Meu Milagre

7 Capítulo VI


Notas iniciais
Bom dia! Estou aqui mais cedo que o normal, porque vou sair daqui a pouco e não sei que horas irei chegar, então para não deixa-los o dia todo esperando resolvi postar logo. Espero que gostem e não me matem. Bem-vindo aos novos leitores, fiquem a vontade. Boa leitura!

O sorriso não sai dos lábios de ambos — ele faz de tudo para ver aquele sorriso nos lábios dela. — Já faz uma semana que estão conversando e andando juntos. Ele acompanha ela até em casa todos os dias e hoje os dois caminham pela cidade — um passeio até a praça da cidade — é algo simples para um rapaz como ele.

Beatriz caminha ao seu lado e ele não tira os olhos da jovem moça, admira não só sua beleza, mas também pelo seu jeito de delicado de ser — e hoje parece que a beleza se destaca muito mais hoje. Os cabelos soltos, balançando de acordo com o vento, seu vestido azul de bolinhas brancas justo até a cintura e uma sandália bege nos pés. — Ela consegue ser linda sem fazer nenhum esforço.

Ao chegarem na praça vão direto para um dos bancos presente ali — a praça sempre está repleta de crianças brincando, casais namorando, amigos conversando e famílias aproveitando o domingo juntos — um ambiente alegre e cheio de energia.

Beatriz admira duas meninas brincando de bonecas um pouco mais à frente — uma cena tão inocente aos olhos da moça — porém Richard admira a moça ao seu lado, ele não sabe o porquê de ficar olhando tanto ela, mas desde que começou a andar com a mesma tinha adquirido esse costume.

Ao perceber o olhar de Richard sobre si, sente suas bochechas ficam mais vermelhas que tomate — ele sempre deixa ela com vergonha — ela vira seu rosto para ele e seus olhos se encontram, levando ambos para seu próprio mundo. É pouco tempo que estão juntos, mas parece anos.

— Está linda. — Finalmente ele consegue formular uma frase coerente. — Você fica ainda mais linda com os cabelos solto. — Ele coloca o cabelo dela atrás da orelha. — Quer um sorvete?

— Si...si...sim. — Ela desvia o olhar. — Obrigada.

— Já venho. — Ele levanta e caminha até o carrinho de sorvete do outro lado da praça.

Quem os vê de longe ou simplesmente não os conhecem podem jurar que são um casal, completamente apaixonados um pelo o outro — mas não é cedo demais para um sentimento tão forte? Ainda são jovens demais e apenas estão começando uma amizade — porém não é o que parece, os sorrisos trocados, os olhares compartilhados e os gestos simples fazem que eles parecem bem mais que amigos.

Distraída em pensamentos ela não percebe a chegada dele, o mesmo senta ao se lado segurando dois sorvetes — um de morango e outro de limão — ele sabia poucas coisas sobre a moça e uma dessas era o seu sabor preferido de sorvete. Ela vira rapidamente e seus rostos ficam próximos, respiração contra respiração, olhares contra olhares e só um movimento a mais e os dois se beijam.

— Seu sorvete. — Ele se afasta dela e lhe estende o sorvete, sujando o nariz da mesma e derrubando em seu vestido. — Putz, desculpa cara.

Beatriz dá um sorriso terno que em poucos segundos se transforma em uma gargalhada, ele fica confuso com a reação dela — outra teria dando uma bofetada e lhe xingado — mas ela está ali na sua frente, gargalhando.

— Não vai bater? — Ele olha atentamente para a moça a sua frente tentando entender o motivo da gargalhada. — Pirou? Para rir.

— Não vou te bater. — Ela respira fundo e prossegue. — Não sei porque você ficou desesperado, foi um acidente. Agora me ajuda a limpar o vestido, por favor. — Seu olhar vai para o sorvete quase seco em seu vestido.

— Foi mau, cara. — Ele sorri sem graça. — Fiz sem pensar.

—Já é vigésima nona vez que me chama de cara, hoje. — Ela olha para ele, mas desvia o olhar assim que vê o sorvete dele derretendo e melando a mão do mesmo. — Acho que não sou a única a perder o sorvete.

Ele olha na mesma direção que ela e vê o sorvete derretido — como não sentiu? — É o que acontece quando está com ela, as horas passam que sem ele perceber, se diverte de uma forma simples e sem maldade. Diferente dos passeios com os que tinha com os amigos — que eram sempre carregados de violência e brigas — mas com ela era só risos.

