Meu Milagre

8 Capítulo VII


Notas iniciais
Boa Tarde! Passando aqui só para deixar mais um capítulo fresquinho, espero que gostem e que aproveitem. Sou até boazinha com vocês. Desculpem-me pela pressa é que tenho que sair, mas vejo vocês daqui a pouco nos comentários. Boa Leitura!

O crepúsculo vespertino é tão lindo — ainda mais quando se olha do alto — é o que a jovem moça faz, observa o crepúsculo. É um espetáculo de cores lindo, uma beleza única — as cores deixam o céu ainda mais belo — a cidade está linda nesse momento.

A jovem sempre vai para o alto daquela colina — na saída da cidade — um lugar pouco visitado por todos e repleto de pinheiros, eucaliptos e alguns ipês dando um pouco de cor a aquele verde. A cidade é cercada por árvores e plantas de todos os tipos, deixando a pequena cidade com um charme.

O vento fresco sopra os cabelos da jovem em um ritmo único — o vestido preto com bolinhas brancas, com faixas vermelhas ma cintura e nas mangas — os pés da jovem balançam para frente e para trás. Ela apenas aproveita o silêncio daquele lugar e o vento lhe fazendo carícias.

Porém a jovem não está totalmente sozinha, atrás de uma das árvores ali perto um jovem a observa, mas cansado de apenas observar, ele se aproxima da jovem em passos silenciosos e rápidos. Distraída em seus pensamentos não vê o jovem se sentar ao seu lado.

Ele aproveita essa distração para poder admira-la de perto e aos seus olhos ela está ainda mais bela — as cores do céu refletidas em sua face, realça ainda mais a beleza natural — os olhos da jovem vão de encontro ao do rapaz, mas nenhuma expressão é vista no rosto da jovem.

— Oi pequena. — Seu sorriso é sincero. — Estava a sua procura.

— Olá. — Sua voz sai sem nenhuma emoção. — Como sabia que eu estava aqui? — Seu olhar volta para o céu já escuro.

— Encontrei o padre e ele disse que esse é seu lugar de fuga. — Olha minunciosamente a jovem ao seu lado e percebe que a mesma está triste. — Não te vi o dia todo, houve alguma coisa?

— Por que é meu amigo? — Seu olhar volta para o rapaz. — Não sou como a Bárbara, eu só sou a garota estranha religiosa. — O olhar é vago e sem nenhum tipo de emoção.

— Porque você é a melhor pessoa para se ter como amiga. — Ele pega a mão da jovem. — Eu realmente quero ser seu amigo para o resto de nossas vidas. — Entrelaça seus dedos nos da jovem. — Estou divido e confuso.

— Siga seu coração. — Ela sorri ao sentir a caricia em sua mão. — Às vezes nosso coração faz escolhas dolorosas, mas são as melhores. — Sua expressão se torna séria novamente. — Meu pai me seu uma bofetada. — As lágrimas descem lentamente pela face da jovem. — Por isso estou aqui.

— Ele não devia fazer isso. — O jovem já sente a raiva lhe ferver o sangue. — Ninguém pode tocar em você dessa forma tão bruta. — Com a mão livre segura o queixo da jovem e o puxa com delicadeza, vendo a marca avermelhada em seu lado direito. — Eu vou quebrar a cara daquele maldito, filho da puta.

— Acalme-se. — Ela segura no pulso do rapaz, dando um leve aperto. — Não fique assim, não gosto de vê-lo com esse olhar. — Solta o pulso do rapaz e leva a mesma até a face dele fazendo uma pequena caricia. — Estou bem, mas obrigada por se importar comigo.

— Eu sempre irei me importar com você, pequena. — Ele aperta de leve a ponta do nariz da jovem. — Agora me conte o porquê de ele ter feito isso. — Tira a mão da jovem de sua face e a segura.

— Bianca disse que eu roubei o dinheiro dela. — As lágrimas voltam a cair pela face da jovem. — Ela colocou o dinheiro na minha mochila, meu pai achou e me bateu. Se o Arthur não tivesse interferido eu poderia ter levado mais que uma bofetada.

— Por que são tão cruéis com você? — A pergunta foi mais para si do que para a jovem. — Não chore. — Sem pensar ele a envolve em um abraço caloroso. — Não posso fazer isso. — Envolvida em sua própria dor a jovem não ouve o que ele diz. — Você não merece isso.

— Mi...mi...minha mãe ca...ca...caiu quando es...estava grávida de mim. — Diz entre soluços. — Ela caiu das escadas do hospital. — Respira fundo para acalmar. — Carregava uma seringa na mão e a mesma acabou furando sua barriga e injetando o liquido. — Se aconchega nos braços do rapaz. — Ela quase foi a óbito, só porque eu resolvi chutar no momento errado.

