Meu Querido Blog...
10 "Dando uma de detetives."
Notas iniciais
Sophia
Entramos em um corredor onde se encontravam grande parte dos mordomos. Os alunos que passavam e os viam ficavam os encarando, obviamente se perguntando de onde surgiram tantos homens. Sally não estava lá, poderia estar em outro corredor ou em alguma sala.
– Cara... E se a diretora visse esses caras aqui? — Jason perguntou.
– Não sei o que aconteceria. Mas boa coisa que não é. — Falei.
Eu não entendia muito bem o porque de Sally ter tirado uma foto de nós dois dormindo. Foi constrangedor, e o fato de TODA a escola ter visto a foto também não ajudou muito. Mas eu não conseguia ficar com raiva da Sally, por mais que aquilo tenha sido um ato realmente imprudente. Ela como sempre estava tentando resolver tudo, e era isso que mais me admirava na Sally, sua força de vontade era muito inspiradora.
Alguns minutos se passaram e quando percebemos, os servos de Sally já haviam terminado tudo. Fotos de Stela coladas por toda parte e nenhum sinal da nossa foto.
– Uou. Eles são rápidos. — Jason deu um assobio — Agora temos que achar Sally. Ela deve estar mandando os caras de volta para o helicóptero ou algo assim.
– Vamos lá pro terraço então?
Ele assentiu e me puxou pelo braço até a escada. Quando chegamos lá em cima, demos de cara com Sally e Stela brigando.
– Não fui eu que coloquei, sua idiota! — Stela gritou.
– Claro que foi! Só você que tinha essa foto além de mim! — Sally a olhava com fúria.
– Você não sabe! Eu nunca correria o risco de ter aquela foto espalhada pela escola!
– Mas se nao foi você, quem foi?!
– Não sei!
– Ei, o que tá rolando? — Jason perguntou.
– Não é da sua conta, seu nerd! — Stela disse, fazendo cara de nojo.
– Antes ser nerd do que idiota... — Ele murmurou.
– Ei, está me chamando de idiota?
– Eu não disse nada, mas já que você se identificou...
– Cale a boca deu rebaixado!
– Chega, Srta. Aplique. — Dei um passo à frente. — Se você não tivesse espalhado nossas fotos pela escola, nós não estaríamos aqui discutindo.
– Já disse que não fui eu! — Ela gritou.
– Haha. Acha que vamos acreditar na pessoa que invadiu minha casa e pegou meu celular? — Sally revirou os olhos. — Afinal, como você sabia da foto?
– Na verdade eu não sabia. Encontramos a foto por acidente, enquanto eu verificava suas coisas. Fui ver se tinha algo para usarmos contra vocês. Na verdade a ideia foi toda de Dove, ela queria uma vingança por vocês terem humilhado ela, sei lá...
– E você como um cachorrinho, cumpriu as ordens dela? Você é bem inteligente, hem... — Revirei os olhos.
Stela me fuzilou com o olhar. Provavelmente ela me odiava ou queria me matar, mas enquanto ela fosse arrogante comigo e com meus amigos, eu seria arrogante com ela.
– Mas de qualquer forma... — Stela bufou — Não. Fui. Eu. O que vou ter que fazer pra provar isso?
– Tive uma ideia. — Jason disse — Se não foi mesmo você, obviamente foi outra pessoa que sabe da foto. E se você conseguir descobrir quem foi e provar sua inocência, nós tiramos todas as suas fotos da parede da escola.
– Ótima ideia! — Sally deu um pulinho.
– O quê? Nem pensar! Não vou ficar bancando a detetive por aí, isso é para idiotas.
– Você quem sabe... — Eu disse.
Ficamos todos encarando Stela, até ela finalmente dizer:
– Ah! Tá bom! Eu vou! Mas vou querer ajuda, não vou sair por aí como uma idiota sozinha!
– Hum... — Sally deu de ombros — Não nos importamos de ajudar. Né?
Ela olhou para nós dois, que assentimos.
– Então tá. Por onde começamos? — Stela perguntou, ainda de cara amarrada.
– Além de nós. Quem mais sabia da foto? — Sally perguntou.
– Hum... Maria, Dove, o Zelador Buzanfa...
– Pera. Por que o Zelador Buzanfa sabia da foto? — Perguntei.
– Ah, foi ele que ajudou a fazer as cópias da foto. — Stela disse — Sabiam que ele tem uma máquina de xerox na salinha de faxina?
– Mas por que ele ajudou? E por que você fez as cópias, sendo que não ia colar nada? — Sally perguntou.
– Ah, eu tinha mandado um e-mail para ele antes de você passar em casa. Sabiam que ele tem um notebook na salinha de fa...
– Não. Não sabíamos Stela. — Jason a interrompeu. — Agora será que dá pra continuar?
– Ah, chaato. — Ela bufou — Mas então, como eu disse foram só eles que souberam da foto. Não contei a mais ninguém.
– Precisamos observar os suspeitos. — Sally disse — Pode ser que eles deixem escapar algo.
– Hum, Sally... Não acha mais fácil nós perguntarmos para eles? — Jason perguntou.
