Meu Milagre
25 Capítulo XXIV
Notas iniciais
Depois de dias longe do colégio – vinte dias para ser mais exato – Beatriz estava pronta para voltar. Depois de tudo queria poder voltar a vida de antes e esquecer todos os dias vividos no hospital.
Olha pela última vez no espelho certificando-se que as vestes está do tamanho correto que o colégio impõe – o perfeccionismo é sua melhor qualidade – vendo que tudo está em seu devido lugar a jovem põe-se a caminhar para fora do quarto, mas tranca a porta do mesmo e volta a caminhar. Em passos silenciosos para não chamar a atenção dos pais – não os viam desde sua volta – sua vida não havia mudado muito e parecia que estava piorando.
Beatriz sentia-se na beira de um abismo e uma simples brisa a levaria a morte, cada dia que se passa sem que a jovem diga a verdade é mais um sobro em direção ao precipcio que a mesma colocou diante de si mesma – mas como contar a verdade? Como poderia ter coragem de destuir o pouco de alegria que tinha, algo que nunca teve foi coragem e não começaria ter agora – preferia ir em direção a morte do que recuar e ter um final pior que esse que está por vim.
Havia conseguido passar pela família sem ser vista – Arthur não estava em casa – havia visto o quanto os pais e a irmã pareciam uma família perfeita e estavam feliz e como sempre a jovem saia triste. Não sabia a quanto tempo estava a esperar o namorado, mas não se importava pois sabia que o mesmo nunca a abandonaria.
O namoro do jovem casal estava cada vez mais forte e parecia um romance de cinema – afinal começou como em muitos filmes de colegial – porém o final que para muitos estava longe, para a jovem não. Ela sabia que o desfecho e infelizmente seria um final triste.
—Beatriz? – Chama a namorada ao descer do carro. – Bom dia. – Diz ao parar em frente ao portão da casa. – Podemos ir?
—Bo...bom dia. – Diz nervosa ao notar o namorado a sua frente. – Claro. – Termina de descer a escada e caminha de encontro ao namorado. – Chegou a muito tempo? – Quebra a distância entre eles ao passar pelo portão.
—Não muito. – Sela os lábios nos da namorada roubando lhe um selinho. – Linda como sempre. – Segura na mão da mesma. – Como acordou hoje?
—Bem, graças a Deus. – Ela vê o namorado reviarar os olhos no final de sua frase. – Você é ateu, Richard? – Adentra o veículo.
—Por que pensa isso? – Fecha a porta ao adentrar o veículo. – Acha que sou ateu? Já podemos ir. – Diz para o chofer.
—Porque é o que parece. – Olha nos olhos do namorado. – Agora que sei que ia para igreja porque seus pais lhe obrigavam.
—Eu não sou cego. – Sua expressão permance neutra. – Preciso ver para crer. Nada que eu leia ou digam faça eu crer que realemente existe um "Deus." – Faz aspas com os dedos.
—Dizem que eu sou um milagre. – Abaixa a cabeça para esconder o olhar melancolico. – Eu morri, os médicos me deram obito e minutos depois eu estava chorando.
—Foi um erro médico. – Diz sem nenhum pingo de emoção. – Isso ocorre direto e você foi mais uma entre vários.
—Temos crenças diferentes. – Sorri minimamente para o rapaz. – Espero que um dia veja o mundo como eu vejo.
—O seu olhar é infantil ainda. – As palavras saem sem que o rapaz veja. – Eu não quis dizer que você é infantil. – Tenta contornar a situação ao ver o olhar triste da namorada. – Desculpa.
—Tudo bem. – Seu olhar vai para a paisagem que passa pela janela do carro. – É a verdade, acho que devia procurar outra garota.
—Nunca, pequena. – Diz ao aproximar-se da namorada. – Só quero você. – Envolve os braços na cintura da mesma, a trazendo para mais perto de si. – Eu quero você para o resto da vida.
—Richard. – Supira pesademente. – Sinto muito.
Richard beija o topo da cabeça da namorada e a aperta ainda mais contra seu corpo, a jovem abre um sorriso verdade ao sentir-se acolhedida e protegida pelo rapaz.
—Esse caminho não é do colégio. – A jovem diz ao notar as residências diminuirem. – Estamos saindo da cidade? – Afasta um pouco do namorado, apenas o suficiente para poder olha-lo nos olhos.
—Estamos. – Sorri sapeca para a jovem. – Eu só quero que você conheça um lugar, não se preocupe a Lia vai nos dar cobertura.
