Notas iniciais
Aí está! Espero que gostem de ler tanto quanto eu gostei de escrever.

Bernardo

No outro dia quando fui para a escola Heitor não foi, e assim se seguiu até quinta, quando ele finalmente voltou para a escola e ainda chegou atrasado, no segundo horário.

Ele não olhou para ninguém e nem falou nada, apenas seguiu até a sua carteira que ficava no lado oposto da minha, ali sentou e ficou.

Bernardo chegou logo em seguida e sentou-se novamente na carteira ao meu lado, eu o observei sentar-se e ele percebeu.

— Perdeu alguma coisa? – Ele me olhou com o rosto de poucos amigos de sempre.

— Não. – Respondi brevemente e me virei, só que enquanto me virava para frente percebi que Heitor estava olhando, ficamos alguns segundos nos encarando até que ele me deu um meio sorriso e se voltou para frente e ficou mexendo em seu celular.

— Opa, eu vi. – Kelly falou travessa. E eu a olhei brevemente me fazendo de doida, e ela riu.

— O que será que tem para o almoço? – Perguntei sentindo minha barriga roncar.

—- Não comeu nada de novo? – Miguel questionou um pouco mais alto do que deveria e atraiu alguns olhares, torci para que Heitor não tivesse olhado também e graças a Deus não tinha, talvez nem tenha escutado.

— Fala mais alto que o pessoal lá da China não conseguiu te ouvir. – Falei baixo com um pouco de raiva.

— Idiota. – Kelly o lançou um olhar de incredulidade. — Relaxa Sarinha, certeza que ninguém ouviu.

— É, ninguém que seja surdo ouviu. – Bernardo falou debochado. O encarei surpresa… Oxi desde quando esse cara fala com as pessoas?! Então ele jogou algo pra mim e de alguma forma consegui pegar. – Não vai desmaiar de novo. – Dito isso ele se debruçou sob a carteira com o rosto virado na direção de Heitor. Foi quando olhei para ele novamente e o vi nos encarando aparentemente irritado.

— O que tá acontecendo aqui? – Kelly perguntou como se tivesse ouvido um babado super interessante, e Miguel apenas olhava confuso.

— Nada. – Respondi olhando o que Bernardo tinha me dado. – Uma barrinha de cereal de chocolate. – Uau, estranhamente um dos sabores que como.

— Bom dia! – O professor chegou e todos voltaram para seus lugares. Então comi rapidinho a barrinha antes que o professor percebesse.

Após as duas primeiras aulas de matemática tivemos um intervalo e eu finalmente poderia lanchar direito, ou foi o que pensei.

— Ei Sara! – Eu já estava no corredor quando ouvi a voz de Bernardo me chamando. Olhei para meus amigos assustada, admito, afinal como ele sabia meu nome? – Será que tem como você vir comigo? – Me virei para olhá-lo, e quem estava realmente atrás de mim era Heitor que também tinha se virado para olhar Bernardo. – É rápido. – Eu acenei que sim com a cabeça sem saber muito bem o que fazer. – Ótimo, me siga.

Ele passou por Heitor sem nem olhar para ele, passou por mim e fez sinal com a cabeça para que eu o seguisse. Descemos as escadas e caminhamos até o jardim que ficava perto da cantina e que normalmente não tinha ninguém, mas estranhamente estava cheio de gente, um bando de curiosos.

Ele se sentou no primeiro banco vazio que achou e fez sinal para que eu sentasse ao lado.

— Vou ser direto. – Ele mal me deixou sentar e já começou a falar. – Eu preciso de verdade passar esse ano, e já te vi explicando a matéria para seus amigos e outros alunos e quando te ouvia explicando estranhamente eu entendia o que estava falando e até conseguia resolver umas questões, é por isso que sempre sento na carteira perto da sua. – Okay, para alguém que nunca falava com ninguém, ele estava muito comunicativo e sim eu achei estranho, mas fofo, ele só parecia agressivo, mas sua voz era calma e ele falava de forma suave e pausada. – Preciso que me dê aulas, e me ajude a estudar, preciso terminar o ensino médio esse ano de qualquer jeito, direto, sem recuperação. Pode me ajudar?

— Eu… – Eu tinha escolha carambolas voadoras?

— Eu não estou te sacaneando se é o que você pensa, nem vou te atormentar se recusar, eu estou seriamente e sinceramente pedindo sua ajuda, e é só isso.

— Okay. – Eu senti sinceridade em sua voz. – Eu vou ajudá-lo, porém nossas aulas terão que ser sempre na biblioteca da escola.

— De acordo. – Ele se levantou de repente e ficou na minha frente e estendeu a mão direita. – Combinado. – Um pouco hesitante ainda, apertei levemente sua mão e logo depois ele a soltou e foi embora.

Quando ele finalmente saiu do meu campo de visão percebi o quanto tinha gente me olhando. Então levantei sem graça e andei rapidamente até meus amigos que também me encaravam embasbacados.

— Caralhinhos dourados, o que tá acontecendo, é sério?! – Kelly estava numa mistura de incredulidade e emoção que me fizeram rir.

— Aí, eu não sei, só sei que quero aproveitar e comer algo antes que o intervalo acabe.

Quando o intervalo acabou voltamos para a nossa sala, e dessa vez quando Heitor entrou ele estava com seus amigos conversando e rindo como se nada tivesse acontecido, então acabei percebendo que ainda dava para ver resquícios de seus machucados, mas que estavam bem melhor.

Notas finais
Até o próximo! Beijos