Meu Lar
15 Maratona Especial - Part 2
Notas iniciais
...Não sei o que iria acontecer se eu fosse a praia com ela. Talvez o mar levasse nós dois juntos, para um lugar bem longe daqui...
POV Freddie
Estávamos caminhando silenciosamente sobre a areia da praia. O clima estava mais frio, e o vento mais constante e vazio. O mar agitado e apagado, se confundia as nuvens cinzas. Os cabelos dela voavam pelos ares, e, como ela havia dito mais cedo seus olhos se perdiam pelo horizonte e ela parecia perdida em seus pensamentos. Não queria cortar aquele momento com as palavras erradas, e apesar do silencio, era um paisagem muito bonita. Acho que estávamos separados, afinal, eu estava trancado em meus pensamentos e ela nos dela. Aquilo era algo loucamente incrível. Como estávamos tão perto e ao mesmo tempo tão longe, mas de algum jeito pensando coisas que se relacionam uma com as outras. Se a algumas semanas atrás alguém me falasse que Sam matou a Cloe eu acreditaria. Mas agora parece uma coisa tão impossível, que chega a ser patético.
– Sei que sente falta dela. E que não aproveitou direito o que tiveram. – Sam finalmente falou. A encarei um pouco confuso.
– Não sei do que esta falando?! – Disse tentando assimilar as palavras novamente.
– Não se finja de sonso Freddie! – Ela sorriu e me deu soco de leve, me fazendo sentir confortável para falar o que quisesse ali. E quando estava tentando processar a frase dela pela centésima vez, eu percebi. Ela falava de Cloe.
– Eu não soube aproveitar, e você não pode aproveitar. Acabamos de achar algo em comum entre nós. – Falei um pouco cansado, e sinceramente triste por lembrar dela. Sam esboçou um sorriso triste.
– Acho que e para isso que servem experiências ruins. Por mais que seja impossível e inexplicável, aprendemos com elas. Elas nos fazem crescer. – Seu olhar se perdeu novamente no mar.
– Sim. Mas talvez servem apenas para machucarem, e mudarem quem somos. – Murmurei a ultima parte, mas pude ver que ela ouviu.
– Perder a Cloe não teve nada a ver com sua mudança Freddie. Quem somos nunca muda. Não importa o que aconteça. Só os covardes e que fazem isso. – Ela falou com convicção. Aquelas palavras penetraram em mim, me provocando uma sensação estranha. Como se eu soubesse que essa era a verdade e talvez não quisesse admitir.
– Então você e uma covarde?
– Sim. Pretendo mudar isso logo, mas e difícil, com tanta gente me lembrando de um passado que eles acham que existiu. – Uma lagrima escorreu de seus olhos.
– Você mesmo disse que aprendemos com experiências ruins. Talvez essa seja uma delas. Precisa ser forte para encarar o presente, sem se esquecer do passado e sempre pensar no futuro. Palavras são coisas fortes, mas sentimentos e sonho são mais. – Disse impressionado comigo mesmo pelas palavras que usei. Acho que eu estava voltando ao normal. Ela me encarou um pouco surpresa.
– Acredite, eu estou mais impressionado que você. – Falei vendo-a rir.
– A vida e mesmo louca. – Desabafou sorrindo. Aquele sorriso. Era mais lindo que tudo.
– E nós também.
– Como?
– Estamos na praia nublada e sem graça, andando pra lá e pra cá com cobertores mais chamativos que um farol. Não lhe parece nada normal? – Ironizei a fazendo rir de novo.
– Sim talvez sejamos um pouco loucos. Ou talvez só vejamos a vida de uma outra forma, uma forma que ninguém mais entende. – Ela me olhou e eu a encarei de volta. Paramos por um momento e nos aproximamos. Nossas respirações começaram a se juntar, quando somos interrompidos por um grito.
– SAM! FREDDIE! – Griffin chegou ofegante em nossa direção.
– O que houve? – Sam se afastou de mim e foi socorrê-lo, me deixando um pouco incomodado.
