Meu Milagre

5 Capítulo IV


Notas iniciais
BOM DIA! Mais cedo do que costume,mas desde quarta estou tentando postar, porém a energia da minha casa caiu e perdi todo o capítulo que havia escrito, tentei recuperar, mas só consegui a metade. Aconteceu outras coisas e só terminei agora. Está fresquinho e um pouquinho grande. Devem achar que sou uma louca por escrever tanto, mas não sou é que as vezes me empolgo e quando pego para escrever faço sem cessar. Chega de blá blá e vamos lá para a leitura. No meu ver a estória começa agora. Boa leitura e até as notas finais.

Mais uma manhã cansativa e repetitiva na vida de Beatriz, como de costume ela já havia posto a mesa do café e estava terminado de se arrumar.

Ela olhava sua imagem refletida no espelho, havia se tornado uma moça bela — seus cabelos negros fazem o perfeito contraste sua pele branca e com seus olhos verdes, nariz fino arrebitado e lábios carnudos — parada ali se olhando, analisando cada traço de seu corpo percebe que sua infância passou rápido demais e que não se lembra de ter aproveitado nada.

Ela não usa maquiagem alguma e nenhum acessório, sua beleza natural se destaca diante as outras — talvez por esse motivo as outras garotas não goste dela — é o que se passa as vezes na cabeça da jovem moça, porém é um pensamento totalmente tolo em sua concepção, e não dá importância para isso.

Após ponderar um pouco sobre sua vida ela finalmente termina de se arrumar, pega sua mochila e sai do quarto, tranca e guarda a chave no bolso da jaqueta. Ela caminha devagar pela casa, porém percebe que seus pais ainda se encontram no andar de cima e que seus irmãos ainda dormem.

Beatriz sai de casa sem fazer nenhum barulho, como o hospital é longe e ela não tem dinheiro para poder ir de ônibus, ela tem que ir caminhando e se apressar para poder chegar na hora da consulta — o caminho de casa até o hospital é longo — sempre era assim.

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Beatriz chega eufórica e cansada no hospital, ela olha no relógio na parede da recepção — 07:13 — ainda dá tempo para sua consulta, ela caminha rapidamente até a recepcionista — uma jovem de aproximadamente 19 anos, branca de olhos verdes meio acinzentados, loura com os cabelos preso em um cabo de cavalo, busto mediano, cintura fina e bunda mediana, com o uniforme do hospital, uma saia cintura alta branca com uma listra de cada lado da saia, camisa social branca e um laço vermelho no pescoço — a jovem desliga o telefone e olha para Beatriz que até o momento esperava pacientemente.

— Bom dia em que posso lhe ajudar? — Ela sorri.

— Bom dia, Sabrina. — Beatriz dá um meio sorriso. — Tenho uma consulta com o Dr. Dawson.

— Um momento, Beatriz. — Ela vasculha a agenda do doutor.

— Claro. — Beatriz olha para baixo.

— Pode ir o Dr. Dawson a aguarda. — Sabrina sorri.

— Obrigada, com licença. — Ela acena e sai em seguida.

Beatriz anda devagar pelos corredores — para ela estar no hospital é um sacrifício — ainda mais no hospital em que sua mãe trabalha. Entra em outro corredor, caminha por uma sala onde está cheia de pessoas sentadas esperando, ela senta afastada daquela multidão e coloca a mochila no colo.

Uma mulher branca, alta e loura de olhos verdes — com uma calça jeans branca, camisa também branca e sapatos também brancos — ela para diante de Beatriz.

— Olha só, a minha paciente preferida. — Ela senta ao lado de Beatriz.

— Bom dia. — Beatriz levanta a cabeça e olha para enfermeira.

— Outra consulta com o Dr. Dawson? — Ela sorri.

— Sim. — Ela dá um meio sorriso.

— E sua mãe? — Seu olhar para a menor é de preocupação e carinho.

— Em casa. — Seu sorriso some e uma suplicia é nítida em seu olhar. — Ela não sabe que tenho consulta hoje, por favor Raquel não diga nada.

— Não vou falar. — Ela faz uma pequena caricia na face da menor. — Quer que eu te acompanhe? — Segura a mão da jovem.

— Não precisa. — Ela aperta a mão da enfermeira. — Obrigada. — Ela beija a mão da enfermeira.

— Nos vemos depois meu anjo, tenho pacientes. — Ela dá um beijo na testa de Beatriz. — Se cuida.