—Como assim, Richard? – Olha surpresa e confusa para o rapaz.
—Você confia em mim? – A jovem assente para o namorado. – Eu só quero que você conheça um lugar.
—Está bem. – Sorri ainda mais para o namorado.
Richard leva a mão até a face corada da namorada, fazendo um carinho na bochecha na bochecha da mesma que fecha os olhos apreciando ainda mais da caricia do rapaz. Richard aproxima da jovem, colando suas testas e nesse momento Beatriz abre os olhos encontrando as safiras do namorando que reflete um brilho diferente – ela sorri ainda mais – por fim Richard sela seus lábios no da jovem um selinho que em seguida torna-se um beijo calmo e apaixonado.
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Depois de quatro horas de viagem o jovem casal finalmente chega ao destino desejado – mas antes pararam em um shopping perto dali e trocaram de roupa, Beatriz pós um maiô azul royal e por cima do mesmo um vestido vermelho com estampa póa, oferecido pela cunhada. Já Richard apenas colocou um calção, já que havia posto a sunga antes de sair de casa. – O rapaz vendou a namorada antes de chegaram ao destino e a mesma não sabia aonde estavam.
—Tem ideia de onde estamos? – Diz ao pegar a jovem no colo, deixando a mesma surpresa e corada. – Você fica linda corada.
—Por que me pegou no colo? – Passa os braços no pescoço do namorado. – Eu sei andar, sabia?
—Estou treinando para quando casarmos. – Rouba um selinho deixando a jovem ainda mais corada. – Já sabe onde estamos? – Para pondo a jovem no chão.
—Isso é areia? – Pergunta ao sentir algo macio embaixo dos seus pés. – Estamos na praia?
—Sim, pequena. – Retira a venda dos olhos da jovem. – Lembrei do que me disse sobre nunca ter visto o mar e quis ser o primeiro a fazer isso. – Passa os braços em volta da cintura da namorada e apoia o queixo no ombro direito da mesma. – Gostou?
—Sim, obrigada. – Seus olhos brilham intensamente. – Eu não sei como te pagar por tudo o que está fazendo.
—Eu sei como. – Afasta-se da namorada, fazendo a mesma virar para si. – Ficar ao meu lado para o resto da nossas vidas. – Segura ambas as mãos da jovem. – Quero dormir ao seu lado todos os dias, acordar com seu sorriso e envelhecer ao seu lado.
—Richard! – Diz entre lágrimas. – A gente não pode envelhecer juntos. – Desvencilha das mãos do namorado, afastando-se em seguida. – Não posso lhe dar nada disso.
—Por que não pode? – Aproxima-se da namorada, segurando a face da mesma com ambas as mãos. – Não gosta mais de mim? Gosta de outro? Ainda está apaixonada pelo Sebastian? – Pergunta receoso.
—Eu estou perdidamente apaixonada por você. – Põe as mãos na face do namorado. – O que eu sinto por você é algo único e só quero você. – Limpa as lágrimas da face do rapaz. – Só que não posso cumprir esse seu desejo.
—Por que? – Desliza as mãos até os braços da namorada, segurando-os. – Qual é o motivo, Beatriz? Qual é?
—Eu estou morrendo. – Sorri amargurada. – Estou morrendo.
—Já lhe disse que iremos lutar juntos contra a leucemia. – A puxa para mais perto de si, envolvendo-a em um abraço caloroso. – Você não vai morrer.
Beatriz enterra a face no peito do namorado, o rapaz a aperta contra seu corpo – desejava arrancar a dor que a namorada estava sentindo – a jovem aperta ainda mais o namorado, tentando manter-se em pé.
—Hoje é para ser um dia divertido, então nada de lágrimas. – Acaricia os fios negros da namorada. – Sei que para você é difícil, mas lembre-se que agora somos um só e que seus problemas também são meus problemas. – Deposita um beijo na cabeça da jovem. – Nunca vou lhe deixar.
Beatriz nada dissera, para a jovem estava sendo difícil lidar com tantos sentimentos estranhos ao mesmo tempo, mas abia que podia contar com Richard sempre que precisasse.
Parecia que a cada dia que passava sua vida se esvaia um pouco e que levava também sua esperança.
—Você não vai morrer. – Diz ao desfazer o abraço e encarar as orbes verdes da namorada. – Sei que é difícil, mas por hora vamos esquecer tudo isso. – Sorri sapeca e em seguida pega a jovem no colo, deixando a jovem surpresa. – Você confia em mim?
