Notas iniciais
2.410 palavras, ufa! Passei a tarde todinha escrevendo e editando o que já havia pronto neste capítulo, então espero que gostem. ^^,
Mas aviso que não deu para revisar. Apesar de todo o cuidado enquanto escrevo, tenho quase certeza de que há alguns errinhos, Mianeyo!
~ Estou feliz porque os meninos aparecem, finalmente! /spoiler

Como sempre a raiva de Hana desaparecera algumas semanas depois, quase um mês, na verdade, mas antes disso ela havia remoído tudo o que podia do aparente pouco caso do menino. Por várias vezes viu-se amaldiçoando ele e toda sua linhagem no auge de sua amargura. Hana era assim, um doce de pessoa quando agradada, mas uma quase terrorista quando algo ia contra seus conceitos, e, definitivamente o seu Romeu estava indo contra um dos seus conceitos principais: Boa educação.

O que ele achava que era? Um bad boy nova-iorquino por acaso? Para Hana ele era no máximo, mas um desses filhinhos de papai mimados e riquinhos. Era nisso que ela queria acreditar, que pegou um cretino qualquer para manter contato.

E avaliando melhor talvez fosse bom, seria fácil manter assunto, era só falar o quão rico e bonito ele era, mesmo sem nunca tê-lo visto. Gente assim adora ter o ego amaciado, então isso talvez fizesse com que esse trabalho lhe tomasse menos tempo de lazer.

Hana estava sentada sobre o parapeito da janela de seu quarto, observando o movimento noturno daquele pacato bairro. Havia uma festa de rua em uma praça próxima à sua casa, por isso Hana tinha se arrumado. Quase todos os anos sua mãe unia-se a sua irmã e a arrastava para lá com o argumento de que ela precisava acessar a rede social “vida” vez ou outra. Ela sempre retrucava dizendo que havia perdido a senha dessa conta, mas ainda sim se deixava ser arrastada e no fim acabava por curtir.

Ela sabia que logo Dakota apareceria na porta, com aquele sorriso que Hana sempre dizia ser idiota – e que muitos diziam ser igual ao dela, afinal, eram gêmeas. Mas ela não estava se importando, ela não estava preocupada em se esconder ou arrumar uma boa desculpa. A essa hora do desse dia, Hana estaria em frente do computador, despedindo-se de suas primas no Messenger e preparando-se para o que ela dizia ser uma tortura.

Mas esse ano era diferente. Seu notebook estava ligado em cima da cama, as janelas piscavam constantemente, havia livros espalhados sobre sua mesa de estudos, mas Hana só conseguia se concentrar no pequeno envelope de selos coreanos em suas mãos.

Certo. O fato de outra carta chegar antes mesmo de ela desfazer o bico e lhe escrever fazia Hana pensar no que o “sorvetinho” havia lhe dito, e quase lhe fazia repensar sua primeira impressão, quase. E foi em base deste quase que a menina abriu a correspondência, deparando-se com duas cartas, uma em um papel pardo e com um novo desenho, o que indicava ser do... Romeu.

Hana franziu o rosto em sinal de desgosto. Ela odiava aquele apelido que ele mesmo se deu. Quer dizer, pelo que lhe convém Romeu era um romântico incorrigível que fazia de tudo por sua dama, seu parceiro era no mínimo um garoto que muito provável nunca pegou em uma obra de Shakespeare. Mas ela gostava de uma coisa no apelido, pelo que sabia – e ela sabia muito bem -, Romeu suicidava-se.

Quanto tempo vai levar até chegarmos nessa parte?” Continuava a indagar-se. Será que era um monstro por querer a morte do outro? Ou melhor, por querer a morte do outro por uma única e simples carta? Ela nem o conhecia, certo?

Anyohaseyo, Juliette!

Dizia a carta.

Sinto que comecei muito mal e talvez você esteja sentindo raiva de mim, eu não a julgo por isso, fui um completo idiota. Acho que pareceu que fiz pouco caso de você e do projeto, mas não é bem isso. Eu realmente gostei de receber sua carta, ela me ajudou a sorrir em um momento em que eu queria mesmo era chorar.

