Meu Nome Não É Juliette!
1 Prólogo: (Ass: Romeu.)
Notas iniciais
Eram 7h00min da manhã e mesmo que o sol não estivesse em sua potência máxima, aquele inicio de segunda feira estava tão quente que Hana falava mal de si mesma constantemente, enquanto andava até seu carro umas duas quadras depois de sua escola. Ela ainda não sabia a real razão para ter deixado o carro por ali, mas estava amargamente arrependida.
Talvez o seu bom humor assim que chegara tenha ajudado nesta decisão estúpida, mas ao saber que não haveria aulas por todo o dia todo esse bom humor evaporara na velocidade da luz. Muitos alunos ficariam felizes com isso, e é claro mais tarde Hana também ficaria, mas no momento ela só conseguia pensar o quão odioso era acordar cedo para nenhum motivo bom aparentemente.
A menina destrancou o sedã prateado e adentrou-o, parando por um minuto ou dois com os olhos caramelo fechados e respirando fundo. Apoiou a cabeça sobre o volante revestido por uma capa roxa um tanto chamativa e bufou.
— Que. Sono. Malditos sejam esses professores preguiçosos e irresponsáveis! — Praguejou ainda no auge de sua irritação, e, num passe de mágica levantou a cabeça enquanto caçava com os dedos alvos e delgados o espelho, checando sua aparência.
Os cabelos castanhos lhe caiam como cascatas sobre os ombros com leves ondas em suas pontas. Os olhos, tão cristalinos quanto à água em relação ao que sentia, estavam um tanto caídos, e com uma leve olheira por de baixo das pálpebras, tornando um pouco menos sadia ao olho nu à pele de pêssego branca como neve. Ela se viu contorcer os lábios em um leve sorriso rosa claro, e sem pressa retirou um pó compacto de sua pequena bolsa que até então estava jogada no banco do carona.
Hana não era muito vaidosa, mas este era um dia especial, ou ao menos seria se não houvessem estragado todo o seu plano. Droga. Qual eram os problemas dos professores e seus salários? Eles não deveriam reclamar de barriga cheia, ainda ganham muito mais do que os seus colegas de profissão de países estrangeiros. A Rússia era legal com eles, legal além do que eles mereciam.
Com irritação ela deu a partida. Se for pra não ter aulas, ela ia curtir isso do jeito que mais gostava: Dormindo.
O caminho da escola à sua casa não era muito longo, e ela teria chegado lá em menos de vinte minutos se não houvesse parado em frente à primeira loja Starbucks que avistou para comprar um copo médio de chai. Chá era a única coisa pela qual Hana era movida de verdade, era o seu álcool natural.
Seu humor elevou-se um pouco quando sentiu o copo quente sobre as mãos, não se importava com o fato do dia estar surpreendentemente quente, ela sempre ficava feliz com chá. Em passos lentos voltou ao carro e acomodou sua preciosa bebida na porta-copo para logo em seguida pôr-se o cinto de segurança e sorrir. É. Talvez não fosse tão ruim perder a manhã daquela forma.
Não demorou em chegar a casa e muito antes de sair do carro avistou sua mãe escorada sobre a porta da frente, observando, fascinada, o crescimento rápido de sua roseira. Com um sorriso besta ela cumprimentou a mãe.
— Eu recebi a ligação minutos depois que você saiu querida, tentei te ligar, mas seu celular só dava fora de área. — Explicou-se Amélia, pondo sobre a mesa da cozinha um prato com pedaços de bolo cortados em cubos.
—Meu celular anda testando minha paciência nesses últimos dias. Parece que ele já quer se aposentar.
Hana sentiu-se salivar apenas com o cheiro que a comida exalava. Saíra tão aérea que se esqueceu do café, e ao ouvir sua barriga roncar sua mãe puxou a menina para a cozinha e enquanto lhe servia explicou a razão para ter as aulas canceladas por todo aquele dia.
Hana pôs seu chá ainda morno em uma xícara especial e sorveu-o para verificar o gosto.
— Bom? — Amélia indagou sorridente recebendo um aceno positivo de sua filha. — Eu vou sair para checar os procedimentos do casamento da senhorita Rousseau, devo chegar um pouco tarde, mas deixei tudo direitinho para você se alimentar meu bem.
— Mãe... Eu não tenho mais cinco anos. — Hana resmungou formando involuntariamente um beicinho fofo. — Mas ok, obrigada pela preocupação.
Amélia depositou um beijo em sua testa antes de sair do cômodo, porém em menos de dois minutos retornara com um sorriso suspeito.
— A correspondência chegou, tem algo para você em sua mesa de estudos.
Sem muito pensar a menina buscou um prato e nele colocou uns cinco pedaços do bolo, pegou com certa ansiedade a xícara e antes de subir com seu prato enfiou mais um bolo na boca. Qualquer um que a visse daquele jeito ficaria encantado, pois suas bochechas inflaram a ponto de parecer a mais pura demonstração de aegyo.
Deitada sobre sua cama, Hana girava o envelope branco sobre os dedos. Ela estava com receio em abrir, aquele maldito receio que ela sempre tinha quando se deparava com algo novo. Aquela carta de envelope mediano e singelo cujos selos vieram da Coréia era parte de seu trabalho de casa do semestre.
Não é muito complicado de se entender. Há um ano os alunos do colégio Excalibur tinham como aula de língua estrangeira o Francês. Na verdade a maior parte do colégio ainda tem, mas quase todo o segundo ano se viu trocando uma de suas professoras favoritas para um casanova. Ele não era uma pessoa ruim, Hana até que gostou dele e de seu estilo de aula, mas ela não era lá muito fã dos projetos que ele trazia para a sala, sabe como é, todos eles davam muito... Trabalho.
