Meu Caminho, Minha Alma
14 Colher
A colher
“Eu convenci o carsereiro novamente. Consegui comer algo melhor que sobras nesse terrível lugar que tenho que dividir com um tal de Erik Davis, que se diz inocente e preso injustamente”
Roger Walk escrevia em seu diario antes de dormir.
“Vou usar esse tal Erik, ao meu favor”, foi sua ultima frase naquele dia.
Roger sempre pegava o Erik escavando uma passagem para fora dali. Mas demoraria a estar pronta. Pois ele estava escavando com uma colher.
– Quando voce vai desistir desse plano ridiculo? – PerguntouRoger, convencido.
– Não é ridiculo, Sr. Walks. Se voce não me tratasse assim eu até o deixaria vir comigo...
“Diario, agora tenho certeza. Ele demorou um ano para escavar metade do buraco. Meu plano vai ser posto em ação amanhã mesmo. Daqui um ano vai estar completa a passagem, e serei eu a fugir, e não o cagão do Davis...” ele escreveu após se comunicar com o colega de cela.
Desde então, todos os dias, Roger pegava a colher que Erik usava e batia na cabeça do mesmo. Por uma hora e meia. Erik era fraco, medroso, covarde e tinha esperanças demais... Não se defendia. Roger fazia o que queria naquela cela.
Depois de quatro meses levando colheradas na cabeça, Erik começou a ter efeitos colaterais. Ele gemia durante a noite, e tinha mais alguns problemas.Seu psicologico foi ficando confuso ao passar de alguns meses.
Oito meses. Faltava pouco para acabar o buraco. Roger fazia mais e mais calculos. Eles sempre davam certos.
Dez meses. Quase tudo pronto. Apenas mais dois meses e eles saberiam quem iria fugir. Erik nem imaginava o que Roger tramava para ele.
***
Roger estava sentado, quando foi chamado pelo carsereiro até a grade. E aos sussurros conversaram.
– Sr. Walks. Teremos que mudá-lo de cela. Seu “amigo” esta ficando estranho... – Disse ironizando a palavra “amigo”.
– Creio que não será necessario senhor. – Roger sorriu confiante e se afastou.
***
Quase tudo pronto. Completou um ano, o buraco foi completo. Erik estava pronto pra fugir, quando Roger apareceu.
– Espere. – Roger disse pegando seu braço.
– O que é agora? Pode vir se quiser. – Erik disse, tentando fugir de confusão.
– Pegue. – No meio da saída, Roger estendeu uma arma, carregada, a Erik.
– Minha passagem... – Erik bufou, pegando a arma e atirando em si mesmo. Ele morreu.
– Sabia que isso iria acontecer... Ou que pelo menos iria para o hospicio. – Roger sorriu saindo pela passagem.
***
Roger foi encontrado morto. Na frente de um comercio qualquer. E carregava seu diario, que foi aberto.
“Diario, fiz muitos e muitos calculos todos esses meses. A data sempre bate. Agora tenho a certeza de que posso contar o meu plano, sem que ninguém o descubra.
Eu bato em Erik com sua propria colher, todos os dias. Tive a certeza de que um ano teria atingido a loucura maxima de seu psicologico e ele sairia dessa cela ou eu poderia dar um jeito nele...
Isso não importa. Só importa que logo sairei daqui. Erik esta terminando o tunel de fuga, e eu devo me apressar... Assim que eu fugir irei seguir meu destino e destruir voce, diario.
Adeus, meu amor, meu diario.”
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