Notas iniciais
^-^capítulo novo na área! Boa Leitura! XD

Heitor

Quando cheguei na porta da sala percebi que poucas pessoas tinham escolhido a área de exatas, mas o que me surpreendeu foi ver Heitor.

Ele estava encostado no parapeito da janela aberta, virando em direção da sala, porém olhando para fora da janela, pensativo.

Naquele momento senti meu coração balançar, mas neguei com a cabeça repreendendo meu coração, mas falhei quando Heitor percebeu minha presença e me encarou sorrindo levemente.

Engoli em seco e resolvi ignorar. Entrei na sala e escolhi um lugar mais no meio da sala e não muito atrás.

Foi uma péssima ideia ignorar Heitor, já que ele sentou-se na carteira atrás da minha logo em seguida.

— Você não deveria me ignorar assim. – falou baixo o suficiente para eu ouvir, quando passou por mim, e eu apenas fingi não ouvir. O que não adiantou muito. – Seu cabelo tá bem comprido agora… – Senti sua mão pegando uma mecha do meu cabelo.

— Não mexe no meu cabelo. – Reclamei me virando e fazendo-o soltar meu cabelo.

— Só estava vendo como ele cresceu. – Ele apoiou o queixo na mão e ficou me olhando.

— E por que você estava reparando nisso, é doido? – Ele deu de ombros e eu voltei minha atenção para frente, torcendo para que o professor chegasse logo.

Puxei minha cadeira um pouco mais pra frente, instintivamente. E senti ela sendo puxada de volta para trás. Respirei fundo e olhei para trás, só para encontrar Heitor deitado me encarando, nossos rostos estavam perto demais e aquilo me deixou constrangida, acabei desistindo de retrucar e virei para frente. Logo depois o professor chegou e eu agradeci aos céus.

A primeira aula foi física, a segunda de álgebra e a última de química. Foram 3 horas sentada, tendo apenas 5 minutos para respirar entre uma aula e outra. E esse tempo era o suficiente para Heitor fazer algo pra me provocar, como por exemplo, entre a segunda e a terceira aula ele se sentou na minha mesa e ficou falando sobre um jogo de basquete que ele iria participar no final de semana. Ele estava fofo, mas porque sentar na minha mesa e chamar a atenção dos outros alunos? Eu sempre odiei ter muita gente prestando atenção em mim, e ele adorava ser o centro das atenções, só isso já era o suficiente para me estressar.

No final da terceira aula, fomos dispensados para as atividades dos clubes, porém meu clube só se reunia na segunda e na quarta, então eu estava livre.

— Venha comigo! – Era o que eu achava até Heitor resolver me puxar pelo pulso.

— Isso dói. – Protestei quando já estávamos fora da sala.

— Desculpe, não contive minha força. – Parecia estar se gabando. – Quero que venha me assistir no clube de basquete.

— Não, obrigada. – Dispensei e comecei a andar em direção às escadas, doida para ir pra casa.

— Vamos, hoje terá uma partida amistosa, é para a gente se aquecer para o jogo de sábado. – Ele me seguiu e passou a andar de frente para mim e de costas para a escada.

— Eu não vou.

— Sara! – Ouvi alguém me chamando e vi no final das escadas Bernardo me esperando. – Podemos começar hoje? – Bernardo sequer olhou para Heitor, e o mesmo acabou se voltando para ele.

— Começar o que?

— Isso é entre eu e ela cara.

— Ah chega, vocês dois vão me enlouquecer! – Falei irritada. – Tchau pra você. – Disse me despedindo de Heitor que novamente não me deixou ir facilmente e me segurou, dessa vez pelo antebraço.

— Você vai com esse cara pra onde? – Ele estava irritado, e aquilo me deixou curiosa e confusa.

— Por que exatamente você se importa? – Perguntei com a voz um pouco alterada. – Nós não temos nenhum tipo de relacionamento para você querer se intrometer assim na minha vida. – Ah dá licença que eu não vou ser iludida assim! Ele me soltou e sua expressão estava tão misteriosa que eu nem me atrevi a continuar olhando.

— Vamos Bernardo. – Continuei descendo as escadas, mas tropecei de forma patética no degrau seguinte e tudo que fiz foi fechar meus olhos com força. Quando abri novamente me surpreendi. Eu estava em cima de algo macio. Olhei um pouco pra cima e vi o rosto de Heitor numa expressão terrível de dor. Tentei me levantar, mas falhei ao sentir uma dor aguda em meu tornozelo, porém Bernardo me ajudou a ficar em pé.

— Você está bem? – Ele perguntou quando consegui me manter em pé.

