Metamorfose
3 Roubo
Não muito distante dali estava a usina de manipulação de elementos bizarros mais imprudentemente famosa do mundo. Aparentemente não só o lugar, mas a situação do lugar era muito precária.Funcionários reclamavam, a princípio, do seu salário. Quando não era suficiente, lembravam que a usina estava sendo sustentada por metais velhos e corria riscos consideráveis de cair e explodir tudo. Além de vários outros fatores que poderiam colaborar com a destruição daquele lugar, e uma conseqüência terrível para todas as redondezas.Todos reclamavam, mas havia um em especial que reclamava tanto que incomodava até mesmo os outros. Trabalhava todas as madrugadas de vigia lá dentro, e todas as madrugadas reclamava de um estranho barulho de mulher gritandor30; Não, na verdade era apenas um barulho tão irritante quanto mulher gritando. O fato era que entrava em seus ouvidos e destruía seus sentidos de tão ruim, chato e todos os tipos de xingamentos que conhecia e desconhecia para aquelar30; Coisa. No mesmo dia, ele estava conversando com outro funcionário e ele também reconhecia o barulho, mas não achava ele tão insuportável quanto descrito.
- Cara, você não está com problemas no ouvido? Pode ser isso.- Quem está com problemas no ouvido é você que suporta isso! Já não suporto mais trabalhar aqui! Tudo isso vai explodir, há eras desconfio que esse barulhinho não passa de um sinal de que tudo isso vai pelos ares! r11; gritou ele, de raiva, respondendo ao homem que estava ao seu lado.O homem que reclamava estava dentro de uma cabine tão pequena quanto a de um telefone, por sinal tão bem-cuidada quanto o resto da usina. A princípio havia uma porta de madeira, mostrando o quanto investiam na segurança de uma usina do século XXII. Depois as paredes, com algumas marcas do envelhecimento: totalmente marrons apesar de alguns pontinhos brancos que mostravam qual era sua cor original, isso quando não falamos das inúmeras partes que estavam descascadas. Não havia pisos, apenas os velhos tacos de madeira, que estavam em partes tão soltos que eram arrastados por ratos. Uma cadeira confortável que o próprio tinha trazido de casa, virada para a janela de onde ele observava a usina, seu trabalho afinal de contas.Já o outro estava do lado de fora. Primeiro porque não caberia lá dentro, segundo porque não podia entrar lá, terceiro porque se apoiar naquilo parecia mais divertido para conversar. Sem falar que devia manter uma certa distância daquele senhor, ainda mais depois do que iria falar.- Para com isso cara, já está enchendo o saco! Você fala isso desde que pisou nessa droga de usina há uns trinta anos! Entrou aqui cristão e alegava que esse lugar era de Satanás, então deixou de acreditar em Yahweh porque ele não te tirava desse emprego. Virou islâmico, começou a acreditar que Alá tinha amaldiçoado esse território que pertence à usina, então deixou de acreditar em Alá porque ele não te tirava desse emprego. Virou espírita, começou a acreditar que havia alguma mesa negra escondida aqui dentro, então deixou de acreditar em espíritos porque eles não te tiravam desse emprego. Hoje está aí um ateu e ainda continua dizendo que esse lugar vai explodir, e que é uma droga! r11; comentou o outro homem, irritado com toda a situação. Procurou um comentário positivo para não deixar o seu colega de diálogo frustrado, e até encontrou r11; Ao menos ninguém leva a culpa por isso. r11; com ele terminou, pegando seu caminho para longe daquele lugar.O homem então se calou e voltou a exercer o seu trabalho. Sentou seu traseiro em sua cadeira confortável e voltou a observar os arredores. Ao lado da cabine havia um portão de ferro, reforçado, já que o governo não queria perder o pouco que investia naquilo para um bando de assaltantes com habilidades para passar um guardar30; Mesmo