Notas iniciais
O primeiro capítulo, começo da história, é sempre introdutório, mostra como era a vida de Thomas pouco antes de tudo mudar.

Parecia mais um aniversário completamente normal na casa da família Wydde, os convidados pareciam bastante entretidos com a festa, em maioria, vizinhos, os Wydde não tinham muitos parentes próximos, no máximo a irmã da mãe de Thomas, tia Roberta. Ah, a tia Roberta era horrível.

Sempre certinha, sempre criticava os modos dos filhos de sua irmã mais nova, Diana, principalmente o filho homem mais novo, Thomas, que tinha apenas dezesseis anos, ele tentava se esforçar em tudo, mas, embora ele fosse bastante inteligente, suas notas eram uma negação, ele parecia não se encaixar em nada.

Thomas parecia sempre ausente da família, sempre ficava no seu quarto ou no telhado de sua casa, observando a noite estrelada, seu irmão mais próximo era Luís, que era apenas três anos mais velho que Thomas, mas era bastante responsável pelos irmãos mais novos, o contrário de Lucas, que nunca se importou realmente com Thomas.

E justamente no aniversário de sua irmã, Melina, Thomas estava sentado no telhado de sua casa, observando as estrelas e o movimento das ruas, ele estava realmente entediado e cheio de toda a dor de cabeça que as discussões com seu irmão Lucas forneciam.

Havia um tempo que a garota que ele se apaixonara fora morar em outro estado, e desde então eles foram perdendo o contato, ele sentia que ela realmente gostava dele, mas algo os distanciou, mas ele nunca a esqueceu, sempre pensava nela. Enquanto ele pensava, ele pensou ter visto algo olhar para ele detrás das árvores, olhos muito grandes e amarelos observavam ele, mas antes que ele pudesse ir investigar o que quer que fosse, uma voz o chamou à suas costas.

‒ Não deveria ficar tanto tempo aqui, longe da família, sabia? ‒ Luís sorria, ele estava de pé no telhado perto de Thomas, “como ele havia chegado ali tão rápido sem ser notado?” Thomas se perguntou.

Thomas observou o seu irmão e sorriu cativante, tentando afastar as perguntas de sua memória e se levantou para encarar seu irmão.

‒ Eu sei, mas não pude resistir a tentação de ficar longe de toda a falsidade dos colegas do papai e das amigas da mamãe. ‒ Thomas sorriu para Luís, este deu uma leve risada e sussurrou de volta para o irmão.

‒ Não fale tão alto, Thomas, as paredes têm ouvidos. ‒ Luís foi até o seu irmão mais novo e passou o braço por sobre os ombros dele e o puxou para voltarem para dentro de casa. – Vamos lá, cara, aposto que tem um monte de gatinhas para você conhecer, eu já avistei uma que eu realmente acho que dá bastante certo contigo.

Thomas fez uma pequena careta, as últimas garotas que Luís vinha tentando apresentar a Thomas não tinham nada a haver com ele. Uma vez, Luís conseguiu trazer uma garota que não tinha exatamente nada a haver com Thomas, depois de uma discussão enorme sobre gostos musicais, Luís levou a garota de volta, Thomas ficou sem falar com o irmão por uma semana.

‒ Não sei, Luís, tomara que não seja igual à aquela Da... Dayse. Era assim o nome dela? ‒ Dizia Thomas enquanto descia a escadinha que dava da varanda do seu quarto direto para o telhado.

Luís soltou outra gargalhada enquanto descia.

‒ Dayanne. – Luís começou. – E ela nem era tão feia, cara, dava pra ao menos ter ficado com ela.

Thomas olhou para o irmão e fez outra careta.

‒ Você só pode estar brincando, Luís. ‒ Disse Thomas, ele entrou no quarto e o atravessou até a porta, Luís o seguindo e rindo.

Ao sair do quarto, Thomas esbarra sem querer em alguém, ele quase caiu, mas se segurou na maçaneta da porta e, sem ter como explicar, ele puxou a pessoa com quem esbarrara, impedindo-a de cair, foi aí então que ele pode ver a pessoa em que ele esbarrara.

