecê-los e talvez no começo seja bem mais difícil porque eles vão te dar atenção em dobro mais com um ou dois dias, eles vão te tratar da mesma forma que antes...

- Pode ser... Quando eu vou poder ir pra aula?

- Na segunda, quanto antes você retornar a sua rotina mais rápido você vai ficar melhor.

— ok. — Eu sorri.

- Mas amanhã, pela manhã... Se você concordar a gente pode ir na casa da sua vó. Ela estava muito aflita e vai adorar te ver.

- É claro, é minha vó, eu preciso ver a minha família... Eu vou, sem problemas...

- Vai ser pela manhã, você terá a tarde livre, caso mude de ideia e queira fazer algum programa com os amigos. Eu vou fazer compras no supermercado, é meio chato, mas se quiser pode ir também.

- Ok...

Depois do jantar, resolvi ir pro meu quarto e tentar descansar. Deitei e fechei os olhos, mas parecia que estar com sono não era suficiente. Apertava os olhos bem forte mas o meu cansaço não era o bastante pra que eles continuassem fechados.Talvez aquela não fosse a posição que eu sempre dormia. Me virei pro outro lado, mas meia hora depois eu ainda não havia dormido. Tentei dormir de bruços, barriga pra cima mas não funcionou. Aquela cama me deixava desconfortável, tinha espaço de mais e eu de menos.

Peguei um dos travesseiros e coloquei ao meu lado, sobrava bem menos espaço pra mim agora, o agarrei e finalmente me senti a vontade. Em poucos minutos consegui dormir.

Acordei praticamente na hora de irmos pra casa da minha vó. Foi bem tranquilo, eram todos pessoas legais e me trataram com carinho, definitivamente até agora estava indo tudo muito bem.

Voltamos pra casa depois do almoço e eu já não estava tão cansada, mas não era o meu programa favorito ir agora pro super mercado.

Fui tomar um banho, enquanto decidia se ficaria em casa, vesti uma roupa qualquer e enquanto penteava os cabelos a Marie bateu na porta.

- Entra...

- Vai ficar em casa, vai sair ou vai comigo? — Ela perguntou.

- Hãn... — Olhei confusa e notei meu notebook ali. — Acho que vou dar uma olhadinha no computador, tem problema de eu ficar em casa?

- Não, tudo bem.

Nesse momento a campainha tocou e ela foi atender, eu guardei algumas coisas e fui ligar o computador. Novamente bateram na porta.

- O que houve? Ah... — Vi que era a Monique e não a Marie. — Oi.

- Oi, posso entrar?

- Claro.

- Desde que você chegou ainda não tinha vindo te ver. Sua mãe vai sair?

- Sim, vai fazer umas compras...

- Bom, se você não se importar eu poderia ficar aqui com você.

- É, seria legal.

- O que tá fazendo? — Ela sentou na minha cama.

- Bom, ia ver o que eu andava fazendo no PC, meus arquivos e tal... Mas, fudeu agora. — Eu olhei pra tela e pedia senha.

- Nossa, senha... Não faço a mínima ideia de qual seja. Procura um caderninho, talvez tenha anotado algumas senhas.

- É, você tá certa. Pode me ajudar?

- Tá, vou procurar na bolsa da escola e tal...

Eu fui pras gavetas da escrivaninha, algumas tinham documentos, outras algumas provas. Achei um caderninho, mas haviam apenas alguns números de telefone. Não adiantou muito a minha procura.

- Você achou algo? — Eu perguntei.

- Nada e você?

- Nada... Ahh, que merda e agora? — Eu falei extressada.

- Bom, meu namorado sabe mecher com essas coisas, posso chamar ele! — Ela sugeriu.

- Onde ele mora?

— Aqui, dãã... Ah nem te falei que namoro com o Chaz. — Ela disse.

- Minha mãe deixa garotos virem aqui? — Eu perguntei.

- Sim, não estranhos. Mas o Ryan, Chaz, Justin... Freddie... Ela deixa, são bem mais de casa.

- Tá, então liga pra ele.

Ela tirou o celular do bolso e ligou.

- Chaz? Você pode me ajudar? Bom, é com um lance aqui no computador da Tamy... Ela não sabe mais a senha do sistema.... O que tá fazendo? Aff, para de jogar video-game seu ser sem vida social... Vou perguntar pra ela. — Ela tapou o celular. — O Justin e o Ryan estão com ele! Eles podem vir?

- Ué, você disse que eles são de casa.

- Então isso é um sim?

- É... — Eu concordei somente por causa da minha total falta de consciência de até onde os limites da nossa amizade iam. Então acho que eles podiam vir.

