Meu Milagre

21 Capítulo XX


Notas iniciais
Primeiramente perdoem-me por não ter postado na terça-feira. Meu computador parou de funcionar no domingo e só consegui arrumar ele ontem, na verdade o cabo derreteu e eu quase perco o computador todo e como o capítulo estava salvo no computador não pude terminar de escrever. Perdoem-me por isso. Se eu terminar o outro ainda hoje, eu posto. Boa Leitura!

O quarto é preenchido pelos bipes do coração da jovem – que se encontra desacorda há três dias – desde seu desmaio na igreja não acordara.

Os médicos não sabem o motivo dela estar inconsciente e o médico responsável pela jovem está fora da cidade – há uma semana e ninguém consegue entrar em contato com ele – cuidam como podem e com as informações que tem.

Além dos enfermeiros não recebia muitas visitas – seu irmão, seu namorado, sua cunhada, seus sogros e o padre – ficavam poucos minutos e logo iriam embora.

Arthur não sairá do lado da irmã desde que tivera alta – após a lesão da testa, não foi nada muito grave – ele queria saber como ajudar a irmã, mas não sabia como.

—Com licença. – Raquel diz ao entrar no quarto. – Como ela está?

—Igual. – Arthur mantém o olhar na irmã. – Já encontraram o Dr. Dawson?

—Ainda não. – Raquel se aproxima da jovem e pega a prancheta com as informações da mesma. – Você realmente não sabe o que houve com ela?

—Não. – Acaricia a face pálida da irmã. – Ela não me disse nada, só pediu ajuda.

—Eu vi ela na quarta e estava tão bem. – Raquel olha para a jovem com pesar. — Não perca a fé. – Ela dá uma tapinha nas costas de Arthur. – Ela é forte e irá sair dessa. – Dá uma última olhada na jovem e em seguida sai do quarto.

—Você não pode desistir agora. – Arthur levanta da cadeira e se põe em pé ao lado da irmã. – Vou rezar por você. – Deposita um beijo na testa da irmã. – Eu amo você. – Segue para a porta e sai do quarto.

Arthur não conseguia esconder sua tristeza, nunca havia se sentido tão inútil e fraco. Havia conhecido um amor que nunca ganhará em todos os seus 19 anos de vida — em poucos dias ao lado de Beatriz tinha aprendido a ser mais humano — só queria a irmã de volta.

—Arthur? – Uma voz familiar o desperta. – Tudo bem?

—Sim. – Dá um sorriso sem humor. – Eu vou comer algo, você pode ficar com ela?

—Fico. – Richard passa por Arthur parando na porta. – Você precisa descansar. Vá para casa.

—Só saio daqui quando ela acordar. – Sua expressão mostra não só o cansaço, mas também a tristeza. – Só vou comer algo.

—Está bem. – Richard adentra o quarto, deixando Arthur com sua dor. — Oi pequena. – Diz ao ver a namorada.

Richard se aproxima da cama e senta na ponta — um suspiro triste escapa de seus lábios — com delicadeza segura a mão da namorada.

—Hoje o dia está melhor, mas ainda está chovendo. – Acaricia a mão da namorada. – A Lia não pode vir hoje, mas amanhã ela vem. – Olha para o monitor e segue os batimentos da namorada com o olhar. – Noite passada sonhei que você morria. – Finas lágrimas caem por sua face. – Acorda, por favor. Não quero que aquele sonho se torne real.

A dor é nítida em seus olhos, o medo de perdê-la lhe assombrava desde o momento que o médico responsável por ela havia dito que não sabia o motivo do coma. Beatriz havia entrado em coma e isso preocupava não só os médicos, mas a todos que conheciam a jovem.

Richard apenas contempla os bipes que comprovam que a jovem está viva. – Mas até quando? – Sua mente lhe atormentava com a ideia de perdê-la.

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O médico que cuidará de Beatriz desde que a mesma fora internada – um homem de 36 anos, alto de porte atlético, branco de olhos negros e cabelos também negros. – Caminhará o hospital todo atrás da enfermeira responsável pela sua paciente.

Ao virar o corredor que dá acesso ao quarto de Beatriz, bate de frente com uma das muitas enfermeiras que trabalha ali.

—Boa tarde Dr. Mendes. – Abre um sorriso amigável para o médico.

—Não sabia que estava trabalhando hoje. – Põe as mãos nos bolsos do jaleco. – Isso não importa agora. Viu a Raquel?