Beatriz sorri e Raquel lhe olha com um olhar doce e um sorriso sincero — Raquel se afasta de Beatriz sumindo ao virar o corredor — Beatriz observa as pessoas ao seu redor e seu olhar para sobre um menino que corre de um lado para o outro, enquanto sua mãe o observa com um sorriso — é nesses momentos que sente falta de sua mãe, na verdade ela sente sempre falta da matriarca.

Dr. Dawson aparece na porta do consultório — um homem de aproximadamente 47 anos, cabelos pretos em um corte baixo, olhos castanhos escuros. Trajando um camisa social branca, com uma gravata vermelha, calça jeans escura, por cima um jaleco com seu crachá e sapatos sociais preto — ele olha em busca de Beatriz entre as pessoas presentes ali e a encontra sentada longe de todos.

— Srtª Rutkowisk. — Ele dá um pequeno sorriso.

— Sim? — O olhar da menor vai de encontro ao médico.

— Pode entrar. — Ele abre a porta de sua sala.

— Sim. — Ela levanta e caminha até doutor. — Bom dia, Dr. Dawson. — Ela para em frente à sala.

— Bom dia, Beatriz. — Ele dá passagem para ela e a mesma entra na sala, ele entra em seguida fechando a porta atrás de si. — Sente-se. — Ele aponta para a cadeira e dá a volta na mesa, sentando em seguida. — Como você está?

— Bem. — Ela puxa a cadeira devagar e senta em seguida. — E o Sr?

— Bem também. — Ele põe as mãos sobre a mesa, entrelaçando os dedos. — Mais uma vez sozinha? — Ele pergunta retoricamente.

— Sim, Dr. Dawson. — Ela abaixa a cabeça, sentindo suas bochechas esquentarem.

— Não posso te atender sem um responsável e você sabe disso. — Ele dá um sorriso miúdo. — Vou chamar uma das enfermeiras.

— Não precisa. — Ela levanta a cabeça e o olha. — Não precisa mesmo.

— Mas são ordens. — Ele pega o telefone. — Será que sua mãe já chegou?

— Qualquer enfermeira, menos minha mãe. — Seu olhar é um misto de medo e suplicia. Minha mãe não, por favor.

— Vou chamar a enfermeira Raquel. — Ele digita o número da recepção. — Fique calma, não vou chamar sua mãe.

— Obrigada. — Ela respira fundo e por fim curva os lábios em um sorriso mínimo.

— Bom dia Sabrina. — Ele abre um sorriso sincero para Beatriz. — Diga a enfermeira Raquel vir a minha sala, por favor. — Analisa Beatriz e percebe que algo está diferente. — Obrigado Sabrina, tchau. — Desliga o telefone em seguida. — Pretende ir para o colégio? — Seu olhar vai para a gaveta e abre a mesma.

— Sim. — Ela coloca a mochila no chão. — Não posso ficar faltando, se não perco a bolsa.

— É a melhor aluna daquele colégio. — Ele pega uma pasta amarela. — E como vai no colégio?

— Bem, minhas notas continuam boas. — Um sorriso vergonhoso surge em seus lábios.

— Minha esposa disse que você está ficando uma moça muito bonita. — Ele a olha. — E tem razão, me lembro de você tão pequena e frágil.

— Não sou mais pequena. — Suas bochechas ficam vermelhas. — Vou fazer exames hoje?

— Sim. — Ele passa folheia a ficha. — Posso lhe perguntar uma coisa? E você promete dizer a verdade? — Sua expressão se torna sério.

— Com licença. — Raquel entra na sala, parando ao lado da porta. — Em que posso ajudar, Dr. Dawson?

— Poderia acompanhar a Beatriz? — Ele olha para Beatriz.

— Claro. — Raquel anda até eles e para atrás de Beatriz.

— Podemos começar. — Ele sorri para Raquel e volta seu olhar para a menor. — Beatriz não preciso perguntar se tem se alimentado, é bem nítido que está abaixo do peso. — Seu olhar é intimidador.

— Não tenho me alimentado direito. — Ela desvia o olhar.

— Conhecemos sua mãe, não minta. — Raquel põe as mãos sobre os ombros da menor. — Pode confiar na gente, só queremos o seu bem.

— Estou falando a verdade. — Sua voz sai baixa e tremula.

— Você vai fazer os mesmos exames que fizemos 2 meses atrás. — Ele decide deixar esse assunto de lado no momento. — Raquel irá lhe acompanhar.

— Só isso? — Seu olhar vai para o médico a sua frente.