- Tá, Chaz... Não demora. — Ela desligou.

- Em 2 minutos eles vão estar aqui.E foi exatamente como ela disse, acho que até em menos tempo, a campainha tocou. Abri a porta e os três entraram.

Mas diferente do Ryan e do Chaz o Justin parou, me abraçou me deu um beijo na bochecha.

- Oi... — Disse envergonhada.

- Onde tá o computador? — O Chaz perguntou.

- No meu quarto, mas... Vocês costumavam entrar no meu quarto? — Eu perguntei.

- Ah, qual é? Eu dormia quase sempre no seu quarto... — O Justin disse, me deixando de boca aberta, mas para os outros tava normal.

- Sério? — Eu perguntei.

- Não... Foi uma piada. — Ele disse.

- Ok... — Eu disse confusa. — Vamos lá.

Fomos todos pro meu quarto e o Chaz tratou de dar um jeito naquilo, eu sentei na cama e o Ryan ficou ao meu lado.

- Como tá sendo tudo com a Marie? — O Ryan perguntou.

- Tá tudo bem... Até agora. Hoje de manhã eu conheci mais algumas pessoas da minha família.

- Sério? Tipo quem? — A Monique perguntou.

- Ah, minha avó, alguns primos, minha tia... Só, eu acho. Foram bem legais comigo. — Eu disse.

- Tamy, você não tem anotado essa senha em algum caderno, sei lá... — o Chaz perguntou.

- Nós já procuramos, mas não tem nada... — A Monique respondeu.

- Então... Eu posso formatar? — ele perguntou.

- Claro, faz o que tiver que ser feito... — Eu disse.

Mais ou menos uma hora depois já estava quase tudo pronto, eu já estava morrendo de tédio.

O Chaz e o Justin não se largavam, eles brigavam quase o tempo inteiro, se o Chaz não tivesse namorada acho que poderia dizer que ele é gay.

Uma pena seria se o Justin fosse, ele é um menino bem bonito, às vezes tento não babar enquanto olho pra ele, mas acho que é normal, ele deve chamar atenção de todas as meninas na escola. Se já não tiver namorada.

- Acho que é isso. Você pode usar ele agora. — Ele disse levantando.

- Obrigada mesmo, nem sei como te agradeçer... — Eu disse.

- Eu sei, tem sorvete aí? — Ele disse.

- Chaz, não seja folgado... — A Monique bateu de leve nele.

- ah... sei lá, eu posso ver... Vocês também querem? — eu perguntei aos outros.

- Nunca é uma má hora pra sorvete! — O Ryan disse.

- Ok, vamos...

Os meninos foram pra varanda com a Monique, e eu fui pra cozinha. Pra sorte do Chaz, tinha sim um pote de sorvete.

- Quer ajuda? — Me viro e vejo o Justin.

- Ah... Tá pode ser. Mas eu já achei o sorvete.

- Então eu pego as colheres... — Ele foi até uma gaveta do armário e tirou 5 colheres.

- Agora onde eu encontro... — Ele me interrompeu.

- Trás só o pote, suja bem menos e te sobra mais tempo depois. — Ele disse.

- Okay...

O Justin distribuiu as colheres e eu coloquei o pote no meio de uma mesinha.

- O Justin disse, que eu deveria trazer apenas o pote, então... — Não terminei porque vi que ele estava certo, o Chaz e o Ryan meteram logo a colher e começaram a comer.

Eu apenas segui a onda e começei a comer também.

- Então... Desde quando vocês dois namoram? — eu perguntei a Monique e ao Chaz.

- Bom, fazia um tempão, mais aí ele andou saindo dos eixos. — Ela puxou a orelha dele.

- Aw Nick. — Ele reclamou.

- Mas você me disse que as pessoas mudam e graças a você eu dei uma segunda chance a ele! — ela complementou.

- E valeu a pena? — Eu perguntei.

- É, ele está se comportando.

- e você Ryan namora? — Eu perguntei.

- Sim.

- Ah, você também? Esse grupo de amigos é cheio de namorados. Mas eu não tenho namorado, até porque ele já teria vindo saber como eu estou...

— Então, se você tivesse um namorado e mesmo depois de perder a memória ele te disesse você ficaria com ele? — O Justin perguntou.

Notas finais
Oiii babies *.*
Hoje eu postei tipo, meeeeeeeeeeega tarde :(
Sorry mesmo. Tive que dar um saída e demorou mais do que o previsto!
Mas enfim, tá aqui o cap. E amanhã eu posto bem mais cedo, ok?
JBeijos :*