Notas iniciais
Segundo capítulo da estória, desculpem-me a demora, estive sem internet por um bom tempo.

FOI COMO DESPERTAR DE UM PESADELO. Thomas olhou para o teto surpreso, ele não esperava dormir dois daquilo, ele se levantara de sobressalto e olhou para o despertador, só faltava quinze minutos para a aula começar.

Ele correu para o banheiro já tirando a camisa, empurrou a porta e puxou a escova de dente e a pasta, pôs a pasta na escova e se pôs a escovar os dentes rapidamente enquanto jogava água no rosto, ele tirou o resto das roupas e se jogou no chuveiro, tomando um banho rápido e sem ligar o chuveiro elétrico, ele não se importava com o frio, na verdade, nem sentira frio.

Depois que saiu do banheiro, ele foi correndo ao guarda-roupa, pegou a primeira calça, camisa e cueca que viu e colocou, calçou os tênis, pegou seu skate, pegou a mochila e saiu correndo de casa. Sem tomar café-da-manhã, ele saiu da casa rapidamente, subiu em cima do skate e partiu em direção à escola, que nem ficava tão longe, apenas algumas quadras da casa dele.

Enquanto andava de skate e passava na frente da casa de Daniella, ele percebera que ela já não estava em casa, o carro do pai dela não estava mais lá. Ele então cuidou de se apressar, pois até seus irmãos nem estavam mais em casa, nem sua mãe.

Ele estava no skate na maior velocidade que ele podia, suas pernas já estavam começando a doer, ele praguejava porque estava tão sedentário enquanto andava e não percebera a situação que estava prestes a acontecer em segundos.

Um caminhão que estava saindo da garagem de uma loja que Thomas passou em frente, vinha em alta velocidade no cruzamento em que Thomas estava prestes a passar.

Thomas observava o relógio enquanto andava alheio ao perigo que estava sofrendo, ele olhou para frente e viu o que não esperava, aqueles mesmos olhos amarelos estavam lá, bem na frente dele, mas não era uma miragem.

Quando ele foi empurrado para trás, Thomas não tinha muita consciência do que o atingira, só viu um vulto cinza o atingir no peito e o jogar à uns três metros para trás, Thomas sentiu todos os seus órgãos revirarem dentro dele.

Agonizando de dor, ele se contorcia no chão e tentava enxergar algo, ao olhar para cima, ele percebeu novamente os olhos amarelos olhando para ele, Thomas tentou se levantar, ele viu o lobo virar-se de costas para ele e ir embora.

Esse lobo era tão cinza e tinha pelos tão brilhosos que pareciam prata, Thomas mal conseguira ver o animal e ele já desaparecia na esquina, certamente procurando o caminho da floresta, pensou Thomas.

O que deixara Thomas com dúvidas, foi o fato de o lobo ser bem maior que os outros que Thomas já vira, certamente era mais forte e rápido também. Thomas não conseguiu entender como esse lobo não o devorara ali mesmo.

Após conseguir se levantar, Thomas se virara para o local onde deveria estar o seu skate, onde deveria estar o skate havia duas metades de um skate com shape novinho, ele pegou as duas metades do skate e olhara para o lado, o caminhão que passara por cima do skate já estava um pouco longe.

Thomas pensou um pouco consigo mesmo:

E se o lobo tivesse salvado ele ou invés de atacado?

Thomas colocou as metades do skate debaixo do braço e sentiu uma leve dor na pele, quando ele olhou novamente, havia um corte raso que passava o peito, rasgando a camisa e arranhando o peitoral dele, era uma ferida superficial, mas ainda assim doía.

Ele seguiu o caminho para a escola, sabendo que já estava uns cinco minutos atrasado, então não tinha mais pressa, ele podia se acostumar com a dor do arranhão aos poucos, ele continuou seguindo seu caminho até chegar ao portão da escola, que estava fechado, ótimo.

‒ Garoto, aqui não tem esmola não. – Disse o porteiro ao ver Thomas no portão da escola, Thomas o reconheceu de cara, George, o senhor que trabalhava na portaria da escola, Thomas riu levemente com o que ele havia dito.

‒ George, eu não vim pedir esmola, sou eu, Thomas. ‒ Disse Thomas, George se aproximou mais do portão e colocou os óculos, ele sorriu e abriu o portão.