De primeira, Thomas não conseguiu distinguir se era uma pessoa ou um anjo. Primeiro: Era uma garota. Segundo: Era uma garota extremamente linda. Terceiro: Ela envolvera o pescoço de Thomas com os braços, e ao perceberem isso, os dois ficaram extremamente envergonhados, Thomas parecia mais vermelho que um pimentão.

Pior de tudo, Luís vira toda a cena sorrindo.

Luís sorrir poderia ser tanto normal quanto um bebê chorar quando é retirado do útero de sua mãe, mas o sorriso dele parecia diferente, mais prazeroso.

Thomas voltava a olhar para a garota e reparava bem nela, ela tinha cabelos loiros com mechas vermelho-rosadas, seus olhos eram tão azuis e brilhantes que quase pareciam diamantes, ela usava uma sombra escura ao redor dos olhos, o que Thomas acreditava que a deixava ainda mais bonita, sem contar a roupa que ela usava, ela usava.

Ela usava uma camisa masculina, porém adaptada para parecer mais feminina, aliás, uma camisa de uma banda, na verdade, exatamente a mesma banda que Thomas usava uma camisa, exatamente o mesmo álbum, ela usava uma saia preta e botas de couro preto.

Ela olhava para Thomas um pouco envergonhada, um pouco irritada, um pouco triste, Thomas se sentiu um pouco curioso com isso, ele limpou a garganta e tentou falar.

‒ Ah... me desculpa, eu não tive a intenção er... de esbarrar em er... você. – Disse ele quase gaguejando.

Ela olhou pra ela e tentou dar um sorriso.

‒ Não, tudo bem, não precisa se preocupar com isso... Oi, Luís. – Ela disse, ao olhar o irmão de Thomas que estava parado do lado dele.

Luís colocou uma mão no ombro de Thomas, sorrindo, como sempre, e disse.

‒ Olá, Dani. ‒ Ele se virou para Thomas e disse. – Thomas, esta é a Daniella, Daniella, este é o Thomas.

Mesmo que seja inacreditável, tudo que Thomas conseguiu falar de primeira foi: Ahr-da.

Daniella soltou uma leve risada e estendeu a mão para Thomas.

‒ Prazer em conhecê-lo, Thomas, seu irmão me falou muito sobre ti, Melina também, mas ela falava de um jeito tão... – Ela procurava a palavra certa.

Thomas limpou a garganta e tentou falar novamente.

‒ Rude? – Disse ele.

‒ Não, mas quase isso. ‒ Ela riu.

‒ O prazer é todo meu e, diferente de você, meus irmãos não me contam nada sobre ninguém. ‒ Disse Thomas, que olhou para Luís.

Ele levantou as mãos em rendição.

‒ Eu falo, mas você só fica com os fones de ouvido escutando aquelas bandas de loucos. – Disse ele. – Quando você tiver problemas auditivos não venha reclamar.

Thomas e Daniella riram simultaneamente, ele um pouco envergonhado.

‒ Eu também vivo com fones de ouvido, material escolar indispensável em aulas chatas. ‒ Disse Daniella. Thomas riu e afirmou.

‒ Verdade.

Luís deu uma tapinha nas costas de Thomas e se dirigiu para as escadas.

‒ Bom, vou indo, aproveitem a festa. – Disse ele, descendo as escadas.

Thomas e Daniella observaram ele descer e então voltaram a se olhar, por um tempo, sem dizer nada, apenas sorrindo de vez em quando.

E então Thomas decidiu tomar uma atitude.

‒ Er... Você mora por aqui? ‒ Thomas perguntou.

‒ Sim, bem ali, no outro lado da rua. – Ela apontou para uma casa que dava para ver através da porta de vidro do quarto de Thomas, uma casa também grande e azul. – Meus pais têm mania de grandeza.

Thomas girou os olhos, ele sabia exatamente o que ela estava falando, ele nasceu e cresceu em uma família rica há gerações, seu pai tinha herdado a empresa do pai dele, como filho mais velho, os outros irmãos do seu pai decidiram tomar um rumo diferente na vida.

Daniella então olhou para dentro do quarto, por cima do ombro de Thomas e sorriu.

‒ Seu quarto é bonito. – Disse ela.

Ele olhou para trás e fez uma pequena careta ao ver ele bagunçado, voltou a olhar para ela.

