Meu Vizinho, Justin. - Third Season
20 E isso não pode ser um fim.
Não sei porque mas um pressentimento ruim estava me dominando, coisa boa aquela garota não teria vindo fazer aqui.
- Tchau. — Minha mãe finalmente fechou a porta.
Eu continuava ali parada, sem entender direito, mas sabia que ela tinha vindo aqui falar alguma merda.
- Por onde eu começo... — Ela me olhou decepcionada.
- O quê? Ela veio aqui me dedurar sobre o quê? Sobre iogurte? essa garota é louca, me odeia. — Eu me desesperei.
- Não tô falando de iogurte. — Minha mãe disse séria.
- Então sobre o quê? — Eu fiquei mais nervosa ainda, era algo pior, no fundo eu torcia pra que não fosse.
- O que essas suas roupas te lembram? — Ela me apontou algumas roupas que estava sobre uma poltrona, mas eu ainda não tinha percebido elas lá.
Percebi que eram as roupas que eu tinha deixado no gurada-roupa do J, o que eu ia dizer? Eu não ia mais poder mentir, meu Deus, porque essa garota fez isso?
- Elas me lembram que você não devia mexer nas minhas coisas. — Disse nervosa e já prestes a chorar.
- Você andava mentindo esse tempo todo? Você dormiu com esse garoto? — Ela me perguntou.
- Mãe... Não fica assim. — Eu começei a chorar e a ficar nervosa, não tava preocupada muito com o sermão, só estava me matando o que ela ia fazer sobre isso.
- Me diz? essas roupas são da noite que você foi dormir na casa da Monique? Você dormiu lá? Por que você mentiu?
- Eu não sei bem, mas você não deixaria.
- Eu não deixaria mesmo, você perdeu o respeito por si mesma? Mentindo pros seus pais pra dormir com um garoto? Você não conhece esses garotos? Eles só querem isso, minha filha, transar e só. — Ela gritou a ultima parte.
- Não é verdade, o J me ama. — as lágrimas rolavam no meu rosto e eu soluçava.
- Ele te disse isso? Todos eles dizem coisas que nos agradam pra ter o que querem, achei que você era madura o suficiente pra saber disso.
- Por que você tá dizendo essas coisas? Mãe, por favor acredita em mim, eu não fiz nada de errado, o J gosta de mim, por favor acredita.
- Mentir pro seus pais não é errado? Esse garoto realmente tá mudando a sua cabeça. E quantas vezes eu defendi o relacionamente de vocês e pedi pro seu pai aceitar e você me retribui assim?
- Não mãe, eu não vou mentir mais, por favor...
- Tem razão, você não vai mentir mais.
- Como assim? — eu limpei minhas lágrimas.
- Você não vai mais mentir pra mim, porque você vai ficar da escola pra casa e sem celular, sem computador, não quero você conversando com ninguém e se sair da linha eu te mudo de escola.
- Não mãe, não mãe, por favor... Eu faço qualquer coisa, mas num faz isso. Por favor. — eu me ajoelhei e começei a implorar.
- Me dá seu celular, agora. — ela disse.
Eu me arrastei até a parede e neguei com a cabeça.
- Me dá. — Ela se aproximou pronta pra tomar de mim.
- Não me toca, eu não vou te dar. — Eu gritava e me esperneava, acho até que a machuquei.
- Me dá, agora. — Ela me puxou e tomou o celular de mim com força.
Eu me levantei e tentei tomar de volta, mas ela abriu e tirou o chip de dentro o quebrando.
- Não mãe, eu faço qualquer coisa, me devolve o celular. — Eu continuava chorando, mesmo tentando me acalmar, as lágrimas rolavam pelo meu rosto sem que eu pudesse controlá-las.
- Vem... — Ela me pegou pelo braço e me levou até o quarto.
Me jogou em cima da cama e puxou o notebook, da minha mesinha, sem se importar se ia quebrá-lo ou não.