‒ Oh, Thomas, você cresceu bastante este verão, mas ainda está magro, tem comido direito? ‒ Disse George puxando Thomas para dentro da escola, Thomas entrou e esperou George fechar o portão.

‒ Muito obrigado, George, não sei o que seria de mim sem o senhor. ‒ Disse Thomas.

‒ De nada garoto, mas... o que aconteceu, foi atropelado por um motoboy? ‒ Disse o porteiro apontando para o corte no peito dele, Thomas quase tinha esquecido, ele lembrou-se de tudo que ocorrera e fez uma pequena careta.

‒ Acredite, se eu te contasse você não acreditaria. ‒ Disse Thomas, que se virou e saiu correndo para dentro o prédio. ‒ Obrigado, George, fico te devendo essa. ‒ Gritava ele enquanto corria.

Após passar por inúmeras salas, Thomas finalmente encontrou a secretaria, ele entrou e foi direto na direção da atendente, ela sorria enquanto falava ao telefone e desligou ao ver ele.

‒ Oi, Tom, o que houve com você? ‒ Disse a atendente, seu nome era Janet, ela conhecia Thomas desde que ele tinha uns nove anos.

‒ Oi, Janet, longa história, você pode meu horário, por favor, estou muito atrasado. ‒ Disse ele, a secretária sorriu para ele começou a pesquisar no sistema da escola.

Thomas decidiu se sentar nos bancos de espera, não havia ninguém na secretaria além dele e a atendente, ela digitava rápido e estava concentrada em procurar os arquivos dos alunos.

Passados alguns instantes, ela sorriu e olhou para Thomas.

‒ Aqui estão os seus horários, por sorte, você teve o primeiro tempo vago hoje. Quer que eu imprima o seu horário? ‒ Disse ela.

Primeiro tempo vago? Ótimo, ele quase morreu para chegar à escola e descobrir que podia chegar um pouco mais atrasado, mas, mesmo assim, ele não deixou de sorrir.

‒ Sim, claro, pode imprimir, por favor. ‒ Respondeu Thomas, se virando para o outro lado, pegando a bolsa e começando a verificar os cadernos.

Enquanto ela imprimia os horário e Thomas estava ocupado observando os cadernos na mochila, a porta da secretaria abriu e duas pessoas entraram, Thomas mal ligava, mas ouvia os dois.

‒ Janet, minha flor, você poderia, por favor, me entregar o meu horário? ‒ Disse uma voz masculina de um adolescente, Thomas já havia escutado aquela voz antes, mas parecia muito distante, e um pouco diferente, mais grave, aparentemente.

‒ Bom ver que você virou um rapaz educado, Carlos. – Disse Janet. ‒ Eu só estou imprimindo o horário do colega ali e depois imprimo o de vocês. ‒ Thomas tinha certeza que Janet estava apontando para ele.

‒ Obrigado, Janet. ‒ Falou o garoto e a garota, ambos se sentaram um ao lado do outro na fileira de cadeiras de frente a que Thomas estava.

Ele mexia nos cadernos e pensava em outras coisas, milhares de coisas agora passavam pela sua cabeça, para tirar dúvida, Thomas, que ainda não havia levantado o rosto, levantou os olhos para os dois.

O garoto e a garota não eram nada parecidos, ela era muito linda, tinha cabelos negros e longos com uma franja grande, ela tinha pele branca muito clara, não usava muita maquiagem e tinha olhos de cor cinza, muito claros, ele tinha cabelos negros curtos, olhos castanho-avermelhados, ele tinha corpo grande e avantajado, barba quase nascendo, olheiras de quem não conseguia dormir direito.

Thomas espantou-se ao ter tirado suas dúvidas e ter confirmado suas suspeitas, ele os olhava espantado, mal conseguia mexer a boca para falar as palavras.

Os dois adolescentes olhavam para Thomas sem entender. Thomas se levantou bruscamente, olhando para os seus melhores amigos de muito tempo.

‒ CARLOS! CAMILA! ‒ Gritou Thomas, no mesmo instante, Carlos saltou da cadeira e olhava espantado para Thomas.