—Confio. – Diz olhando nos olhos do namorado. – Sempre vou confiar.
—Prometo nunca te decepcionar. – Dá um selinho rápido nos lábios da namorada. – E também prometo que farei de tudo para ver sempre um sorriso nesses lábios.
Beatriz sela seus lábios no do namorado, dando um beijo calmo a apaixonado – o beijo deles sempre diziam tudo o que não conseguiam expressar – Richarda afasta-se dos lábios da namorada, mas mantém suas testas coladas.
—Adoro quando você me beija. – Sorri abertamente para a namorada. – Agora vamos aproveitar esse dia e essa praia. – Afasta-se um pouco da namorada. – Pronta? – Sem esperar uma resposta ele corre para o mar com a namorada nos braços.
Beatriz aperta com força o pescoço do namorado ao adentrarem no mar, o rapaz sorri com o nervosismo da jovem – a água bate na cintura do rapaz – ele desce a namorada, deixando a mesma ainda mais nervosa e ao perceber isso o rapaz segura a mão dela, lhe passando confiança.
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O sol já se punha – deixando a paisem ainda mais encantadora – o casal assistia o pôr do sol em silêncio, as mãos entrelaçadas e os olhos repleto de alegria e paixão.
—Obrigada. – Beatriz agradece quebrando o silêncio.
—Adoro ver esse brilho em seus olhos. – Direciona seu olhar para a namorada. – Foi melhor o dia da minha vida.
—Com você fica tudo sai perfeito. – Diz ao olhar para o namorado. – Obrigada.
—Você que deixa tudo perfeito. – Aproxima-se ainda mais da namorada. – Eu que agradeço. – Passa o braço por cima do ombro da jovem. – Quer ir embora agora?
—Podemos ficar mais um pouco? – Pergunta manhosa.
—Sim. – Encosta a cabeça na cabeça da namorada. – Desde que você entrou na minha vida eu aprendi muitas coisas. – Faz leves carícias no braço da namorada. – Mas a mais importante foi que devo valorizar a amizade sincera.
—Por que está falando isso? – Pergunta confusa.
—Porque você me aceitou como sou e nunca me obrigou a mudar. – Sua voz soa magoada. – Sinto falta do meu primo e da Bárbara, mas eles não são bons.
—Acho que eles só precisam se encontrar. – Diz com sinceridade. – Se quiser eu posso conversar com eles e pedir para eles serem seus amigos de volta.
—Não, pequena. – Sorri ao notar o quão inocente a jovem ainda é. – Eu não quero que se meta nisso, eles não gostam de você.
—Não quero lhe ver triste. – Afasta-se do namorado e o olha nos olhos. – Sei o quanto são importantes para você.
—Você é a única pessoa importante para mim. – Diz com sinceridade. – E também não quero meu primo perto de você. – Revira os olhos. – Ele é apaixonado por você e com certeza tentara algo.
—Mas eu sou apaixonada por você. – Acaricia face do namorado. – Não precisa ter ciúmes.
—Sou ciumento sim. – Deita a namorada na areia, deitando-se em seguida ao lado da mesma. – Você é linda e todos olham para você.
—Você exagera. – Encontra o olhar do namorado e sorri. – Sempre achei que morreria sozinha.
—Agora será diferente. – Levanta e apoia a cabeça na mão, para poder olhar melhor para a namorada. – Juntos construiremos um futuro. – Acaricia a bochecha da jovem. – Eu sempre estarei ao seu lado, lhe ajudando e lhe protegendo. – Beija a ponta do nariz da jovem. – Não importa o que dizem, eu sei que iremos ficar juntos até o fim de nossas vidas.
—Desejo do fundo do meu coração que isso seja verdade. – Joga-se no pescoço do namorado, fazendo o mesmo cair na areia e ficando em cima do rapaz. – Quero sempre estar com você.
—Eu também quero, você tem sido uma luz na minha vida. – Aperta a namorada contra seu corpo lhe dando um abraço apertado. – Obrigado. – Põe a mão na nuca da namorada, puxando-a para mais perto e dando um beijo repleto de paixão e desejo. Beatriz corresponde na mesma intensidade.
Mais um dia havia passado, mais uma lembraça havia ficado para sempre na memória de ambos – mais uma página havia sido terminada – será que a morte é mais forte que esse sentimento?
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