Eu sabia que agora não poderia fazer nada, então me agarrei ao travesseiro e chorei mais ainda.
- Esse quarto vai ser o único lugar que você vai ficar, não quero que você pense ao menos em fugir. — ela se direcionou até a porta e tirou a chave. — Vou falar com o Justin e isso vai ser um problema resolvido.
Eu a olhei indignada. — O que você vai fazer? Me diz. — eu gritei.
Ela tirou a chave da porta e saiu do quarto. Eu corri até a porta e tentei abrí-la, mas ela foi mais rápida e trancou.
Continuei ali tentando abrir e batendo na porta com toda a minha força. Bati com toda minha força até não sentir mais meus punhos, minha garganta já doía de tanto chorar e a essa hora a minha raiva pela Isabeka só tinha aumentado.
Aquela vadia, ela é a culpada, tudo tava indo bem, nada ia dar errado, mas ela teve que fazer isso. Argh, que vontade de bater nela.
Levantei do chão e fui descontar a raiva naqueles objetos antes que descontasse em mim mesma, derrubei tudo, revirei tudo pelo chão, joguei todos os travesseiros no chão e derrubei tudo que estava na mesinha, em menos de 1 minuto meu quarto parecia uma zona de guerra, mas a minha raiva só aumentava.
Então começei a me arranhar e fazia isso por todo meu corpo, não eram arranhões superficiais, deixaram marcas nos meus braços e nas minhas pernas, mas eu não estava sentindo dor, meu corpo já estava exausto, mas parecia que nada era suficiente pra descarregar toda aquela raiva e angústia.
Me joguei na cama e começei a gritar, os gritos eram abafados pelo pequeno pedaço de edredom que restava na cama.
POV Justin
Peguei uma pizza na geladeira e resolvi esquentar, tudo estava bem calmo agora e estava esperando que a Isabeka realmente fosse com a minha mãe pro restaurante, ia ter que me distrair jogando uns video-games até lá.
Me sentei na mesa e devorei alguns pedaços, pelo menos quando estava na cozinha comendo, tinha um tempo sozinho na minha própria casa.
Levantei e lavei o prato ou a dona Pattie me esganaria provavelmente. Fui até o meu quarto e peguei alguns CD's de jogos e fui até a sala. Me sentei no sofá e e tentei não me incomodar com a presença da Isabeka que estava sentada lendo umas revistas.
Minha mãe veio até a sala e finalmente falou as palavras que tanto esperava ouvir.
- Isabeka, faça o que tiver que fazer porque em 20 minutos vamos pro restaurante.
- Tudo bem Pattie.
- Justin, a Tamy vai vir pra cá?
Eeu a olhei surpreso e me fiz de desentendido. — Ãhn... Se eu disser talvez o que você me diz?
- Eu digo que tudo bem, desde que não fiquem até tarde. — Ela sorriu.
- Tudo bem mãe. — Eu continuei dando atenção pro video-game.
As duas foram se aprontar e eu continuei lá jogando, até meu celular tocar, era o Chaz.
- Fala cara. — eu disse.
- Fazendo o quê?
- Ah, nada de mais. — Eu respondi.
- Vamos jogar? O Ryan tá com um jogo novo, muito foda.
- Desculpa velho, mas eu tô esperando a Tamy e hoje num rola. Deixa pra amanhã?
- Ok.
Eu desliguei o celular e percebi a Isabeka na sala me olhando e sorrindo.
- Quê?
- Queria estar aqui pra ver suas esperanças de ela chegar morrerem. — Ela disse.
- Cala a boca.
Minha mãe apareceu na sala e a campainha tocou.
- Ela chegou. — Eu olhei pra ela vitorioso.
- Eu atendo, né? Ninguém se move. — Minha mãe reclamou.
Desliguei o video game e tentei parecer apresentável. Mas assim que virei percebi que era dona Marie, ela parecia chateada no mínimo, mas não me olhou na cara.
- Pattie poderia falar com você e o Justin?