—Está em uma cirurgia com a Dra. Silvestre. – Toma uma lufada de ar e prossegue. – Posso lhe ajudar se quiser.

—Quero sim. – Ele volta a caminhar rumo ao quarto de Beatriz parando alguns passos atrás da enfermeira. – Ela está cuidando de uma paciente que deu entrada na madrugada de sexta. – Abre a porta dando passagem para a enfermeira. – Por favor.

A enfermeira caminha até o médico e entra em seguida, mas paralisa na porta ao ver Beatriz deitada inconsciente na cama. Uma sensação estranha surge em seu âmago, o mundo ao seu redor para e ela só consegue ver Beatriz diante de si e o ar lhe falta.

—Tudo bem, Robertha? – Percebendo a palidez da enfermeira o médico se apressa e a segura pela cintura. – Você está pálida. Aconteceu alguma coisa? – A conduz até o sofá e a põe sentada no mesmo. – Diga alguma coisa.

—Só foi um mau estar repentino. – Robertha desvia o olhar para o médico. – Foi muito corrido essa manhã. – Sorri fraco.

—Se cuide. – Olha sério para ela. – Bom, já que se sente melhor podemos prosseguir. – Vai até a cama e retira a prancheta com as informações da paciente. – Ela não está respondendo aos medicamentos e não sei quais são os medicamentos que ela é alérgica. – Põe a prancheta no lugar. – Entre em contato com os pais dela, preciso que eles estejam aqui até o fim do dia. – Ele olha para Robertha ao perceber que a mesma está quieta demais. – O que houve, Robertha?

—Nada. – Tenta desviar o olhar da jovem, mas não consegue. – Acho melhor pedir para outra pessoa.

—Faça o que eu mando. – Anda até a porta e abre a mesma. – Cuide da paciente, essa é sua função. E quero os pais dela em meu consultório antes das 18:00. – Dito isso o médico se retira da sala a deixando sozinha com a paciente.

Robertha levanta e caminha até Beatriz – com o olhar fixo na jovem – nunca havia visto a jovem dessa forma. Vendo-a de perto percebeu que são os aparelhos que estão a mantendo viva.

Agora seria a hora perfeita para acabar com a vida da pessoa que arruinou sua vida, mas algo impede de prosseguir.

Sua mão vai de encontro a face pálida de Beatriz e ao toca-la sente um choque percorrer até seu peito fazendo o mesmo se aquecer – faz uma leve carícia – mas se afasta ao ouvir a maçaneta girar e a porta se abrir.

—Desculpe-me, achei que não tinha ninguém. – Diz uma voz doce e melodiosa. — Atrapalho?

—Não. – Robertha olha para a mulher à sua frente. – O que faz aqui, Clara?

—Vim ver a Beatriz. – Ignora o olhar mortal de Robertha. – Não sabia que havia aceito sua filha?

—Quero que ela morra. – Diz com desprezo. – Aproveita e vai junto.

—Você não era assim. – Se aproxima da cama e segura na mão da jovem. – Lembro-me que era uma mulher doce e gentil.

—Não se meta nisso. – Olha com desdém para ela. – Você não passa de uma freira imunda.

—O que houve? – Solta a mão da jovem e olha para Robertha. – Éramos amigas e agora me trata como se eu fosse sua inimiga. Por que me trata assim? Se foi você que destruiu minha vida.

—Ainda está magoada? – Diz com deboche. – Miguel nunca te amou, só ia se casar com você por pena.

—Você se tornou amarga e cruel. – Seu olhar volta para a jovem deitada. – Devia cuidar de sua filha. Afinal é fruto de seu casamento.

—Sabe de uma coisa, Clara? – Segura nos ombros da outra e se aproxima do ouvido da mesma. – Eu odeio você e tudo que me lembre de você, inclusive esse ser aí. – A voz de Robertha faz todos os pelos do corpo de Clara se eriçarem. – Eu tenho nojo de pessoas como vocês. – Larga os ombros de Clara e se afasta da mesma. – Fique longe de mim. – Sai do quarto batendo a porta com força.

—Você não merece isso. – Ajoelha diante da cama e toma a mão da jovem com cuidado. – Todos estão rezando por você. – Fecha os olhos e abaixa a cabeça. – Você não pode morrer e Deus não vai permitir.

No silêncio daquele quarto Clara reza para a jovem que tanto ama — Clara via Beatriz como uma filha que nunca teve – só poderia rezar e pedir a Deus para salvar a jovem que tanto ama.

