Meu Querido Blog...
9 A Vingança é doce...
Notas iniciais
Cheguei à casa de Stela, ofegante. Toquei a campainha e logo a minha tia Loretta apareceu na porta
– Sally? O que está fazendo aqui?
– Vim ver a Stela. Ela está com meu celular.
– Ah claro. — Ela saiu do caminho da porta, me dando passagem.
Eu limpei meus pés no tapete e entrei.
A casa de Stela era bem grande. Não tanto quanto a minha, mas era grande para um família um tanto normal.
– Stela está lá em cima. — Ela apontou para a escada.
– Ah, claro. Muito obrigada, tia. — Subi correndo e fui direto para o quarto de Stela.
Quando eu entrei, percebi a presença de mais duas pessoas. Maria e Dove. Elas riam como velhas bruxas fazendo uma poção do mal, o que fez eu me arrepiar inteira.
– Stela! — Gritei — Cadê o meu celular?!
– Ah... — Stela olhou pra mim — Você quer dizer isso aqui? — Ela balançou algo em sua mão. Meu celular.
– O que você quer nele? Não tem nada aqui. Decidiu virar ladra?
– Já tenho o que preciso. Pode pegá-lo de volta. — Ela jogou o meu celular pra mim e por pouco eu não o derrubo no chão.
– Stela, eu não acredito que você fez isso só pra ferrar a Sophia.
– Ah, Garota Atchim... Você e seus amigos são idiotas de mais pra entender isso. — Dove disse, com sarcasmo.
– Olha Cara de Sabonete... [N/A: Créditos do apelido: Miss Mari u-u] Você pode me xingar e me insultar o quanto quiser. Mas por favor, não fale de Sophia e Jason.
– Ah, é? Bem, depois que a foto deles for espalhada pela escola inteira, veremos o que os outros pensam...
– Vocês são monstros. Monstros de batom, rímel e aplique. — Eu disse. — O que querem em troca de pararem com isso? Dinheiro?
– Ah, não somos facilmente surbonadas! — Maria disse.
– Subornadas. — Corrigi.
– Que seja! — Ela fechou a cara — A escola inteira vai ficar sabendo deles dois e finalmente aquela Ice Girl vai ficar esperta!
Eu encarei Stella com muita raiva.
– Você é uma idiota. Poderia estar seguindo seu sonho, poderia estar fazendo cursos e outas coisas. Mas está estragando a vida de alguém apenas por diversão.
Stela pareceu surpresa assim que eu disse sonho. Mas por fim franziu a testa e disse:
– Você não sabe nada sobre mim, Sally. As pessoas mudam. Sonhos são para crianças idiotas, como você.
– Não. Sonhos são para pessoas que acreditam em si mesmas e que se esforçam para realizá-los. Você também já foi uma "criança idiota" como eu. Deveria entender isso.
– Do que ela está falando, Stella? — Dove perguntou.
– N-Nada. Ela é louca. Os remédios dela estão fazendo mal para os neurônios.
Suspirei. Pagar na mesma moeda era algo que eu odiava fazer, mas naquele momento era preciso.
– Stella. Você não iria gostar se suas fotos da quarta série estivessem espalhadas pela escola, né? — Eu lhe lancei um olhar firme, que a fez ficar surpresa. — Então não vou tolerar se você espalhar uma coisinha sequer sobre meus amigos. Tenho empregados o bastante para irem atrás de você depois da aula.
Dove, Maria e Stella me lançaram olhares mortais. Eu simplesmente me virei de costas e saí do quarto.
– Já vai, Sally? — Minha tia parou na minha frente.
– Já. Até outro dia. — Saí de lá tentando controlar minha raiva.
Jason
Já era a manhã de segunda-feira. Eu estava exausto, pois havia jogado vídeo game a noite inteira, a fim de esquecer o fato de que eu veria Sophia na escola.
Depois do que aconteceu entre nós na sexta, eu estava com medo de encará-la. Eu tinha feito algo errado ao tentar beijá-la, provavelmente ela me odiaria.
– Jason! Levanta! — Hiroki gritou.
– Anda logo seu Mané! — Kei puxou meu pé, fazendo com que eu caísse de cima do beliche.
– Ai seu inútil! — Gritei e ele riu.
– Anda logo, você tem aula hoje. — Ele olhou pra mim, malicioso — Você não ia gostar de ficar sem ver a sua amada Sophia, né?
Um aperto surgiu no meu coração. "Eu iria ficar muito melhor se não a encontrasse." Eu queria dizer. Mas só consegui dizer algo muito inteligente, como: "Ah, hum... Certo."
Me levantei do chão e fui tomar banho. Em seguida vesti uma roupa qualquer e desci as escadas para tomar meu café da manhã.
– Bom dia, querido! — Minha mãe, que estava sentada na mesa, sorriu para mim.
– Bom dia, mãe.
Dei um sorriso de lado e tomei meu café, com pressa. Minha mãe estava lendo um jornal, na frente dizia:
"Action Outraged: A realidade dos adolescentes."
Tomei um susto com ao ler. Sophia precisava saber que seu blog estava em um jornal! Era uma coisa boa, pelo menos eu achava.
Terminei de mastigar a torrada e fui correndo para a escola.
Lá, eu dei de cara com Sally logo na entrada. Ela parecia mais pálida que o normal e olhava para os lados como se pensasse: "Eu vou matar alguém hoje...".
