Meu Primo Idiota.
16 Capítulo 16 - De volta para o meu aconchego.
Notas iniciais
Bella PVD
Eu deveria me sentir triste, certo?
Mas porque eu só estava com medo?
Medo de voltar pra casa, medo de ver uma pessoa.
Desde que pus os pés no aeroporto, eu não parava de pensar em Edward.
OMG eu ia encontrá-lo em pouco tempo.
Eu devia pensar em ajudar minha família, minha mãe, Esme, afinal seu irmão morreu! MEU PAI MORREU!
Mas eu só pensava em... Edward.
Ou melhor, em como ele estaria mudado ao longo desses dois anos.
Cheguei em Seattle.
Carlisle estava lá, me esperando.
Ele me abraçou forte.
– Bella! Como está grande e bonita! Você está muito linda! Eu sinto muito pelo seu pai...
– Obrigada, tio – o abracei, aquele homem era na verdade o pai que Bob nunca foi pra mim.
Fomos até o carro dele, e ele dirigia silenciosamente até Forks.
No caminho eu sentia o vento úmido, o cheiro de mato, a brisa gelada da minha cidade.
Algumas coisas mudaram, mas tudo estava como eu sempre me lembrava.
– Vou te levar pra minha casa, sua mãe esta lá.
OMG.
– Ok. – disse eu.
Prosseguimos o resto do caminho calados. Ele só me perguntou como haviam sido esses anos fora.
A casa estava à mesma, muito grande e bonita, Esme estava sentada na varanda.
– Ola, meu bem! – ela me abraçou forte – você esta bem?
– Estou – respondi baixo.
Meus olhos corriam o jardim todo, a procura de alguém. Que porra Bella! Aquieta o facho! Pensei.
– Alice está no quarto dela. – disse Esme, acho que ela pensou que eu estava procurando Alice. Quem me dera.
Entrei a casa, e a sala estava completamente diferente, lembrei que Tia Esme sempre gostava de mudar as coisas.
No sofá havia uma mulher com um olhar vazio, não triste, e que tinha marcas pelo braço.
Minha mãe.
Corri e a abracei.
– Mãe! Esta tudo bem... – tentei consolá-la.
– Finalmente, nunca mais você vai embora! – disse ela.
– Mãe, o que houve? – perguntei, apontando pros braços machucados.
Ela olhou nos meus olhou e depois desviou o olhar pra televisão. Vestiu o casaco.
– Você deve estar cansada, vá descansar depois conversamos.
- Não mãe, eu quero agora! –bati o pé.
- Não, Bella, ande!
– Ok. – disse eu, dei um beijo nela e fui até o quarto de Alice.
No segundo andar, eu estava parada no corredor, eu lembrava muito bem onde cada quarto ficava.
A de Alice era o da ponta, ao lado o de Edward.
Bati na porta de Alice.
Ela abriu a porta, me examinou dos pés a cabeça, com uma expressão sombria, depois ela abaixou o olhar, e sorriu.
Puxou-me pra dentro do quarto me abraçou dando pulinhos e gritinhos histéricos. Eu havia sentido falta dela.
– Finalmente! Bella! – gritou ela.
– Alice!- gritei.
Minha prima preferida estava diferente. Ela havia crescido um pouco, o cabelo estava um pouco maior, e mais escuro. Ela estava com 17 anos, estava linda.
– Conte tudo! Como é lá na escola?
– É maravilhoso! Eu fiz tantos amigos!
– Já falei com a minha mãe, você vai dormir aqui, no quarto de hospedes.
– Eu vou?
– Vai sim, eu tenho tanto pra te mostrar!
– Eu vou desarrumar a mala ok? – disse eu e sai do quarto.
O quarto de hospedes estava o mesmo, só tinha de diferente a colcha da cama.
Desfiz as malas, e fui tomar um banho.
Como eu pude não chorar ainda? Meu pai morreu.
Ele com certeza não foi um exemplo, ele fazia tudo que era ruim, mas os momentos bons eram os que contam. Não é? Sei la.
Terminei o banho e fui dormir um pouco. Fuso horário estava acabando comigo.
Quando acordei, a janela que eu jurava estar aberta estava fechada, e havia mais um cobertor na cama. Esme, com certeza.
Que horas devia ser? Não sei. Bem tarde.
Percebi que sentia fome então desci para a cozinha. Meu deus, suspirei só de pensar na comida de Tia Esme.
Abri a geladeira e escolhi um pudim de leite. Um pedaço bem humilde, tipo metade do negocio.
Quando estava indo pra sala, pra subir as escadas e voltar pro quarto, havia uma pessoa entrando em casa.
A porta se abriu e eu quis morrer, literalmente.
