Meu Sol, Minha Lua
2 Capítulo 1 – Encontro com o destino (literalmente)
Notas iniciais
PERCY
- Te vejo amanhã – disse me aproximando dela e dando um beijo em seu rosto.
Ela estava tão linda, mas triste. Alguma coisa estava perturbando-a e eu já imaginava que seria a mãe dela ou talvez o namorado. Tentei não pensar nisso. Ao chegar à minha casa, fui direto para meu quarto e me joguei na cama. Por que eu não tirava aquela menina da cabeça? Fui até o aquário de água salgada que tinha ganhado no meu último aniversário. Por algum motivo, ter aquilo me acalmava. Ouvi umas batidas na minha porta e minha mãe entrou.
— Percy? Já comeu? – disse ela gentilmente.
— Sim mãe. Estou bem.
— Está com algum problema?
Pensei um pouco antes de responder.
— Não, acho que não.
— Boa noite então. – Me deu um beijo na testa e saiu do meu quarto.
Me joguei na cama novamente. Peguei meu celular e fui até a pasta de fotos. Lá estava ela. Seu cabelo loiro, caindo como ondas pelos ombros. Sua boca levemente vermelha e perfeita, como se tivesse sido desenhada proporcionalmente a todo resto. Seus olhos, incríveis olhos intensos, profundos e cinzentos. Sim, ela tinha olhos cinza como uma tempestade. Muitos achavam eles estranhos, mas eu os achava perfeitos. E finalmente o corpo: bem traçado e definido, nas medidas certas... Parei por aí.
— Melhor não pensar nessa parte – resmunguei mal-humorado.
Foi quando uma luz passou pela minha janela. Era como um relâmpago. Será que ia chover? Levantei e abri a janela. Não havia nada no céu. E apesar de escuro pela noite, ele estava limpo. Foi quando notei uma garota em pé no meu quintal. Ela estava olhando para mim furiosa. Eu não a conhecia, mas de alguma forma ela me parecia familiar e perigosa.
— Você não vai nem falar oi, cabeça-de-alga?!
LUKE
Estava dolorido de ficar tanto tempo sentado num ônibus. Estava a poucos metros de casa. Tinha alguma coisa me incomodando desde que deixara Annabeth sozinha na estação. Naquela noite, essa impressão tinha aumentado.
— Algum problema filho? – a voz do meu pai veio preocupada.
— Nenhum pai. – Respondi solene.
Por algum motivo, meu pai me irritava. Não sabia o por que, mas desde pequeno eu fujo de sua presença.
— Bom, eu desço aqui – disse meio sem graça.
Apenas acenei. Ele desceu. Minha cabeça começou a latejar.
Dor. Era só o que sentia. Estava envolto por algo; que parecia água. Doía. Algo no fundo do lago chamava minha atenção. Eu sabia que se não fosse até lá morreria. Nadei com uma fúria incompreensível.
— Vá! – uma voz masculina retumbou de algum lugar.
Um ódio crescente. Meu peito doía por causa da pressão.
— Não se atreva a desistir. – era autoritária e terrível.
Nadei com mais vontade. Era como se meu corpo se partisse. Não era possível que fosse apenas água.
— Vingança, se apegue na vingança Luke – a voz me dava medo, mas essa palavra me deu nova determinação.
Eu estava morrendo.
— Se concentre em um só ponto.
Meu coração estava acelerado. Dor. Angústia. Pânico.
Uma imagem conhecida apareceu, com três crianças assustadas.
-Vamos!!! – ele berrou e percebi finalmente que a voz estava na minha cabeça.
Um grito sufocado veio à minha garganta. Minha mão tentava agarrar algo que não estava lá.
— Finalmente... – falou a voz satisfeita.
Escuridão.
Acordei sobressaltado. Olhei ao redor procurando algo. Meu corpo doía e por um segundo eu pude ouvir uma risada maligna e grave. Os pêlos em minha nuca se arrepiaram. Eu sabia que ia acontecer alguma coisa, então só tive tempo de me agarrar ao banco. Foi quando tudo virou um borrão.
O ônibus tinha capotado.
ANNABETH
Quando abri a porta, vi fios de todas as cores e grossuras espalhados pelo chão e paredes. Era como uma grande teia. E pensar nisso me fez ter um arrepio horrível, pois eu odiava teias e o que elas representavam.
— Saiam já daqui! – Ouvi minha mãe gritar.
— Não adianta...
— ..fugir do...
-... seu destino! – três vozes femininas responderam em perfeita sincronia.
