Meu Milagre
26 Capítulo XXV
Notas iniciais
Mais uma segunda-feira havia começado na cidade – o céu nublado, mas o calor ainda predomina – apenas mais um dia na vida de todos.
Beatriz já estava de pé desde ás 05:00 da manhã – apesar da doença e da morte, Beatriz ainda continua com sua rotina em casa, sendo a empregada da família – mas a jovem não reclama da vida que leva, afinal sempre foi assim e não mudaria em nada. É o que sua mente lhe diz.
Após tudo limpo e organizado a jovem apenas espera o namorado para irem juntos para o colégio – após o último passeio ela sabia que as coisas estavam ainda mais difíceis de lidar – Richard não é apenas seu namorado, é também o amigo e companheiro que sempre estará ao seu lado quando precisar.
O coração de Beatriz sabe que Richard é muito mais que um simples namorado, muito mais que uma paixão de adolescente – algo dentro da jovem sabe que o rapaz é seu eterno companheiro – porém não escuta essa parte,pois sabe que em breve a morte chegara para si.
— Senhor me dê forças para contar a verdade. – Diz ao olhar para cima,como se estivesse olhando para o céu. – Ajudai-me Senhor. – Respira fundo e abaixa a cabeça em seguida. – De hoje não passa, contarei a verdade a todos. – Avista o colar em cima da cama e pega o mesmo, indo para frente do espelho. – O padre tem razão não posso continuar com essa mentira, estou magoando a todos. – Através do espelho olha para o pingente pendurado em seu pescoço. – Senhor, obrigada por todos esses anos de vida e por todas as bençãos em minha vida. – Aperta os olhos com força, deixando as finas lágrimas cairem lentamente por sua face.
As lágrimas que agora caem pela face da jovem são as mais doloridas que já derramara, as lágrimas trazem consigo não só a cruel realidade que lhe cerca, mas também trazem a dor da partida inesperada, da saudade incuravel e o amor nunca consumado. A jovem partira sem poder realizar seus sonhos – casar na igreja, ter filhos e envelhecer ao lado de seu grande amor – pode ser algo clichê para muitos, mas para jovem é apenas um sonho distante, queria poder dar e receber amor.
Ao abrir os olhos a vista da jovem ficam turvas e de repente tudo começa a girar, cambaleando a jovem dá passos para alcançar a maçaneta da porta, porém perde o passo e tropeça em algo que não consegue identificar, e acaba batendo a testa na quina da comôda, caindo desmaiada no chão.
A campainha toca incessaveis vezes, deixando os moradores irritados. – Quem estaria pertubando tão cedo assim? – É o que passa na cabeça da matriarca da família, enquanto caminha para atender a porta. Em plena segunda-feira tem que aturar um ser que não sabe o significado da palavra respeito. – Pensa irritada.
— Aonde está aquela bastarda maldita? – Diz ao abrir a porta e dar de cara com o namorado da filha caçula. Sua expressão que já não era boa antes agora encontra-se pior ainda. – O que quer aqui a essa hora?
— Bom dia. – Diz com todo sarcasmo que tem dentro de si. – Só vim buscar minha namorada. – Sustenta o olhar da mais velha.
— Se ela não veio atender é porque já deve ter ido. – Seu olhar exala raiva. – Por que se presta a isso? – Percebe o olhar confuso do rapaz e trata-se de explicar melhor. – Ser namorado dela. Ela destruiu minha vida e vai fazer o mesmo com a sua.
— A Beatriz me contou o porquê de você a odia-la tanto. – Seu olhar torna-se frio. – Beatriz não tem culpa, foi um acidente e você sabe disso.
— Me respeite. – Diz entre os dentes. – Aquela bastarda só nasceu para trazer a desgraça e destruir tudo o que toca.
— A Beatriz é a pessoa mais pura e bondosa que existe. – Olha por cima do ombro da mais velha e vê o patriarca da família parado assistindo tudo de longe. – Vocês que são as desgraças e tenho pena de pessoas como vocês. Espero que nunca se arrependam do mal que causaram a ela. – Sorri ai ver o olhar surpreso e perdido da mais velha. – E vou fazer a Beatriz transformar esse amor que sente por vocês em ódio.