— Não é sua culpa, foi um acidente. — A aperta contra seu corpo. — Beatriz não se culpe por isso. Você não teve culpa e seus pais não podem te culpar por isso.

— É minha culpa. — Desencosta a cabeça do peito do rapaz, apenas para poder olha-lo nos olhos. — Foram dois meses de cama, a gravidez passou a ser de risco já que ninguém descobriu o que continha na seringa e não podiam dar nenhum remédio ou fazer um exame mais especifico. — Seus olhos brilham por causa das lágrimas que descem sem cessar. — Durante esse período meus irmãos ficaram doentes, pegaram uma virose e quase morreram.

— Tudo isso foi uma infeliz coincidência. — Ele deposita um beijo na testa da jovem. — Foi um acidente e ninguém tem culpa pelo o que houve. — Ele beija a ponta do nariz dela. — Não se culpe, pequena.

— Obrigada por tudo. — Afunda o rosto no peito do rapaz. — Muitos falam para eu mudar e não deixar ninguém me magoar, mas não quero ser assim. — Desfaz o abraço e com as duas mãos secas as lágrimas. — Pagar o mal com o mal, só me fará sofrer ainda mais.

— Não ouça essas pessoas. — Ele segura o rosto da jovem com as duas mãos. — Você é única. Perfeita. Um verdadeiro anjo, não mude nunca. — Encosta a testa na testa da jovem. — Você não tem culpa pelo o que houve e nunca terá, seus pais estão errados. Eles só querem alguém para culpar.

— Por que me sinto culpada? — A jovem se livra das mãos do rapaz e se afasta do mesmo. — Por que sou assim? Meu pecado foi tão grave assim?

— Você não tem culpa. — Ele se aproxima ainda mais da jovem. — Você é a garota mais bondosa que eu conheço. Você é única. — Ele passa o braço em volta da cintura da jovem e a trás para mais perto de si. — Não se preocupe com isso, eu vou cuidar de você.

— Obrigada. — A cabeça da jovem cai sobre o ombro o rapaz. — Você acredita que um dia tudo irá mudar?

— Acredito. — Ele encosta a cabeça na cabeça da jovem. — O que você faria se tivesse que escolher entre seus amigos de anos e uma nova amizade? Tipo, se você fosse obrigada a fazer algo errado só para provar algo que não é verdade.

— Faça aquilo que o seu coração manda. — Sua mão vai até o peito do rapaz, sobre o lado do coração. — Escolha aqueles que gostam de você pelo o que você é.

—Obrigado. — Ele a aperta contra seu corpo. — Gostei daqui, posso sempre vir aqui?

— Sim. — Um sorriso sincero surge em seus lábios. — Será o nosso lugar.

— Já sei. — Ele se afasta da jovem e a mesma o olha confusa. — Eu não demoro, não sai daqui. — Se levanta e bate a poeira da roupa. — Eu só vou buscar algo e já venho. Você me espera?

— Sim. — Seu sorriso fica maior ao notar a empolgação do amigo. — Ainda está cedo, mas não demora muito.

— Não vou demorar, pequena. — Ele dá um beijo no topo da cabeça dela. — Vou e volto bem rápido. — Ele pisca e em seguida sai correndo sumindo do campo de visão dela.

Aquele dia para a jovem havia começado mal, mas agora está bom. Ter um amigo é algo diferente, porém divertido. Tem várias pessoas ao seu lado, mas nunca teve alguém que podia sempre estar ao seu lado e lhe dando apoio.

O Olhar da jovem volta para a cidade já iluminada luz da lua crescente.

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Não sabe a quanto tempo está esperando ele, mas parece horas. O vento que a pouco estava fresco, agora sopra gelado e para completar o lugar não tem nenhuma luz, além da luz da lua, os únicos barulhos presentes ali sãos os das folhas que balançam com o vento, dos grilos e outros insetos que não sabe identificar e ao longe se ouve os poucos carros que passam por ali.

O rapaz avista a jovem sentada no mesmo lugar de mais cedo. Seu sorriso fica imenso ao perceber que a amiga não tinha ido embora, é diferente para ele ter uma amiga tão prestativa e atenciosa — ela parece um anjo — sempre pensa assim quando a vê, não tem nenhum sentimento ruim quando a jovem está por perto.

Traz consigo uma cesta, para atrás da jovem e com cuidado coloca a cesta no chão e em seguida põe as mãos nos olhos da jovem, a mesma se assusta, mas logo reconhece aquele cheiro e aquelas mãos.

— Adivinha quem é? — Ele senta atrás dela, colocando uma perna de cada lado do corpo da jovem. — É um garoto lindo, sexy, gostoso e muito foda.

— Não conheço nenhum garoto assim. — Ela sorri. — E só conheço um garoto, mas ele não é nada disso. — Tira as mãos dele de seus olhos e o olha por cima do ombro. — Você demorou. — Um bico se forma em seus lábios.