Algo estava extremamente errado. Sai do quarto pisando com repulsa naquilo que percebi serem linhas, barbantes coloridos ou fios de seda. Sim, eram todo tipo de fio, mas a textura estava errada, cada linha parecia pulsar embaixo do meu pé. Quando olhei para baixo, vi minha mãe em pé encostada numa parede. Ela estava estranha, não parecia minha mãe calma e apaixonada. Ao contrário, tinha algo feroz nos seus olhos de tempestade, e sua pele brilhava levemente e como se não bastasse tudo isso seus cabelos claro iguais aos meus estavam revoltos (e acredite não estou falando daquele jeito normal que nossos cabelos cacheados costumam ficar, assim que acordamos com eles soltos, se é que me entende). Parecia que uma corrente de ar rondava seu corpo e agitava seu cabelo. Na sua frente, só havia três sombras femininas e parecia que todos os fios iam direto para elas.
— Não vou pedir de novo! – Essa voz nem parecia da mamãe que eu conheço.
— Estamos saindo... – essa voz parecia super calma.
— Mas lembre-se de sua filha... – A voz dessa mulher era agitada e eu realmente não gostei de ser incluída na conversa.
— Ela logo descobrirá tudo!
Isso me arrepiou. Essa última voz era pesada e sofrida, apesar de estar carregada de desprezo. Como se já não estivesse estranho, elas começaram a mexer as mãos e todos os fios começaram a se mexer . Elas voltaram a falar juntas:
-A filha da sabedoria encontrará seu destino em breve. Então os filhos dos deuses deverão se encontrar e descobrir a verdade e os deuses cairão em desgraça pela própria prole. Isso tudo será culpa sua, ó deusa armada. Logo chegará o dia em que teu poder não será suficiente e todos regressarão ao mundo de origem. Ainda hoje, o destino virá: o inimigo será derrotado pelo filho do mar, mas um fio será cortado.
Eu estava tremendo, já não havia linhas em volta. As sombras saiam aos poucos da minha visão e um barulho que antes eu não tinha percebido, como uma máquina trabalhando, também havia parado. De repente, minha mãe olhou para mim por um segundo, tão rápido que nem sei se foi de verdade, porém só isso foi o suficiente para me desprender do chão. Foi como um soco direto. Era tanto poder em apenas um olhar que eu sai correndo para meu quarto. O que estava acontecendo? Quem eram aquelas três mulheres? Aquelas mulheres estavam falando sobre ela, mas por que? E principalmente, quem era minha mãe?
Peguei minha mochila, abri a janela e pulei. Não me culpe, ok? Eu estava assustada, você também ficaria... Ta bom, talvez tenha sido uma péssima idéia sair daquele jeito e aquela hora, mas eu não estava pensando em fugir, só organizar meus pensamentos. Algo naquilo que as mulheres disseram, fez com que sentisse alguma coisa estalando dentro de mim. Sem perceber eu havia chegado no parque. Entrei correndo buscando minha árvore. Me joguei no chão entre as raízes da minha árvore e abri um caderno na minha bolsa para transcrever aquilo que eu havia escutado. Uma das minhas qualidades (e defeitos) era que eu tinha memória fotográfica, apesar de nunca ter confiado muito nela. Sempre preferi estudar muito, até por que meu déficit de atenção não permitia que eu confiasse demais em mim, mas para algumas coisas ela servia. “Mas um fio será cortado”. Será que ela estava se referindo a algum daqueles milhares que estava ilógicamente pela minha casa?”Filho do mar”, por que isso me fazia lembrar dos lindos olhos verdes do Percy?
— Talvez por que seja isso mesmo... – respondeu uma voz masculina.
Paralisei. Eu não reconhecia essa voz. Ela era profunda e suave, mas parecia que carregava ecos como se fosse cheia de camadas. Eu não tinha verbalizado nada até ali, como ele tinha respondido meus pensamentos?
Respondeu de novo, dessa vez com uma risada estranha. Era como um milhão de vozes rindo ao mesmo tempo. Até mesmo o vento que balançava a copa da árvore fazia coro àquela voz.
- Q-quem... – me virando para vê-lo.
Não tinha ninguém ali, procurei pelo parque, nada. Olhei para cima e meu coração quase saiu pela boca. Sentado no galho mais próximo, na altura da minha cabeça, um velho, com uma venda dos olhos e na mão um tablet que no momento ele passava os dedos como se escolhendo alguma coisa numa playlist. Uma música talvez? Ele riu desse meu último pensamento.
— Não criança, estou apenas verificando o que vai acontecer com você daqui para frente. – ele deu um sorriso terno que pareceu por um segundo afetuoso depois frio e depois alegre. Logo após irônico e infantil. Tudo isso em menos de um minuto. – Pode me chamar de Moros, eu sou o Destino.
Notas finais
Obrigado...
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