Meu Príncipe
4 Who's that boy
Notas iniciais
Boa Leitura ;)
Eu acho que talvez sejam assim que as pessoas se sentem quando dizem: “eu não sabia o que fazer”.
Antes que tivesse tempo para retribuir o beijo, fiz a coisa mais sensata que consegui pensar. Empurrei seu corpo bruscamente enquanto dava um tapa violento na sua cabeça e dizia:
– O que deu em você? – Me virei e saí dali sem dar a Harry uma chance de responder.
Qual o problema daquele garoto?
Bem, os olhos verdes-esmeraldas-que-me-fazem-fica-hipnotizada é que não são. Quando ele me olhava daquele jei...
Katherine. Foco. Olhei pra Bia, desesperadamente em busca de ajuda, mas ela não iria sair de perto do Josh tão cedo.
Andei sem rumo ir numa parte mais abandonada do salão. Na verdade, eu estava mesmo em busca de algum lugar com sinal. Quando me dei conta, não estava mais dentro da festa. Deviam ser os fundos. Olhei pro celular, nada de sinal. Me virei e resolvi voltar, quando esbarrei em alguém.
– Senhora Smith? Ai meu Deus, desculpa! – Ajudei a mesma a se levantar. – A senhora está bem? O que faz aqui fora?
– Na verdade eu não me sinto muito bem. – Ela disse, com a voz fraca. – Eu estava com um mal estar, precisava de um pouco de ar fresco.
– Mal estar? – Perguntei, começando a me preocupar. – Mas as contrações voltaram?
– Elas sumiram há um tempo. – Consegui ver um leve esboço de um sorriso.
– A senhora devia ter ficado em casa. – Repreendi-a de modo amigável. – É uma fase delicada, não devia carregar o bebê pra festas assim.
– A médica diz que só vai nascer semana que vem. É a festa de formatura dos meus alunos, não podia ficar de fora! – Mulher teimosa.
– Tem certeza de que não tem sentido nada? Vou ficar mais aliviada depois que não restarem dúvidas de que a senhora está bem.
– Não, só tenho sentido... AAAAH! – Ela gritou de repente, me assustando.
– Senhora Smith, o que foi?
– Eu... AAAAAH! – Ela colocou as mãos na barriga e fez uma careta de dor imensa.
– Vamos, vamos, eu ajudo a senhora a se sentar. – Coloquei-a numa cadeira ali perto, mas os gritos continuaram.
Não, por favor não. Ela não pode estar simplesmente parindo a criança ali. Eu vou fazer faculdade de MODA céus, não medicina!
– Kat? – Uma voz masculina soou perto de mim. Meu Deus, essa voz rouca me deixa totalmente.... PAROU A PALHAÇADA. A MULHER TA PARINDO NA SUA FORMATURA, FOCO! – Olha, sobre o que aconteceu mais cedo...
– Harry! – Cortei-o. – Me ajuda aqui por favor! Acho que ela está com contrações muito fortes!
Harry fez a cara mais bem feita de wtf? que eu já vi na vida. Estava claro que ele queria sair dali, mas ele se aproximou da senhora Smith e tentou acalmá-la.
– Calma professora, provavelmente são apenas...
O vestido dela começou a molhar na parte de baixo. Primeiro pensei que com a dor ela não tivesse conseguido ir ao banheiro, ou algo assim. Mas quando aquele menino deus-grego olhou pra mim com uma cara muito preocupada eu me toquei o que aquilo era.
Fodeu.
– Eu acho melhor chamarmos alguém para...
– Não temos tempo! – Cortei-o novamente, quase gritando. – Ai meu Deus, a bolsa acabou de romper! E a mulher não pode ter o bebê aqui! Por que eu vim de carona com Bia? Eu não posso enfiar uma grávida prestes a parir num conversível!
– Ela precisa ir ao hospital. – Ele concordou. – Agora.
Bem, uma coisa boa nisso tudo.
– Harry. Você está dirigindo, não está?
Não podíamos passar por todos aqueles alunos com a senhora Smith naquele estado, então foi bom que o lugar fora do salão que a gente estava era surpreendentemente perto do estacionamento. Fiquei com a professora enquanto ele não chegava com o carro.
Por mim eu escolheria qualquer outra pessoa para ir até o hospital comigo, mas não me restavam opções.
Finalmente, um grande veículo prata se aproximara. A senhora Smith cambaleou até a porta, mas com minha ajuda ela entrou normalmente no banco de trás. Será que seria pedir demais que essa mulher parasse de gritar por um instante?
– O hospital mais próximo fica a vinte minutos daqui. Se nós tivéssemos escolhido o outro salão, provavelmente não teríamos que andar tanto até...
– Deixe-me lembrá-lo, senhor Styles, que o outro salão não tinha a metade do tamanho do atual e custava o dobro do preço. – Revirei os olhos. Aquela gentileza de minutos atrás tinha desaparecido completamente.
Mas eu não queria isso. Quero dizer, era tão mais fácil.... mas estamos falando de Harry Styles, né?
– Falta muito? – A professora falou fracamente, junto a uns gemidos de dor.
– Estamos chegando. – Fiz um esforço para manter a voz calma. Eu não estava nem um pouco calma. – Respira, respira.
Ela urrou de dor mais uma vez. Eu não sei se essa mulher tem uma tendência ao escândalo ou se isso tudo é culpa da gravidez. Anotei mentalmente para não ter filhos tão cedo.
– É bom que isso não suje o banco do meu carro. – Harry disse entre dentes. – Troquei na semana passada.
– Cala a boca e dirija. – Fuzilei-o com o olhar. Ele não podia ser tão insensível. Mas era bem, BEM bonito. ENFIM...
Harry apenas deu um sorriso travesso (como eu amava esse sorriso), e nada mais disse. A senhora Smith ainda reclamava muito da dor, dizendo que não queria ter um filho dentro de um carro, mas eu vi que ela estava começando a ficar um pouco mais calma. Ou talvez isso só fosse imaginação minha.
Finalmente chegamos ao hospital. Logo conseguimos uma cadeira de rodas, e não demoraria para voltarmos para festa.
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