– Oi Sally. — Eu disse, colocando a mão no ombro dela — O que houve?
– Ah...N-Nada! — Ela gaguejou. De cara percebi que estava mentindo.
– Pode me contar. — Olhei para ela com seriedade.
– Ah, é que... — Sally deu um suspiro — Eu... Eu fiz uma coisa ruim Jason. Não deveria ter tirado aquela foto... E... E... Agora ela espalhou para todo mundo...
– Sally, respostas claras, por favor. O que você fez? Quem espalhou o quê?
Ela apontou com a cabeça para o corredor das salas. Passei por ali e vi várias cópias de fotos grudadas na parede. Eu dormindo com o vídeo game na mão e Sophia deitada em meu ombro também dormindo.
– Quem fez isso? – Perguntei – Pera, me deixa adivinhar... Dove.
Sally balançou a cabeça negativamente.
– Stella. E é... Tudo culpa minha.
– Mas... Quando você tirou essa foto?
– Sexta-feira enquanto vocês dormiam. – Ela abaixou a cabeça – Mas planejo uma vingança. Já chamei meus empregados e...
Antes de ela poder terminar a frase, o sinal tocou.
– Caramba... Cadê a Sophia? – Sally perguntou, enquanto entrávamos na sala.
– Não sei... Não a vejo desde... Desde sexta... – Suspirei.
– O houve sexta?
– Anh... Nada. – Sentei em meu lugar no fundo da sala e percebi que todos olhavam para mim.
No mesmo momento, Sophia chegou. Todos a encaravam e davam risadinhas, ela parecia nem ligar, mas sua cara mostrava uma feição cansada.
Sophia sentou ao meu lado, no seu lugar de costume e mandou um oi mudo para mim e Sally como se nada tivesse acontecido.
Quando finalmente o sinal bateu para o intervalo, Sally lançou um olhar de venham comigo para nós dois. Nós a seguimos até uma escada que ia para o telhado da escola.
– Vocês viram as fotos? – Sophia perguntou.
– Sim. – Eu e Sally respondemos em um uníssono.
– Mas afinal... – Ela olhou em volta – O que fazemos aqui?
– Stella havia pegado meu celular e acabou vendo a foto que eu tirei de vocês na sexta... Eu a ameacei de pegar suas fotos da 4ª Série se ela mostrasse a foto pra alguém, mas ela mesmo assim fez isso. – Sally suspirou – Mas como eu disse, vou me vingar dela. Chamei meus criados aqui pra ajudar a colar as fotos na parede e a arrancar a de vocês.
– Sério? Mas... E se descobrirem que você tem, hum... Mordomos? – Perguntei.
– Pedir ajuda para eles não vai me denunciar de forma alguma – Ela sorriu de lado – E aqui estão eles...
Sally apontou para um helicóptero que vinha descendo. Dele saíram uns 10 homens todos uniformizados.
– Senhorita Marianne. – Um deles se pôs a frente – Quais são as ordens?
– Vocês, tirem todas as cópias dessa foto da parede. — Ela estendeu o celular para eles, mostrando a foto. Metade do grupo saiu correndo escada a baixo. – E vocês grudem essas aqui. – Sally tirou de dentro da mochila um monte de cópias da foto de uma garotinha de aparelho com os cabelos todos bagunçado e com os olhos fechados, e entregou para o resto do grupo.
– Sally... – Sophia a encarou, pasma.
– Deixa comigo. – Sally nos lançou uma piscadinha e saiu atrás dos homens, pondo o seu capuz para não ser vista.
Eu e Sophia ficamos nos encarando por um tempo. Eu fiquei corado, assim que lembrei o que havia acontecido sexta. Sophia também parecia nervosa, ela olhava para o chão e depois para os lados, evitando olhar diretamente para mim.
– Soube que seu blog apareceu em um jornal. – Eu sorri para ela, tentando aliviar o clima constrangedor.
– Ah é, eu vi. Eu também vi alguns sites comentando sobre meu blog, ele realmente está famoso. – Ela deu um sorriso de lado.
Olhamos para os lados. Minha tentativa de aliviar o clima constrangedor só piorou as coisas.
– Sophia... Me desculpe por sexta. – Eu olhei para ela.- Eu não devia ter tentado te beijar. Foi um impulso, só isso...
– Eu sei. Eu não deveria ter saído daquela forma... Foi errado eu ter feito aquilo...
– Não eu que...
– Pare de se culpar, droga... Isso está deixando as coisas ainda mais difíceis.
Eu suspirei.
– Tudo bem. Mas eu prometo nunca mais fazer aquilo. – Eu sorri para ela – Vamos ajudar Sally?
– Vamos!
Nós saímos correndo e fomos atrás de Sally e os caras.
Chegando no pátio, vimos diversas fotos de Stella grudadas na parede. Dove, Maria e Stella olhando pasmas para uma das fotos.
– Olha lá. — Eu disse e não pude conter uma risada.
– Olha a cara da Stella. É algo como: "AAAH! OLHA ISSO! MEU CABELO ESTÁ SEM APLIQUE! NÃÃÃO!" — Sophia disse, dando uma gargalhada.
Nós rimos mais alto ainda, fazendo com que todos que estivessem perto olhassem para nós dois. Eu nem tinha me dado conta de que Sophia nunca havia dado uma gargalhada como aquela.
– Vem, vamos achar Sally.
Saímos correndo até um corredor cheio de mordomos.
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