— Não. — Ele pega o estetoscópio. — Ainda dói quando respira?

— Não. — Ela coloca as mãos sobre o colo e entrelaça uma na outra.

— Deixa eu ver. — Ele levanta e caminha até ela. — Tire o blaiser por favor.

— Claro. — Ela tira o blaiser e o põe sobre o colo.

— Raquel vá preparar a sala de exames, por favor. — Ele coloca o estetoscópio.

— Com licença. — Raquel deposita um beijo no topo da cabeça de Beatriz e sai logo em seguida.

— Já sabe o procedimento, não é? — Ele dá um sorriso.

— Sim. — Ela também sorri.Depois de ser analisada pelo doutor, Beatriz acompanha Raquel para fazer os outros exames. Por ter nascido com problemas de respiração e sua mãe ter ficado de cama na sua gravidez, Beatriz tem que ir ao médico todos os meses para fazer exames e constantemente e toma remédios, e para piorar a situação da sua saúde a falta de alimentação e a constante agressão que sofre, atrapalha o desenvolvimento e a melhora de sua saúde.

Depois de quase uma hora fazendo exames — era uma constante suas visitas ao hospital e por vezes passava horas no mesmo — ela finalmente termina e retorna para falar com o médico, porém no meio do caminho ela bate de frente com Robertha que até uns minutos antes estava sorrindo, mas ao ver Beatriz em sua frente com aquele olhar de bondade seu sorriso some e sua postura fica séria, deixando o clima mais tenso.

— Desculpe-me. — Ela automaticamente olha para baixo.

— Preste mais atenção. — Sua voz sai ríspida e carregada de ódio. — O que faz aqui? — Inclina um pouco ficando rente à rente com a menor.

— Eu vi...vi...eu vim...vim fazer uns... — Ela respira fundo. — Eu já vou.

— Não banque a esperta comigo garota. — Ela segura no braço da menor, apertando com força. — Fique quieta se quiser ter onde morar. — Seu olhar transborda raiva. — Se ousar abrir a boca eu juro que farei bem pior do que lhe deixar sem comer. — Larga o braço da menor e se afasta dela.

— Sim Sra. — Ela engole seco. — Com licença. — Se retira dali rapidamente.

Beatriz não gosta de ver a mãe com aquele olhar — não gosta de ver o ódio em seus olhos — sabe como a mãe é, porém não compreende esse jeito dela, não compreende o porquê de sua mãe ser tão má e perversa — sabe que sua mãe já foi uma mulher doce, meiga, carinhosa, caridosa e compreensiva, mas isso havia sido há 15 anos atrás — as vezes se achava a culpada pela mudança de sua progenitora — mas em que momento ela deixou de ser assim? Em qual momento virou essa mulher má? Essas eram as perguntas que sempre rodeavam a cabeça da menor.

Robertha só era má e perversa com Beatriz, com seus outros filhos era completamente diferente — trata todos ao seu redor com carinho — quase todos, aqueles que defendem e cuidam da caçula da família são tratados da pior forma possível.

E foi com esses pensamentos que Beatriz se dirigiu para consultório do médico — o médico que cuida dela desde que estava no ventre da mãe — ele a olha com um sorriso sincero, em silêncio ela caminha até ele e senta no lugar que ocupava minutos atrás.

— Os resultados desses exames de hoje ficaram prontos em breve. — Ele pega a pasta com os exames dela. — Sua saúde está perfeita.

— Então por que tive que fazer novos exames? — Para ela era uma surpresa ouvir isso, pois desde que nasceu sempre teve que se cuidar ao máximo para não ficar doente ou ter uma recaída.

— Serão os últimos e depois só precisará voltar por rotina. — Ele sorri. — Continue com os medicamentos que lhe passei por mais 15 dias e depois poderá parar, não esqueça dos remédios para as suas enxaquecas e suas vitaminas. — Seu olha vai para o bloco e começa a escrever.

— E como fica a conta? — Sua expressão fica mais séria.

— Fica como sempre. — Ele levanta a cabeça e encontra uma Beatriz séria. — Agora pode ir, aqui está o atestado. — Ele entrega o papel para ela. — E aqui a receita dos remédios. — Lhe entrega outro papel. — Lhe espero aqui daqui 1 mês. — Ele sempre era gentil com os seus pacientes, mas com Beatriz era ainda mais, a via como uma filha. — Melhor você ir. — Ele levanta dá a volta na mesa, parando ao lado da menor.

— Estarei aqui Dr. Dawson. — Ela ajeita o blaiser. — Obrigada. — Levanta e para diante do médico.