‒ Obrigado... ele só está... bagunçado. – Dizia Thomas, ela riu levemente.

‒ Posso entrar? ‒ Perguntou ela.

Ele sobressaltou e saiu da porta do quarto, e fez um gesto permitindo a entrada dela.

‒ Primeiro as damas. ‒ Brincou ele, sorrindo.

Ela riu e avaliou Thomas.

‒ Quanto cavalheirismo. ‒ Disse ela, entrando no quarto.

‒ Se eu não fosse cavalheiro, as horas que meu pai pagou em cursos de comportamento não iriam valer nada. ‒ Ele pôs as mãos nos bolsos do casaco e entrou seguindo ela.

Daniella estava encantada com o quarto do garoto, mesmo estando bagunçado, um skate estava pendurado em uma parede, do lado da TV de plasma, havia vários pôsteres de muitas bandas conhecidas: Rammstein, Green Day, Coldplay, Evanescence, Blink 182, Nirvana, Simple Plan, Metallica, Black Sabbath, System Of A Down, entre outros pôsteres que ela não identificou de primeira.

Ela continuava a olhar pelo quarto, tinha uma estante enorme com vários livros conhecidos, a maioria era ficção, a cama estava claramente desarrumada e tinha uma guitarra sobre ela, cadernos, lápis e outros livros espalhados por cima da cama, ela pegou um dos cadernos e começara a ler mentalmente, percebendo que se tratava de uma música.

‒ A letra dessa música é linda... – E ela olhou para Thomas, que estava meio envergonhado. – Foi você quem fez?

Ele coçou a parte de trás da cabeça, ele estava vermelho novamente, sorriu timidamente e assentiu para ela. Daniella observava o quarto e olhou para o lado de Thomas e sorriu, ela foi correndo direto para o lado dele, onde havia uma estante com um aparelho de som de última geração ligado a amplificadores, ela olhou para Thomas.

‒ É aqui que faz suas festas particulares? ‒ Ela sorriu para Thomas e ligou o aparelho. ‒ Vamos ver o que você anda escutando.

Assim que ela apertou o play as caixas amplificadoras pularam com o riff de entrada de uma música de rock agitada, Daniella riu e começou a dançar, quando o cantor começou a cantar, ela cantava junto com ele olhando para Thomas.

‒ Don’t wanna be an American idiot! ‒ Cantava ela, Thomas sorriu e ela voltou a dançar, dessa vez, puxando Thomas.

Agora os dois cantavam a música juntos e dançavam a música até ela acabar, Daniella e Thomas rindo, ele desligou o aparelho de som e viu que ela estava sentada em sua cama, ele olhava pra ela e percebeu uma parte molhada na camisa dela.

‒ O que houve com a sua blusa? ‒ Perguntou ele.

Ela olhou pra ele e sobressaltou da cama como se tivesse lembrado algo que tinha esquecido.

‒ Verdade! Sujei minha blusa com refri... Você se importa se eu usar o banheiro do seu quarto? ‒ Ela perguntou. Ele só balançou a cabeça negativamente, ela sorriu e se dirigiu ao banheiro.

Thomas se sentou na cama para esperar, ele fitava a TV desligada, despreocupado, e então ele viu um reflexo na tela, de novo os olhos grandes e amarelos o observavam no reflexo, e se aproximavam cada vez mais.

Thomas experimentou olhar para trás, mas não havia nada lá, voltou a olhar a tela da TV e os olhos ainda estavam lá, ele imaginou que estava ficando louco, os olhos se aproximavam dele cada vez mais, Daniella havia saído do banheiro.

‒ Thomas? ‒ Disse ela, ele virou-se para ela, ela sorriu e foi caminhando até ele, se sentou do lado dele na cama, colocou a mão no ombro de Thomas. ‒ Estava pensando muito?

‒ Ah... Não, por que? ‒ Disse ele.

‒ Você estava olhando fixamente a TV desligada. ‒ Ela falou rindo um pouco.

Ele voltara a olhar para a TV por instinto e os olhos não estavam mais lá. Será que ele estava mesmo ficando maluco?

Daniella se levantou e estendeu a mão para Thomas, ele olhou para ela, ela sorria para ele radiante, ela tinha um sorriso lindo, Thomas estava encantado.

