Meu Caminho, Minha Alma
13 A casa maldita
Nós estavamos no carro de Rikkie, minha melhor amiga. Quando começou a chover e trovoar.
– Tudo isso só porque vamos visitar a tal casa... – Murth bufou.
Murth era um garoto de cabelos pretos, ele era baixinho e irritado. Sempre fazendo ironias que ninguém entendia. E eu o amava tanto...
Aliás, ele estava sentado atrás do banco do passageiro. E no banco do passageiro estava Seph, um garoto mega magro, alto e desengonçado, de cabelos castanhos.
Ele era o namorado de Rikkie. Que dirigia o carro. Ela tinha cabelos castanhos escuros, na altura dos ombros e os olhos negros. Sua pele era clara, mas nós costumavamos dizer que ela era verde. E ela era de uma altura normal, mediana.
Eu estava sentada atrás dela, ao lado de Murth. Eu tinha os cabelos castanhos claros, os olhos com um tom um pouco mais escuro, uma monocelha ridicula, e olhava pela janela durante a viajem.
Esses eram nós... Rakin Ranees (eu), minha amiga: Rikkie Deville, meu amigo e namorado de Rikkie: Seph Rouch e o cara de quem eu gostava: Murth Dalstrin, indo para uma casa, conhecida por haver mais de trinta pessoas que morreram em seu interior.
– Rakin... – Minha amiga me chamou. – O que voce tem?
– Estou com um mal pressentimento sobre a nossa chegada a essa tal casa... – Bufei e olhei para o rosto entusiasmado de Murth, depois o de sono de Seph, e por ultimo, o de Rikkie, que estava sempre com seu jeito apaixonada.
– Vai ficar tudo bem, Rakin... Nós só vamos passar uma noite lá. Amanhã depois do almoço nós voltaremos.
– Tudo bem então... – Corei, olhando Murth.
***
Nós paramos na frente da casa. Descemos, cada um por sua porta e batemos a mesma(cada um pela qual saiu), fechando-a.
Fomos ao porta malas, e pegamos as mochilas. Cada um com a sua nas costas. Passamos pelo portão enferrujado, depois pelo jardim de brotos mortos.
Então chegamos a frente da casa, abrimos a porta e um a um entramos em silencio na cozinha. O chão era quadriculado em preto e branco, a luz do lugar era azul. Havia uma pia com um liquido vermelho escorrendo, uma mesa tomada de cupins e duas cadeiras velhas.
– Rakin, vai com o Murth que eu vou com o Seph. Vamos procurar quartos e nos instalar. – Disse Rikkie.
– Ok. – Cocordamos.
Eu e Murth subimos as escadas em silencio, enquanto os outros seguiram por um corredor escuro. Logo vimos uma única porta ao fim da escada, e entramos.
Havia apenas uma cama de solteiro e um armario no canto.
– Podemos ficar nesse. Nós dividimos... – Disse Murth.
– Claro... – Gemi. Mas eu estava feliz, iria dormir com Murth.
Nós colocamos as roupas no armario e depois colocamos roupa de cama, na mesma.
– Será que Seph e Rikkie encontraram outro quarto? – Perguntei.
– Vamos descer e olhar.
Foi o que fizemos. Seguimos pelo corredor escuro.
– Srta. Deville, cade voces? – Chamei.
Ao fim do corredor vimos uma outra única porta. E batemos. Ouvimos ela sendo destrancada.
– Rikkie dormiu. – Seph disse nos olhando. – Conseguiram outro quarto?
– Sim, sim... – Eu disse, reparando que ele estavam em um quarto com uma cama de casal.
– Ótimo. Vamos descansar esta noite... Daqui a pouco vou na cozinha, ver o que encontro. Podemos nos encontrar lá em... Duas horas. Agora durmam. – Foi o que Seph disse, voltando para dentro e trancando a porta.
Nós nos olhamos.
– Vamos dormir. – Ele disse.
– Juntos?! – Admirei-me.