- Bom... Pode, Isabeka você nos daria licença? — A minha mãe pediu.
Eu estranhei, mas me sentei no sofá. A Isabeka saiu tranquilamente e foi pro quarto de hóspedes.
- Sente-se.
- Há alguns minutos atrás a sua sobrinha, foi na minha casa e ela foi deixar umas roupas da Tamara, que estavam aqui.
Instantaneamente congelei, eu não acreditava no que eu estava ouvindo, meu corpo ficou paralizado e eu só podia continuar ouvindo.
- E ficou óbvio pra mim, que ela dormiu aqui e é até conveniente, já que você trabalha a noite, não digo que é sua culpa, mas, ela mentiu pra mim e eu não gosto da relação que eles estão tendo, eles são crianças e estão... dormindo juntos.
- Você só pode tá brincando? O que você tá querendo dizer com isso? — Eu finalmente disse algo.
Minha mãe não estava muito surpresa, ela me conhecia e sabia disso, quando eu trazia outras garotas ela não gostava, nem que fosse pra visitar, mas com a Tamy era diferente, ela era minha namorada, aliás, é.
- Justin, vocês mentiram e me decepcionou muito e eu não quero... — Eu a interrompi.
- Que eu a veja mais? Ela é minha namorada, você não pode me pedir isso. Você quer que a gente termine? Mãe fala algo, explica que a gente não fez por mal... — Eu levantei e fiquei nervoso quase implorando pro meu inconsciente que eu acordasse daquele pesadelo que a minha vida tava se tornando.
- Justin, você pode nos deixar a sós? Acho que será melhor. — Minha mãe falou.
- Mãe. — eu insisti.
- Vai. — Ela apontou na direção do meu quarto.
Saí com muita raiva e fechei a porta do meu quarto com tudo. Me joguei na cama e gritei abafado no travesseiro. Peguei o celular e disquei o número dela mas deu fora da área de cobertura. Então tentei ligar pra casa dela, porque era óbvio que a mãe dela tinha tomado o celular como castigo.
Chamou várias e várias vezes e eu não cansava de ligar, mas por qual motivo ela não está atendendo? O que a mãe dela fez?
Meus olhos começaram a marejar, mas eu ia respirar fundo e aguentar firme tudo aquilo. Levantei e fiquei andando de um lado pro outro e começei a pensar no pior. E se a mãe dela contasse pro pai dela? E se ele levasse ela embora? Começou a ficar difícil até pra respirar.
Depois de uns 30 minutos minha mãe entrou no quarto e não tinha uma cara nada boa.
- Você conseguiu resolver, não é mãe? Me diz que sim. — Eu a implorei.
- Justin, acho que vocês vão ter que dar um tempo. — Ela disse de cabeça abaixada.
- Por quê? É tão errado assim eu amar ela? — Eu levei a mão até a cabeça e não segurei, começei a chorar.
- Vem cá. — Ela me abraçou.
- Mãe, o que ela disse? Eu não tô entendendo... Eu ia ver ela hoje, a gente ia ficar junto, eu ia poder abraçar ela e ver o sorriso dela. Mas agora... Eu não vou poder mais ver ela? Ela vai embora? — Eu disse confuso.
- Justin, fica calmo. Ela não vai embora, você ainda vai poder vê-la na escola. Mas, o que vocês fizeram foi grave, entenda que pra mim não é tanto porque aliás, ela só te fez bem, não te vejo bêbado há dias, não anda de mau humor e você ter dormido aqui com ela foi errado e talvez até precipitado, vocês não tem nem um mês de namoro.
- Agora eu tenho que ter um tempo pra amar alguém? Às vezes eu só conseguia dormir com ela do meu lado. Só porque ela dormiu aqui não quer dizer que eu só a queria pra sexo, eu queria ela porque precisava ouvir sua voz antes de dormir ou sentir sua mão me envolver porque ela gostava e se sentia mais segura. Droga, que merda.