— Se cuida e juízo. – Ele dá um beijo na testa dela. — Qualquer coisa ligue. — Ambos caminham até a porta. — Vá com Deus e boa aula. — Ele abre a porta para ela.

— Obrigada. — Ela ajeita a mochila nas costas. — Bom dia e bom trabalho. — Um sorriso de gratidão surge em seus lábios. — Tchau. — A menor acena e sai em passos largos para fora do hospital.

Beatriz sai do hospital às pressas, com medo de reencontrar sua mãe e por estar atrasada para o colégio.

Beatriz tem medos — o seu maior medo é nunca ter o amor dos pais — ser sempre rejeitada, já ouviu muitos insultos dos seus pais, muitas palavras que magoaram muito mais do que um tapa.

✟ ✟ ✟ ✟ ✟ ✟ ✟

Beatriz finalmente chega no colégio — no final do turno da manhã — havia perdido aulas importantes, mesmo estando no começo do ano letivo o colégio exigia muito dos alunos, mas recuperaria as matérias perdidas e as avaliações.

Ela caminha até a porta de sua sala — sabia que só os professores haviam sentido sua falta — ao chegar na sala encontra a porta aberta e dá suaves batidas na mesma — todos os olhares caem sobre si — seus olhos caem na professora. — Uma mulher de pele alva, cabelos castanhos lisos e compridos, olhos verdes, nariz arrebitado e lábios carnudos, curvas distribuídas perfeitamente, com seios e bunda medianos. A camisa social branca com o emblema do colégio do lado esquerdo, a saia azul royal cintura e os saltos amarelos. – O olhar da professora cai sobre a jovem.

— Com licença, professora Martinez. — Beatriz sente todos os olhares sobre si.

— Atrasadíssima. — A professora olha no relógio em seu pulso esquerdo.

— Desculpe-me o atraso. — Seu olhar vai automaticamente para seus pés. — Eu estava no hospital. — Diz constrangida.

— Tudo bem. — Ela se aproxima de Beatriz. — Entre e sente-se.

— Obrigada, com licença. — Ainda de cabeça baixa adentra a sala e se caminha para seu lugar, sentando em seguida.

— Como dizia, Shakespeare foi um poeta e dramaturgo inglês, tido como o maior escritor do idioma inglês e o mais influente dramaturgo do mundo. — Ela fecha a porta e se encaminha para sua mesa. — Beatriz pode prosseguir. — Pega o livro e encosta na mesa.

— Nasceu em 23 de abril de 1564, na pequena cidade inglesa de Stratford-Avon. Nesta região começa seus estudos e já demonstra grande interesse pela literatura e pela escrita. — Ela pega seu livro de dentro da mochila e começa a folhear. — Com 18 anos de idade casou-se com Anne Hathaway e, com ela, teve três filhos. No ano de 1591 foi morar na cidade de Londres, em busca de oportunidades na área cultural. — Sua atenção vai para a professora a sua frente. — Começa a escrever sua primeira peça, Comédia dos Erros, no ano de 1590 e termina quatro anos depois. Nesta época escreveu aproximadamente 150 sonetos. — Ela sorri por conseguir lembrar de toda a matéria. — Embora seus sonetos sejam até hoje considerados os mais lindos de todos os tempos, foi na dramaturgia que ganhou destaque. — Dá uma pausa para tomar fôlego e continua em seguida. — No ano de 1594, entrou para a Companhia de Teatro de Lord Chamberlain, que possuía um excelente teatro em Londres. Neste período, o contexto histórico favorecia o desenvolvimento cultural e artístico, pois a Inglaterra vivia os tempos de ouro sob o reinado da rainha Elizabeth I. O teatro deste período, conhecido como teatro elisabetano, foi de grande importância. Escreveu tragédias, dramas históricos e comédias que marcam até os dias de hoje o cenário teatral.

— Isso mesmo Beatriz. — Um sorriso de admiração surge nos lábios da professora. — E nem precisou do livro. — Caminha até a mesa de Bárbara. — Cite uma frase de Shakespeare.

— Choramos ao nascer porque chegamos a este imenso cenário de dementes. — Seu olhar para em Beatriz e a mesma desvia o olhar ao ver o sorriso de deboche nos lábios da colega.

— Sebastian. — Ela vira rapidamente para ele. — Sua vez.