‒ THOMAS?! ‒ Exclamou ele, Thomas assentiu com a cabeça. ‒ Ah, seu cheira-saco, vem cá pra um abraço!

Carlos abraçou Thomas com força, este quase não conseguiu retribuir, pois estava mais sendo esmagado que abraçado, e então o corte voltou a doer.

Thomas arqueou alto de dor e Carlos o soltou.

‒ Cara, que corte feio, onde conseguiu isso? ‒ Falou Carlos.

Thomas lembrara novamente do que aconteceu e preferiu não contar a história verdadeira em público, iam achar que ele era louco.

‒ Eu fui atacado por uma doninha. ‒ Disse Thomas, Carlos olhava para ele com uma cara como se estivesse estranhando Thomas.

‒ Okey... e o skate, por que está quebrado? ‒ Perguntou Carlos, Thomas olhou para o skate partido em dois e depois para Carlos.

‒ Eu tive que me defender de alguma forma. ‒ Disse Thomas, a expressão de Carlos piorou. – Só que eu acabei quebrando o skate tentando me livrar da doninha...

Carlos parecia estar a ponto de querer ligar para o sanatório mais próximo e mandar Thomas para lá, no entanto, a atitude dele surpreendeu mais Thomas.

‒ Faz sentido. ‒ Disse Carlos.

Camila que via a conversa inteira riu e se pôs na frente de Thomas, o abraçou com cuidado e carinho, Thomas sentiu o cheiro dela invadir suas narinas de forma que ele não tinha chances, ele se rendia completamente àquele perfume.

‒ Bom ver que você não perdeu o senso de humor, Tom, continua engraçado e bonitinho, como sempre. – Ela sorria para ele, ele não via aquele lindo sorriso com dentes perfeitamente brancos havia uns dois anos, ele não podia expressar o quanto sentia falta dos velhos amigos.

Janet se pôs na frente deles e entregou três fichas para os três, uma pra cada.

‒ Aqui estão os seus horários. ‒ Disse ela.

Carlos sorriu e pegou o horário dele, abraçou Janet e deu um selinho nela.

‒ Por isso que te adoro, Janet. ‒ Disse ele e foi na direção da porta da secretaria, ele parou na porta e olhou para Thomas e Camila. – Vocês vêm?

Os dois pegaram as suas fichas e se despediram de Janet antes de saírem, a secretária continuava parada, paralisada no meio da secretaria quando eles a deixaram lá.

‒ Você é maluco, Carlos. ‒ Disse Camila, Thomas ria enquanto seguia eles. ‒ Mal voltou para a escola e já quer ser expulso?

Carlos bufou.

‒ Toda a escola é um porre mesmo, só valeu a pena o Thomas estar aqui. – Dizia ele.

‒ Não sabia que vocês tinham voltado, quando chegaram à cidade? ‒ Disse Thomas, ele olhava de Carlos a Camila.

Camila deixou de olhar o horário para olhar para Thomas.

‒ Nós chegamos há três dias. ‒ Disse ela.

‒ Por que não ligaram? ‒ Perguntou Thomas.

‒ Nós não sabíamos se seu número ainda era o mesmo, ou se ainda morava na mesma casa. ‒ Respondeu Camila. ‒ Desculpa Tom.

Ele sorriu para ela.

‒ Tudo bem, adorei a surpresa de ter encontrado vocês aqui. ‒ Ele disse.

Camila sorriu ao ver seu horário.

‒ Tenho o primeiro tempo livre hoje. ‒ Disse ela, ela se virou para Carlos. ‒ E você, maninho?

Ele olhou o próprio horário, ficou cabisbaixo por um instante e se virou correndo, ele entrou na sala de Biologia.

Thomas olhou para Camila e ela olhou para ele, os dois começaram a rir ao mesmo tempo. Ela guardou o horário no bolso da calça e colocou os livros encostados ao corpo.

‒ E você, Tom, tem aula agora? ‒ Perguntou ela.

Ele balançou negativamente com a cabeça.

‒ Não, primeiro tempo livre também. ‒ Ele sorriu para ela.

Ela sorriu mais ainda e pegou a mão dele.

‒ Então vamos pro refeitório, muitas pessoas ficam por lá nos tempos vagos. ‒ Ela disse enquanto começava a correr puxando Thomas pela mão, ele correu com ela até lá e sentiu seu peito arder quando o vento batia contra ele, ela parou e observou. – Verdade, a gente tem que ir para a enfermaria, Tom.