- Filho, isso é tudo muito lindo e eu entendo. Mas a mãe dela não aceitou bem isso, ela é um pouco liberal, mas acho que isso foi demais pra ela, por enquanto ela vai continuar irredutível, principalmente pelo fato de ela ter mentido pra ela. Vai demorar até ela recuperar a confiança em vocês.
- E até lá?
- Por favor Justin, você vai vê-la amanhã. Vai ficar tudo bem e aposto que ela também está triste. Já tentou ligá-la?
- Ela está com o celular desligado. Acho que ela tomou o celular dela... — Eu disse.
- Pattie, nós não vamos mais? — A vadia entrou no meu quarto e eu limpei as lágrimas rapidamente.
- sim, querida.
- Saí do meu quarto agora. — Eu disse sério.
- Justin, para. — Minha mãe disse.
- Não vou parar, é culpa sua. Só sua, tá feliz agora que eu não vou vê-la mais?
- Justin, está me ofendendo. — ela se fez de vítima.
- Justin, não é culpa dela! — Minha mãe disse.
- O quê? — Gargalhei irônico. — ela entrou no meu quarto e tirou as roupas da minha namorada do meu guarda-roupa só pra nos ver separado.
- Elas estavam no seu guarda-roupa? — Minha mãe olhou pr amim e em seguida pra ela.
- Eu não peguei do seu guarda-roupa. Eu vi nas roupas limpas enquanto as separava.
- Como sabia que eram dela? Você nunca viu ela vestida com aquelas roupas, você sabia exatamente que eram dela. Você invadiu a privacidade do meu quarto pra nos prejudicar, por esse seu egoismo idiota. Mas quer saber? Isso não diminui meu amor por ela, mas aumenta e muito meu ódio por você. — Falei tudo bem rápido e quando recuperei o fôlego, fui até meu guarda-roupa e abri a porta que estavam as roupas dela. — Tá vendo mãe? Elas estavam aqui. Aqui... — O ar que saia de dentro do guarda-roupa ainda tinha o perfume dela e fez eu me desconcentrar me relembrando daquela dor que por alguns instantes tinha substituído pelo ódio que sinto por essa garota, mas agora estava de volta e a dor parecia mais forte.
- Justin, já chega. Você vai ter que aguentar a consequência do seus atos, sei que é difícil agora mas prometo que vai ficar tudo bem! Você acha que eu devo ficar em casa ou você vai ficar bem?
- Você pode sair do meu quarto? Por favor. — Eu me referi a Beka, dessa vez ela não protestou e saiu. — Mãe, ela não disse nada de eu poder ir falar com ela? Ela foi pra casa?
- Filho, vocês vão se ver amanhã na escola, não se preocupa. — Ela me deu um beijo na testa e mais um abraço. — Tenho que ir! Fica bem, tá?
Eu não respondi e me direcionei até a minha cama, me deitei e abafei meu rosto no travesseiro. A gente não tinha terminado e isso nem passava pela minha cabeça, mas era o que tava parecendo, estavam me proibindo de ver ela! O que é isso? Década de 60? Não sei bem o que eu vou fazer, mas acho que amanhã quando falar com ela vou ter uma ideia do quanto a situação está feia.
Apertei o edredom com toda a minha força e eu tinha essa vontade enorme de colocar tudo pra fora, mas com quem? O que mais me acalmaria agora é saber como ela tá, mas nem isso eu posso. Isso chega a ser ridículo.
Notas finais
Mas ela já tá bem e além dessa notícia tenho outra: CONSEGUI O MEU INGRESSSSSSSSO! *OOOOOOOOOOOOOOOOOOOOOOOOO*
Meu Deus! Ahhhhhhhhh, Agora é só esperar, nem acredito, meu Deus, argh vou parar.
Se não fico a noite inteira aqui escrevendo sobre isso ¬¬
Enfim, como vocês estão? Espero que o fim de semana tenha sido legal (:
JBeijos :*
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