que houvesse um paradoxo entre isso e a porta da cabine; ou não, talvez o governo se importasse com a usina, mas se tudo estivesse perdido o guarda poderia ir junto. Do outro lado tinha um muro gigantesco, também reforçado e farpado como se fosse uma prisão de segurança máxima.Mesmo assim, o portão estava parcialmente aberto. O velho guarda confiava no seu taco, no caso nas suas habilidades, mesmo que o próprio estivesse realmente velho e apanhasse até para um vira-lata com duas patas amputadas. Era teimoso. Não que qualquer um não percebesse isso após vê-lo defender a teoria de que a usina era um lugar amaldiçoado e iria explodir com sua própria vida.Mas o momento mais feliz de sua vida chegou depois de uma hora. Por um instante, aquele barulho que dizia viver sem suportar cessou. Em todos seus anos de trabalho, era a primeira vez que isso tinha acontecido. Agradeceu ao seu pai e sua mãe que estavam mortos e a todos os deuses que já acreditou e serviu só para não deixar nenhum de seus pais, sendo reais ou não, passar em branco.Já o outro funcionário mal tinha notado, já que o barulho realmente não o incomodava muito.Depois ouviu um forte barulho de objeto pesado batendo no chão. Ficou com medo, já que era a primeira vez que realmente tinha motivos para pensar que a usina iria explodir. Mas não iria ficar lá, e se fosse, se comunicaria com alguém imediatamente via celular e pediria para essa pessoa pegar um pedaço grande de papel, escrever r0;Eu avisei todos vocês, seusr1; e mais um monte de xingamentos em letras garrafais e colocar em seu túmulo. Então abriu a porta de madeira, consequentemente a retirando da parede e a derrubando no chão e saiu correndo.
Conforme ia correndo, ouvia mais barulhos de objetos pesados batendo no chão, e no final a tão comentada explosão. Tinha corrido bastante, mas não foi suficiente. Foi atingido por elementos químicos que se alastraram assim que ocorreu a explosão. Seu velho corpo não suportou as reações e a quantidade de elementos, caiu no chão e dormiu. Para nunca mais acordar. E o pior de tudo era que não poderia esfregar na cara de ninguém que estava certo agora.Não com tanta intensidade, nem com a mesma quantidade, recebeu os efeitos o hospital. Ele ficava perto, o que já era ridículo, mas não tão perto. Os elementos químicos invadiram o lugar e afetaram tudo que estava lá dentro, desde as crianças até os velhos, desde o funcionamento das máquinas até a coloração das paredes. Tudo. As consequências foram visíveis: todos os adultos e maioria dos bebês morreram, todas as coisas não-vivas do local haviam perdido a cor. Todos os sobreviventes definitivamente não estavam bem, mas os verdadeiros efeitos só foram vistos na manhã seguinte.E ela chegou. Quando chegou, todos os elementos que não tinham conseguido r0;abrigor1; em corpos vivos tinham se dissolvido. Aparentemente eles precisavam se alojar em seres vivos para se manterem ativos, o que causava uma dúvida sobre como os químicos os mantiveram por tanto tempo, ou se havia uma fonte escondida de elementos por aír30; Enfim, não é algo que tenha relevância no momento. Não que eu trabalhe para o governo e queira esconder todos os segredos, sempre fui apenas o narrador, a não ser que queira ler a história de uma pessoa sem importância nenhuma para o mundo nascida em 1994 er30; Dá licença, vou continuar a história que estou narrando.Por causa do fim dos elementos, agentes foram enviados ao hospital para verem os efeitos daquilo lá dentro. Assim que entraram, se chocaram bastante já com a coloração das paredes: estavam completamente cinzas, sem nenhuma outra marca, assim como as portas e todos os outros itens. Ainda assim continuaram explorando, com dificuldades, já que tudo tinha a mesma cor e muitas vezes criavam ilusões de ótica. Mas eles conseguiram