— Eu fiz merda de novo. — Ele lambe o sorvete derretido. — Até que está bom, você quer? — Oferece o que sobrou do sorvete. — Pode provar.

— Obrigada. — Ela dá uma lambida no sorvete dele fazendo uma careta em seguida. — É azedo, não gostei.

— É de limão, né. — Com toda delicadeza que ele não sabe da onde surgiu, limpa o nariz dela. — Melhor irmos embora, para você se limpar e eu também.

— Está grudando. — Ela faz uma cara de nojo. — Obrigada pelo passeio. — Um sorriso tímido surge nos lábios da moça. — Nos vemos amanhã no colégio. — Ela levanta ficando em pé ao lado do rapaz. — Obrigada. — Se inclina e deposita um beijo casto na bochecha dele e sai correndo em seguida, deixando o mesmo paralisado olhando para o lugar que ela ocupara minutos atrás.

Beatriz se sentia nas nuvens, não por estar apaixonada pelo rapaz e sim por ter um amigo para compartilhar suas alegrias e tristezas. Para uma menina como ela que não tinha nada além de sua fé e algumas pessoas que a ajudavam como podia, aquele amigo era algo especial, mas a vida não é só alegrias e ela já sabia disso.

Aquele coraçãozinho está batendo um novo ritmo, uma melodia alegre e quente que deixa sua alma feliz — pobre Beatriz, entregou seu coração a pessoa errada — mas como ela poderia saber, não tinha o ensinamento correto para poder saber quem é quem naquele mundo. Desde seus 5 anos se cuida sozinha, aprendeu a ser adulta antes de aprender a ser criança.

Ao chegar em casa ela encontrou a cena que sempre via aos domingos — seus pais e irmãos sentados na sala assistindo algo na televisão — e nesse momento seu coração falha uma batida e a tristeza surge no lugar da alegria, o sorriso morre e o olhar feliz ganha um brilho triste.

Seu pai sempre foi um homem carinhoso e ali está ele sendo o melhor pai para sua irmã mais velha. Bianca é tratada como uma princesa, tem tudo o que quer e muito mais e sua mãe mostra ser outra mulher para com a Bianca, a mãe amorosa e carinhosa, que cuida e ensina — a Robertha má não existe nesses momentos — vendo os três juntos, seu pai afagando a cabeça de Bianca e sua mãe brincando com algumas mechas da mesma, só lhe deixa mais triste e com um pouco de inveja.

Já seu irmão Arthur — um rapaz de 19 anos, alto com um porte atlético, louro de olhos verdes, um moreno lindo — ele sempre está distante de todos e de tudo, quando mais jovem adorava aprontar com a caçula da família e como aprontava, sempre fazia seu pai achar que a caçula era uma ladra e via seu pai bater na mesma, a deixando com o corpo marcado. Porém ele havia mudado, não mexia com ela e mau está em casa e quando o vê ele sempre lhe lança um sorriso miúdo.

Ao perceber que as atenções de todos estão em si, corre para seu quarto e se tranca no mesmo. Ao ver sua imagem refletida no espelho atrás da porta, percebe que não está tão ruim assim. Foi apenas uma mancha de sorvete, nada grave. Corre para o banheiro para se limpar.

Não iria sair do quarto até a hora de ir para a igreja e usaria esse fim de tarde para fazer suas lições do colégio e ler o livro que pegou na biblioteca do colégio. Não tinha sido um dia ruim para a jovem, os momentos bons camuflavam os momentos ruins.

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Os dois caminham lado a lado pelos corredores do colégio e todos os olhares caem sobre eles — todos sabem do que se trata — os burburinhos sobre o mais novo "casal" não para, mas não é nada do que os professores pensam.

Adentram a sala juntos recebendo os olhares de seus colegas, o sorriso maldoso e debochado é presente nos lábios de todos — para eles Beatriz é um brinquedo que odiamos, mas mesmo assim brincamos com ele — aqueles olhares penetram na alma da jovem.

Se sentam nas carteiras da frente, um do lado do outro — desde que virou "amigo" dela passou a sentar ao seu lado — ele dá uma rápida olhada para trás vendo seus cúmplices com o sorriso maligno nos lábios e retribui.

— Beatriz? — Volta seu olhar para a jovem ao seu lado. — Que tal darmos uma volta na pista de skate hoje? — Sorri galanteador para a jovem.