‒ Vamos voltar para a festa lá em baixo. ‒ Ela disse, Thomas fez uma careta.

‒ Não gosto muito de festas, eu sou mais na minha. ‒ Disse Thomas, Daniella pegou a mão de Thomas e o puxou.

‒ Então me mostre o seu lugar preferido... se não for o seu quarto. ‒ Disse ela olhando nos olhos dele.

Ele não conseguiu ficar sem corar, ele então olhou para a varanda e depois para Daniella.

‒ Quer mesmo? ‒ Perguntou ele, ela sorriu e assentiu com a cabeça.

Ele andou até a varanda com ela e soltou sua mão para subir pela escadinha até o telhado, depois ela subiu, deixando a varanda para trás, ele se sentou no alto do telhado, apoiando-se para não cair, com dificuldade, ela conseguiu se sentar do lado dele, ao contemplar a vista, ela sorriu, maravilhada.

‒ O bairro é tão bonito, visto daqui de cima. Você tem sorte. ‒ disse Daniella, sorrindo e se ajeitando, tentando ficar mais a vontade, ela encosta a cabeça no ombro de Thomas.

Ele hesita, mas não demonstra mais timidez, ele usava uma das mãos para acariciar a cabeça dela, então ela olhava para ele, seus rostos estavam tão próximos que ele conseguia sentir o hálito dela, era doce, então ele ergueu uma mão para acariciar o rosto dela e afastar alguns fios de cabelo que ali estavam, e ela sorriu levemente e aproximou seu rosto dele.

No momento em que seus lábios estavam quase se encontrando aos dela, Thomas primeiro ouviu um barulho forte de algo caindo. Eles param rapidamente e então Thomas vai até a beirada do telhado, ao olhar para a varanda, Lucas estava deitado, gemendo.

Thomas quase não conseguiu segurar o impulso de rir e então desceu para a varanda, ajudando Daniella a descer também, e então ele se virou para o irmão que estava no chão.

‒ Tudo bem contigo? ‒ Perguntou ele, Lucas riu e recusou a ajuda de Thomas.

‒ Sim, está tudo bem, podem voltar ao namoro de vocês. ‒ Ele disse.

‒ A gente não está namorando. ‒ Disse Thomas rapidamente.

Lucas se levantou e se apoiou na varanda do quarto de Thomas, olhou de Daniella a Thomas e sorriu.

‒ Então voltem pro “rolo” de vocês. ‒ Ele disse e atravessou o quarto, saindo, na porta ele parou. – Ah, Thomas, o papai vai viajar hoje de madrugada, ele falou pra você, a Melina e a Clarisse não se atrasarem pra escola amanhã.

‒ Nunca me atrasei para a escola. ‒ Disse Thomas, Lucas riu e saiu.

Thomas se virou para Daniella.

‒ Esse é meu irmão mais velho, Lucas. ‒ Disse ele, ela sorriu a abraçou Thomas.

‒ Foi bom te conhecer, Thomas, mas agora eu tenho que ir, meus pais estão me esperando. ‒ Disse Daniella no ouvido de Thomas, ela então separou dele e olhou pra ele sorrindo.

Depois ela foi à direção da porta do quarto, parou na porta, olhou para Thomas, piscou o olho para ele e sussurrou alguma coisa que Thomas acreditava ser: “Nos vemos na escola”. Uma boa notícia, ele e ela estudariam juntos, talvez.

Ela desceu as escadas e deixou Thomas sozinho no quarto, com grande expectativa, ele sorriu e fechou a porta do quarto, tirou as coisas de cima da cama, e se jogou nela.

Antes que pudesse perceber, Thomas já estava mergulhando no sono, e então dormiu, mas não sonhou, parecia que tinha se deitado e fechado os olhos a alguns instantes e então ele acordara, ainda estava tudo escuro, deveria ser madrugada. Ótimo, ele vai ficar com sono no primeiro dia de aula.

Thomas olhou o despertador que marcava duas e meia da manhã. Ele se levantou e observou o quarto, a casa estava muito silenciosa, ele foi até a varanda, abriu a porta de vidro e se apoiou no parapeito e então viu dois vultos caminhando pela rua em direção a sua casa, ele se encolheu e ficou observando entre os espaços da grade do parapeito, ele podia se esconder bem, era noite e estava tudo escuro, ele não via muito dos homens misteriosos, e só os reconheceu quando estavam no jardim da casa, eram seus irmãos mais velhos, Lucas e Luís.