chegar a um quarto onde ainda havia sobreviventes: o quarto da menina de dezesseis anos que tinha dado a luz alguns momentos antes. Todos estavam vivos e pareciam não ter sofrido com os efeitos a ponto de morrer, o que irritou demais ambos agentes. Aquilo só podia ser uma provação, seria a hora de machucar, de matar os três: tinham ordens para remover todo tipo de vida daquele hospital, por terem se tornado riscos para a humanidade ao armazenar elementos químicos de tamanha periculosidade em seu corpo.Quando entraram no quarto, que estava aberto, a menina cuidava de um de seus bebês enquanto o outro estava dentro do cubo, que também estava aberto. Os agentes imediatamente apontaram suas armas, pistolas comuns, para ela, que ficou assustada como qualquer pessoa ficaria.- O que vocês vão fazer? r11; perguntou, com esperanças de um equívoco.- Me desculpe, teremos que matar todos vocês. Não se preocupe, não queremos que ninguém sofra, são apenas ordensr30; Mataremos você primeiro para que não veja cenas ainda mais cruéis. r11; respondeu um dos agentes, um pouco trêmulo enquanto segurava a arma, já que realmente só estava cumprindo ordens.- Mas por quê?! O que nós fizemos?!- Por favor, me perdoe por issor30; r11; disse o outro agente, botando o dedo no gatilho.Ela, com medo de si mesma e principalmente de seus filhos morrerem r11; sentimento que, aliás, nem sabia porque sentia tão intensamente por pessoas que não eram ela r11; fechou seus olhos e chorou silenciosamente. Dentro dela, o organismo estava trabalhando de modo anormal, todos estavam absurdamente acelerados. Seus sentimentos também estavam acelerados, era um ruim atrás do outro: em tão pouco tempo tinha passado por medo, desespero, tristeza, raiva. Mas o medo ainda era o pior, mesmo que quisesse se aproveitar do tempo que o agente perdia tendo remorso, estava completamente paralisada por ele.Quando finalmente decidiu puxar aquele maldito gatilho, a garota soltou sua primeira lágrima: nela provavelmente estariam os sentimentos tristes se elas pudessem conter algo além der30; O que lágrimas sempre contêm. Ela caiu no chão. Uma grande estaca de gelo se levantou abaixo do agente que estava com a arma, perfurando sua barriga inteira e o matando imediatamente.A menina não entendia o porquê tinha acontecido aquilo e se ela era a culpada. Não tinha importância no momento, ainda havia um outror30; Havia, bem no passado, ele não estava mais na sala. Era um grande alívio, até descobrir que seu outro bebê tinha simplesmente sumido. Os motivos eram óbvios e dolorosos, muito dolorosos. No mesmo dia estava descobrindo o verdadeiro significado de uma perda e o verdadeiro significado de um ódio. De tudo, de todos. Não tinha feito qualquer coisa e ainda assim levaram seu filho, não poderia fazer nada para impedir pois provavelmente sair do hospital seria suicídio, e fora do hospital era provavelmente o lugar onde estava o outro agente.Só podia chorar e assim fez. Mesmo que com dificuldades, espalhou várias de suas lágrimas pelo chão do hospitalr30; Não que fosse algo desejado, era tudo o que podia fazer naquele estado. Os efeitos eram terríveis: dessa vez o hospital inteiro foi cercado por estacas de gelo gigantescas, tão grandes que passavam seus dois discretos andares em altura.
Notas finais
Enfim, eu tinha feito altas notas finais aqui mas Nyah de manutenção daí eu perdi tudo. O fato é que... Right, faz eras que eu escrevi esse também e tem algumas piadinhas que eu tiraria, mas deixei e só tirei os erros de ortografia porque... Bem, eu não quero corrigir tanta coisa porque se não teria de reescrever de novo. E eu vou reescrever de novo, quando estiver pronta.
Logo... :2 Anyway, espero que tenham gostado.
Logo... :2 Anyway, espero que tenham gostado.
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