Como um projeto paralelo aos outros o professor Kang Shin Oppa decidiu que traria ao século vinte e um, um costume que havia em seu tempo de estudante. Não era nada muito complexo, é claro, se os alunos estivessem prestando atenção nas aulas, eles saberiam como manter uma conversa básica. Com isso em mente o conselho da escola aprovou que o professor Kang Shin em parceria com outro amigo de profissão da Coréia, passasse aos alunos a tarefa de manter contato com alguém do exterior.
Fazia três semanas que Hana havia enviado sua primeira carta ao seu correspondente misterioso. Ela não sabia seu nome, seu sexo ou sua idade, e mesmo que isso só a desmotivasse ainda mais (e a fizesse odiar mais ainda o projeto), Hana se esforçou em escrever a carta em que se apresentava ao ser desconhecido. Quando se completou duas semanas sem nenhuma manifestação do seu correspondente Hana simplesmente tomou completo desprezo pelo projeto e até passou a desgostar da aula, visto que seus colegas se gabavam de seus parceiros.
Apesar de não ligar para o que as pessoas pensam Hana sempre mentia sobre seu parceiro de carta quando alguém lhe perguntava sobre ele ou ela. Acrescentando sempre algo que para ela, faria qualquer pessoa incrível de se conversar, principalmente quando Melina lhe perguntava sobre ele.
Melina era sua melhor amiga desde que Hana e seus pais se mudaram para a Rússia, quando ela tinha apenas nove anos. Por isso sempre que mentia para Mel, Hana sentia-se mal depois da euforia que era inventar contos sobre ele. Até mesmo a aparência dele Hana inventou quando lhe perguntaram se sabia como ela era.
Isso mesmo, “ela”. Hana havia se gabado de ter pegado uma menina após uma semana de reclamações da classe sobre ter pegado o sexo oposto e não ter nada do que falar. As meninas a invejavam.
E agora estava ali. A resposta que demorou três semanas para chegar. Naquela coisinha pequena provavelmente teria a cura para as suas dúvidas. Era um menino ou uma menina? Seu nome, qual era? Quantos anos ele tinha? Será que teria realmente pulado de Bungee jumping como ela havia espalhado para seus colegas de classe?
Suspirou. Queria tirar essas dúvidas logo, mas aquela sensação, aquela queimação incomoda na boca do estômago a impedia. Fazia-a hesitar. E foi com receio que ela abriu o envelope, sentando-se na cama e ainda vidrada na parte aberta estendeu sua mão até o criado-mudo para pegar um dicionário Coreano – Inglês.
O papel pardo onde a carta estava escrita havia sido dobrado ao meio, e na parte que deveria ser em branco havia desenhos que ela no mínimo taxaria como interessantes. Sorriu ao notar que era uma menina com um vestido colorido de roxo e sapatilhas. Os cabelos dela estavam presos em marias-chiquinhas e segurava uma carta parecida com a que havia enviado. Havia uma linha ondulada que ligava essa menina que estendia a cartinha a um menino de boné vermelho e cabelos loiros, com uma jaqueta pintada de preto e um sorriso que fez Hana gargalhar de tão engraçado.
Concluiu que seu correspondente ou era muito bem humorado, ou então era bem infantil. De qualquer forma aquilo fez com que sua raiva pela demora amenizasse e quando leu à primeira frase, a raiva evaporou.
Annyeonghaseyo!
Devo começar essa carta lhe pedindo desculpas, então, Miane. Sinto muito por não tê-la respondido antes, sinto mesmo. Tive uns problemas que me impediram até mesmo de dormir.
Eu fui surpreendido ao receber uma carta de uma menina, mas sinceramente eu realmente gostei disso, acho que torna mais interessante este projeto. Você se descreveu logo na primeira carta e isso apenas fez com que eu imaginasse ainda mais como você é, mas notei que não disse seu nome.
Por conta disso e outras razões, eu não direi o meu. Vou lhe chamar de Juliette, então acho que passarei a assinar as cartas como Romeu... Pode me chamar assim.
Imagino que esteja tão curiosa sobre mim quanto eu fiquei sobre você e sinceramente não fazia ideia de como me apressentar, e por falta de criatividade e costume em me detalhar, pedi a um amigo próximo para fazer os desenhos atrás desta folha.
É. Eu sou loiro. Hm. Meu amigo disse que as Russas adoram os loiros, pois são charmosos. Eu acho que vocês amam loiros por quase todos serem loiros, certo? Bem, eu não ligo para cor de cabelo, já me fizeram modificar tanto ele.
Aigoo ~ Eu realmente estou Sem assunto e sem tempo. Vou terminar por aqui então.
Ass: Romeu.
P.S: Pensei em trocar emails com você, seria mais prático e eu não demoraria tanto a lhe responder.
P. S. S: Anyohaseyo! Quem está falando é amigo mais bonito do que o seu correspondente! Roubei está carta enquanto Ele dormia na van. Bem, eu apenas ia ler, visto que ele perdeu uns vinte minutos escrevendo isso durante algo importante, mas estou completamente horrorizado com a forma que ele se apresentou. Juliette, não se ofenda, mas seu Romeu anda passando por uma fase complicada, então eu me desculpo em nome dele. Miane! Ass: Sorvetinho. ^^
Ao terminar de ler Hana não sabia se ficava com raiva do descaso do seu correspondente ou ria do invasor “sorvetinho”. Irritada, deixou a carta jogada em um canto qualquer do quarto e se direcionou ao banheiro. Um bom banho aplacaria essa raiva.
Notas finais
Achei que talvez fosse necessário explicar isso. xD
E ai bonitinhos da Dongsaeng/Noona/Unni, reviews? Mesmo que seja para dizer que não entendeu nada ainda D:
Q
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