Espero que me perdoe por isso. Miane! E se lhe fizer sentir melhor, eu recebi muitas broncas do meu melhor amigo. Citei sobre ele para você, ele nos desenhou naquela carta completamente irresponsável da minha parte.

Bem, hoje faz vinte sete dias sem uma resposta sua, acho que ficou realmente brava comigo. Apesar de... Como foi que ele disse que assinou... Sorvetinho. Isso. Apesar de sorvetinho ter me dito para esperar você dar um sinal verde, não consegui esperar, então estou lhe escrevendo.

Talvez... Talvez você possa me dar uma segunda chance, sabe, talvez possamos começar do zero e evitar que o projeto torne-se incômodo para você. Eu realmente não quero ser incômodo para você. Acho que com um pouco mais de esforço da minha parte isso pode se tornar uma experiência boa, para ambos.

Bem Juliette, eu queria poder escrever mais, porém vou viajar daqui a meia hora e antes disso preciso por esta carta nos correios, então me vejo brigado a dizer “Addio”.

Ah, eu realmente estava falando sério sobre o email, eu viajo muito, acho que seria muito melhor e facilitaria para você.

Um Romeu arrependido.

Hana tocou os lábios onde um meio sorriso bobo pousava delicado e rolou os olhos. Ele havia se despedido em Italiano. Como não reconsiderar a primeira impressão diante de tal coisa? Só se ela fosse uma megera típica de novelas mexicanas.

— Como posso ficar com ódio de você, pseudo Romeu?

Virou a folha e observou o novo desenho. Nele havia bonequinhos parecidos com os da primeira carta, mas usavam roupas de época. Sua versão em desenho estava em cima de uma torre pintada aparentemente com giz de cera cinza, com os cabelos em uma trança e um véu rosa bebê. A torre era rodeada de pequenas rosinhas, e toda detalhada, o que fez Hana pensar que o amiguinho do seu aspirante a Romeu era perfeccionista.

Na base do castelo havia um boneco além do loirinho de olhos assustadoramente carismáticos para um desenho enfiado em roupas de época. O boneco de cabelos castanhos, com traços finos, estava parado ao lado do Romeu, que estava ajoelhado, com uma pequena flor em mão e um enorme balão acima de sua cabeça com “desculpe-me” escrito em russo, ou quase isso, havia um erro de ortografia.

Com um pouco de dificuldade Hana pôde ler a assinatura do desenho: Sorvetinho.

A menina riu.

— Mas que raios ele quer dizer com sorvetinho? — Murmurou divertida. Ela olhou a carta um pouco mais, com certo carinho no brilho dos olhos, e logo depois pegou a outra, mas antes mesmo de ler a porta se abriu.

— Feeeeesta! — Dakota berrou completamente animada. Atrás de si estava Amélia, com as mãos nos ombros de Dakota como se fossem dançar conga e um sorriso convidativo adornado pelos lábios levemente avermelhados.

— Vamos Hana que não é de Montana — Dakota chamou e aquilo estranhamente fez Hana rir. Talvez a carta tenha feito mais do que fazê-la reconsiderar. — Eu estou linda, quero que me vejam!

— Você não é nem Dakota do sul nem do Note, mas se acha como ninguém. — Hana comentou, abandonando as cartas sobre a cama e pegando sua jaqueta.

— O que ela quis dizer com isso? — Dakota perguntou a sua mãe, que apenas deu de ombros de forma delicada.

Hana esclareceu.

— Quis dizer que você é um caso completamente perdido.

— Nossa Hana, você nunca soube fazer piadas e trocadilhos muito bem, não é? Vou te ensinar um dia. — Dakota reclamou enquanto todos saiam do cômodo.


