Entramos na cozinha e eu a soltei.

- Você tá louca? Brigando com uma menina? — Eu disse.

- O quê agora? Você vai brigar comigo, porque aquela vadia estava se esfregando em você e eu fui mostrar a ela que você é meu?

Passei a mão pelo meu cabelo, eu estava irritado e ela ainda ia gritar comigo, puta que pariu.

- Por que você foi dançar aquela merda, me diz? — Eu gritei irritado.

Ela fechou a cara e seus olhos encheram d'água, não, não, não, não chora, por favor! Argh droga!

- Desculpa, não chora. Para. Só que você exagerou, você tá bêbada, a gente tem que saber quando parar. — Eu expliquei e respirei fundo.

Ela engoliu o choro e caminhou até a porta que tinha na cozinha e dava acesso ao jardim. Olhou pelo vidro e arrancou a chave da porta. Abriu rapidamente e olhou pra trás.

- Me desculpa por ser essa idiota. — Ela disse e fechou a porta, colocou a chave e começou a trancar.

Corri até a porta e começei a bater, podia ver ela pelo vidro e começei a gritar.

- Abre essa merda, ei, abre agora isso! — Eu batia freneticamente.

— Não siga a bêbada. — ela disse e jogou a chave no chão. Deu as costas e começou a andar por uma pequena trilha, apertei os olhos e vi um muro enorme com uma porta, tava torcendo pra que aquela porta não desse no meio da rua.

Me abaixei na porta e podia ver a chave bem pertinho da brexa, tentei passar os meus dedos mas acabei me cortando numa farpa.

- Merda. — Falei sozinho.Levantei do chão e saí da cozinha, no corredor que dava na sala um idiota me parou.

- Cara, sua namorada é sexy. Quando se sentir a vontade me convida pra gente traçar ela junto. — Ele disse com um sorriso que me enojava no rosto.

Eu sorri, parecia que eu nem tinha ouvido aquilo. Fechei os olhos e respirei fundo, coloquei toda força que tinha no meu punho e descontei tudo na cara daquele idiota.

Dei um soco que fez ele bater na parede e cair no chão desorientado, não fiquei pra ajudá-lo, continuei até a sala.

Não vi mais Marcela e parecia que não tinha nem havido algo, quase todos estavam dançando novamente e alguns se agarrando pelos cantos.

Percebi a Monique perto do Chaz, quem sabe eles podiam me ajudar a encontrar a louca da minha namorada.

- Hey cara. — O Math me puxa.

- Cara, me larga. — Eu disse.

- O que houve? — Ele perguntou.

- Eu não sei, ela se irritou e depois estava toda sensível e saiu pela porta da cozinha e me trancou por dentro. Tem umas portas no fundo, você acha que vai dar na rua? — Eu perguntei nervoso.

- Cara, puta que pariu, vai dar na rua? lógico que vai dar, se um pervertido achar ela? — O Math disse irritado.

- ah meu Deus, essa garota vai me deixar louco. Merda, merda. — Eu disse.

- Espera eu vou falar com o Michael. — Ele disse e correu pela sala.

- Merda, puta que pariu. — Eu ficava me xingando.

- Ei velho, cadê a Tamy? — O Ryan se aproximou.

- Ela fugiu, deve tá no meio da rua, eu vou me matar se algo acontecer, caralho. — Eu falei impaciente.

- Justin, a gente vai ter que sair pela frente e dar a volta, mas o problema é que tem dois caminhos. — O Math falou.

- Sem problema, eu e o Ryan vamos. — Eu disse.

- Eu posso ajudar. — ele se ofereceu.Eu balançei a cabeça negativamente, mas o Ryan veio com um discurso barato, que me convençeu.

- Cara, ele pode ajudar, a sua namorada tá no meio da rua e você nem sabe bem onde, o Math sempre anda por aqui, ele conhece bem, então é melhor, a gente acha ela mais fácil.

- Deixa eu ajudar. — Ele insitiu.