– É a única forma. Aliás, só temos aquela cama, e com aquele único colchão. Vamos ter que ficar bem juntos para cabermos naquela cama. – Ele disse.
– Certo...
Nós subimos. Entramos no quarto e acendemos a luz. Eu sentei na berada da cama.
– Rakin, não acho seguro todos nós dormirmos... Pode dormir, vou vigiar a porta.
– Murth... Esta tudo bem. Vamos descansar. Essa casa só tem essa cara feia e desbotada... Só temos que dormir. – Sorri.
– Tudo bem...
Ele veio e nós nos deitamos. Ficamos muito perto um do outro... Mas eu me sentia bem, apesar daquela casa.
Eu dormi por algum tempo, até ouvir a voz de Murth.
– Acorda Rakin. Vamos comer alguma coisa. – Ele dizia.
Nós nos levantamos e fomos até a cozinha.
– Quanto tempo se passou? – Perguntei.
– Duas horas e meia, desde que fomos dormir.
– Onde esta Seph?
– Eu não sei... Mas não tem vestigios de que ele tenha passado aqui. Estou preocupado.
Nós decidimos, então, ir até o quarto dos dois. A porta estava arrombada e Rikkie estava dormindo. Mas ao seu lado, nas cobertas da cama, se via sangue.
Nós a acordamos.
– Onde esta Seph?
– Eu não sei. – Fo o que ela disse.
Nós começamos a procurar pela casa, quando ouvimos Rikkie gritar, da porta do quarto. Quando chegamos, ela estava tremendo.
– O que há? – Perguntei.
Com a mão tremula ela apontou para o lado da cama onde vimos uma mão. Murth foi até lá e puxou a mão. O corpo, agora sem vida, e Seph apareceu de lá.
Rikkie começou a chorar e me abraçou.
***
Já era tarde da noite. Nós haviamos resolvido não dormir, com medo. No quartinho de cima, da cama de solteiro nós conversavamos.
– Vamos embora. – Rikkie disse, palida.
– E o que iremos falar sobre Seph?- Perguntou Murth.
– Não iremos falar. Ele estará desaparecido. Ninguém terá a coragem de vir até a casa. – Rikkie disse tremulamente.
E assim foi decidido. Nós saíriamos da casa estranha e assassina...
Mas quando nó tentamos sair, a porta não abria. As janelas também não. E lá fora já estava escuro.
Nós ficariamos presos.. Os celulares sem sinal.
De volta ao quartinho, conversando.
– Ótimo, o que fazemos agora? – Murth perguntou.
– Passamou a noite em claro. – Eu disse.
De repente todas as luzes se apagaram. Ouvimos a porta rangir. Eu abracei Rikkie, com medo.
As luzes voltaram. Murth já não estava mais ali dentro.
– Onde esta Murth? – Rikkie quis saber.
– Eu não sei... – Respondi suando.
– Vamos para a sala. Temos que ir pra algum lugar, antes que as luzes se apaguem novamente.
– Certo, Rakin.
Nós descemos as escadas e entramos na sala. Assustada, Rikkie apontou para o lustre.
Murth estava enforcado ali.
– Oh, meu Deus... – Comecei a chorar desesperada no ombro de Rikkie. – Vou até a cozinha, pegar uma faca pra nos proteger. – Eu disse deixando a Srta. Deville sozinha.
Peguei a faca, mas, ao encostar em seu cabo, ouvi Rikkie gritar. Larguei a faca e fui correndo para a sala.
A grande janela que ocupava a parede da esquerda estava totalmente quebrada. Eu me aproximei dela, hesitando. Vi a pobre Rikkie no chão lá fora. Espatifada. Morta.
– Só eu estou viva! – Eu comecei a gritar desesperada, enlouquecendo.
Quando, sem que eu percebesse, cordas, que eu não vi onde estava presas, puraram meus membros, até que eu morri.
Agora sou apenas mais uma alma, no meio de tantos outros. Ao lado de meus amigos mortos.
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