— Já chega, rapaz. – Miguel aproxima-se ao perceber o silêncio repentino da esposa. – Não ouse tocar na minha filha. – Passa pela esposa ficando cara a cara com o rapaz. – Afaste-se dela ou...
— Ou o quê? – Interrompe o mais velho. – Não banque o bom pai, nunca se importou com ela. – O rapaz sente a raiva lhe dominar. – Devia cuidar e proteger dela e não fazer o contrário, a Beatriz não tem culpa de nada.
— JÁ CHEGA. – Miguel explode de raiva. – Vá embora agora.
— Eu vou, mas não porque você está mandando, mas sim porque não quero ficar perto de seres tão pútridos como vocês. – Dá alguns passos para trás. – Melhor cuidar da sua esposa. – Sorri sarcastico ao olhar para mais velha. – Tenham um bom dia. – Retira-se logo em seguida.
Richard não tem medo de enfrentar ninguém principalmente se for para defender sua namorada – por Beatriz ele faz qualquer coisa – sabia que tinha arrumado mais um problema e que logo seus pais saberiam, mas isso não lhe preocupa agora. Só uma coisa lhe preocupa no momento, Beatriz não ter lhe esperado.
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A manhã havia passado rapidamente para todos, menos para Richard que não sabia nada do paradeiro da namorada, que não tinha aparecido no colégio e nem atendia o celular. O rapaz não conseguiu concentrar-se nas aulas e nem comer nada.
Ao termino das aulas correu para procurar a namorada nos lugares que a jovem poderia estar, mas infelizmente não a encontrou em nenhum desses lugares. Um medo já se apoderava dentro de si e quanto mais se aproximava da igreja maior seu medo ficava.
Quando chegou ao colégio e não a encontrou achou estranho, mas pensou que a jovem tivesse passado em algum lugar, porém quando a aula começou e não a viu em seu lugar uma preocupação instalou-se em seu peito. No horário do almoço ligou várias vezes e nenhuma das vezes a namorada atendeu, e nem respondeu as inúmeras mensagens e quanto mais o tempo passa maior a preocupação aumenta.
Para na porta da igreja e avista o padre no altar, mesmo não gostando dali – por ela faria isso – respira fundo e caminha em passos rápidos até o mais velho, que ainda não havia percebido sua presença.
— Padre? – Chama o mais velho assim que aproxima-se dele.
— Boa tarde. – Vira-se para o rapaz. – Achei que Beatriz estava com você. – Diz surpreso ao notar a ausência da jovem. – Onde ela está?
— Eu não sei. – Diz tentando não soar preocupado. – Achei que ela estava aqui.
— Beatriz só vem para a missa de mais tarde. – Analisa minunsiosamente o rapaz e percebe que o mesmo esconde algo. – O que houve? Parece preocupado,aconteceu alguma coisa?
— Eu não sei. – Bufa frustrado. – Ela não foi para o colégio e nem está nos lugares que sempre vamos. – Joga-se no banco mais perto de si. – Ela não me atende e nem responde minhas mensagens. Estou preocupado.
— Será que ela fez o me falou? – Os pensamentos do mais velho saem pelos seus lábios e acaba ganhando a atenção do rapaz.
— O que o Sr. sabe, padre? – Pergunta confuso. – O que ela falou?
— Ontem ela disse que iria embora, que não queria mais viver aqui e nem continuar vivendo uma mentira. – Percebe o olhar surpreso do mais novo. – Achei que ela não iria fazer.
— Não pode ser verdade. – Passa as mãos nos cabelos em sinal de nervosismo. – Por que ela faria isso? Estavamos bem, achei que ela estava feliz. – Levanta-se exalrido. – Para onde ela disse que ia? Por que ela iria embora?
— Eu não sei para onde ela foi e não posso dizer o motivo da sua partida. – Sua voz sai com pesar. – Nós podemos ir falar com o Arthur, talvez ele saiba de alguma coisa. – Segura nos ombros do mais novo. – Acalme-se, talvez ela tenha passado mau e esteja no hospital.