Conhecia Beatriz desde os seus 4 anos e via como era uma criança alegre, mesmo passando por momentos difíceis e não tem um carinho por ela só porquê a jovem é filha do seu ex-noivo – já havia aprisionado esse amor – Beatriz fazia qualquer pessoa ter um carinho especial por sua pessoa.

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Já fazia horas que estava a observar Beatriz, havia conversando com Arthur e Richard e prometerá ficar zelando a jovem essa noite para que ambos pudessem ter uma noite de sono tranquila. Fazia com maior prazer, não queria voltar para o orfanato e ter que dar a notícia de que a jovem ainda está em coma.

O tempo não melhorava desde quinta-feira – só piorava – a chuva não forte não é comum na cidade. Claro que chovia, mas não uma chuva que acabará com a cidade, deixando os moradores sem luz alguma, os comércios sem fechados e os hospitais lotados. E quando a noite caia a chuva aumentava.

—Parece que será mais uma noite chuvosa. – Clara observa o céu através da janela. – Você com certeza iria adorar ver a chuva. – Solta um suspiro triste. – Senhor ajude-a, não a deixe morrer. – Suplica entre finas lágrimas que caem rapidamente pela sua face. – Sei que o Senhor tem planos, mas não entendo o porquê de ser ela. Ela nunca foi uma má menina.

Miguel adentra a sala e logo percebe Clara de costas para ele, sem saber quem é ele apenas a observa. Apenas sabia que é uma freira, por causa das roupas.

—Boa noite. – Miguel diz calmamente ao se aproximar de Clara.

—Boa noite, Miguel. – Clara vira-se para Miguel lhe oferecendo um sorriso doce e gentil. – Não sabia que se importava com sua filha.

—Cla..cla...ra? – Balbucia surpreso. – O que faz aqui?

—Parece que não gostou de me ver. – Se aproxima de Miguel. – Me ofereci para ficar com ela essa noite. – Se afastando dele, lhe dando as costas e olhando para Beatriz. – Achei que não se importava com ela.

—O médico exigiu minha presença. – Seu olhar inda se encontra surpreso. – Faz muito tempo que não nos vemos.

—Sim, faz 21 anos. – Respira fundo ao sentir a mão de Miguel em seu ombro. – Eu vou deixar você a sós com sua filha. – Desvencilha da mão dele, passando pelo mesmo indo para a porta. – Fico feliz que tenha vindo. – Abre a porta, mas antes de sair seu pulso e pego por Miguel que a impede de sair. – O que foi?

—Fica, eu não quero ficar aqui sozinho. – Se aproxima e fecha a porta. – Eu preciso de uma amiga.

—Não somos mais amigos. – Desvencilha da mão dele em seu pulso. – Só estou aqui, porque amo a Beatriz.

—Você não entende. – Bufa irritado. – Ela estragou minha vida. – Diz alterado. – A Robertha mudou por culpa dela.

—Não Miguel. – Mantém a voz serena. – Beatriz não tem culpa pelas escolhas que a Robertha e você fizeram. – Segura no rosto dele, fazendo o mesmo a encarar. – Você não era assim. O que houve?

—Cla..cla..ra. – Diz entre lágrimas. – Vo...vo...cê nã..não sa...sa...be. – Segura na face da freira e a olha nos olhos. – Eu sin...sinto muito. – Deposita um beijo na testa dela e à solta, fazendo a mesma o soltar. – Cuide dela. – Sai do quarto às pressas.

—Senhor ajude-os. – Senta na ponta da cama e olha para Beatriz. – Não a castigue pelos erros dos pais. – Abaixa a cabeça e segura o terço de seu pescoço. – Ela já sofreu demais, Senhor e não merece sofrer por culpa deles. – Deixa as lágrimas caírem pela sua face.

A chuva aumenta lá fora e o raios cortam o céu, deixando quarto iluminado e algo surge ao lado de Beatriz, porém Clara não vê, por estar de costas, mas logo some, deixando apenas o silêncio no quarto – sendo preenchido pelo bipes do coração da jovem – Clara fecha os olhos e começa a sua reza.

A morte está mais perto do que eles imaginam, mas como lutar contra algo que estamos destinados desde que nascemos?

Notas finais
Acharam mesmo que eu ia matar a Beatriz, peguei vocês. Digam o que acham. Será que ela vai acordar ou que vai morrer? Lembrando que a vida da Beatriz está nas mãos do pai agora, já que a mesma está em coma. Obrigada a todos. Beijinhos.