- Vamos logo. — Eu disse.

Nos direcionamos até a porta e todo mundo estava bebendo até no meio da rua, nós três andamos até o fundo da casa e nem sinal dela, era uma rua escura e tinham muitas entradas diferente, apenas alguns postes.

- O que vamos fazer agora? — Eu disse desesperado.

- Vocês seguem a direita e eu vou pela esquerda. — o Math propôs.

- Cara, você vai andar sozinho nessa rua esquisita? — O Ryan perguntou.

- Eu conheço bem esse lugar e cada um dos marginais daqui, relaxa. — Ele falou e saiu andando.

Sinceramente, eu não ligava, ele podia se foder, eu só queria encontrar a Tamy agora.

POV Tamara

Não sei bem como, mas acho que já tinha virado umas 4 esquinas e tudo parecia muito igual, os mesmos postes, as mesmas casas. Agora eu tava um pouco arrependida, acabei entrando nesse beco porque pressenti que tinham dois caras me seguindo, me abaixei atrás de um poste e podia ouvir alguns sussurros ao longe.Começei a rezar e implorar pra que alguém aparecesse agora.

Peguei meu celular e me encolhi totalmente pra que a luz da tela não chamasse atenção. Puxei na agenda o número da Nick e começou a chamar. Depois de umas três tentativas ligando, ela atendeu.

- Nick. — Eu sussurrei, mas duvido que ela tenha me ouvido tinha uma música bem alta e algumas pessoas gritando do lado dela.

- Tamy, o que é? Tá aonde? — Ela disse.

- Por favor tenta me ajudar...

- Tamy? Velho, num da pra te escutar, tá me escutando? — Ela disse.

Merda, não posso gritar. Aproximei o microfone do celular da boca e falei um pouco alto.

- Vai pra um lugar silencioso, por favor. — Eu supliquei e uma lágrima rolou do meu rosto.

- Tamy, me liga depois. — Ela disse acabando a ligação e todas as minhas esperanças de sair viva daquele lugar.

Os sussurros ficavam mais altos e eu podia ter certeza que ele estava mais próximos, só podia me encolher e rezar.

- Mano...é vamo traçar... — Ouvia apenas algumas palavras.

- A bro... tá ok.

- Deixa a mina comigo. — Ouvi uma segunda voz.

Me encolhi e sequei as lágrimas, ouvia os passos mais próximos e a cada passo meu coração apertava mais.

- Caralho, como você veio parar aqui? — Ouvi a voz do Math.

Respirei aliviada. Pelo menos ia poder achar o caminho de volta.

- Eu só caminhei. — Eu disse.

Ele me deu a mão e me levantou. — Você quer matar a gente? Cara você tem noção do quanto isso é ridículo? Você tá arriscando sua vida por uma merda dessa... — Ele dizia irritado.

Contive o choro e abaixei a cabeça, ele estava totalmente certo.

- Você tá chorando? — Ele perguntou.

- Não importa. — Eu balbuciei.

Ele me abraçou e começou a afagar os meus cabelos.

- Mesmo bêbada você continua uma fofa. — Ele disse.

Eu o apertei e me sentia finalmente segura.

- Graças a Deus eu te achei, aqueles caras iam abusar de você. — Ele disse e depositou um beijo na minha cabeça.

- Você conhece eles? — eu apertei os olhos tentando os identificar.

- Talvez, mas não importa. Cadê seu celular? — Ele perguntou me separando do seu corpo.

- Pra quê? — Eu perguntei.

- Temos que ligar pro Justin. — Ele disse.

- Não liga pra ele. — Eu disse irritada. — Só quero ir pra casa, não quero ele. — Disse cruzando os braços e me encostando na parede.

- Por favor, para de agir assim, ele é a merda do seu namorado droga, ele tava lá se matando por causa de você, você vai voltar lá, pedir desculpas a ele, vocês vão fazer as pazes e ele vai te levar pra casa. — Ele disse irritado.

- Por que você se importa com os sentimentos dele? Ele te odeia. — Eu disse.