— Pode ser. – Dá um sorriso nervoso. – Pode ir comigo?
— Claro, meu filho. – Guia o jovem até um dos bancos, o colocando sentado no mesmo. – Eu já venho, não vou demorar muito. – Retira-se indo para os fundos da igreja.
Richard pega o celular do bolso da jaqueta, desbloqueando o mesmo e sorri ao ver a foto de de papel de parede – a foto que tirou com Beatriz no dia em que foram a praia – seu coração falha uma batida, a saudade e a preocupação já estava o matando.
Acessa a agenda do celular a procura de um número especifico, ao encontrar o nome da pessoa, disca e leva o celular ao ouvido. Levanta a cabeça e olha para o altar.
— Será que é real? – Questiona-se confuso. – Alô Lia? – Sorri ao ouvir o escândalo da irmã. – Alcalme-se. – Revira os olhos. – Eu ainda não consegui encontrar a Beatriz. – Levanta e põe-se a caminhar para fora da igreja. – Revire a cidade inteira até encontra-la. – Bagunça os cabelos em sinal de nervosismo. – Estou na igreja. Não tem graça, Natália. – Bufa irritado ao ouvir a agargalhada da irmã. – O padre me disse que talvez ela tenha ido embora. – Avista o padre vindo ao seu encontro. – Depois eu te ligo e qualquer novidade me ligue. – Desliga o celular sem esperar a resposta da irmã. – Podemos ir, padre?
—Sim. – Põe o chapéu na cabeça. – Iremos enconta-la.
Os dois descem os degraus da igreja em passos largos. O desespero é nítido nos olhos de Richard, o rapaz teme o pior – tenta não pensar o pior – ao lado do mais velho caminha rumo ao encontro do irmão da namorada.
Richard queria acreditar que a namorada só havia passado mau por causa da leucemia e que a encontraria medicada no hospital. Mas seu subconciente dizia que a namorada podia estar gravemente ferida ou algo pior – desejava profundamente que a encontrasse bem – cada passo que dá seu coração falha.
O padre sabia que tinha algo de errado, não acreditava que a jovem tenha cumprido o que dissera no dia anterior, mas não conseguia achar uma resposta para o sumiço repentino da jovem. Rezava em silêncio para que a jovem estivesse bem. O mais velho já havia tomado uma decisão e não iria voltar atrás – mesmo que isso lhe custe sua batina – iria tentar salvar aquela família antes que a morte os separessemde vez.
Após quinze minutos de caminada, cortando caminho pelas ruas da cidade, ambos chegam ao local. Adentram o prédio indo direto para recepção – reconhecendo o rapaz. – todos olham para os dois.
— Arthur? – O padre chama o rapaz. – Podemos conversar?
— A benção padre. – Arthur dá um sorriso singelo.
— Deus lhe abençõe. – Faz o sinal da cruz diante do rapaz. – Eu preciso de sua ajuda...
— Em que, padre? – Interrompe o mais velho.
— A Beatriz não foi ao colégio. – Richard toma a frente. – Ela não me atende e nem responde as minhas mensagens. Sabe aonde ela está? Onde ela foi?
— Como assim? – Pergunta confuso. – Eu sai e ela ficou se arrumando. Como ela não foi para o colégio? Você passou na minha casa?
— Eu não sei. E já procurei ela em todos os lugares. – Braveja irritado. – Eu estou com medo. Algo me diz que ela precisade ajuda. – Richard deixa o medo transparecer.
— Eu vou ligar para a Sabrina, talvez a Beatriz tenha ido ao hospital. – Arthur pega o celular do bolso, mas antes aproxima-se de uma moça que encontra-se um pouco longe de si. – Débora, eu vou dar uma saída rápida e já volto.
— Tudo bem? – Pergunta preocupada. – Precisa de alguma coisa?
— Estou bem. – Dá a volta na bancada, ficando ao lado dos outros dois. – Vamos conversar lá fora. – Arthur conduz Richard e o padre para fora do prédio. Os três param um pouco longe da entrada. – Eu cou ligar para a Sabrina. – Desbloqueia o celular, digitando o número da namorada pondo o celular no viva-voz. – Não entendo o que houve com a Beatriz.
