Meu Desejo Secreto
1 Capítulo 1
Poderia começar dizendo o quanto somos perfeitos juntos, e que sempre começo a sorrir quando escuto a gargalhada dele, ou mesmo o quanto eu simplesmente odeio o fato de nunca 1 (nunca mesmo) conseguir ganhar uma discussão. Não prefiro aquela frase clicher “vou começar pelo começo”
Cresci em uma cidadezinha do interior, sabe aquelas onde todo mundo conhece todo mundo, e que parece que metade do lugar tem um parentesco com você?! Pois é, foi em um lugar assim que cresci. Mas diferente da maioria dos cidadãos, eu queria sair pra conhecer o mundo (e não estou falando de ir ilegalmente pros estados unidos). Aquela cidade ia contra tudo oque sempre sonhei. Serio, eu era considerada uma daquelas meninas “cabeças de vento” que conseguia imaginar um universo de possibilidades em segundos, que se perdem nos próprios pensamentos, sempre tive o sonho de ser uma grande atriz, de ir pra hollywood . Que não tem medo de se jogar no escuro (mentira!!! Tenho muito medo disso, só não demonstro). Então, imagine só você, crescendo em uma casa com 5 cômodos, morando com sua mãe, avós e mais quatro irmãos, um casal de tios que te visitam tanto, que você começa a pensar que são residentes também . E foi nessa loucura que cresci. Mas não é sobre isso que se trata a historia, a historia é sobre como conheci o cara mais.... mais.... mais... nem tenho palavras para descrever!
Vamos lá, tudo começou quando eu finalmente resolvi colocar meus planos de sair daquela cidadezinha mencionada lá atrás em pratica. Consegui entrar em uma faculdade de Jornalismo, oque inicialmente não foi bem visto pela minha mãe e meus avós, por que eles queria que cursasse direito, mas como o mais próximo de teatro que tinha na região era jornalismo, eu resolvi fazer jornalismo mesmo. No começo eu ia pra faculdade a tarde e retornava pra casa da minha família de madrugada, mas esse percurso era tão cansativo que decide me mudar de vez. O tempo que estudei foi legal, mas ficou nítido que não tenho vocação nenhuma na área, acho que ninguém tem uma voz pior que a minha (exceto o Gralha, ele conseguia ter a pior voz do universo),mas foi graças a essa faculdade que fiz a minha melhor amiga, a Mel. Pensa em uma menina gente fina, pés no chão, que sempre esta por perto seja pra dar colo, ou pra colocar juízo, não importava a hora, ela sempre tava la. Por mais que me empenhava na faculdade, tinha um pequeno detalhe que sempre me assombrava, minha mãe não tinha como me manter em uma faculdade e todos os meus outros gastos, comecei a procurar emprego, mas nenhum lugar queria contratar uma pessoa de 18 anos, que cursava jornalismo e ainda por cima não tinha nenhum curso profissionalizante. Larguei a faculdade e fui pra casa da minha mãe. Fiquei la exatamente um semana, ate que tomei a decisão de ir pra capital e fazer aquilo que sempre sonhei.
Juntei as minhas coisas e foi morar com minha outra avó, e logo que cheguei consegui arrumar um emprego, e pouco tempo depois me matriculei em um curso de teatro, minha rotina era basicamente trabalho na parte da manhã e tarde, já o estudo ficava no horário noturno,aos poucos fui me adaptando ás mudanças, agora não estava perto da minha mãe, perto da Mel, tudo era totalmente novo e estranho.