— O —

Onew podia distinguir os gritos que clamavam seu nome dos que pediam por mais e os que simplesmente idolatravam o título do grupo. Era algo frenético, e durante todo o show aquilo lhe fez bem, limpou-lhe a mente das preocupações e até mesmo o confortou mediante a mancada com a carta.

Ele não queria ser grosso, ou parecer grosso só estava confuso, na verdade. Muitas coisas andavam acontecendo com o líder do SHINee, coisas que os membros sabiam, coisas que os membros não sabiam... Coisas que perturbavam seu sono.

Mas ele dava graças a deus por o verdadeiro parceiro de projeto daquela que ele apelidara de Juliette não ter descoberto essa mancada. Onew ainda não sabia o porquê se ofereceu para tirar um peso das costas de Taemin, e ainda se perguntava por que em meio a tantas outras tarefas de casa o Maknae escolheu logo essa, com duração de um semestre e meio, para lhe dar.

Não é que ele ache certo estar fazendo a tarefa escolar de Taemin, não mesmo. Mas ele compreendia o amigo, e já estava farto de muitas vezes vê-lo cochilar por segundos em qualquer canto em que parava, pois tamanho era seu cansaço. E vê-lo dormir enquanto andava fora a gota D’água para Onew.

A carreira sugava cada vez mais suas energias. Ela era um monstro faminto, e quanto mais se alimentava mais ela exigia, um buraco sem fundo onde eles tentavam estocar suas energias, mas nunca ficava cheio. E se para ele que não estudava mais, a mente e o corpo pareciam não existir tamanha era sua lassidão, imagine para o pobre Tae, que ainda tinha que se preocupar com suas notas.

Então absolutamente ele estava fazendo a coisa certa. Estava sendo um líder e um amigo. E desde que Key descobriu sobre isso, seria mais fácil passar-se por Taemin. Seria menos complicado se comunicar com Juliette.

Duas mãos pousaram sobre seus ombros desnudos, e foi com um pouco de susto que Onew deparou-se com um MinHo extremamente sério.

— Hyung se continuar tão absorto nos seus pensamentos vai se perder por ai. — Pronunciou-se, dando um leve sorriso de lado.

Os meninos que estavam dentro do camarim riram. Quando eles haviam entrado? Jong, que estava se olhando no enorme espelho arrumando as madeixas olhou Onew antes de sorrir brincalhão.

— É, Hyung. Um pouco mais e eu vejo a fumaça escapar por sua orelha!

Os meninos riram em conjunto, Jong sabia como descontrair aquela turma. Taemin olhou Onew com bastante preocupação, seria a tarefa extra que estava lhe deixando tão mais fatigado? Ele andou até o mesmo e sentou-se no espaço ao lado.

— Hyung... — Seu chamado saíra como um simples murmuro. Taemin sentia a garganta apertar. Os olhos expressivos do mais novo vasculharam o rosto do mais velho em busca de respostas para suas dúvidas, mas só conseguiu encontrar um sorriso repentinamente cheio de vida.

— Está tudo bem, Taeminnie. E Muito engraçado Jong! Você só saberia que o cérebro estava queimando pela fumaça mesmo, porque pelo cheiro eu duvido muito.

— Faz tempo que o que tinha na cabeça dele virou carvão, Hyung. — Key concordou entre risos.

Antes mesmo de chegar ao dormitório Key e Taemin haviam caído no sono. As cabeças encaixadas, e os braços enlaçados, dormindo abraçados dentro da van, em um sono sereno que provocava inveja nos outros, cansados demais que o sono lhe escapava, ou, no caso de Jong, dirigindo.

MinHo suspirou jogando a cabeça para trás por uns minutos antes de fitar seu hyung com o olhar preso na paisagem fora da van, mas tinha quase certeza de que não focava em nada, Onew apenas estava em seus pensamentos outra vez, mas agora ele sem sombra de dúvidas estava perdido por lá.

— Eu já estou indo me deitar. — Comunicou JongHyun, que tinha um Taemin dorminhoco nos braços. — Aproveito e levo esse moleque pra cama.