— Eu tenho muitas tarefas hoje. — Sorri triste. — E vou visitar o orfanato também.

— Que droga! — Faz uma careta de desgosto. — Eu queria ficar mais com minha nova amiga. — Abre um sorriso forçado, mostrando todos os dentes.

— Se quiser pode ir comigo no orfanato. — Ela abre o seu mais belo sorriso. — Assim apresento você as meninas do orfanato, elas iram gostar de você.

— Deixamos isso para outro dia. — Ela abaixa a cabeça a ouvir a recusa do amigo. — Para o sábado, assim passamos o dia com elas.

— Mesmo? — Ela ergue a cabeça e seus olhos brilham de alegria.

— Sim. — Seu interior grita de raiva, mas seu exterior demonstra uma alegria forçada. — Faço qualquer coisa para te ver feliz.

— Obrigada. — Se esquecendo do lugar que se encontra, ela se joga nos braços do rapaz lhe dando um abraço caloroso. — Obrigada por tudo.

— Beatriz? — Seu olhar é de pura repulsa por ser abraçado diante de todos e por ouvir os risos dos colegas. — Me larga garota. — Ele a empurra, fazendo a mesma cair com tudo no chão e bater as costas na carteira.

Os risos se tornam gargalhadas e a realidade atinge a moça, fazendo ela ver que foi mais uma vez alvo de chacota. Sentindo as lágrimas implorarem para ser livres, ela levanta aos tropeços e sai correndo da sala.

Sentindo um estranho incomodo no peito, Richard sai correndo da sala, indo atrás da jovem. Não entende o porquê, mas quando vê aquele semblante triste na face da jovem sente algo perfurar seu coração. — Ele realmente está gostando dela? Ou simplesmente é um bom ator? — Difícil saber o que está passando na mente do rapaz.

Corre por todo o colégio, a essa hora todos já estão em aula e os inspetores estão fazendo as rondas, atrás de alunos querendo matar aula. Ele corre até o jardim — que tem atrás do colégio — e a vê sentada na grama com a cabeça apoiada nos joelhos, vê os ombros da mesma tremer e isso é o estopim para sua mente.

— Beatriz? — A chama enquanto se aproxima. — Beatriz? — Para ao lado da jovem e vê que a mesma está absorta em seus pensamentos. — Beatriz? — Toca no ombro da menor e na mesma hora ela levanta a cabeça e o encara. — Desculpa. — Agacha diante dela. — Não foi minha intenção te machucar, estava com raiva deles e não de você. — A jovem afasta a mão dele. — Não me ignora, por favor.

Ela levanta e limpa os resquícios das últimas lágrimas se sua face, seus olhos mostram sua legal companheira — a tristeza — não aguentando mais ficar ali, ela se põe a andar. Ele vendo sua partida, levanta rapidamente e corre até ela e a segura pelo braço.

— Desculpa, eu jamais faria isso com você. — Se aproxima dela. — Não devia descontar em você, foi de momento. — E por fim abraça ela. — Desculpa. — Aperta contra seu corpo, tentando entender o porquê dessa necessidade de redimir.

— Nunca mais faça isso. – — Ela retribui o abraço. — Dói muito quando fazem isso comigo e doeu ainda mais quando foi você o culpado. — Enterra a face no peito do rapaz, deixando as lágrimas caírem. — Não quero ficar sozinha, não mais.

— Não vou te deixar. — Ele beija o topo da cabeça dela. — Não vou te deixar, nunca. — Aperta ainda mais o abraço que é retribuído da mesma forma pela jovem.

A cena é observada pelo diretor, pelo psicólogo e pela inspetora, fazendo eles depositam a confiança no rapaz. Os três viram que ele cuidaria e protegeria ela de tudo e de todos — ledo engano — se eles soubessem a verdade não fariam isso.

Como um rapaz pode ser tão maligno assim? Como ele não se comove com a dor da jovem?

Tudo está indo de acordo com os planos do rapaz e até melhor, depois do teatrinho — pobre Beatriz — a vida só a empurra mais e mais para o fundo do poço. A vida é cruel com todos e com Beatriz é pior, quanto mais ela luta mais a vida a derruba e a joga o mais baixo possível.

Será que ninguém ira salva-la?

Notas finais
Por hoje é só isso, mas semana que vem estarei de volta nessa mesma estória. O que vocês tem a dizer? Olha o ódio, isso é feio. Obrigada a todos e nos falamos nos comentários. Beijos.