Meu Amável Vizinho
29 Apenas Pare...
Notas iniciais
No capítulo anterior...
E eu sabia quem era aquela mulher, e como sabia! Via ela todos os dias, em retratos, revistas, na televisão, jornais...
Foi ela quem me abandonou, ela que me fez passar os meus aniversários sozinha já que meu pai estava sempre no trabalho. Foi ela quem me abandonou, ela quem me largou quando eu mais precisei! Ela quem desistiu de mim sem motivos. Ela que me fez dizer para meus amigos que eu só tinha um pai.
Ashley Flawter Clarck, minha mãe.
— Filha? — Ela me chamou, dando alguns passos em minha direção. — Como cresceu, está tão linda...
— Pai...
Poderia parecer uma criança frágil agora, mas era como eu estava — pequena, fraca e frágil. Eu queria que ela voltasse a minha vida inteira, mas agora, ela é a última pessoa que eu gostaria de ver.
— Jullia, esta é sua mãe, lembra dela? — Meu pai perguntou.
— Ah claro! Claro que vou lembrar de alguém que não vejo a mais de 16 anos! Como posso saber que é mesmo minha mãe? — Gritei.
— Jullianna, me desculpe, eu quero explicar tudo. — Disse. — Quero resolver as coisas entre nós.
— John, me leva pra casa, por favor. — Pedi, o abraçando.
— Ele é seu namorado, querida? — A mulher perguntou. — Aposto que seja um ótimo rapaz.
— Não é da sua conta! — Gritei mais uma vez. — Vai embora, me deixa em paz!
— Calma Anna, vai ficar tudo bem. — Johnathan sussurrou. — Se acalma, ok? Eu estou aqui.
Com as palavras dele, imaginei o Rafael, me abraçando agora e me tranquilizei. Eu precisava dele agora, mais que tudo. Apertei ainda mais forte o Johnathan em meus braços e não pude mais conter as várias lágrimas que estavam presas.
Chorei, chorei, chorei, e não disse mais nada. Não queria dizer mais nada, não queria ouvir mais nada.
— Johnathan, pode nos deixar a sós, por favor? — Meu pai perguntou, com uma calma evidente em sua voz.
— Não! — Alterei meu tom de voz, mais uma vez. — Ele vai ficar aqui comigo, ele não pode sair, eu quero ele aqui.
— Jullianna, sou sua mãe, tenho todo o direito de falar com você. — Ashley disse.
— Não, você não é minha mãe, e nunca vai ser.
— Por que diz isso? Eu te amo, filha.
— Está mentindo! Você é um monstro!
Neste momento a campainha é tocada e meu pai vai até lá para abrir.
— Ele deve ter chegado. — Ela sorriu. — Agora sim vou te explicar tudo.
— Do que está falan-
E agora meu coração parou de vez. Por aquela porta, entrou ninguém menos que Rafael Worthy, meu amável vizinho.
Com uma calça jeans, uma camisa preta ¾ xadrez, os famosos tênis cano médio, e o cabelo bagunçado de uma forma incrivelmente sexy. Esqueci de dizer que ele estava sorrindo? Ah, isso sim me fez derreter. Até senti uma parte derretida do meu corpo cair na minha mão, mentira, ali era porque eu estava babando.
Ela estava impossivelmente, inacreditavelmente, surpreendentemente, loucamente, e apaixonadamente perfeito.
A única coisa errada, era ele estar aqui, agora, e minha m... Ashley, dizer que ele era a última peça do quebra-cabeça.
— Rafael, querido, pronto para me ajudar a contar tudo para a sua irmã? — Ashley perguntou, acariciando os fios castanho-dourados dele.
— Irmã? — Dei um pulo. — Como?
E aquele sorriso lindo que ele tinha em seus lábios se desfez em uma velocidade incrível. Tomando uma postura séria, ao mesmo tempo triste.
Andei até ele, esperando que ele me dissesse que ela estava louca, me abraçasse e cobrisse meu rosto de beijos, como ele sempre fazia, mas não, a única coisa que ele fez foi virar as costas para mim e passar as mãos repentinas vezes em seu cabelo, suspirando.
— Rafael... — O chamei. — Não vai falar comigo?
— Achei que não quisesse olhar na minha cara depois do que eu fiz. — Sua voz estava rouca, e saiu como um sussurro, quase inaudível de tão fraca.
— Eu... o que está acontecendo? — Perguntei.
— Jullianna... é complicado. Eu juro que eu não sabia, foi um choque pra mim e-
— Espera... me chamou de Jullianna? — Perguntei, incrédula. — O que você fez? — Perguntei, me dirigindo a Ashley, que se assustou ao me ver.
— Do que está falando? — Perguntou.
— O que fez com o Rafael?! — Gritei. — Por que voltou? O que está fazendo aqui? Veio apenas para estragar a minha vida?!
— Pare de gritar com ela! — Foi a vez do Rafael se pronunciar, assustando ambas. — Deixe-a explicar, não seja mimada, Jullianna.
Fui puxada para trás, pelo Johnathan, que agora notei presença.
— Explique então!
— Bom... tudo começou antes de você nascer. — Olhou para mim. — Eu estava namorando com um outro homem, e engravidei dele. Tive o filho, e então... o abandonei, deixei todos acharem que eu tinha morrido. Eu não queria deixá-lo, mas... eu não podia cuidar dele, eu era nova demais, estava perdida. Então eu fui embora, mas continuei o visitando, sem ele saber. Um ano depois, eu conheci seu pai Jullianna, e vivi com vocês por dois anos, mas... o pai do Rafael se mudou com ele para a cidade onde estávamos, e aí eu tive que fugir novamente. Continuei dando regulares visitas a Nova Iorque para saber como estavam, mas apenas conseguia ver o Rafael. Eu não queria abandonar nenhum de vocês dois, eu juro. Eu só estava perdida, não sabia o que poderia acontecer e apenas fugi. Eu amo vocês dois, muito mesmo, e sinto muito.
— Não pode ser.... — Olhei para o Rafael, que parecia perdido em pensamentos.
As lágrimas não paravam de cair e eu não conseguia acreditar no que eu acabara de ouvir... então eu era... irmã do Rafael? Eu cometi... incesto? Não... não pode ser... não... tudo menos isso, por favor...
Agora apercebi que ele também chorava... um choro silencioso, doloroso... era horrível vê-lo assim.
— Eu não sabia... — Ele disse, por fim. — Me desculpe Jullianna.
— Pare... pare de me chamar de Jullianna, pare de se culpar, pare... apenas pare.
— Eu sei que errei... — Ashley começou falando.
— Sim, você errou! Você tem culpa nisso tudo! Você e só você! A culpa toda é sua! Antes, você quem não precisava de mim, agora eu que não preciso de você. Espero que morra sabendo que sua filha lhe odeia com todas as suas forças!
LEIAM AS NOTAS FINAIS!!!
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