— Acha que ela pode ter fugido? – Richard pergunta apreensivo.
— Arthur? – Sabrina chama-o. – Por que está me ligando a essa hora? Aconteceu alguma coisa? – Pergunta preocupada.
— Sabe se a Beatriz esteve ou está por ai? – Pergunta afoito.
— Não, ela só tem consulta quinta-feira. – Arthur percebe a troca de olhares entre Richard e o padre. – Aconteceu alguma coisa com ela?
— A Beatriz não foi para o colégio e não atende o celular. – Arthur tenta não siar preocupado. – Se ela passar por ai me liga, ok?
— Ligo sim. – Um silêncio instala-se, mas não dura muito. – Eu vou pedir ajuda para algumas enfermeiras e alguns amigos da igreja. Não se preocupe, talvez ela esteja querendo ficar sozinha.
— Obrigado. Depois a gente conversa. – Tira do viva-voz e leva o celular ao ouvido. – Eu te mantenho informada. Tchau. – Desliga o celular em seguida. – Eu vou resolver uns assuntos aqui e depois vou ajudar a procurar ela.
— Está bem. – Richard pronuncia-se. – A gente vai se falando.
Arthur acena com a cabeça e adentra o prédio em seguida. Richard e Angelo seguem a procura da jovem Beatriz – está sumida desde cedo e em plena 17:03 da tarde ainda não deu sinal de vida – o coração de ambos temiam o pior.
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O sol já havia caído, dando inicio a uma noite gélida e repleta de nuvens no céu, mas isso não importava para nenhum morador da cidade – todos já sabiam do sumiço da jovem e agora a cidade estava à procura da mesma – porém nonguém havia encontrado-a.
Vasculharam todos os cantos da cidade, olharam em todos os lugares possíveis e impossíveis que a jovem poderia estar, mas ninguém encontrou a jovem e todos – apenas aqueles que tem algum carinho pela jovem – estão reunidos na praça central da cidade, tentando de alguma forma ajudar na busca pela jovem.
— Padre? – Richard chama-o ao aproximar-se do mais velho. – Poderia vir comigo na casa da Beatriz?
— Claro. – Põe a mão do ombro do rapaz. – Vamos sair daqui o mais rápido possível. – Começa a caminhar, guiando o jovem ao seu lado. – Não entendo para onde ela foi e nem o por quê dela ter sumido.
— Nem eu padre. – Seu olhar é vazio. – Acho que ela cansou dessa vida e preferiu ir embora.
— Ela nunca faria isso, tem alguma coisa errada. – Ambos atravessam a rua após uma moto passar. – Que Deus a proteja.
Richard apenas continua o caminho, não queria conversar com ninguém, só queria achar Beatriz e abraça-la com força, matar a saudade que está cravada em seu peito.
Richard havia passado o dia correndo de um lado para o outro, não tinha parado nem para comer e também não sentia fome – ainda enconra-se com o uniforme do colégio – sabia que se fosse outra garota não ligaria para o sumiço repentino, mas Beatriz não é como as outras garotas e isso o deixa confuso.
Os dois passam pelo portão da casa dos Rutkowisk e param na porta, Richard pressiona a campainha, mantendo o dedo fixo na mesma. Angelo apenas observa o desespero do rapaz.
— INFERNO! – Um grito é ouvido de dentro da casa. – Quem é o maldito que não pode esperar? – A porta é aberta revelando uma ruiva irritada. – Ah não! O que querem aqui? A bastarda não está.
— Sabemos disso. – Ricard empurra a porta com força, fazendo a mesma bater com tudo na parde causando um barulho alto. – Cadê ela? – Passa por Robertha sem ser convidado, deixando a mais velha sem reação. – O que fizeram com ela?
— Que barulho foi esse? – Pergunta Miguel ao chegar na sala. – O que você faz aqui? Não é bem-vindo na minha casa. – Miguel para diante do rapaz. – Não quero você perto da minha filha.
