Meu Sol, Minha Lua

3 Capítulo 2 - O matador de leão


Notas iniciais
Olá! Desculpa a demora gente.. é que sabe volta ao trabalho e faculdade... Bom vamos ao capitulo.. Espero que gostem e não esqueçam de deixar um comentário, por favor!

Por um segundo eu fiquei sem chão. Senti minhas mãos agarradas doloridamente ao banco enquanto os vidros estilhaçados rasgaram levemente minha pele. E então tudo acabou. Muito barulho lá fora.

Meu corpo ainda estava doendo quando me levantei, um único pensamento ecoando na minha mente. “Como capotar um ônibus?”.
A noite tinha acabado de chegar. Um vento frio soprava lentamente. Minha pele estava ardendo onde o vidro havia cortado. Minha cabeça latejava, eu estava meio tonto e enjoado. Minha calça estava em frangalhos devido a minha rastejada por entre a janela agora arrebentada do ônibus. Caos. Todos ao redor estavam terrivelmente assustados e estupidamente curiosos. Muitas pessoas ainda saiam do ônibus, apressadas e machucadas. A luz agora só vinha dos postes. Estava a menos de 30 minutos da minha casa, perto da Annie. Um calafrio percorreu todo meu corpo como um mau agouro. Annabeth! Não sabia bem o motivo, mas eu precisava encontra-la. Foi quando eu o vi.

Um leão de tamanho descomunal, estava à frente do ônibus. Nas quatro patas ele deveria ser do tamanho de um homem alto em pé! Estava com um olhar feroz e os poderosos dentes a mostra. E o pior de tudo: olhava diretamente para mim. Meu primeiro impulso foi de correr, não o fiz. Depois pensei em voltar para o ônibus, não entrei. Eu estava paralisado.

As outras pessoas não pareciam percebe-lo, até que ele rugiu. Era incrível e arrasador. Senti o chão vibrar e meu coração acelerar ao máximo. As pessoas olharam para o céu como se o barulho tivesse vindo de lá e como repelidas por uma grande força começaram a correr.

Era como se algo tivesse estalado em mim. Eu estava com medo, óbvio. Porém, eu fiquei. Algo me dizia que se fugisse, ele viria atrás de mim ou pior de pessoas inocentes. Inocentes? Por que usei esse termo? Não sei e isso não me interessou naquele instante.
Devagar, eu dei o primeiro passo para frente. A fera rosnou. Meu coração batia acelerado. Outro passo. O leão entrou em posição de ataque, parecido com aqueles gatos de rua quando se sentem ameaçados. Aquele pensamento me acalmou um pouco. Não o suficiente para parar de suar frio. Mais um passo. Um pedaço grande de vidro estava caído no chão, pensei em pegá-lo para usar como arma.

“Não vai dar certo” – uma voz grave ecoou na minha cabeça.

“O que eu faço então?” – Eu devia estar realmente em alto estresse para conversar com uma voz na minha cabeça.

“Lembre-se do mito, jovem herói...” – respondeu solene – “ Leão de Neméia...” Nome conhecido, pensei. Não tive tempo de pensar em mais nada.

O leão atacou. Ele deu um salto alto. Senti seu peso esmagador antes de perceber o que acontecera. Ele estava em cima de mim, rugindo dolorosamente. Eu não tinha escapatória, sentia seu hálito quente infestando o ar. Por que ele não me matava logo?
Um baque surdo. Ele se distraiu, rosnou novamente e sua pata direita cortou o ar diante dele ameaçando algo. Foi o suficiente, sem metade do peso fiz algo insano. Segurei sua pata da grossura de uma coxa e joguei com força para o lado. Rolando para fora do alcance, me levantei em um pulo como se fizesse isso sempre. Não, eu não fazia.

- O cabo de energia! – uma voz feminina e autoritária chamou minha atenção, mas não tive tempo de ver quem era.
Entendi o que ela queria dizer. Estava do lado do poste de luz que o ônibus havia batido. Ele ainda estava ali caído de lado, não era alto suficiente para chegar aos cabos, mas talvez com um pouco de sorte...

