Meu Destino
3 Finalmente descubro o que sou --ou mais, ou menos isto
Notas iniciais
Foi. A. Melhor. Viagem. De. Todos. Os. Tempos!!!
Até que para um dia ruim, o passeio de pégaso foi simplesmente maravilhoso! Sobrevoamos as nuvens, os prédios, as pessoas! A vista era estupenda e a brisa era refrescante e aconchegante.
Eu passei toda a viagem me segurando em Colin e admirando a paisagem. Voar –eu quero dizer voar livremente, sem estar presa num avião –sempre foi o meu sonho. Tá certo que eu não estava voando sozinha, mas a experiência no pégaso me deixou em êxtase. Por mim poderíamos ter passado horas a fio voando nesse lindo corcel negro, mas Colin deveria me levar para o Acampamento –o que ele tinha demais eu não sei, mas parece ser algo realmente importante.
–-Chegamos. –disse Colin, despertando-me de meus devaneios, apesar de que ele próprio parecia perdido nos dele. –Acampamento Meio-Sangue. Meu lugar preferido em todo o mundo. –tinha um pouco de tristeza em sua voz, mas não ousei perguntar nada.
Ele conduziu o pégaso até a beira de um lago –que acho que era usado para canoagem –e desmontamos.
Alguns poucos campistas nos viram. Ninguém disse “oi”. Todos apenas nos olhavam, acredito que Quíron tenha avisado da nossa vinda, pois ninguém pareceu surpreso –ou será que todo dia chega alguém num pégaso?
–-Sabe, isso aqui é um lugar maravilhoso, mas –disse Colin, depois de um grande silêncio. –bem, nós estamos passando por uns problemas. Além do mais aqui sempre foi melhor no verão. Você vai gostar daqui
Eu não disse nada até que eu visse algumas construções estranhas, agrupadas em forma de U.
–-Por que elas estão em U? –perguntei.
–-Não sei. –Colin franziu em cenho, como se nunca tivesse pensado nisso antes. –Acho que é pra ficar igual aos tronos.
Resisti ao ímpeto de perguntar de que tronos ele estava falando, temi que fosse alguma pergunta muito idiota, mas não queria que voltasse o silêncio, então disse:
–-Vocês plantam morangos por aqui? Aquilo parece uma plantação de morangos.
–-Ah, sim, claro. –Colin respondeu –O nosso diretor, o Sr. D, é muito habilidoso com plantas frutíferas. Mas se você quer ver coisas interessantes, eu lhe mostrarei, depois de falarmos com Quíron, a floresta, o arsenal e arena. Eles são mais legais do que essa plantação.
–-Porque vocês têm um arsenal e uma arena? –perguntei, curiosa –Pensei que isso aqui fosse um acampamento de verão.
–-Bem, é que isso aqui é meio que –e então ele se interrompeu, aliviado, fazenda –Ah! Aí está! A Casa Grande!
Então eu vi. Era uma enorme casa de fazendo, com um grande terraço e de pintura azul desbotado. Sentado, perto de uma mesa, estava o homem que reconheci por Quíron. Ele nos viu e acenou para que nos apressássemos.
Ao subir no terraço, cumprimentei Quíron que nos convidou a sentar.
–-Bem, Rebecca, não sei o que Colin lhe contou, jovem criança, mas tenho algo muito sério para lhe contar. –ele me olhou nos olhos e eu o encarei de volta.
–-Ele não disse muita coisa... –comentei. Pude ver Quíron olhando-o de relance, como se tentasse descobri se ele realmente falou alguma coisa.
–-Então acho que você já pode ir assistir ao filme de orientação. –Quíron falou calmamente.
–-Tá brincando comigo, né?! –falei irritada –Vocês me trouxeram até aqui, nem me deram tempo de avisar a minha mãe, dizendo que têm algo importante para me falar e querem que eu veja um filme de orientação?!
Ele ergueu a sobrancelha enquanto Colin me olhou abismado.
–-Então você prefere que eu lhe explique pessoalmente? –Quíron me perguntou calmamente. Seu tom fez com que eu me aquietasse um pouco.
–-Se possível... –resmunguei.
–-Bem, vejamos. Acredito que a senhorita já ouviu sobre os antigos mitos gregos –eu afirmei com a cabeça, ele me fitou, como se esperasse para ver a minha reação –Mas tem algo que você não sabe: eles não são mitos.
Eu ri. Ele só poderia tá tirando uma com a minha cara, por que, né, ele não espera que eu acredite que aqueles deuses mitológicos, --repito: MITOLÓGICOS –são reais. Mas eu percebi o silêncio. Colin me olhava como se me compreendesse e Quíron me olhou, taciturno.
–-Vocês não estão falando sério, estão? –falei preocupada. Será que encontrei dois loucos? Vai ver que é por isso que minha mãe fala para não sair com estranhos.
–-Receio que sim, criança. –disse sombriamente, Quíron. –Os deuses gregos, os monstros e tudo mais realmente existem.
–-Quer dizer que realmente tem aquele cara com um raio bobo e aquele outro cara com sandálias com asinhas? –falei, descrente.
–-Sim.
–-Isso é sério, Becca. –Colin me olhou ao dizer isso, então eu pude ver em seu olhar e depois no de Quíron que eles falavam sério, ou ao menos que acreditavam no que diziam.
–-E onde eu entro nisso tudo? –perguntei, afundando na cadeira.
–-Os velhos deuses não mudaram muito os seus hábitos nos últimos milênios. –Quíron olhou distraído para o céu. –Eles ainda vêm a Terra e, digamos, se relacionam com mortais. E eles têm filhos com eles. São chamados de...
–-Semideuses... –interrompi-o. Não foi minha intenção, apenas saiu. –Então quer dizer que... Você! –apontei para Colin –você é filho de Apolo, o deus Sol. –Colin acenou com a cabeça.
–-Sim, menina. Exatamente. Também são chamados de meio-sangues –Quíron me lançou um olhar desafiador.
–-Então... Todas essas crianças... –falei baixinho, preocupada com meus próprios pensamentos... –São semideuses também? –Quíron e Colin afirmaram –Então... eu... eu sou uma semideusa?... –perguntei, temendo a resposta.
–-Sim, criança. –Quíron disse –Você uma meio-sangue.
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