— Sua filha? – Richard sorri incrédulo. – Nunca foi um pai para ela, mas não vim aqui para isso. – Sustenta o olhar do mais velho. – Cadê a Beatriz? Aonde ela está? O que fizeram com ela?
— Do que está falando, rapaz? – Pergunta entre os dentes.
— Miguel? – Angelo manifesta-se pela primeira vez desde que chegara. – Beatriz está sumida desde hoje de manhã. – Aproxima-se do patriarca da família. – Sei que ai dentro existe o Miguel que conheci. – Afasta o mais velho de Richard. – E sei que você ama a Beatriz, não negue isso.
— Meu esposo não ama aquela coisa. – Robertha fuzila o esposo com o olhar. – Saiam agora da minha casa.
— Sua filha desapareceu hoje de manhã. – Angelo ignora a ordem de Robertha. – Miguel, a sua filha está muito doente e precisa de ajuda. Ajude-a, sei que você a ama. Seus olhos não mentem.
Miguel encontra o olhar da esposa, durante quinze anos fez tudo o que a esposa quis por medo de perder o amor da mesma e dos outros filhos. Aqueles olhos verdes é tudo o que mais ama na vida, mas também ama outra pessoa de olhos verdes e agora precisa decidir qual amor quer ter.
Só queria ver a esposa feliz, mas duarante esses quinze anos a mesma nunca conseguiu alcançar essa felicidade e a vendo suplicar com o olhar, finalmente consegue ver que essa tal felicidade nunca existira se não der um basta.
— Já procuraram ela em todos os lugares? – Miguel quebra o silêncio.
— Sim. – Arthur diz ao adentrar a casa. – Pai, ela precisa do Sr. e do seu amor.
— Miguel, não faz isso. – Robertha passa por todos presentes ali e para ao alcançar o esposo. – Ela destruiu nossas vidas. – Segura a face do esposo com ambas as mãos. – Se escolher ela, esqueça que eu existo.
— Está bem. – Segura nos pulsos da esposa, retirando as mãos da mesma de sua face. – Beatriz é minha filha e eu a amo desde o dia em que ouvi o coração dela bater pela primeira vez. – Afasta-se da esposa, vendo a mesma ficar pálida. – Não é culpa dela o que ocorreu no hospital e ela não tem culpa pelos seus erros.
— Mi..Migue...guel? – Diz entre soluços. – Vo..você não.
— Depois conversamos. – OIha para o filho mais velho. – Talvez ela tenha deixando alguma pista no quarto dela.
— O Sr. pode ter razão. – Arthur mau termina de falar e põe-se a caminhar para o quarto da caçula, sendo seguido pelos outros três. – Se ela foi embora como tinha lhe dito padre, talvez ela tenha deixado alguma carta.
— Ela nunca faria isso. – Os quatro param diante a porta do quarto da jovem. – Ela não fugiria agora, isso não é da indole dela.
— Saberemos em breve. – Arthur gira a maçaneta, mas percebe que a porta está trancada. – Eu sei onde tem uma chave reserva. – Sai correndo pelo pequeno corredor.
— Ela é tudo para mim. – Richard manifesta-se de repente, deixando os dois mais velhos surpresos e confusos. – Não sei como vou viver sem ela.
— Acalme-se. – Angelo tenta passar serenidade para o rapaz.
Uma única porta os separa da verdade,os separa de saber o real motivo do sumiço da jovem. Arthur volta segurando um molho de chaves, sem mais delongas o rapaz começa a testar as chaves.
— Anda logo com isso, Arthur. – Richard diz afoito.
— Acha que é fácil? – Coloca outra chave no buraco da fechadura. – Beatriz que conhece tudo isso aqui. – Troca de chave novamente. – E se ela não tiver deixando nada? – O rapaz troca novamente de chave.
Ao girar a chave a porta é aberta – apenas a luz do corredor ilumina o quarto – Richard é o primeiro a entrar o quarto, mas para no lugar ao ver a namorada caída no chão com sangue escorrendo pela testa e a pele mais branca que uma folha de papel. Sem pensar duas vezes corre até a jovem, pegando-a no colo e a colocando deitada na cama.