Pensei tudo isso em um segundo, tempo em que o leão percebeu o que houve e já virava com uma patada mortal com suas unhas a mostra. Virei e corri. Mas um baque surdo. Talvez a tal menina estivesse jogando coisas nele. Peguei o vidro do chão, era do tamanho do meu antebraço e mais afiado que uma faca.

Subi com facilidade habilidosa no ônibus. O poste estava meio tombado o que facilitou meu trabalho. Senti o leão batendo no ônibus. Suas garras arranharam o metal provocando um som insuportável. Enfiei o vidro no bolso do meu jeans rezando para que coubesse e ficasse. Senti o ônibus tremer quando o leão subiu com um único impulso.

- Não! – a garota gritou, o pânico cortante na voz.

Isso me deu mais um estalo. Uma fúria me tomou. Subi no poste como se escalasse um brinquedo de um parque. Senti as garras me errando por centímetros. Não tinha tempo. O leão estava empurrando o poste e ele não agüentaria por muito tempo. E também se ele levantasse nas duas patas alcançaria as minhas pernas. Os cabos estavam na minha frente. Peguei o vidro. Eu não tinha proteção, se cortasse o cabo de energia para acertar a fera também iria me matar. Foi então que eu lembrei. Leão de Neméia. Um dos doze trabalhos de Héracles. Heracles? Sim, Hércules! Sua pele é indestrutível, ele só morreu depois que Hercules o estrangulou.

Naquele instante eu esqueci meu medo. Minhas mãos, agora muito seguras e firmes, arrancaram alguns fios telefônicos. Eles não eram elétricos então serviriam perfeitamente. Em um minuto de pura adrenalina e burrice, eu pulei. Eu cai a centímetros de suas costas, de perto assim pude ver como era um animal bonito e imponente. Ele estava usando os ombros para empurrar o poste, e no instante em que se virou eu o envolvi com os fios. Passei os fios por seu pescoço como um hábil caçador. Seus furiosos olhos amarelos me fitaram por um momento antes deu me afastar como um ginasta. Eu tinha dado apenas uma volta, mas era suficiente. Eu pulei do ônibus, meu peso agora fazendo o fio esticar, estava a milímetros do chão e eu continuava a fazer força. Senti o leão tentar escapar, ele se agitava e tentava se levantar, enquanto eu era jogado de um lado para outro e pior contra o ônibus. De repente não senti mais o leão e cai de encontro com o chão. Era como se ele tivesse se transformado em pó. Senti mãos me puxando, meu corpo estava cheio de cortes agora. Ouvi o poste caindo, as luzes do curto circuito iluminou a noite.

Sem perceber estava correndo, me apoiando na menina. Ela olhava para frente e constantemente para os lados apreensiva. A única coisa que eu conseguia ver, através dos meus olhos turvos, eram seus cabelos de um vermelho vivo. Ela percebeu que eu a olhava e sorriu.

- Sei que tem muitas perguntas, infelizmente não tenho as respostas. – falou quase sem fôlego.

Tirei o braço que se apoiava nela e percebi que estava meio tonto. Parei ofegando.

- Não temos tempo. – ela me censurou.

- O que.. esta.. acontecendo?

- Não sei. – disse simplesmente. – Mas precisamos encontrar os outros logo.

Annabeth. Eu precisava encontra-la. Respirei fundo.

- Vamos por ali – apontei o sentido da casa de minha namorada.

- Sim, eu sei. Vamos!

- Como..?

- Não sei. — repetiu

- Quem é vo...?

- Meu nome é Raquel Dare e você estava nos meus sonhos, Luke.

Notas finais
Espero que tenham gostado.. Vou tentar não demorar para postar o próximo capitulo ok? Aguardem e comentem!
Este é o último capítulo disponível... por enquanto! A história ainda não acabou.