Ela puxou ele para a esquerda e entrou na enfermaria com ele, a enfermeira estava vendo um sorteio na televisão, ela parecia sorridente, Camila bateu o sino para chamar ela, a enfermeira se virou para ela com uma cara de mal humor.

‒ O que foi? ‒ A enfermeira falou, Thomas achou que ela tinha uma voz extremamente enjoada, sem falar que era velha e feia diferente daquelas enfermeiras que se via em filmes.

‒ Meu amigo se machucou, poderia fazer um curativo ou tratar do ferimento, sei lá. ‒ Disse Camila, preocupada, Thomas sorriu, ela estava preocupada com ele, ele lembrava como era antes dela ter ido para outro estado, eles haviam tido um pequeno namoro que mal durou duas semanas.

Quando ela e Carlos se mudaram com os pais, eles tiveram que terminar, eles perderam o contato depois de uns três ou quatro meses, Thomas mal falava com as pessoas desde então, suas notas começaram a cair e ficou parado no tempo, sem esperança de nada.

Agora ela voltara, e seu melhor amigo também, e então Thomas se lembrou de Daniella e o quanto ficou balançado pela chegada dela, ela havia feito Thomas ficar exatamente como quando ficava perto da Camila dois anos atrás. Agora ele estava confuso.

A enfermeira pediu para Thomas colocar suas coisas na mesa e se sentar na cama, Thomas o fez, ela chegou perto dele e examinou a ferida pela camisa rasgada.

‒ Acho melhor tirar a camisa, garoto. ‒ Disse a enfermeira, Camila observava atentamente eles.

‒ Tudo bem. – Disse Thomas, ele deu de ombros e tirou a camisa e a colocou do lado dele na cama, ao olhar para a enfermeira e Camila, as duas estavam um tanto surpresas, ao ver atentamente Camila, pensou que ela estava mordendo o lábio inferior.

‒ Você é bem forte, hein, garoto. ‒ Disse a enfermeira.

‒ Sério? ‒ Perguntou ele.

‒ Sim, mais do que era há dois anos, Tom. ‒ Disse Camila sorrindo.

A enfermeira limpou o ferimento e passou um remédio que, segundo ela, ajudava a cicatrizar o corte, depois ela enfaixou o peitoral de Thomas, Camila havia se sentado em uma cadeira e estava com as coisas de Thomas perto dela.

‒ Vai demorar muito? ‒ Perguntou Thomas.

‒ Fique quieto ou então vai demorar mais. ‒ Disse a enfermeira quando terminou de enfaixá-lo. ‒ Pronto, pode descer e pôr uma camisa.

Thomas desceu da cama e pegou a camisa, viu que estava rasgada e ensanguentada, o que era uma pena, pois aquela camisa era nova e boa. Ele foi até a bolsa, Camila não tirava os olhos dele, ele pegou uma camisa que ele tinha e não usava há tempos, ele pensou que Camila iria reconhecer.

‒ Oh, reconhece esta aqui? ‒ Disse ele puxando a camiseta do time de basquete que ele e Carlos faziam parte, Camila sorriu.

‒ Claro que lembro. ‒ Disse ela, que se levantou e pegou a camisa para avaliar.

Como Thomas era muito baixo e magro, ele era usado como saco de pancada nos corredores da escola quando não era a bola improvisada de basquete, Carlos sempre o tirava de enrascadas, mas mesmo assim ele fazia parte do time, o que foi motivo para pararem de usá-lo como saco de pancada no ano seguinte.

‒ Isso me lembrou nosso primeiro beijo. ‒ Disse Camila.

Thomas nem precisou vasculhar a mente para lembrar, ele sempre lembrava.

‒ Jogo contra os Tigers, nosso maior rival, perdíamos por dois pontos de diferença e eu tentei um arremesso de três pontos nos últimos segundos... ‒ Ele parou de contar porque não queria lembrar, ali o destino do jogo ficara nas mãos dele, e tudo acabara em fracasso.