Os outros três apenas observam atônitos nos seus lugares, mas Arthur é despertado e sai do quarto as pressas. Miguel aproxima-se em passos lentos da cama e engole seco ao ver o quanto a jovem encotra-se mau.
— Beatriz? – Richard segira na mão gélida da namorada. – Padre, por favor chame o Dr. Dawnson. – Olha para o mais velho com os olhos marejados. – Ela está péssima.
Angelo apenas acena com a cabeça e sai do quarto as pressas, agora teria que correr contra o tempo para ajudar a jovem.
— Pequena, acorda. – Sua voz sai embargada por causa do choro. – Você prometeu não me deixar, por favor pequena.
— Alcame-se rapaz. – Miguel desperta do pequeno transe. – Ela é forte. – Ao perceber o ambiente escuro, acende a luz deixando mais nitido o estado da caçula. – Senhor! – Diz espantado ao ver a face arroxeada da filha.
Arthur adentra o quarto puxando Robertha, a matriarca tenta soltar do aperto do filho – a matriarca odeia entrar naquele lugar – Arthur solta a mais velha ao ver o estado da irmã, sem entender a reação do filho Robertha mira seu olhar para o mesmo lugar que o olhar do filho.
Os olhos da mais velha arregalam-se, suas mãos vão para a boca e seu coração falha algumas batidas. Robertha da uns passos para trás, nunca em sua vida imaginou ver a filha quase morta e isso fez todas as suas barreiras irem ao chão em segundos.
— Meu Deus! – Diz em um fio de voz.
— A Sra. é enfermeira, ajude-a. – Arthur aproxima-se da mais velha. – Por favor, mãe. Ela está morrendo.
— Eu não posso, não posso. – Robertha corre para fora do quarto.
Miguel corre atrás da esposa, sem dizer nada. Richard e Arthur olham para a jovem sem saber o que fazer – Beatriz não parece bem e parecia que estava desmaiada a horas – Arthur caminha de um lado para o outro, sem saber o que fazer.
— O que faremos? – Richard pergunta agustiado. – O pulso dela está fraco. Arthur por favor faz alguma coisa. Liga para alguém.
— O hospital é longe daqui. – Diz para si mesmo. – A ambulância vai demorar para chegar. – Bufa irritado. – Senhor me dê um sinal. Não deixe-a morrer. – Arthur encosta-se na parede e desloza até sentar-se no chão. – Eu não sei o que fazer.
Richard volta seu olhar para a namorada incosciente – o coração do rapaz já encontra-se em pedaços – não sabe como ajudar e nem o que fazer e a única pessoa que poderia ajudar nesse momento, não ajudaria.
A respiração de Beatriz está cada vez mais fraca, o sangue que cobre a maior parte de sua face já encontra-se seco. O ambiente é dominado por uma atmosfera pesada – como se a morte estivesse presente – nenhum deles queriam imaginar isso, mas está sendo impossível imaginar alguma esperança no meio de tanta desgraça.
Angelo chega no quarto sendo acompado pelo médico da jovem, ambos param na porta ao notar o clima pesado e a jovem quase morta. Isac aproxima-se da cama, ajoelhando ao lado da mesma e deposita a maleta do chão e toma o pulso da jovem.
— O que houve? – Pergunta direcionando o olhar para o namorado da jovem. – Por que ela está assim? A pulsação dela está fraca. Padre, peça para alguém alcool e algodão. – Direciona seu olhar para o padre.
— Ela vai ficar bem? – Seu olhar mostra o quanto está abalado com o estado da jovem. – Não demoro. – Sai do quarto ao notar o olhar preocupado do médico.
— Vocês dois não podem ficar assim. – Pega o estetoscópio de dentro da maleta. – Beatriz precisa ver que vocês estão bem. – Abre os botões da camisa da jovem, deixando a mostra o peito da mesma. Põe o esteroscópio no peito da jovem. – Os batimentos estão fracos.
— Ela vai morrer? – Richard pronuncia-se sem mover seu olhar.
— Pronto Dr. – Angelo adentra o quarto. – Precisa de mais alguma coisa?