A mania de me examinar da cabeça aos pés, como todos faziam. Eu estava gorda?
Mordi o lábio e permaneci calada, pareciam que os segundos eram minutos intermináveis. Eu tentava não olhar pra ele, mas era impossível.
OMG, era Edward, e estava lindo!
Os cabelos acobreados, ele estava mais forte, e ele estava sorrindo torto, de uma forma que dizia ‘eu-estou-te-seduzindo-gatinha’.
Ele mudou tanto, ele estava maravilhoso, era difícil admitir isso pra mim mesma. Merda.
Eu estava com vergonha, porque com certeza ele estava olhando meu corpo. E eu estava de pijama, um pijama...de calor.
Eu estava com frio, de repente.
Ele passou a mão pelos cabelos, e foi em direção a cozinha, sussurrou um ‘oi’ pra mim quando passou ao meu lado e eu me arrepiei.
Voltei pro quarto, e não consegui dormir de novo. Fiquei rolando na cama, pensando o porquê daquela sensação quando ele passou por mim.
Que menino lindo.
Então eu dormi novamente, mas bem pouco, porque Alice apareceu pulando em cima de mim.
– Bella! Vamos, se arrume, o velório vai ser hoje. – disse ela – Bella, você esta bem com tudo isso?
– Isso o que? – perguntei.
– Seu pai ter morrido... –ela perguntou indignada.
– Ah, — lembrei, aé, ele morreu — eu estou triste, eu acho.
– Como assim, eu acho? – a menina quase berrou.
– É que...Ele não era como Carlisle, ele era frio, e eu me lembro de poucos momentos bons com ele.
Alice balançou a cabeça e me deu um abraço gélido. Mandou-me vestir o luto e descer.
Balancei a cabeça positivamente e fui me arrumar.
Vestir o luto né, tipo, preto? Isso.
Coloquei o jeans mais escuro que eu tinha e um casaco preto.
Alice estava a minha espera sentada na mesa da cozinha com um homem do lado.
Ele era forte e bonito, muito bonito. Ele sorriu de um jeito brincalhão, veio até mim, e me abraçou forte, tão forte que eu quase morri.
Emmett.
– Nossa Bella, você esta gata! – disse ele.
Eu quis morrer. Balancei a cabeça em sinal de agradecimento. Não, eu não o odiava.
-Ai vem Edward! Você já disse ola para ele? – disse Alice, chamando-o com um aceno.
NÃO! Eu não queria dizer ALO pra porra de Edward nenhum. Não mesmo.
- Olha! Minha mãe! – apontei e sai correndo dali. Deus me livre, que nojo, contato com o Cullen maldito. E lindo. Será que ele cheirava bem? Ok, cala boca vadia!
Entrei no quarto da tia Esme, onde minha mãe estava.
– Oi, mamãe. – beijei o rosto dela;
– Oi meu bem. – ela sorriu, estava mexendo em uma caixinha.
– Você pode conversar comigo agora, mãe? – pedi. Eu queria saber a verdade.
Ela olhou pros braços machucados.
– É claro,mas é uma longa historia... –ela disse.
– Eu tenho tempo. E não sou mais criança.
– Pois bem, você sabe como foi que aquilo aconteceu. A morte dele. –ela disse um pouco rápido demais.
– Ele bebeu...- adivinhei.
– Isso mesmo, fim de papo. – ela cortou.
Não, eu não aceitaria aquele tipo de resposta. Eu queria saber TODA a verdade. Não ligaria se doesse.
– Agora que você já disse a mentira, pode contar a verdade? – eu me aborreci.
– Não há o que falar... – ela disse.
– Ele te bateu? De novo? Quantas vezes enquanto eu tive fora? – perguntei de braços cruzados.
Ela deitou na cama, e suspirou.
– Ele sempre bebe demais, mas naquela noite eu não queria que fosse daquele jeito. – ela contou. – Estava cansada daquela situação maldita, aquele homem bêbado...
- E o que você fez pra parar, mãe? – perguntei, preocupada.
-Eu me defendi. Peguei a tesoura da cozinha e enfiei no olho dele. – ela disse, de forma fria. Olhava para o vazio. – Ele ficou muito bravo, mas a dor devia ser enorme. Eu vi o olho dele esmagado, era horrível... – ela parou de falar.
– E ai? –incentivei.
– E ai que eu mandei ele pra fora de casa, ele pegou o carro, bateu num poste e morreu. Exatamente assim. Completamente bêbado e sem olho.
Olhei bem para o vazio que minha mãe estava olhando. Imaginei o quanto ela sofreu na mão daquele homem, e então estava livre. Pra sempre. Aquilo me fez...chorar, pela primeira vez. Não a morte de meu pai, e sim pelo sofrimento da minha mãe. Talvez se eu não tivesse ido embora, fugido, ido para outro pais para fugir de apenas um adolescente que implicava comigo, ela não teria...sofrido tanto. Não me confortei com o quanto eu era egoísta.