- Ele não me odeia... — Ele disse.

- Odeia sim. — Eu me aproximei. — Ele disse que você gosta de mim e não te quer por perto. — Eu o encarei mas ele desviou o olhar pra esquina.- Olha pra mim. — Eu o forçei. — Sabe o que ele disse?

- Não importa... — Ele disse baixinho. — Você obviamente está bêbada e não sabe do que está falando.

- Lógico que eu sei... — Eu insisti. — Quando você veio me dar "oi" em Fernando de Noronha, lembra? Aquele dia, da excursão... Lembra? — Eu disse me encostei na parede e o puxei pela jaqueta pra perto. — Ele viu você olhando pra minha bunda. — Sorri fraco.

- O quê? — Ele disse surpreso.

- Shh. — Sorri e tapei sua boca. — Você sabe... Você olhou, não nega. — Eu disse ainda sorrindo.

- Cara, você tá muito bêbada.

- Assuma, olhar não tira pedaço. — Eu disse e passei a mão pela sua barriga.

- Eu podia jurar que você quer me beijar agora. — Ele disse.

- Beijar? Você? — Dei uma gargalhada alta. — Não, na verdade eu queria beijar o Justin, mas... Eu tô com muita raiva dele, você viu? — eu perguntei e o empurrei. — Aquela garota tava agarrada no pescoço dele. — Fechei o punho e o sangue me subia a cabeça de novo, queria bater na Marcela. — Eu quero me vingar. — Eu disse.

- Como? Me seduzindo? Se aproveitando do fato que eu te desejo? — Ele disse se aproximando, me encostei na parede e ele aproximou nossos rostos.

- Te seduzir? — Eu ri novamente. — Eu sou uma bêbada, bêbadas não seduzem. — Eu disse.

Ele fitou meus lábios e sussurrou. — Tem razão, você ta bêbada e é por isso que eu vou ligar pro seu namorado agora. — Ele disse e se afastou, meu celular estava na mão dele.

- Me dá meu celular... Como fez isso? — Eu perguntei.

- Percebi que você se distrai quando eu fico te encarando. — ele disse e começou a mexer no celular.

- Me dá essa porra. — eu gritei.

- Shhh. — Ele segurou minhas duas mãos. — Não tente bancar a engraçadinha. Colocou o celular na orelha e em pouco segundos já estava falando com o J. — Ei cara... achei ela, calma, calma... Sim, é... Ela tá bem, ela deu sorte. Vou te levar ela, ok? Em 5 minutos estamos aí. De nada velho, ok. — ele desligou.

- O que ele disse? — Eu perguntei.

- Você é uma louca, o garoto tá morrendo de preocupado e você falando asneiras, não sei não viu...

Começou a me puxar pelo beco e rapidamente passamos pelos marginais que estavam me seguindo. Ele me abraçou pela cintura.

- Ei velho, namorada gostosinha ein? — Um dos caras falou.

- Valeu por não ter feito nada com ela. — Ele disse.

- Que é isso velho, a namorada dos bro a gente num encosta. — O cara disse a bateu no ombro dele.

Logo dobramos uma esquina.

— Porque não disse que eu não era sua namorada? — Eu perguntei.

- Se você fizer uma besteira dessas de novo, eles não vão te machucar, eles vão me ligar. E bom, quero que eles pensem que eu tenho uma namorada como você. — Ele disse e me apertou contra o seu corpo.

- Obrigada. — Eu disse.

- Não abusa de mim, tá? — Ele disse.

- Como assim?

- Bom, eu me importo com você e vou sempre te ajudar, então não faz muita besteira, assim não vou ter que arriscar minha vida pelos becos dessa cidade. — Ele disse.

Eu ri e ele também.

- Sabe, eu já te beijei. — Eu disse e olhei pro céu.

- Beijou, é? Quando?

- Uma vez em um sonho...você tava no pátio da escola e não lembro, mas me aproximei e a gente se beijou.