— Obrigado, padre. – Olha para Angelo por cima dos ombros. – Tire eles daqui, preciso me concetrar aqui e com essa atmosfera funebre não posso trabalhar.
— Vamos rapazes. – Ajuda Richard a levantar. – Daqui a pouco a gente volta. – Ajuda Arthur a levantar e conduz ambos para fora do quarto, fechando a porta em seguida. – Tenham fé.
Arthur e Richard sentam no chão e encostam na parede, ambos calados sem saber o que fazer – Beatriz havia se tornado para os dois e perde-la agora seria uma dor terrível – ambos encontram-se sem chão.
Angelo é o único que sabe da verdade e que pode acabar com a dor que todos estão sentindo, mas por ter sido um segredo de confissão não pode revelar a verdade para eles e se fizer isso perde sua batina – como poderia continuar guardando um segredo, se ver dói em sua alma ver o sofrimento dos outros – mas Angelo já havia tomado sua decisão.
Não sabiam a quanto tempo estavam ali esperando, mas parecia uma eternidade. De repente a porta é aberta revelando um médico abatido e com uma expressão mais seria que o normal, Arthur e Richard levantam em um salto e olham apreensivos para o mais velho.
— Então Dr., como minha irmã está? – Arthur pergunta apreensivo.
— Arthur, poderia chamar seus pais e sua irmã? Beatriz quer falar com todos. – Ignora a pergunta do rapaz. – Por favor.
— Claro. – Arthur dá um sorriso nervoso e sai correndo pelo corredor indo atrás do restante da família.
Richard entra no quarto sem esperar a ordem do médico. Ao ver a namorada com os olhos abertos seu coração bate freneticamente – uma chama o aquece internamente – corre até a cama, ajoelhando ao lado da mesma.
Beatriz sorri fraco ao encontrar as safiras do namorado – como adorava ver aqueles olhos – Richard acaricia com cuidado a face da namorada e lhe lança um sorriso sofrido.
— Vai ficar tudo bem. – Richard segura uma das mãos da namorada. – Achei que tinha fugido. Pensei que havia me deixado.
— Perdão. – Leva a mão até a face do namorado, fazendo uma leve caricia na bochecha do mesmo. – Preciso lhe contar uma coisa.
Arthur entra no quarto sendo seguido pelo restante da família. Beatriz olha para todos presente ali e sente um nó em sua garganta – seus olhos enchem de lágrimas – agora será a hora da verdade.
Richard percebe o movimento da namorada e a ajuda a sentar-se na cama – ela agradece com um sorriso – a jovem olha minunsiosamente para cada membro de sua família, tentando tomar coragem para falar.
— O que você quer, peste? – Robertha quebra o silêncio.
— Conta você ou conta eu? – Isac direciona seu olhar para Beatriz.
— Eu conto, já devia ter feito isso. – A jovem respira fundo, tentando tomar coragem. – Eu só tenho 26 dias de vida. – Diz de uma vez só.
— Como assim? – Arthur pergunta confuso.
— Alguns meses atrás Beatriz foi fazer uma consulta de rotina e descobrimos que ela só tinha 3 meses de vida. – Isac ganha a atenção de todos. – Ela não tem leucemia, os exames sempre dão resultados diferentes e por isso ainda não descobrimos o que ela tem.
O silêncio domina o local, todos tentam processar as informações que acabara de ouvir. A bomba já tinha sido solta e agora só esperariam as consequências da mesma.
— Você vai morrer? – Richard pergunta ainda confuso. – Você vai morrer? Como pode fazer isso comigo? – Pergunta exalrido. – Não acredito que desceu tão baixo assim. É UMA VINGANÇA PELO O QUE TE FIZ? – Richard aproxima-se de Beatriz, mas antes de continuar com a aproximação é parado por Arthur. – COMO PODE FAZER ISSO? COMO, BEATRIZ?
— Acalme-se, Richard. – Arthur segura o rapaz pelos ombros. – Tudo tem uma explicação e Beatriz irá explicar.
— Não quero ouvir mais nada. – Empurra o mais velho com força, fazendo o mesmo lhe soltar e cambalear para trás. – Conseguiu sua vigança. – Seus olhos encontra os olhos da jovem. – Eu odeio você e lhe desejo uma morte lenta e dolorosa. – Diz com raiva.