— Quando penso em você me sinto flutuar, me sinto alcançar as nuvens, tocar as estrelas, morar no céu... — Ele olha para Beatriz com um sorriso de lado nos lábios. — Tento apenas superar a imensa saudade que me arrasa o coração, mas, que vem junto com as doces lembranças do teu ser. — Ele mantém o olhar sobre ela. — Lembrando dos momentos em que juntos nosso amor se conjugava em uma só pessoa, nós.... É através desse tal sentimento, a saudade, que sobrevivo quando estou longe de você. Ela é o alimento do amor que encontra-se distante...

— Beatriz. — A professora o interrompe. — Pode continuar.

— A delicadeza de tuas palavras contrasta com a imensidão do teu sentimento. Meu ciúme se abranda com tuas juras e promessas de amor eterno. – Ela desvia o olhar. — A longa distância apenas serve para unir o nosso amor. A saudade serve para me dar a absoluta certeza de que ficaremos para sempre unidos... E nesse momento de saudade, quando penso em você, quando tudo está machucando o meu coração e acho que não tenho mais forças para continuar; eis que surge tua doce presença, com o esplendor de um anjo; e me envolvendo como uma suave brisa aconchegante... — Seu olhar para em Richard que a encara desde que começou a falar. — Tudo isso acontece porque amo e penso em você...

— Isso mesmo Beatriz. — Ela sorri empolgada. — Sebastian e você tem uma sincronia perfeita, talvez os coloque para fazer trabalhos juntos.

— Prefiro ir para a igreja do que fazer um trabalho com essa coisa. — Seus olhos transmitem um misto de raiva e repugnância para com a colega. — Trabalho com ela, nunca.

— Respeite sua colega Sebastian. — O clima fica tenso na sala.

— Professora essa garota é estranha. — Cuspe as palavras, não se importando se está machucando a colega. — Ela não é como as outras meninas. — Seus olhos passam por todas as meninas da sala. — Olha a Alice, a Bárbara, a Isabela e todas as outras garotas e olhe bem pra Beatriz, ela é estranha.

— Chega Sebastian. — Sua voz fica alterada. — Cada pessoa age e pensa de uma forma diferente, e se a Beatriz é assim é porque ela tem os motivos dela, a diferença serve para diferenciar o bem e o mal e aqui só vejo jovens cruéis, frios e perversos. — Caminha até a mesa de Beatriz. — Vocês deviam ser como ela, pensar mais nos outros, do que em si mesmo.

— Ser como ela? — Bárbara ri incrédula. — Jamais serei como essa garota, ela só é mais uma fingida, age como se só ela tivesse problemas, mas não passa de uma sonsa, irritante, que se faz de vítima, é por isso que os pais dela a odeiam.

— Chega Bárbara. — Diz entre dentes. — Peça desculpas para sua colega agora.

— Prefiro ser torturada por um demônio do que pedir desculpas para ela. — Ela fala com desdém. — Não sou como os outros que acreditam nessas carinhas de "cadela abandonada." — Faz aspas com os dedos.

Beatriz não aguentando mais os insultos, sai correndo da sala sem falar nada. A professora olha para todos com pena e ao mesmo tempo incrédula – ela não sabia o porque deles a odiarem tanto — ela sempre fora boa com eles, sempre tentou ser amiga de todos.

— Chamarei os pais dos dois. — Coloca o livro em cima da mesa. — Passaram do limite hoje. Por que não são como o Richard? Ele não se mete na vida de ninguém. — Um suspiro cansado sai de seus lábios. — Vou ver ela, com licença. — Retira-se logo em seguida.

Todos olham para Richard com raiva — de todos daquele colégio ele é o único que não mexe com Beatriz — fica quieto no canto, não gosta desse tipo de brincadeira, então nem faz e nem defende.

— Por que? — Bárbara encara ele. — Por quê?

— Por que o quê? — Richard continua a rabiscar o caderno.

— Por que fica do lado daquela garota? — Bárbara levanta indo até ele.

— Por que está me perguntando isso? — Richard olha pra Bárbara, mas logo volta a rabiscar o caderno.

— Está apaixonado por ela? — Sebastian dá um sorriso de deboche.

— Cale-se Sebastian. — Richard encara Sebastian com raiva.

— Está na cara que está louco de amor por ela. — Sebastian mantém o sorriso de deboche. — Há tantas, por que ela?

— Cale-se. — Richard quebra o lápis. — Não tenho nada contra ela e nem motivos para fazer essas coisas.

— Prove que não está caindo de amores por ela. — Sebastian agora olha para Richard com um olhar desafiador.

— Como? — Richard olha sério para Sebastian. Ele nunca foge de um desafio.