– O quê? Não, nem pensar. Eles nunca falariam nada. Como os suspeitos de assassinatos em CSI...
– CSI?! Estamos falando de algo de verdade, e você está pensando em CSI?! — Stela berrou.
– Pare de gritar, Stela! — Gritei.
– Mas você também está gritando, sua depravada! — Ela gritou de volta.
– Mas a sua voz é irritante. — Eu cruzei os braços.
– A sua que é.
– Será que dá pra vocês pararem? — Jason olhou para Stela e em seguida pra mim. — Vamos de volta ao assunto. Sally, prossiga.
– Bem... Cada um de nós vai ter que observar um dos suspeitos. Eu vou ficar de olho no Zelador, Stela vai atrás da Dove e Sophia e Jason vão atrás da Maria. — Sally disse, enquanto apontava para cada um de nós.
– Por que nós dois vamos ficar juntos? — Perguntei.
– Hum, sei lá. — Sally deu de ombros. — Um de vocês prefere ir com a Stela?
Fizemos que não com a cabeça.
– Então vocês não tem escolha, já que não iria dar certo algum de vocês vir comigo.
– Por que não? — Jason perguntou.
– Longa história. Agora que tal começarmos a investigação?
Antes que pudéssemos responder, o sinal tocou. Era hora de voltar para a aula.
– Hem? Mas já? — Stela perguntou.
– Nem deu tempo de eu comer... — Eu disse.
– Pois é. Alguém tem alguma coisa aí? — Jason perguntou.
– Eu tenho uma barrinha de cereal com amendoim e chocolate. — Sally disse.
– Ah, não valeu. Sou alérgico a amendoim. — Ele pôs as mãos nos bolsos da jaqueta.
Paramos de falar e fomos andando para a classe. Stela estava andando à nossa frente, fingindo não nos notar. Seu rosto se enchia de ódio toda vez que alguém passava rindo ou comentando sobre a sua foto.
Chegando em nossa sala, cada um sentou em seu devido lugar. Stela, para nossa surpresa, sentou num canto isolada dos populares.
Ao ver sua expressão triste, eu admito que tive um pouco de dó. Afinal, eu sabia como era ser isolada. Vivi isso durante todos os meus anos passados na escola.
– Ei, Sophia... — Jason cochichou.
– Hum? — Me virei para ele.
Jason me entregou um pedaço de folha de caderno com algo escrito em letras redondinhas:
Pessoal,
Nas trocas de aulas e na saída, vamos investigar. Não deixem ninguém perceber nada, se não já era.
PS: Jason, passe isso pra Sophia, e Sophia, passe isso pra Stela. E Stela... Por favor, pique este bilhete após tê-lo lido.
Sally :D
Depois de terminar de ler o bilhete, eu virei meu olhar para Stela. Ela estava muito longe, e se eu corresse até ela o Professor brigaria. Fiquei pensando por alguns minutos, até que tive uma ótima ideia.
Peguei o bilhete e comecei a dobrá-lo. Quando finalmente terminei, lancei o 'Avilhete' ( Avião + Bilhete = Avilhete ) fazendo-no cair exatamente na mesa de Stela.
Ela fez uma cara de ponto de interrogação e olhou para mim. "O que é isso?" Ela perguntou apenas mexendo a boca. "Leia" Eu disse da mesma forma que ela.
Stela desdobrou o Avilhete e começou a ler. Seus olhos percorreram rápidamente o papel e logo ela estava me encarando novamente. "Okay então." Disse, e eu assenti.
– Stela já leu o papel. — Eu cochichei para Jason.
– Ótimo. — Ele cochichou de volta. — Está ansiosa?
– Hem? Por que eu estaria?
– Sei lá, não é todo dia que você pode bancar o detetive, né?
– Hum, que seja. — Dei de ombros e virei meu olhar para o professor, que falava como um papagaio sobre os fungos.
Logo que o sinal bateu para anunciar o fim da aula, eu percebi que Dove se aproximava de Stela. Maria estava sozinha do lado de fora da sala, observando os alunos que passavam.
– Jason, — Eu puxei seu braço. — É melhor irmos.
– Tem razão.
Dito isso, nós dois saímos da sala e fomos procurar Maria.
Stela
Assim que o sinal bateu, eu vi a Ice Girl e Jason conversando. Por um segundo, eles olharam para mim e depois saíram da sala, provavelmente para ir atrás de Maria.
– Star! — Dove se aproximou de mim com um sorriso no rosto. — Por que não sentou com a gente hoje? Depois daquela hora no intervalo eu não te vi mais.
– Assuntos pessoais, Sweet. — Eu disse, tentando esconder minha cara de suspeita.
– Ah, sim... E aí, por que você não vem pra casa?
– Eu adoraria! Mas tenho que ensaiar a nova coreografia, lembra? — Perguntei, e ela assentiu — Que tal você me ajudar? Já que você já decorou a coreografia inteira.
– Ajudar?
Por um segundo, ela torceu o nariz como se pensasse: "Arhg, nem vem!", mas logo abriu um sorriso ( Falso, sem dúvidas ) e disse:
– Pode ser, Star! Vamos para a quadra?
