Meu Anjo
6 Bem Vindo de Volta Ao Inferno, Eren
— Eu estou com medo — falo para o Levi enquanto nós andávamos para a escola.
— Do quê?
— E se alguém morrer? Você viu o que estava escrito no bilhete, tenho medo de que alguém morra, e pior, se for um dos meus amigos.
— Calma, vai ficar tudo bem — Levi fala botando a mão em meu ombro.
“Vai ficar tudo bem”.
“Essa voz... Não, argh, esquece isso” — pensei.
— Bom, chegamos — falo enquanto entramos na escola.
Mas eu percebo uma coisa. Enquanto eu e Levi andávamos, algumas pessoas se afastavam de mim, parecendo estar com medo. Eu entro na sala de aula e todos me olham como se eu fosse um monstro. Armin, como se sentava do meu lado, me aproximo dele para perguntar o que aconteceu. Ele abaixa a cabeça como se eu fosse o “chefe” dele.
— Armin, o que aconteceu? — pergunto botando a mão em seu ombro, que o mesmo recua um pouco com o meu gesto.
— C-como você foi quase preso, as pessoas acham que você é o serial killer que a polícia anda procurando, então todos mantem distancia de você para não botarem risco as nossas vidas — ele fala abaixando a cabeça.
— Você vai se afastar de mim? — falo assustando um pouco ele.
— Bom, eu... — ele ia falar mas decide ficar calado, e apenas fica me observando assustado.
— Deixa pra lá, eu vou me sentar — falo me sentando em minha cadeira.
A aula começa e eu apenas fico observando a paisagem que havia no meu lado; a janela. Eu estava muito distraído ultimamente.
Distraído mesmo.
— Eren! — Levi gritou comigo me puxando para longe de minha carteira.
Ao olhar a minha mesa, havia um corpo de uma pessoa desfigurada, e havia um bilhete dentro de sua cabeça, me aproximo do corpo e pego o bilhete todo ensanguentado, que eu quase vomito com aquilo.
“Merda, desgraçado, quem é ele?” — pensei.
— Eren, o que tinha no bilhete? — pergunto enquanto andávamos para nossa casa.
— Levi, você não vai querer saber — ele fala erguendo o papel.
— Me dá isso logo — falo pegando o papel da mão dele.
“Vejo que você não está se esforçando, que tal tornar o jogo mais interessante? Vou matar duas pessoas por dia e também avisar as asas da liberdade, que é você que está tornando tudo mais difícil”
— Quem é “asas-da-liberdade”? — pergunto olhando para ele.
— Vamos chegar em casa primeiro, assim eu te explico — ele fala botando a mão no meu ombro — Vai ser complicado.
— Bom, agora me explica — falo deixando minha mochila em qualquer canto, já que eu queria explicações — O que são asas-da-liberdade?
— Bom — ele fala se sentando do meu lado no sofá — Asas da liberdade era o sonho de qualquer criança no céu... Asas da liberdade era um grupo que matava demônios na terra, eles tinham direito de sair do céu e andar na Terra para proteger os humanos, já que nós, anjos, não podíamos sair da terra.
(Longo silencio)
— Quem era forte, conseguia entrar nesse grupo, então alguns anjos com 12 anos entravam em um grupo especificado para ser treinado, e quem passava, entrava para o grupo das Asas da Liberdade.
Apenas continuei quieto.
— É claro, um dia, isso acabou se tornando meu sonho, quando eu entrei no grupo para ser treinado, acabei encontrando um... Amigo... Ele me treinou como se fosse um pai pra mim, e de tanto treinar, eu consegui passar, mas... Como eu te contei... Eu cometi um pecado muito grande, e fui expulso do paraíso.
Escute.
— Acabei entrando na sua vida, Levi, agora estamos aqui, um do lado do outro, conversando sobre minha vida.
— Hum, interessante, era como se eu soubesse disso há muito tempo — penso alto.
— Deve ser só coincidência, você nunca iria saber disso, você é um humano, não pode saber coisas de anjo.
— Deixa pra lá, vamos descansar agora — falo indo em direção ao meu quarto.
Com isso, nos deitamos na cama, abraçados. Caímos no sono tentando esquecer os problemas, se é que nós iremos conseguir isso.
No dia seguinte, Levi e Eren andavam normalmente para a escola. Chegando lá, já foram direto para a sala de aula, se sentando em suas carteiras.
Até que Jean, entrou na sala, e foi em direção ao Eren, que o mesmo fica espantado com a ação.
— Eren, você está bem? — Jean pergunta um pouco na frente de Eren.
— Sim, eu estou, por quê? — Eren pergunta um pouco confuso.
— Nada, pensei que estaria mal por causa daquilo, que você foi para o tribunal — Jean fala coçando a nunca olhando para o lado.
— “Eren Jaeger, comparecer a sala da diretora agora” — uma mulher fala no alto falante, assim assustando Eren.
Eren se levanta calmamente esperando para o pior. Começa a andar pelos corredores. A cada passo que dava, sentia seu coração parar de bater.
Chegando na frente da sala da diretora, Eren abre a porta calmamente. A diretora o olha com desprezo, como se o odiasse ter ali. Eren se senta na cadeira e apenas fica quieto, esperando por uma notícia assustadora, ou uma conversa muito séria.
— Eren Jaeger, você terá uma suspenção de uma semana — a diretora fala entregando um papel a Eren.
— Mas, por quê? — Eren fala indignado pegando o papel.
— Desde que o tal de Levi entrou na escola, tudo deu errado para você, você foi quase preso, e agora estão aparecendo corpos mortos do nada? Bom, eu vou ter que expulsar você, agora!
— Eren, é sério isso? — Levi fala para Eren enquanto eles andavam em direção a casa de Levi — Você foi suspenso? Por uma semana?
— Por causa dessas mortes eu fui expulso — Eren fala suspirando — Bom, eu não posso fazer mais nada, vou ter que ir para minha casa, ade...
— Nem pense em ir embora — Levi fala segurando o Eren pelo braço — Fica na minha casa, avisa sua mãe que você vai dormir na minha casa, por favor...
— Ok — Eren fala começando a andar — Eu vou dormir na sua casa, idiota.
Depois de um tempo, os dois chegam na casa de Levi. Mas Eren sente uma sensação estranha, uma presença que ele conhecia, uma energia familiar... “Seria ele?” — pensava Eren.
Eren, esperto, empurra Levi para longe da porta, e com isso, uma figura negra corre em direção ao Eren e começa a enforca-lo, sem dó, sem piedade.
Eren já estava ficando sem forças, não conseguia respirar.
Levi se levanta rapidamente e saca sua pistola, e começa a atirar na figura encapuzada sem parar. A figura tira o capuz de cima de sua cabeça, revelando quem seria a pessoa.
Um homem careca, parecia ser bem velho. “Quem era ele?” — Levi pensava.
— Pixis... — Eren, sussurrou olhando para o homem — Desgraçado...
— Bem vindo de volta ao inferno, Eren — o homem fala desaparecendo em meio a sombras negras.
Eren, assim, desmaia com o pescoço roxo, sem respirar. Levi vai em sua direção, em desespero. Pega o celular e liga para a ambulância, com medo que o namorado morrese.
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