Notas iniciais
Olá, capítulo novo na área! Boa leitura XD!

Após mais algumas horas assistindo aula, finalmente o horário do almoço chegou.

— Quais as chances de hoje ter estrogonofe para o almoço? – Perguntei me espreguiçando.

— Não sei, mas preciso que venha comigo. – Terminei de me espreguiçar e encarei o rapaz parado ao meu lado.

— Pra que?

— Venha e você saberá. – E então ele simplesmente saiu.

— Cara, eu realmente acho que o Heitor tá a fim de você. – Kelly comentou pensativa e eu apenas ri.

— Encontro vocês na lanchonete.

Eu sou curiosa o suficiente para seguir caras que me chamam dizendo ter algo para conversar sem mais nem menos, sim.

Quando saí da sala Heitor me esperava encostado na parede ao lado da porta e eu me assustei, e ele riu.

— Me segue. – Ele fez um movimento com a cabeça e eu logo o segui.

Durante todo o caminho ele permaneceu andando um pouco a minha frente, sem falar nada, apenas me olhava de vez em quando. Paramos quando chegamos na quadra coberta.

— Você não pode só me falar logo? Eu estou com fome e cansada de tanto andar. – Qual é? Essa escola é gigante e eu ainda sou uma magricela desnutrida poxa! Ele parou e olhou ao redor antes de mais nada.

— Certo. Tó. – Ele estendeu a mão aberta que segurava um dos meus doces preferidos, um snickers, obviamente peguei sem pensar muito. – Coma depois de almoçar. – Concordei com a cabeça, feliz. – Bom, na verdade queria saber se poderia olhar meus machucados nas costas e passar isso. – Ele me estendeu uma pomada anti-inflamatória.

— Ah… Entendi. Certo. – Okay eu tava pra surtar sim, eu iria poder novamente vê-lo sem camisa! Qual é… ele tem um corpo lindo e olhar não mata. – Quer ir pra lateral da arquibancada, vai que alguém passa por aqui. – Ele concordou e foi na frente. E assim que encontrou um lugar bom já retirou sua camisa, só que de frente pra mim, e eu juro que se eu não fosse tão besta eu teria feito algo, mas tudo que pude fazer foi ficar de boca aberta. E ele riu, e só depois se virou de costas. Ele com certeza fez de propósito! Mas ignorei quando vi suas costas. – Você não pediu pra ninguém passar o medicamento nos seus hematomas por todos esses dias? – Questionei assustada com a cor escura dos machucados.

— Não quero preocupar meus pais, e não posso confiar em qualquer pessoa. – Ele explicou e eu comecei a aplicar a pomada em sua costa.

— E em mim você confia?

— Sim. – Ele nem hesitou pra responder e eu juro que senti meu rosto ferver. – Você não comentou nem com seus amigos mais próximos sobre eu ter aparecido daquele jeito na sua casa, então sei que posso contar com você.

— Bom eu não falei, porque achei melhor que não soubessem sobre a briga. Pronto. – Tampei a pomada e fiquei o observando enquanto vestia a camisa.

— Entendi… Obrigado. – Ele sorriu brevemente antes de pegar a pomada da minha mão. – Agora pode ir almoçar.

E após isso simplesmente foi embora.

— Okay…

Corri um pouco pra tentar chegar mais rápido na lanchonete, mas me arrependi logo em seguida e tive que parar pra respirar.

— Eita que o sedentarismo tá pesado. – Uma voz masculina soou por trás de mim e me virei assustada. – O que foi? Viu um fantasma?

— O que você tá fazendo aqui Bernardo?

— Ué, eu não posso andar pela escola? – Ele deu um meio sorriso e se aproximou mais. – Não se preocupe, não irei contar seu segredo pra ninguém. – E piscou em meio a um sorriso malicioso e voltou a andar me deixando para trás.

— Ei! Que segredo? – Andei um pouco rápido tentando o alcançar, mas ele me ignorou. – Bernardo! – Chamei mais alto quando vi que ele não iria parar. Dessa vez ele parou e se virou para mim. – Me espera… – E ele esperou!

— Respira. – Ele veio ao meu encontro e me segurou pelo braço me ajudando a me manter em pé. – Você precisa se exercitar ou um dia desses vai ter um infarto só por correr um pouco. – Falou meio rindo.

— O que você viu? – Fala sério, eu tinha conquistado a confiança de Heitor, ele finalmente parou com o bullying, então não quero dar motivos pra ele recomeçar.

— Não se preocupe, eu vou guardar seu segredo.

— Eu quero saber o que você viu! – Ele me olhou um pouco surpreso, talvez por eu ter falado um pouco alto demais.

— Vi vocês dois saindo de trás da arquibancada. – Falou e me soltou. – Eu não vou contar pra ninguém que vocês estão ficando.

— Que? Da onde você tirou isso, pelo amor de Deus! Nós não estamos ficando. – Afirmei com firmeza e ele me olhou com estranheza.

— Então o que vocês dois estavam fazendo sozinhos, atrás da arquibancada, lugar conhecido por ser frequentado por casais? – Ele me perguntou com aquele sorriso malicioso irritante.

— Nada. – Afirmei mais baixo. Afinal o que ele disse fazia sentido e eu não podia falar o que de fato estávamos fazendo.

— Sei. – Ele riu e eu dei de ombros. Resolvi ignorá-lo antes que eu falasse besteira, e voltei a caminhar em direção a lanchonete. Foi quando vi Kelly e Miguel vindo em minha direção.

— Onde você foi? – Kelly parou na minha frente. – A lanchonete tá lotada e já vai fechar!

— Sorte sua que somos bons amigos. – Miguel me entregou uma embalagem de marmitex.

— Vocês já comeram? – Quanto tempo eu demorei lá com Heitor…

— Sim, você demorou demais! O sinal já vai bater. – Kelly falou rindo. – Fala sério, o que tá rolando entre vocês.

— Rolando nada. – Dei de ombros e me afastei deles. Me sentei no primeiro banco vazio que vi para poder comer.

Miguel e Kelly se sentaram ao meu lado e ficaram me importunando enquanto eu almoçava. Comi um pouco rápido tanto pelo horário quanto pela fome, e quando acabei me lembrei do snickers que tinha ganhado.E sem pensar muito tirei-o do bolso do meu casaco.

— Ele te deu? – Kelly questionou surpresa.

— Cla-claro que não! – Exclamei tentando não gaguejar, mas falhando miseravelmente.

— Ahá! Eu sabia! Tem algo acontecendo. – Kelly ria feliz com sua conclusão.

— Nada a ver. – Guardei meu doce e me levantei pronta para as aulas da tarde. – Vejo vocês mais tarde. – Me despedi sabendo que nossos horários daquele dia eram diferentes por causa do ramo que queríamos cursar na faculdade. Enquanto Kelly e Miguel escolheram humanas, eu escolhi exatas.

Notas finais
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