Meu Anjo Caído
3 Aceito Bebida De Um Estranho
Notas iniciais
Olho para o céu. A noite está linda e está com uma leve brisa fria. As estrelas estão brilhando e eu escuto apenas o silêncio absoluto.
Depois de andar mais um pouco, começo a escutar uma música e vou seguindo seu som.
Chego em uma casa azul com branco, de dois andares e com um imenso quintal. Não preciso olhar o papel para saber que é o lugar certo. As luzes estão piscando, a música está muito alta, há um grupo de amigos chegando e, agora pouco, vi uma cadeira ser jogada do segundo andar.
Respiro fundo e entro na casa. Vejo uma multidão de pessoas dançando e, as que não estão dançando, estão beijando alguém.
Começo a me arrepender de ter decidido ir para festa. Não sou acostumada com tanta gente. Estou prestes a ir embora quando vejo o Ethan. Ele está beijando um garoto, que deve ser o namorado dele.
Os dois garotos se soltam e Ethan pega um copo que estava na mesa. Ele se vira e me vê.
– Hayley! Sabia que você viria! — grita ele, vindo em minha direção.
Ele puxa meu braço e me leva a mesa em que estava o garoto que ele beijou antes de avisar a todos sobre minha presença.
O garoto era alto e forte. O cabelo, baixo e loiro escuro, quase castanho, combinam com os olhos azuis safiras.
– Hayley, esse é o John, capitão do time de futebol e meu namorado. Ele não é gato!? — diz o Ethan com orgulho e com um sorriso travesso no rosto. — John, essa é Hayley.
– Então é você a famosa Hayley. Ethan estava me falando como você é talentosa. — Tenho certeza de que eles não estavam falando disso quando eu cheguei. — Já estava começando a ficar com ciúmes.
– Você é louco se acha que vai ser trocado tão facilmente. — diz Ethan, que me larga e beija o John. — Você vai ter que me aguentar por muito tempo!
O Ethan da um passo para trás e cambaleia. Eu o seguro.
– Obrigado! — Diz ele. A boca dele tem cheiro de álcool. — Agora, deixa eu te apresentar para o pessoal.
Ele pega o copo que estava em cima da mesa e vira de uma vez. Puxa meu braço e me leva para o meio da multidão. Ele cambaleou até uma mesa que tinha várias bebidas, muitas álcoolicas, e outras coisas para fazer coquitéis e batidas. Ele pega um copo, uma garrafa de rum, coca-cola, gelo e limão. Ele tenta colocar o rum no copo, mas ele está tão bêbado que não consegue, derrubando rum na mesa. Pego a garrafa da mão dele e faço a bebida.
–Obrigado! — diz ele pegando o copo. — Agora posso te apresentar para as pessoas. Você quer alguma coisa? — diz ele oferecendo. Nego com a cabeça. Ele dá de ombros e começa me puxar no meio da multidão novamente.
Quando o Ethan está me levando para conhecer um casal de namorados, ele derruba o copo e leva a mão à boca.
– Preciso ir no banheiro! — diz ele me soltando e empurrando as pessoas, correndo em direção ao banheiro. Acho que ele já havia bebido bastante.
Começo a caminhar um pouco. Vou indo para perto de uma parede, para me afastar um pouco da multidão quando vejo uma silhueta familiar.
Olhando mais um pouco, percebo que é o Ícaro. Novamente, quando olho para ele, lembranças do meu último sonho aparece. Escuto o grito agonizante do garoto que estava sendo chicoteado.
Não vou chegar mais perto dele, me viro e começo a andar ficando mais longe dele. De repente, sinto alguém segurar meu ombro.
– Olá! Qual seu nome? — diz a voz atrás de mim.
Me viro e vejo um garoto muito alto, forte e branco. O cabelo é um loiro dourado que faz contraste com os olhos escuros como obsidiana. Está vestido uma jaqueta verde por cima de uma blusa branca, com a calça azul e botas preta. Na mão, segura um copo com alguma bebida.
– Hayley Jaconi. — Digo de cabeça baixa. Porque estou começando a ser notada agora?
– Ezequiel Anacreonte — Diz ele com uma voz tranquila.
Ele pega no meu queixo e levanta minha cabeça.
Que belos olhos você têm. — fala ele, ainda segurando meu queixo. — Vi poucas pessoas com os olhos dourados. São encantadores.
Meus olhos se encontram com o dele, que acabam brilhando em um tom sombrio. Quando isso acontece, o anjo de asas pretas do meu último sonho volta na minha mente. A voz do riso dele passa pela minha mente, e me afasto do garoto rapidamente.
– Algum problema? — diz ele, aparentemente preocupado.
– Não. Foi... apenas uma lembrança. — disse, ainda assustada.
Ele olha para os lados, como se estivesse vendo se não havia ninguém nos notando, e estende o copo, dizendo:
– Aceita? Fiz para você.
Fico sem graça. Isso quer dizer que ele estava me observando já faz um tempo?
– Obrigada, mas eu não bebo. — Digo.
O Ezequiel sorri, fazendo com que volte a imagem do anjo com o chicote na minha cabeça.
– Não se preocupe, não coloquei nenhuma bebida alcoólica. — diz ele, ainda com o copo estendido.
Mesmo com um certo receio, acabo pegando o copo. "Ele está tentando ser gentil", penso.
Dou um gole. Não sinto nada de estranho. Nenhum gosto forte ou ruim, desconhecido para mim.
De repente, minha visão começa ficar turva. Solto o copo no chão e minhas pernas ficam fracas. Estou prestes a cair, mas o Ezequiel me segura.
– O que está acontecendo? — digo ofegante. Tento manter meus olhos abertos e ficar em pé, mas cada vez isso é mais difícil.
Ele pega as minhas pernas e me levanta, começando a me carregar no colo.
Quero que ele me solte. Quero me afastar dele, mas não consigo. Não teria força suficiente para lutar com ele, principalmente agora.
Sinto que o Ezequiel está levantando as pernas. Ele deve estar me levando para o segundo andar.
– Para onde você está me levando? — Minha pergunta sai como um sussurro.
Ele leva o dedo aos meus lábios como um sinal de silêncio.
Escuto o ranger de uma porta sendo aberta e, depois, dela sendo trancada. Tento focalizar minha visão, mas ela está turva. Consigo perceber que é um quarto em que não há mais ninguém além de nós.
Sou colocada no chão gentilmente. Tento me levantar, mas não tenho força para isso.
Olho para frente. Consigo perceber a silhueta do Ezequiel. Vejo que ele joga algo verde no chão, depois algo branco. Ele está tirando a jaqueta e a blusa?
Ele da um passo a frente e vejo algo preto aparecendo nas costas dele. Isso são asas?
Ele chega mais perto de mim e se ajoelha na minha frente. Os olhos deles se fixam nos meus, que estão demostrando medo absoluto.
– O que foi Hayley? — pergunta ele com uma voz gentil, mas com um sorriso escárnio.
Escuto ele gargalhando. Ele passa o dedo no meu rosto, mas sinto as unhas dele enormes. Parecem garras. Ele chega mais perto do meu ouvido e sussurra:
– O que tu temes?
Ele volta a sorrir para mim e tenho a impressão que os dentes dele estão crescendo.
Junto o que resta de força em mim e grito. Toda a força que eu tinha desaparece, saindo com o grito. Não consigo deixar meu olhos abertos por mais tempo, então acabo desmaiando.
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