– Mãe, eu não quero ir... Mas eu devo. – eu pedi. Não queria ir no velório.
– Não precisa meu bem, vai ser uma coisa triste pra você, melhor ficar em casa, seus primos ficam com você aqui. – ela sorriu.
Então eu não fui no velório. Voltei para o quarto, e coloquei roupas mais confortáveis.
Alice entrou no quarto sem bater.
– O que nos vamos fazer hoje? Vamos ao shopping?
– Não, vamos ficar em casa...- sorri.
– Bella! Eu quero sair um pouco!- ela pediu.
– Já sei! Vamos à casa da Ângela!
– Ela não mora mais aqui. – disse Alice.
– Onde ela mora? – perguntei.
– La Push. Ela estuda na reserva, eu fui visitá-la algumas vezes.
OMG, La Push! Jacob!
– Ok, vamos agora mesmo pra La Push! – me levantei.
– Não podemos, não temos carro para ir, e eu não vou pegar um ônibus. – disse ela. Às vezes ela era tão nojenta, eu não me lembrava de quanto ela era assim.
– Então vamos ficar em casa – eu disse séria, e deitei na cama.
Ela saiu do quarto sem dizer tchau, e mesmo não olhando pro rosto dela, eu sabia que ela estava com um bico enorme.
Um tempinho depois alguém entrou no quarto, Esme.
– Meu bem, nós vamos agora, seus primos vão ficar também, assim vocês podem ver um filme e conversar. – ela disse sorrindo.
– Ok. Obrigada.– eu disse sorrindo e resolvi dormir.Porque dormir era a única coisa legal para se fazer no mundo.
Sabe, o ultimo sonho que eu tivera fora o pesadelo. E agora eu estava sonhando novamente, praia, sol, meus amigos, em uma festa na praia magnífica. Até mesmo minha Barbie Califórnia estava lá, com a gente.
Então eu senti algo cremoso na minha mão direita. Mas,ao meu ver, ela esta normal.
Meu rosto estava coçando. Cócegas.
Então eu acordei.
Minha mão cheia de espuma de barbear, e como eu cocei o rosto, minha cara estava cheia de espuma também.
Olho pra frente, e me deparo com um ser;
Emmett.
Emmett tinha uma cabeça de boneca no dedo.
– Bem vinda de volta! – disse ele, sorrindo como uma criança.
Saltei da cama e corri pro banheiro.
Lavei o rosto, e procurei um objeto cortante.
Emmett, o mesmo idiota.
Voltei pro quarto, com uma tesoura na mão.
Emmett percebeu minha intenção, e veio correndo até mim.
– Ei! Não é pra tanto! É pra relembrar os velhos tempos!
– Eu não gosto desse tipo de brincadeira! Porque você não coloca espuma de barbear no seu cu, pra ver se não é legal? – disse eu. Emmett arregalou os olhos e depois gargalhou.
Alice entrou no quarto correndo.
– Não mecha com ela! – ela disse e me arrastou pra sala.
Saindo do quarto, Emmett sorriu, e eu, mostrei-lhe o dedo do meio. Maldade.
Sentei-me no sofá com Alice e conversamos.
Fale-me de Ângela. Fiquei sabendo da gravidez. – perguntei a Alice.
– Isso é um segredo, nas primeiras vezes que eu fui lá ela escondia a criança, mas eu descobri, Marie é uma graça, mas é uma pena que Ângela teve que abandonar os estudos, ela era muito inteligente.
– Marie? É uma menina! Eu quero tanto ir vê-la.
– Vamos assim que meu pai voltar, vamos dizer que queremos ir a praia de La Push pra conversar.
– Conheci uma pessoa de La Push no colégio. – eu disse
– OMG, quem é? Eu conheço?
– Provavelmente não, ele foi embora antes de acabar o ano, assim como todo mundo, nós quase namoramos.
– OMG! – ela gritou – você esqueceu-se de contar que estava namorando?
– Nos não namoramos, só ficávamos às vezes, ele era mais pra um amigo.
– Uma linda amizade colorida. Qual o nome dele? – ela perguntou.
– Jacob, Jacob Black.
– Ele é bonito? – perguntou ela.
– Até que sim... – eu disse – É até. Bastante.
Alice riu docemente.
A campainha tocou.
Alice foi pulando contente até a porta. Quando abriu a porta, ela parou de sorrir, saltitar e ser feliz. Ela se calou, e subiu correndo pro quarto.
– Alice... – a pessoa disse, ao ver ela correr. Reconheci a voz, e sorri, e meu coração se encheu de saudade.