- Como foi o beijo? — ele perguntou.

- eu não sei... Acho que a gente se beijou, acho... Mas nem sei, acho que não, não lembro bem. — Eu disse.

- Você tá bêbada pra caralho, velho. — Ele disse.

— Não tô. — Me separei dele.

- Tá, não diz coisa com coisa.

- Então como eu sei que sonhei isso no dia que te vi no bar e a gente acabou tomando banho de piscina? — eu o questionei.

- Bom, você obviamente tá bêbada mas não tem amnésia. E ainda continua com um pouco de equilíbrio, já que não caiu nem tombou nenhuma vez nesse salto. — Ele olhou pra minhas pernas.

— Cala a boca. — Eu bati no seu ombro.

- Vamos, por aqui, vai dar na frente da casa do Michael. — Ele falou e eu pude reconhecer os fundos da casa dele.

- O Justin tá muito zangado? — Eu o puxei e parei de andar.

- Ele não tá zangado, ele tá preocupado. Quer saber? Espera um minutinho. — Ele disse e voltou a mexer no meu celular novamente.

- Pronto.

- O que fez?

- Mandei uma mensagem pra ele, é melhor que ele venha aqui, assim evita esse povo todo da festa. — Ele disse.

Ambos olhamos pra frente e o Justin vinha correndo.

- Shawty, sua maluca! — Ele me abraçou apertado.

Me surpreendi por ele não está bravo comigo.

Retribui o abraço e fechei os olhos assim que senti o aroma que sua pele exalava, abri um sorriso enorme.

- Você tá bem? — Ele disse.

Partiu o abraço e segurou meu rosto com as duas mãos, olhou por todos os lados, talvez estivesse procurando um arranhão.

- J... — Eu segurei suas duas mãos.- Eu tô bem!

Ele deu um sorriso e me encheu de beijos, na testa na bochecha, no pescoço e por último na boca. Me abraçou novamente.

- Não faz mais isso, você tá... de castigo. — Ele disse.

Eu sorri com aquilo, mas logo percebi que o Math estava incomodado com toda aquela paparicação na frente dele.

— Você tem que agradeçer ao Math. — Eu disse partindo o abraço.

Justin olhou pra ele e deu um sorriso fraco.- Cara, eu nem sei como te agradecer, sério. Obrigado mesmo, você num tem noção do quanto ela é importante pra mim e isso que você fez foi... Além do que eu imaginava. Você tem o meu respeito. — Ele disse e estendeu a mão na direção do Math.

O Math deu um sorriso fraco e apertou sua mão rapidamente. — De nada bro, quando precisar... — Soltou a mão do Justin e começou a andar em direção da festa. — Tô indo.

Assim que ele saiu da nossa vista o Justin me abraçou de novo.

- Eu falo sério, você tá de castigo.

— Me desculpa, eu não quero ser uma idiota... — Eu disse.

Ele me soltou e me olhou. — Você não é idiota, só tá bêbada...

- Me perdoa? — Eu perguntei. — Eu não devia ter dançado na mesa, mas aquela Marcela, sempre dando em cima de você... Eu não aguentei. — Eu confessei.

- Chega tá bom? Não quero mais saber dessa garota. Acabou esse assunto idiota, a gente vai pra casa agora! — Ele disse.

Pegou a minha mão e fomos em direção a casa, eu estava cansada, com sono e suja. Só queria mesmo ir pra casa.

- Vamos, a gente tem que chamar os meninos. — Ele disse me puxando pra dentro da casa.

- Ah J, quero ficar aqui fora. Não quero sentir esse cheiro de bêbados, vou acabar vomitando. — Eu disse sentindo meu estômago embrulhar só de imaginar.

- Não vou te deixar aqui sozinha... — Ele voltou e ambos sentamos na calçada.

Notas finais
Oii babies *.*
Tudo bem com vcs?
Num deu pra postar ontem, mas enfim, tá aqui um capítulo pra vocês, espero que gostem (:
JBeijos :*