— Lhe dou 1 mês para conquistá-la e... — Sebastian olha para Bárbara pedindo apoio.

— Conquiste, descubra tudo da vida dela e depois a humilhe diante de todos do colégio. — Bárbara senta na mesa de Richard.

— O que eu ganho se fizer isso? — Richard olha pra Bárbara e depois pra Sebastian. — Não vou fazer isso de graça.

— Lhe dou a minha guitarra nova e minha mesada do próximo mês. — Sebastian olha para Bárbara. — E você?

— Arrumo um encontro com aquela garota que você está de olho. — Bárbara levanta e se aproxima de Richard. — E te dou a minha mesada do próximo mês.

— Não quero dinheiro Bárbara. — Um sorriso malicioso surge nos lábios do rapaz. — Quero outra coisa da sua parte.

— Vá se foder, Richard. — Ela empurra ele.

— Eu aceito. — Põe as mãos na nuca. — Quando eu ganhar vou ter 2 escravos, um encontro, uma guitarra e ingressos para o show. — Ele sorri.

— Escravos o caralho. — Sebastian bufa irritado.

— Está com medo? — Agora Richard que tem um sorriso de deboche e um olhar desafiador. — Covarde.

— Você não irá ganhar. — Sebastian olha com raiva para Richard. — Quem contar algo para algum professor eu acabo com raça da pessoa. — Ele dá um alerta para todos presentes.

Beatriz chega na sala acompanhada do psicólogo — um homem alto, moreno, cabelos preto, olhos castanhos e uma expressão séria no rosto.Com um terno azul marinho e gravata vermelha, sapatos sociais pretos — a professora do lado deles.

Quando notam os três ali os olhos deles param na colega todos a olham com desdém. O psicólogo olha para cada aluno e depois olha para a professora, ele mantém as mãos nos ombros de Beatriz.

— Brown e James. — Ele olha para os dois. — Na minha sala, agora.

— Não tenho cara de retardada. — Bárbara olha para Beatriz.

— Quando irão aprender a aceitar as diferenças dos outros? — Ele sempre fazia a mesma pergunta para eles, mas eles nunca respondiam.

— Beatriz pode ir para o seu lugar. — A professora sorri.

— Sim. — Caminha de cabeça baixa até seu lugar e senta.

— Venha os dois, agora. — O psicólogo caminha até a porta. — Não quero ouvir mais nada de vocês até eu perguntar alguma coisa, entenderam?

— Sim. — Falam em uníssono

— Vou falar com eles e depois os encaminho para o diretor. — Abre a porta. — Qualquer coisa me chame, Melanie.

— Está bem. — Ela sorri. — Bárbara e Sebastian andem.

Ambos caminham lado a lado até o psicólogo, ele espera os dois saírem e sai logo em seguida, fechando a porta. Melanie dá um suspiro de cansaço e de frustração, ela pega o livro e o abre.

— Irei passar um trabalho sobre Shakespeare. — Ela mantém os olhos no livro. — Quero duplas. — Nesse momento ela levanta a cabeça e olha pra Beatriz. — Mas podem fazer individual, amanhã passarei sobre isso, por hora só estudem bastante. — Ela fecha o livro. — Podem fechar os cadernos. — Fica de costas para eles. — Não quero ouvir nenhuma conversa.

Os alunos terminaram a aula e foram para o refeitório para almoçarem, como de costume cada aluno estava com o seu devido grupo. Beatriz como de costume — sozinha — em uma mesa bem afastada dos outros alunos. Ela mantém os olhos em um livro de história e come apenas a maça. Ela já se acostumou com tudo isso e não se importa de ficar sozinha, mas as vezes ela se sente solitária e vazia, sempre quis um amigo, mas essa sensação passa logo.

Já havia se acostumado com essas brigas e discussões — todos os dias são iguais, eles a insultam, ela chora, o psicólogo a consola e depois esquece — um ciclo vicioso, sem fim.

Ela é como toda a adolescente — tem uma paixão por um garoto — porém esse a odiava e ela nem sabia o motivo. Nutria um sentimento apenas por acha-lo bonito e isso a levava ter sensações desconhecidas e pensamentos impuros. Será que esse sentimento será a sua ruína? Que uma paixão platônica salvara ou destruirá sua vida de uma vez.

Notas finais
Nem estava tão grande. O que acharam? Espero voltar o mais rápido possível, estou super empolgada. Vou indo dormir, mas nos vemos nos comentários. beijinhos. Bye.