Virei-me lentamente, e vi seu rosto.
Jasper estava mais forte, o cabelo um pouco maior, e estava realmente muito bonito.
Ele sorriu ao me ver.
Corri e o abracei forte.
Meu melhor amigo Jasper!
– Bella! Você cresceu muito! Que saudade! – ele disse.
Por algum motivo que eu não sabia o qual, eu ria feito uma pata.
– OMG, eu morri de saudades de você Jazz!
– Eu também. – ele disse.
Emmett entrou na sala.
– Já estão assim? – ele riu — Alice já deu o chilique?
– Não fale assim dela – disse Jazz – ela subiu.
– O que houve com ela? – perguntei.
– Nada, ela só não gosta de mim como antes, acho que ela me odeia – ele disse.
– O que vocês vão fazer aqui? – perguntei.
– Um pouco de festa, com cerveja e vídeo-game – disse Jasper, sorrindo.
– Aqui esta a cerveja – disse Emmett.
– Cerveja? – perguntei – Eu odeio isso. Que nojo.
- Sei que você curte algo mais forte... – Emmett me provocou. Lancei a ele um olhar que dizia “cale-a-boca-seu-idiota”.
– Vou ver Alice. – disse eu, estava preocupada.
– De isso a ela – Jasper me entregou uma rosa vermelha.
Eu dei mais um abraço em Jasper e prometi que mais tarde conversaríamos.
Corri pra subir as escadas, e como não estava prestando atenção, trombei com Edward.
O baque foi forte, e estava realmente doendo.
Ele se levantou do chão, e me estendeu a mão.
Eu resolvi aceitar a ajuda, afinal eu realmente tinha quebrado o crânio, e doía muito.
Ao tocar a mão de Edward, nosso primeiro toque depois de mais de dois anos, eu senti minha pele esquentar, era como se estivesse levando pequenos choques...
Ele me puxou pra cima, e nossos corpos ficaram próximos, e eu não sabia o que fazer, então, eu mordi o lábio, olhando fundo naqueles olhos verdes... Desde quanto eles eram TÃO verdes?
– Vamos logo Edward! – gritou Jasper. Então ele se separou de mim e foi embora.
Isso não podia estar acontecendo.
Peguei um gelo pra minha cabeça, e subi as escadas pra falar com Alice.
Entrei o quarto dela sem bater na porta, ela estava sentada na cama, chorando.
– O que houve? – perguntei a ela – Jasper mandou te entregar. – Dei-lhe a rosa.
Ela se levantou da cama, e foi até um baú cor-de-rosa.
Dentro do baú, havia várias rosas, de diversas cores.
Alice jogou a rosa dentro do baú, e o fechou.
– Pode me explicar? – pedi a ela.
– A cada dia que passa ele está mais bonito – ela disse – E todos os dias dês de que ele me desapontou ele tenta me agradar, mais eu não vou cair na dele.
– O que ele te fez?
– Ele mentiu, ele me enganou, ele me iludiu, eu pensava que tinha esperanças. Eu pensava que ele era o tipo certo pra qualquer garota de família como eu, mas depois de ver ele quase transando com outra no meio da rua, muita coisa mudou. Eu simplesmente acho que eu deveria não existir, sinceramente eu só atrapalho a vida das pessoas. No fundo ele odeia ter que ficar comprando presentinhos...
– Transando com uma garota na rua? – perguntei.
– Mais ou menos isso, não sei explicar, eu não gosto de falar, agora por favor pode mudar de assunto?
Assenti com a cabeça e a abracei.
Alice estava realmente triste e chorava mais que um bezerro desmamado.
– Já chega, não quero te ver assim.
– O que você vai fazer? – ela perguntou.
Não respondi e sai do quarto.
Fui até Jasper, e sem pensar comecei a espancá-lo.
– Você é um idiota! Eu te odeio! Morra!
– Qual é o seu problema? Esta atrapalhando o jogo! – disse Edward.
Parei de bater em Jasper e fiquei olhando pra Edward com uma cara de “e olha como eu ligo pra isso”, e funcionou, até um certo ponto.Porque me perdi naqueles olhos, naquela áurea de ‘eu sou sexy’ que ele exalava. Tudo bem, quero minha casa, quero ficar longe dessa garoto. Então, quando ele desviou o rosto, eu suspirei. Como uma garotinha apaixonada. OMG.
Os meninos começaram a rir, e eu queria ser uma avestruz, pra poder enfiar a cabeça da terra.
– Jasper, vamos conversar AGORA! – disse eu, de cabeça baixa. Na verdade eu só queria sair dali.
Ele me seguiu até a esquina de casa, e então eu comecei a lhe fazer perguntas.
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