‒ Nós perdemos, e então, depois do jogo, você e o Carlos haviam brigado, te procurei por todos os lugares e então fui na sua casa, você estava no telhado da casa... ‒ Ela riu. ‒ Aquilo era loucura, mas você estava lá, observando o por do sol, e você chorava, eu subi até lá e fui falar contigo, tentar me desculpar pelo Carlos, te apoiar...

Thomas segurou o nó na garganta, ele lembrava muito bem da conversa, ele pôs a camisa do time, que ficou um pouco apertada nele, claro, ele usava um tamanho maior dois anos atrás, mas agora a camisa ficava justa e mostrava seus músculos do braço.

‒ Eu achava que estava sozinho ali, que tinha perdido tudo, o pouco respeito que restara, meu melhor amigo... ‒ Disse Thomas enquanto colocava a camisa rasgada de volta na bolsa junto com os restos do skate e puxava o casaco. ‒ E então você me mostrou que eu poderia contar com você também... não só mais como uma amiga, mas como namorada, e então nos beijamos pela primeira vez.

Ela engoliu em seco, ela estava com um nó também, ela pegou a mão de Thomas.

‒ Eu queria poder voltar no tempo e consertar tudo, tudo que eu havia dito quando parti... não achei que a gente fosse voltar, eu sofri muito também, durante meses, Carlos está de prova. ‒ Disse ela com os olhos lacrimosos.

Ele respirou fundo e pensou.

‒ Eu sei, mas agora não é a melhor hora para se desculpar. ‒ Disse ele.

Ela franziu o cenho.

‒ Por que não? ‒ Perguntou ela.

Ele olhou para o relógio de pulso e depois para ela.

‒ Porque o sinal já vai tocar. ‒ No exato momento que ele havia terminado de dizer isso, o sinal tocou para o segundo tempo, ele soltou a mão dela, pegou a bolsa e o casaco e saiu da enfermaria pelo corredor no mar de alunos que passavam andando e correndo para os seus armários.

Ao chegar a seu armário, Thomas logo colocou o casaco lá dentro e pegou os livros da aula do segundo tempo: Geografia. Ótimo, ele gostaria muito de estudar um pouco a respeito do desenvolvimento político, social e econômico dos Tigres Asiáticos, o que lhe lembrou a Daniella, que tinha olhos meio puxados, ele imaginou se ela era descendente de asiáticos e alemães.

Ao andar pelos corredores com os livros debaixo do braço, Thomas foi abordado pelo velho trio que zoava ele e outros nerds e cê-dê-efes: Joe, Mark e Dig. Thomas se perguntou várias vezes que tipo de idiota se chamaria Dig, ele imaginou porque será que ele ele tinha aquele apelido, será que ele era bom escavador? De escavar, Thomas não sabia, mas já o viu enterrar várias cabeças no sanitário, e quase fez parte da experiência como cobaia.

‒ Ora, se não é o Wydde. ‒ Disse Dig. ‒ Bem-vindo de volta ao inferno, Wydde.

Dig tirou os livros das mãos de Thomas e a bolsa também. Thomas olhou para o livro e para a bolsa e depois olhou para Dig.

‒ Quer fazer o favor de pegar minhas coisas do chão? ‒ Disse ele, sendo sarcástico.

A essa altura, já havia reunido uma grande massa de alunos ao redor deles a uma distância segura. Dig fez sinal para Joe e Mark se afastarem e se aproximou de Thomas, arregaçando as mangas da camisa e exibindo os grandes músculos com cobertura de gordura que ele tinha, Thomas permaneceu firme no chão, sem tremer na base.

‒ O que você disse, Wydde? ‒ Perguntou Dig com raiva.

Nesse instante, Carlos apareceu ao lado de Thomas, e do outro lado, um garoto que Thomas desconhecia também apareceu.

‒ É isso mesmo que você ouviu, Marcus Princesa, apanha o material do meu amigo que você jogou no chão. ‒ Disse Carlos, os dois “capangas” de Dig recuaram, ambos eram mais fracos que Thomas, só faziam número, Dig hesitou e depois olhou para o outro garoto ao lado de Thomas, o que o fez ficar mais espantado.

Dig pegou os livros e a bolsa de Thomas no chão e os entregou nas mãos dele, Carlos sorriu satisfeito, e o outro garoto também, Thomas se sentiu muito fraco naquela hora, como se dependesse de Carlos para não levar socos.