‒ Estranho, cara, muito estranho, ela conseguiu escapar facilmente pelas minhas mãos... ‒ Dizia Lucas.

Luís riu de canto e colocou uma mão no ombro do irmão, incrível como Luís parecia mais velho que Lucas.

‒ Paciência, irmão, ela só era mais experiente, você ainda não atingiu a velocidade da luz. ‒ Disse Luís.

Lucas bufou.

‒ Não sei como consegue ficar sempre de bom humor, e agora, o que vou falar para o papai? Deixei a nossa presa escapar? ‒ Dizia Lucas, que encostara à parede da casa. A palavra “presa” ficou martelando a mente de Thomas, o que significava aquilo.

Luís ficou de frente para o irmão.

‒ Não é a primeira vez que você erra. Entenda Lucas, errar é humano, é normal, todo mundo erra. ‒ Disse ele, Lucas olhou para o irmão e fez uma pequena careta, Luís não estava sorrindo, parecia um pouco preocupado, Thomas não imaginava o que se passava na mente deles dois, mas sabia que havia muitas perguntas se formulando em seu cérebro ao mesmo tempo.

Lucas colocou as mãos no ombro de Luís e sorriu.

‒ Tem razão, não vou me preocupar a toa. ‒ Falou ele e se virou para a porta. ‒ Vamos dormir um pouco, daqui a pouco dá a hora de acordar, aí já viu, não é?

Luís riu e os dois entraram pela porta da frente e fecharam, Thomas se levantou com cuidado e entrou no quarto, fechou a porta da varanda e se virou em direção a cama, ao se virar, se deparara com Lucas, olhando nos olhos dele.

Lucas já não parecia com cara de muitos amigos, ele observava Thomas entrar no quarto e fechar a varanda.

Lucas coçou a parte de trás da cabeça, tentando ligar os fatos e então olhou diretamente para Thomas.

‒ O que você ouviu? ‒ Perguntou ele, poucos instantes depois, Luís entra no quarto e fecha a porta. Lucas olha para Luís e depois olha para Thomas, que estava hesitante. ‒ Responda Thomas, o que você ouviu?

Luís tentava olhar solidário para Thomas e se comunicar com ele, avisar que ele devia falar.

Thomas limpou a garganta e começou.

‒ Só algo de você não ter alcançado uma presa e o Luís dizendo que errar era humano. Mas vocês são humanos, não são? ‒ Perguntou Thomas, hesitante.

Lucas arqueou a sobrancelha, ele olhou para Luís e os dois começaram a rir e então Lucas se voltou para Thomas.

‒ Claro que nós somos humanos, só que nós somos um pouco diferentes... – Luís começou.

‒ Nós te contaremos quando chegar a hora certa, Thomas, você vai saber, mas ainda não é a hora certa. ‒ Disse Lucas.

Thomas franziu a testa e se sentou na cama.

‒ Como assim? ‒ Disse Thomas.

‒ Nós te contaremos na hora certa, não enche o saco. ‒ Disse Lucas, que se virou e foi direto na direção da porta, ele a abriu e saiu, Luís se virou saiu do quarto e fechou a porta.

Agora mais perguntas, dezenas, se formavam em seu cérebro: Como Lucas chegara tão rápido ao quarto dele? O que era a presa? E outras várias perguntas que ele não tinha resposta.

Thomas se deitou e tentou dormir, em vão, ele não conseguira mais dormir naquela noite, esperara, ouvindo música, o dia nascer e chegar a hora de se preparar para ir a escola.

Mas Thomas estava inquieto, eram tantas perguntas, ele estava com medo de estar ficando louco de ver olhos amarelos por todos os lados, um grande par de olhos sem emoção e assustadores, como os de um predador.

Thomas olhou para o teto do quarto, pensou e finalmente viu algo com o que comparar, o brasão de sua família era a perfeita comparação. Aqueles olhos amarelos pareciam olhos de lobo, feroz, calculista, inexpressivo.

Notas finais
Espero que tenham gostado. Obrigado por lerem.
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