– Carly!... Ela e o... o Gibby... Briga... lá em cima... – Falou recuperando a respiração. Na mesma hora que Sam ouviu as palavras “Carly Gibby e Briga” correu para cima. Fui atrás dela, deixando Griffin para trás. Chegamos lá e estava uma roda de pessoas em volta de algo. Chegamos mais perto e encontramos Carly descabelada e com alguns machucados sangrando e Gibby com algumas marcas roxas. Ambos se encaravam, fuzilando um ao outro com os olhos e andando em círculos, como dois tigres brigando.
– Carly vem! Não adianta vem logo. – Sam tentou convencer Carly, mas ela rosnou e se livrou de Sam.
– Olha só! A louquinha veio ajudar a amiguinha. – Pude perceber que Gibby falou a palavra “amiguinha” com um misto de ódio e nojo.
– Por que não volta para seus Et’s? Afinal por que não volta pro planeta de onde veio? – Ele disse se deliciando com as vaias que Sam recebeu. Meu sangue começou a ferver,
– Sai daqui Sam... – Carly tentou avisar, pude ver, mas Sam não mexeu um músculo. Pude ver que se ela respondesse ele iria acabar com ela.
– E você Cornelius? Por que não volta pro inferno de onde veio? Por que pra mim e melhor vir de um planeta diferente, do que ser essa coisa nojenta que você e. – A loira respondeu parecendo não ter medo do perigo. Dessa vez as vaias foram para Gibby. Ele iria partir para cima dela a qualquer momento.
– Pelo menos não sou assassino. Não fui eu quem matou sua própria irmã e o namorado. – Ele retrucou cruzando os braços. Ele havia mexido na ferida de Sam. Se ele ousasse tocar nela... algo muito ruim iria acontecer. E quem iria ser o assassino não era Sam.
– Como você disse meu caro Cornelius. Eu sou a assassina, a puta, a louca que dorme com alienígenas. Mas eu tenho que admitir, que... prefiro mil vezes dormir com alienígenas do que ter que olhar para sua cara todos os dias. – Ela falou ainda tranqüila. A briga não se tratava mais de Carly e Gibby. Agora era Sam e Gibby. Ela já estava sem o cobertor e dava sinais que agora era ela que iria partir pra cima dele. Tomei minha posição caso ele quisesse bater nela. O que tinha 99% de chance de acontecer.
– Matou a própria irmã, e ainda quer me desafiar. Logo você Puckett? Sabe, eu até entendo por que a matou. Ela era um estorvo não e mesmo? Difamava as pessoas, mentia para todos. Era uma put...
– Não se atreva a falara isso dela! – Sam gritou com raiva. Seus olhos escorrendo lagrimas.
– Puta. – Ela completou a palavra. Ela simplesmente correu em direção a ele o acertando com um soco de esquerda perfeito. Sem deixar o tempo correr, ela o golpeou com três joelhadas seguidas e depois pegou a cabeça dele e acerto no joelho. Ele pegou o braço dela e o torceu para trás, a fazendo soltar um ganido de dor. Todos estavam excitados com a briga. Ela logo se livrou dele e o bateu no pescoço o derrubando. Ela ficou por cima, com os olhos cheios de lagrimas.
– Seu merda! Nunca mais na sua vidinha medíocre se atreva a falar da minha família ou se quer ameaçar meus amigos, se não eu juro, que os rumores sobre eu ser uma “assassina” vão se tornar realidade. – Ela falou acertando um soco na cara dele e depois apertando seu pescoço, fazendo-o ficar inconsciente. Eu estava em estado catatônico. O que acabou de acontecer? Sam Puckett acabou de deixar Gibby inconsciente?! Logo depois que Sam saiu a multidão se esvaiu e se dispersou. E ver que ninguém foi atender Gibby, pareceu um colírio para Sam. Fisicamente Sam parecia ótima! Sem nenhuma arranhão. Mas podia ver em seus olhos. Por dentro, aquilo tinha sido a gota d’água para ela.
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