— Parece uma criança. — Ele envolve a cintura dela a abraçando. — Desculpa a demora, eu fui em casa buscar algo para a gente comer e minha mãe me prendeu em casa. — Traz a jovem para mais perto de seu corpo, afastando a jovem da beirada. — Podemos comer, conversar e só ir embora quando você quiser.

— Mas não podemos ficar aqui por muito tempo. — Ela encosta a cabeça no peito dele e olha para o céu. — Isso não é estranho? Amigos ficam assim?

— Sim. — Ele ri da careta dela. — Não está bom? Quer que eu te largue? Eu estou gostando desse abraço.

— Eu também. — Um suspiro baixo escapa dos lábios da jovem. — Posso lhe perguntar uma coisa? — A jovem desencosta a cabeça do peito dele e o olha.

— Sim. — Ele desfaz o abraço e se afasta da jovem. — Se eu puder lhe responder, é claro. — Ele sai de trás da jovem e senta ao seu lado.

— O Sebastian namora a Bárbara? — O olhar da jovem vai para a cidade. — Porque eles parecem bem mais que amigos.

— Você gosta dele? — Um incomodo estranho se instala no peito do jovem. — Está apaixonado por ele?

— Sim. — Sua voz sai baixa, mas o suficiente para ele ouvir. — Eles são namorados?

— De vez em quando vejo ele fodendo ela. — Sua voz soa fria. — Ele nunca olharia para você. — A raiva já domina seu interior. — Nenhum garoto olhara para você. — O peito do jovem desce e sobe rapidamente.

— Eu...eu...eu... — Respira fundo engolindo o bolo que se formou em sua garganta. — Melhor eu ir. — A jovem levanta rapidamente e põe a caminhar. — Nos vemos outro dia.

Ao perceber que a amiga já não está ao seu lado, volta a si. Não sabe o porquê de ter dito tudo aquilo, mas só de pensar em outro garoto a tocando ou até mesmo a beijando uma raiva descomunal se instala em seu peito e faz dizer coisas e agir de maneira errada.

Corre atrás da jovem pela trilha escura, não sabe se está no caminho certo, mas só queria encontrar a jovem e pedir desculpas por ter sido irracional. Avista uma silhueta a sua frente, com a ajuda da lanterna do celular, corre até a pessoa a sua frente e a segura pelo braço.

— Desculpa. — A puxou para mais perto de si. — Não quis ser rude, só quis dizer que nenhum garoto será bom o bastante para você. — Guarda o celular no bolso da calça e leva a mão já livre até a mão da jovem. — Sebastian é um cretino miserável e ele odeia você, como pode gostar dele?

— Não sei. — Abaixa a cabeça para esconder as lágrimas que teimam em cair. — Mas você tem razão, nenhum garoto vai olhar para mim. — Empurra o jovem à sua frente, fazendo o mesmo lhe soltar. — Eu vou embora, já está tarde.

— Você é uma garota incrível e merece alguém melhor que o Sebastian. — Retorna a segurar as mãos da jovem. — Ele é um babaca, mas se gosta dele eu posso lhe ajudar a conquista-lo. — As palavras deixam um gosto amargo em sua boca.

— Sério? — Os olhos da jovem voltam a brilhar. — Faria isso por mim?

— Sim. — Luta internamente com a raiva. — Melhor deixar o piquenique para outro dia, melhor eu te levar para casa. — Solta as mãos da moça e tira a jaqueta. — Está frio, coloque isso. — Coloca a Jaqueta sobre os ombros da amiga. — Temos uma longa caminhada até sua casa. — Segura na mão da mesma.

— Obrigada por tudo. — Ela beija a bochecha do rapaz. — Você é bom. — Um sorriso sincero surge nos lábios dela.

Juntos caminham para fora daquela trilha. A caminhada até a cidade é longa, mas acompanhados não perceberiam — aproveitariam esse tempo — agora aquele lugar é de ambos, o refúgio para que pudessem fugir de olhares maldosos e cruéis.

Beatriz havia revelado seus sentimentos para seu mais novo amigo, será que foi uma boa ideia? Richard fará a escolha certa? Ambos se gostam e adoram estar juntos, mas essa amizade que surgiu de uma aposta dará certo mesmo ele mudando de ideia? E ela perdoaria seu amigo por mentir?

A mentira nunca é o caminho correto para nada, a verdade dói, mas com o tempo passa, porém, a mentira permanecerá viva e deixara marcas mais dolorosas que a verdade. Mentir nunca é o caminho, a mentira destrói tudo que se levou anos para construir.

Notas finais
O que acharam? O Richard é muito fofo. Eu gosto dele, mesmo ele sendo mal.