— Boa noite. — Desejaram em uníssono Key e MinHo. Kibum completou com a voz embargada de sono: — Eu vou também, não se demore a deitar, o cansaço está estampado em neon na testa de vocês.

— Pode deixar. — Tranquilizou-o MinHo. Os dois direcionaram olhares a Onew, que estava sentado sobre o sofá, desligado do mundo. — Eu o faço ir deitar também, não se preocupe.

— Hm. Boa sorte.

Kibum deixou o cômodo, e mesmo cansado MinHo o viu rebolar daquele jeito único, o que lhe fez dar uma curta risada antes de sentar-se ao lado do mais velho. Não demorou muito para o silêncio reinar na sala escura e sua expressão modificar-se para algo mais rígido, com olhos brilhando de preocupação.

— Vai em frente, pergunte. — Onew sussurrou ainda sem olhar para o amigo. — Eu sei que quer saber.

— Tudo bem se não quiser falar. — Apaziguo o Choi. — Não estou te forçando a nada, só estamos preocupados com seu recente abatimento.

Onew soltou uma risada curta e sarcástica antes de abaixar sua cabeça deixando os cabelos levemente grandes caírem sobre o rosto, tornando impossível de ver sua expressão.

— Se eu disser que é apenas fadiga, você não acreditaria certo?

— Bem... Eu iria retrucar com algo do tipo “quase cinco anos, Hyung”. — O menino imitou a voz de Taemin ao dizer isso. Eles riram. MinHo de certa forma se sentiu bem por ser capaz de colocar sorrisos como aquele no rosto do mais velho em momentos de aflição do mesmo.

— Eu recebi uma carta. — Disse o mais velho por fim, tornando-se sombrio outra vez. MinHo franziu o cenho, confuso.

— Do trabalho do Taemin? — Indagou, vendo Onew levantar a cabeça com rapidez e olhá-lo meio espantado.

— Você sabe sobre isso? — Ele sussurrou a pergunta. MinHo apenas riu divertido, acenando com a cabeça.

— Todos nós sabemos disso, Hyung. Taemin deixou escapar um dia desses, só não entendi a razão para manterem segredo sobre.

— Não acha errado eu fazer o trabalho dele? É como se o impedisse de aprender algo.

— Hyung você está ajudando um amigo que é muito mais frágil em relação às consequências do nosso trabalho do que todos nós juntos. — Disse ele rindo. — O que há de errado nisso? Eu acho digno. Sem contar que eu não acho que Taeminnie tiraria muito proveito disso no estado em que está. Mesmo com um pouco mais de tempo para descansar, eu ainda o pego dormindo pelos cantos.

— Obrigada, MinHo.

— Somos uma família, Onew. Eu não falo muito, mas observo a todos. — Retrucou sério. Fizera-se silêncio na sala por mais alguns minutos. Onew respirou fundo e soltou o ar lentamente. MinHo riu. — Não é isso que está te incomodando, certo?

— Na verdade não. — O líder concordou. Sentia a garganta arranhar outra vez e o desespero quase lhe rasgar o peito. Ele precisava dividir aquilo com alguém, e não havia alguém mais aconselhável do que o sempre reservado Choi MinHo.

— Então o que é?

— Eu recebi uma carta, mas não uma carta comum, era uma carta da justiça. — Comentou lentamente, observando a reação do mais novo. Mas se tratando de MinHo, Onew não pode notar nada além do que um pequeno sorriso de lado.

— Algo muito grave? — Questionou calmamente. — Atropelou alguém quando saiu com o carro do Jong na sexta feira, é?

Ele começou a rir ao imaginar seu hyung dirigindo desenfreado atrás de um frango gigante, mas parou assim que percebeu que Onew continuava sério, focado na televisão desligada.

— MinHo... Eu... Eu sou Appa.


Notas finais
Eu sei que é um final confuso e surpreendente, até mesmo sem noção, mas eu juro que vai fazer mais sentido depois, se acalmem, por favor. T-T
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