Beatriz sente seu mundo desmoronar ao ver os olhos sofridos e magoados do namorado – seu medo acabará de torna-se real – Richard retira-se do quarto as pressas, sem esperar qualquer resposta da namorada.
— Ele disse o que todos nós pensamos. – Bianca recebe a atenção de todos. – Seu castigo finalmente chegou. – Retira-se logo em seguida, não queria ficar nem se quer mais um minuto diante da irmã.
Os olhos de Beatriz caem sobre a matriarca da família, a mesma encontra-se perdida em pensamentos, com o olhar vazio e sem nenhum tipo de expressão.
— Só cuidem dela. – Isac recolhe sua maleta. – Ela precisa de vocês mais do que nunca. Amanhã eu volto. – Sorri triste para a jovem. – Com licença. – Acena para o padre e sai deixando um clima pesado.
— Arthur? – Angelo dá uns passos até o rapaz, pondo a mão no ombro do mesmo. – Beatriz precisa de você, não a deixe agora. – Aperta levemente o ombro do rapaz, recolhendo a mão em seguida. Sua atenção vai para a jovem. – Que Deus lhe abençõe e cuide de você. Tenha fé. – Faz o sinal da cruz diante da jovem. – Até amanhã. – Sai do quarto, deixando a jovem com o restante de sua família.
Nenhum dos quatro sabe o que dizer, Beatriz queria ouvir qualquer coisa, saber o que iriam fazer agora e se mudaria alguma coisa emsua vida. Arthur não conseguia aceitar essa notícia, e não entendia o por quê de uma pessoa como sua irmã está recebendo um castigo desse. Já Miguel e Robertha não sabem como lidar com algo assim e nem como reagir.
Durante quinze anos desejou que a mais nova nunca tivesse nascido e agora que a morte a levaria não conseguiam processar. Robertha olha uma última vez para Beatriz – percebendo que a jovem é sua cópia, ou quase, o cabelo é o único diferencial – a mais velha sai do quarto em silêncio, sem dizer absolutamente nada.
Miguel aproxima-se da cama, sentando na mesma – havia errado tanto e sabia que não poderia continuar errando – põe a mão na face da filha, limpando com o polegar as lágrimas que descem pela face da mesma.
— Eu sinto muito. – É tudo que consegue dizer para a filha. – Eu não mereço ter seu perdão, mas mes...
— Pai, eu já o perdoei. – Interrompe o mais velho. – Nunca quis machucar o Sr. e a mamãe. Perdão por tudo.
— Não é sua culpa. – Tenta sorrir, mas falha. – Posso estar ao seu lado? Se não for tarde demais para isso.
Beatriz abraça o mais velho com força – esse abraço trouxe na memória de ambos o primeiro contato que tiveram, reacendendo o amor que havia sido trancado por anos – Miguel desfaz o abraço e segura a face da filha com ambas as mãos.
— Eu sempre amei você. – Deposita um beijo na testa da filha. – Iremos superar isso juntos.
— Cuidaremos de você. – Arthur que apenas observava a cena entre o pai e a irmã, pronuncia-se pela primeira vez desde a saída do cunhado. – Juntos descobriremos uma cura para isso. – Senta do outro lado da cama. – Tenha fé, irmãzinha.
Um sorriso miúdo surge nos lábios da jovem – uma cham de esperança apodera-se de sei coração – nunca perderia sua fé e isso não começaria agora.
Beatriz tinha contado a verdade e tinha tirado um peso de sua consciência, mas isso havia custado muito caro, pois havia perdido o carinho de seu namorado – a jovem sabia que isso poderia acontecer, mas não imaginou que doeria tanto – mas também isso trouxe seu pai para perto.
Richard tinha partido. Bianca não se importava. Robertha havia sido mais fria do que antes. Miguel estaria ao seu lado até o final de sua vida, assim como Arthur também. Tinha feito sua escolha e levaria para o túmulo as consequências dela. – O final está mais perto do que pensam.
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