— Sim, ajude Heitor por favor! – A expressão de dor dele era muito pra eu aguentar. – Heitor. – Chamei-o e vi seus olhos se abrindo, mas a expressão de dor continuava em seu rosto.

— Ei cara, consegue se levantar? – Bernardo questionou se ajoelhando ao lado de Heitor.

— N-não. – Ele mal conseguiu responder.

— Eu vou chamar ajuda, espera aí. – Bernardo levantou rapidamente e saiu correndo. Eu me aproximei mancando e me sentei de algum jeito, sentindo muita dor em meu tornozelo esquerdo.

— Você está sentindo muita dor? – Questionei sentindo meus olhos ficarem embaçados.

— Não se preocupe, eu estou bem. – Ele me olhava com ternura, mas eu via ainda sua dor, então não consegui evitar de começar a chorar.

— A culpa é minha. – Minhas lágrimas começaram a sair como cachoeira e senti meu rosto todo molhado logo, o gosto salgado em minha boca das lágrimas agora era um pouco amargo. Senti a mão de Heitor passar por minhas bochechas e consegui segurar um pouco as lágrimas para o observar.

— Não chore Sarinha. Eu estou bem. – Ele falou suavemente tentando me confortar.

— Eles estão aqui! – Bernardo voltará com um professor e a enfermeira da escola. Rapidamente Bernardo me ergueu no colo como uma princesa e me colocou sentada devagar no segundo degrau da escada, de forma que dava para eu esticar as pernas, mas tudo o que eu conseguia fazer era chorar, me sentindo culpada por machucar Heitor, comecei então a me lembrar dos jogos que ele disse que tinha e estava tão empolgado, e a culpa piorou porque eu sabia que ele não ia conseguir participar. – Você está sentindo muita dor? – Bernardo estava tão confuso pelo meu choro intenso. – Seu tornozelo já está super inchado e sua perna tá um pouco roxa, mas acho que é só uma luxação.

— Vou ligar para a ambulância. Não podemos mexer nele assim, ele pode romper algum ligamento ou quebrar algum osso se não o movermos corretamente, mantenham ele acordado que vou acionar a emergência. – Ouvir aquilo me fez entrar em um desespero ainda maior.

— A culpa é minha. – Eu disse entre lágrimas. Senti a mão de Bernardo ajeitando meu cabelo.

— Foi um acidente, ninguém teve culpa. – Ouvi a voz de Heitor falar entre um arfar e outro.

— Não fale, você não está bem. – Eu falei ainda chorando.

— Eles falaram que em 4 minutos estão chegando. Por enquanto vou verificar os pontos vitais. – A enfermeira disse. E começou a medir a pulsação, logo depois ouviu o coração, e sentiu a respiração dele. – Está um pouco mais fraca que o normal, mas não parece muito sério. – Ela falou de forma aliviada.

Aqueles 4 minutos me pareceram uma eternidade.

Quando os paramédicos chegaram, dois foram direto ao socorro de Heitor e a paramédica veio ao meu encontro.

— As suas escoriações são leves, mas vamos fazer um raio-x pra ter certeza que não quebrou nenhum osso. – A paramédica disse para mim, que agora já tinha conseguido controlar mais minhas lágrimas e estava enxergando melhor sem as lágrimas embaçando minhas vistas. Vi os paramédicos cuidando de Heitor e o movendo com cuidado para a maca.

— Amélia ligue e peça para que preparem uma tomografia e raio-x. Ele bateu a cabeça, as costelas parecem estar inteiras, mas a mão esquerda parece ter quebrado. – Senti meu coração disparar e minha respiração fraca.

— Certo. – A paramédica Amélia, estava para se afastar quando percebeu que eu estava tendo um ataque de pânico. – Como você se chama?

— Sa-sara. – Respondi ofegante.

— Vamos respirar fundo? Inspira e respira, vamos fazer isso juntas. Respira, isso, agora respira. Isso mesmo, muito bem. Continue assim, inspira e respira. – Enquanto eu continuava fazendo o exercício de respiração, ela discou em seu celular e falou rapidamente com alguém e logo desligou. – Sara, vamos ao hospital mais próximo, tá? Vamos fazer alguns exames, mas vai ficar tudo bem, okay? – Eu acenei que sim com a cabeça.

Os paramédicos moveram Heitor com todo cuidado na maca, ainda haviam dois lances de escada. E eu desci com o apoio da Amélia e de Bernardo.

Notas finais
A você que leu até aqui, obrigada! Que tal deixar um comentário? Isso me motivará a trazer o próximo capítulo mais rápido ;P
Este é o último capítulo disponível... por enquanto! A história ainda não acabou.