– Claro.
Andamos um tempinho, até chegarmos na quadra fechada. Lá era realmente imenso, com arquibancadas que cabiam mais de 5.000 pessoas, duas cestas de basquete uma de cada lado, uma porta para o vestiário feminino, outro para o masculino e uma pequena porta para o depósito de equipamentos.
Entramos no vestiário e colocamos nossas roupas de ginástica, em seguida pegamos o rádio e demos play na música.
– Pronta? — Ela perguntou.
– Sim.
– Começa assim: Lado, lado, chute, gira, pula, vira, mexe os ombros, abaixa, pula e espacate. — Dove disse, enquanto dançava extremamente rápido. — Consegue acompanhar?
– Sim, claro. — Eu disse, mesmo sem nem ter ideia do que fazer.
Ela se aproximou do rádio para voltar a música, mas foi interrompida pelo barulho do seu celular tocando.
– Espera aí, Star. — Dove pegou o celular em sua bolsa e dirigiu-se até o vestiário feminino.
"Preciso ouvir tudo. Mesmo que Dove seja minha melhor 'amiga'." Pensei, e corri em direção ao vestiário, onde fiquei com o ouvido encostado na porta para ouvir o que Dove falava.
– Não teve problema algum. Claro que aquela garota teve o que merecia, mas isso acabou nem me afetando. — Pausa — Claro, como prometido. — Pausa — Seguindo? Acho que você está endoidando de vez. — Pausa — Impossível, além do mais, Stela nem é tão inteligente. Ela botaria a culpa toda em você, e é só negar tudo e fica tudo bem. — Pausa — Ok. Até.
Ela desligou o celular e eu no mesmo momento corri para um banco.
Minha raiva estava a mil, afinal de contas, minha amiga havia feito algo sabendo que iria me prejudicar, e ainda por cima me xingou de burra! Me senti uma idiota. Depois de tudo o que aconteceu minhas opiniões haviam mudado completamente. Dove era a má. E eu havia ficado ao seu lado durante muito tempo.
– Então... Vamos continuar? — Ela abriu a porta do vestiário e foi para o meio da quadra, me chamando para ir também.
– Sim, claro. — Dei um sorriso falso e parei ao lado dela. — Do começo?
Dove assentiu e eu dei play na música, acompanhando os seus passos.
Depois de um tempo, eu parei a música e decidi falar com Dove.
– Então foi mesmo você, né? — Eu a encarei.
– Do que está falando, Star?
– Não me chame de Star, ok? Eu sei o que você fez. E tudo isso só para ferrar aquela Ice Girl estúpida. Não pensou em como eu me sentiria?
– Ah, esse foi um risco que tive que correr. Afinal, já fiz muitas coisas por você não é mesmo? Ah, claro... Se não fosse por mim, você não seria das Líderes de Torcida e nem teria garotos ao seu redor. Então... De nada.
– Ah, muito obrigada mesmo por me dar coisas que eu não precisava. Aliás, eu posso conquistar minhas coisas sozinha, não preciso ser sua cachorrinha-serva. — Eu disse, cerrando os punhos.
– Dane-se. — Dove se virou de costas. — Seus sentimentos não são importantes. Você não é importante. Nem pra mim, nem pra ninguém. — Ela soltou uma risada e dirigiu-se até a porta da quadra.
– Então foi mesmo você? — Sally abriu a porta com força e encarou Dove — Já era de se imaginar. Já que você não faz nada sozinha.
Sally entrou trazendo o Zelador junto consigo. Sua face estampava arrependimento, talvez até um pouco de raiva.
Eu estava parada no meio da quadra. Eu me sentia extremamente idiota, pois sabia que tudo o que Dove falara estava certo. Sem ela, eu não seria popular, não seria parte das LDTs, não teria garotos ao meu redor, não teria uma vida colegial perfeita...
– Que tal resolvermos isso na diretoria? — O Zelador perguntou.
– Não vai ser preciso... — Minha prima apontou para as arquibancadas e lá estava sentada a diretora da escola. — Já avisei tudinho.
– Venham comigo, vocês. — A diretora fez um sinal com a cabeça, indicando para irem com ela.
– Você vem? — Sally perguntou.
Eu não respondi. Estava com muita raiva e dor. Aquilo não havia sido uma experiência boa, já que minha vida social agora estava arruinada.
– Stela? — Sally se aproximou de mim.
– P-Por favor, me deixe sozinha. — Eu gaguejei.
– O-Ok. Eu vou ligar para o Jason. — Ela se afastou e pegou seu celular. Discou uma, duas, três vezes e ninguém atendia. — Uh? Por que eles não estão atendendo? Será que aconteceu alguma coisa? Eu tenho que achá-los.
Jason
– Por que essa maldita escola tinha que ser tão grande? — Sophia perguntou, extremamente raivosa
– Se eu ao menos estivesse com meu celular... — Suspirei.
– Eu nunca vi esse lado da escola. O que Maria estaria fazendo aqui?
– Não faço ideia. — Eu disse — Ah, cara. Somos tão azarados!
– Pois é... — Ela suspirou.
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