Quando comecei nesse novo emprego, conheci um cara maravilhoso, divertido, honesto, e logo começamos a namorar. No inicio era um namoro secreto, pois o dono do local, falando legalmente não proibia namoros entre funcionários, porem sempre jogava ameaças no ar como se fossem apenas comentários,mesmo assim namoramos, assim que ele pediu demissão assumimos o namoro para todos, e algum tempo depois eu também pedi demissão. Consegui entrar em uma universidade publica,Fui fazer oque sempre desejei TEATRO! Não foi fácil, ter que me mudar novamente, largar o namorado (se tem uma coisa pior que namoro a distancia, é pobre namorando á distancia), e assim foi feito em fevereiro começou minha nova vida, numa cidadezinha do interior de Minas Gerais, onde não se ouvi barulhos de carros, onde algumas pessoas ainda ficam conversando na porta de casa. Esse era meu novo lar ou deveria ser pelos próximos 4 anos. Na faculdade, conheci professores legais, alunos interessante e outros nem tanto. Minha rotina era acordar as 10:00 horas da manhã, caminhar por 15 minutos ate o restaurante universitário e aguardar ate as 11:00 hrs, que é quando começam a servir o almoço, depois que pegar o almoço, caminhar mais 15 minutos até em casa e ai almoçar. Depois do almoço, me dava ao luxo de descansar até ás 13:30. Após 13:30 ficava revisando a matéria aplicada pelos professores . Ás 17:00 começo a me arrumar para então ir pra universidade, 18:00 hrs em ponto saia de casa e caminhava por 45 minutos até chegar na faculdade e quando dava 22:50 retornava pra casa. Quando chegava em casa por volta de 24:00 horas, jantava, tomava banho e novamente iria repassar matéria ate ás 2:00 ou 3:00 da madrugada. Rotina puxada eu sei, porem minha mãe se sacrificava muito pra me manter lá, faculdade é grátis, moradia, alimentação e remédios não.
Todos os dias repetia para mim mesma que as coisas não seriam assim pra sempre, ainda sentia vontade de deixar o pais. Um certo dia já cansada dessa rotina (faculdade não é o mais importante) decidi ligar para minha mãe e dizer que não queria mais fazer faculdade, que queria sair do pais, e que iria precisar da ajuda dela. Continuei estudando por mais um tempo, enquanto juntava dinheiro para pagar as passagens e outras pequenas despesas da viagem.
Finalmente iria para Hollywood, queria acreditar nisso, achava que seria mesmo fácil conseguir a documentação para ir aos Estados Unidos. Fiz todo planejamento, olhei hotéis, pesquisei preços de passagens e todas as coisinhas necessárias, entrei em contato com o consulado norte-americano e fiz a marcação que devia referente a solicitação de vistos e fui em direção ao Rio de Janeiro. A cidade era mais bonita do que imaginava, vários barulhos e cheiros diferentes, é engraçado como mesmo morando no Brasil e tendo na teoria facilidade em viajar pelo pais, eu viajei para fora de Minas uma única vez. É fácil perceber que mesmo estando ao lado do Rio, não tinha grana pra nada disso. Chegando ao Rio fui direto para o hotel, afinal não fui fazer turismo, fiz o check-in, levei a mala para o quarto e me deitei na cama, comecei a imaginar como seria a minha vida daqui em diante, os vários não que receberia nas audições, a dificuldade que enfrentaria pelo idioma, o choque cultural. Balancei a cabeça enquanto sorria “È isso que você procura mulher”. Levantei tomei um banho quente que novamente me vez imaginar milhares de possibilidades, quando acebei o banho ainda enrolada na toalha consegui ver que próximo ao hotel havia um restaurante, e decidi jantar la.
Coloquei um short florido e uma regata, quando falavam que o Rio de Janeiro era quente, não acreditava, e lá estava eu pingando suor, atravessei a rua e caminhei poucos metros ate chegar ao restaurante, foi engraçado pois era semana do dias dos namorados, o restaurante estava lotado de casais e a senhorita aqui absolutamente sozinha. Sentei na mesa, e vendo todos aqueles casais por um breve momento desejei ter o meu namorado ali, ate aquele momento não tinha notado a falta que ele iria fazer deste dia em diante, ele não poderia ir para os Estado Unidos, mas tentaríamos manter o namoro a distancia. Fiz o pedido do jantar, frango grelhado, arroz, batata frita e purê de batatas (não existe coisa melhor que isso). Após a janta retornei ao hotel, pois deveria acordar cedo no dia seguinte e ir ao consulado.
