Meu Caminho, Minha Alma

12 Mulheres, ninguém entende


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Eu olhei para seus cabelos pretos, compridos até a cintura. Seus olhos eram negros e sua pele era muito bonita e palida. E seu nome era Quinn, Quinn Puckett.

Em cima do predio eu olhava para baixo, discutindo se iria ou não pular.

– Noah, não pule! Voce tem filhas! Lindas filhas!

– Ah sim, Abby e Debbie... – Concordei, colocando a mão em meu cabelo grisalho. – Mesmo assim, se for pra elas terem um pai bebum como eu... É melhor que eu pule.

– Então vamos considerar as coisas boas e ruins da sua vida. Se eu encontrar mais coisas boas do que voce encontrar de ruins, voce vem comigo. Agora, se voce vencer, voce decide. – Ela propos. – Pode ser, Noah Willians?

– Sim. Aposto minha vida que não há nada de bom pra mim viver! – Fiz uma cara seria.

Ela me olhou.

– Voce tem Abby, que deu seus primeiros passos na semana passada.

– Mas eu nem vi. Foi a baba que me contou. Isso é ponto pra mim. – Eu disse, confiante.

– Voce tem uma gravação das primeiras palavras de Debbie, sua filha mais velha.

– Um a um. – Admiti. – Mas eu tenho um emprego. Trabalho como um escravo, pois recebo uma miséria... Nem deveria ser considerado um pagamento. Dois a um, pra mim.

– Certo, mas voce tem o dom de deixar suas filhas felizes e sorrindo, mesmo nos piores momentos! – Ela disse.

– Mas isso foi quando eu perdi a minha mulher. Isso é uma coisa ruim. Tres a um.

– Esta certo... – Quinn abaixou a cabeça.

– Mas sabe de uma coisa?

– O que é, Noah?

– Eu tenho um ccabelo macio. Tres a dois pra voce.

– Como assim?

– Eu sei cantar bem. E faço bicos com isso. Tres a tres. Impate. – Eu sorri.

– Por que esta fazendo isso agora? – Ela me olhou nos olhos.

– Porque voce vence agora. Pois tenho algo na miha vida que me dá mil~hoes de pontos ao lado positivo de minha vida. – Eu sorri.

– Mesmo? – Ela pareceu sarcastica.

– Mesmo.

– E o que seria? – Perguntou, duvidando.

– Eu tenho voce. Só voce já é o suficiente pra querer viver!

– O que quer dizer com isso?

– Que eu te amo. – Sorri.

– É? Mas agora voce vai ter que pular. Pois eu vou te tirar esse bem! – Ela disse colocando a mão direita na cintura. – Adeus... Noah!

Ela pulou.

– Quinn? Quinn? Meu amor! – Eu a queria naquele momento. Mas depois, trinta e cinco segundos depois, superei sua morte. – Mulheres... Ninguém entende. Mas acho que o melhor será viver! – Disse serio a mim mesmo.

Eu desci daquele predio e voltei pra casa. Já era de noite. Nós estavamos sentados a mesa jantando, eu e minhas filhas.

– Papai, onde esteve hoje? – Debbie perguntou.

– Sabe filha, há um momento de nossas vidas que não queremos mais nada. Não queremos dormir, não queremos acordar, não queremos comer... Não queremosviver.

– E em qual parte da vida isso acontece?

– Quando estamos apaixonados, Debbie. Mas então, quando voce põe na mesa, os motivos pra querer viver, e os para não querer... Eu, pelo menos, encontrei muitos motivos pra viver.

– Mas voce sempre diz que seu trabalho é o pior, que a mamãe nem esta aqui para voce abraça-la outra vez, e também... Papai... – Vi uma lagrima escorrendo de seus olhos.

– O que há, querida? – Perguntei, levantando da cadeira e pegando-a no colo.

– Voce nunca diz que nos ama, papai. Acho que somos apenas um encosto... – Ela disse, deixando as lagrimas virem com toda a força.

– Filha, pare de chorar. – Eu disse com a voz mais carinhosa que pude fazer, secando seu rostinho redondo e fofinho. – O papai te ama. E é por isso que eu estou aqui. Porque eu amo voce e sua irmã, Abby.

– Verdade papai?

– Sim... Venha filha, vou te colocar pra dormir. – Eu disse colocando-a no chão e pegando sua mão para leva-la pra cama.

– Boa noite papai. – Ela disse se deitando.

– Boa noite, tesouro. – Respondi, dando um beijinho em sua testa. – Agora eu já vou. Abby também esta cansada. Ela já vai dormir. – Sorri, apagando a luz.

E quando todo o quarto se escureceu, eu vi Quinn na minha frente. Acho que era a sua alma. E ela sorria pra mim, como se dissesse que eu havia feito a escolha certa.