O telefone despertou ás 06:00 da manhã, mas não havia dormido direito por causa do nervosismo, levantei escovei os dentes, penteei o cabelo e vesti a melhor roupa que tinha, tinha que impressionar o representante da embaixada,desci até o restaurante do hotel e tomei café, e lá fui eu em direção ao taxi que me levaria ao consulado. Minha entrevista estava marcada para ás 13:00 horas, com o medo de ter transito sai do hotel ás 09:00 horas eu amo planejar as coisas com antecedência, sorte minha pois tinha um congestionamento que pensei que fosse perder o horário, depois de uma hora e meia parada o taxi começou a movimentar novamente, cheguei ao consulado ás 12:00 horas. Notei que mesmo estando preparada fisicamente, meu psicológico não estava, o entrevistador perguntou oque iria fazer neste outro pais, quem iria pagar a viagem, oque faço da vida essas perguntas foram fáceis de responder, travei mesmo quando ele perguntou se iria me encontrar com os meus parentes ilegais lá, Não entendia como ele realmente sabia que tinha parentes ilegais lá ou se estava chutando essa possibilidade afinal boa parte de Governador Valadares na teoria tem parentes ilegais nos estados unidos (na teoria pois Valadares é uma cidade grande no interior de minas, então na maiorias dos casos parturientes vão a Valadares para terem seus filhos, no meu caso mesmo eu nasci em Valadares, porem cresci e fui criada numa cidade próxima, e só aos 17 anos fui morar em Valadares e fiquei lá até meus 21 anos). Nessa hora não soube oque responder, não tinha contato com esses parentes ,nem mesmo conversava com eles, mas será que iria adiantar explicar isso? Tive o visto negado e voltei para o hotel aos prantos . Novamente tinha esperanças de fazer meus sonhos se tornarem reais e em um segundo perdi tudo. Quando cheguei no hotel, descobri que como as passagens já estavam pagas não poderia cancela-las apenas remarcar ou usar em outro destino. Por um breve momento comecei a pensar em todos os países que brasileiros poderiam visitar sem a necessidade de vistos, eu já estava com um punhado de roupas, dinheiro em conta e passagens pagas, seria um tiro no escuro mas arrisquei peguei o notebook e acessei a pagina onde comprei as passagens, decidi que iria para o primeiro lugar que o voo fosse dentro de 5 horas, e para minha surpresa Canadá ai vou eu. Foi uma decisão impulsiva? Iria me arrepender? Talvez, mas agora só tinha que fazer check-out juntar as coisas e ir para o aeroporto. De dentro do carro durante uma ligação expliquei a situação para a minha mãe, e depois para o meu namorado assim foi mais fácil, detesto despedidas ,cheguei no aeroporto e já fui direito na companhia aérea apresentar a documentação e as passagens, foram ás 4 horas mais longas da minha vida. Fiz o embarque, sentei na poltrona e só consegui rezar para que essa nova decisão de vida desse certo.
A viagem demorou mais do que esperava, quando a comissário de voou informou que estávamos chegando ao destino, consegui ver pela janela as luzes da cidade, e a vista era linda, fiquei vislumbrada com o que estava vendo, assim que o avião pousou, senti um frio na barriga por tudo que estava preste a acontecer, assim que colocasse os pés no chão minha vida seria outra, teria um novo começo, uma nova chance e Toronto iria me proporcionar isso. Porem, logo na chegada passou pela policia canadense que queria saber o motivo de esta visitando o pais poderia falar a verdade, que estava vindo pra ficar, que iria ter o meu sonhado recomeço. Mas apenas peguei a documentação da faculdade e de um curso de idiomas e entreguei ao oficial que após analisar me devolveu. Aqueles foram os cinco minutos mais agoniantes que já vivenciei, o medo de ser deportada antes mesmo de “chegar” tomou conta de todo meu ser. Mas ali estava eu com as malas atravessando o saguão do aeroporto pronta para encarar as dificuldades que estavam preste a aparecer.
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