‒ Assim está melhor. ‒ Disse Carlos, Dig bufou para eles, se virou e foi embora com os capangas.

Depois disso Camila chegou aonde eles estavam por um lado, seguida por Daniella, ambas foram direto para Thomas.

‒ Você está bem? ‒ As duas disseram ao mesmo tempo, elas se olharam e apontaram uma para a outra. ‒ Quem é ela?

Thomas já estava com dores de cabeça o suficiente para um dia, mas resolveu apresentá-las.

‒ Camila, esta é a Daniella, uma amiga e vizinha. Daniella, esta é a Camila, minha amiga e ex-namorada. ‒ Disse Thomas, apresentando as duas.

A palavra “ex-namorada” pegou Camila de surpresa, o seu coração apertou, mas ela precisava se manter firme e se segurar. Ela pensava horrores quando tinha visto Daniella perto de Thomas, pensava que ele á havia esquecido ela por outra garota, mas ele a apresentou como amiga, então ela ficou feliz por não apresentá-la como namorada.

‒ Melina disse que você poderia estar se drogando hoje de manhã, e que talvez não viesse para a escola. ‒ Disse Daniella para Thomas, ignorando a presença de Camila ou de qualquer outra pessoa que estivesse por perto, como Carlos ou o garoto que ficou do lado de Thomas. Thomas fez uma careta quando ela disse isso.

‒ A Melina me odeia, na moral. ‒ Disse Thomas ajeitando a alça da bolsa nas costas.

Carlos chegou perto de Thomas e pigarreou alto, Thomas girou os olhos e começou a falar.

‒ Ah, claro, Dani, esse é o meu melhor amigo Carlos, Carlos, esta é a...

‒ Prazer senhorita, sou Carlos Mountain, sim, esse é o meu sobrenome mesmo, quer saber o motivo do meu sobrenome ser Montanha, hein? ‒ Carlos interrompeu a apresentação de Thomas.

‒ Ok, Carlos, essa foi horrível. ‒ Disse Thomas.

‒ Dani, seu pai é Advogado? ‒ Perguntou ele.

‒ Carlos, cantada de pedreiro é baixaria, cara. ‒ Disse Thomas.

Carlos riu e estendeu a mão para Daniella.

‒ Eu só estava brincando, mas ela é muito linda, cara. ‒ Disse Carlos.

‒ Eu sei. ‒ Disse Thomas, colocando uma mão na cabeça, como gesto de que dava a entender que ele achava Carlos bastante idiota.

O outro garoto que estava meio alheio a conversa se aproximou de Thomas, sorrindo.

‒ Você tem amigos e tanto, hein, primo. ‒ Disse ele.

Thomas não havia reconhecido ele de primeira, mas vasculhou memórias de rostos familiares e percebera que anos mais cedo havia aparecido um garoto com feições familiares junto com sua tia, logo percebera quem era.

‒ Matheus? ‒ Disse Thomas surpreso, o garoto sorriu mais e assentiu com a cabeça.

‒ Surpreso em me ver, priminho? ‒ Disse Matheus.

‒ Bastante, pensei que você e sua família morassem no litoral. ‒ Thomas então se lembrou do irmão mais velho do Matheus, Max, que era surfista profissional.

‒ Nos mudamos para cá, depois que o Max foi pra universidade nós conseguimos finalmente sair de lá e vir para o interior, que acho melhor, odiava aquele sol na cara o tempo inteiro, aqui há muitas chuvas, isso é bom. ‒ Disse Matheus.

Após ter apresentado seu primo a todos, Thomas se lembrara que tinha aula.

‒ Droga, vou chegar atrasado para a aula de Geografia. ‒ Disse ele.

‒ Que sorte, eu tenho Geografia agora também. ‒ Disse Daniella.

‒ Dois tempos? ‒ Perguntou Thomas, ela assentiu sorridente, seus olhos claros brilhavam.

Camila não parecia nada feliz, ela tinha aula de Inglês agora junto com seu irmão gêmeo. Matheus foi para Biologia. Após entrarem na sala de Geografia atrasados, Thomas e Daniella se sentaram em lugares onde ficaram pertos um do outro.

Após eles se acomodarem nos lugares, o professor pode iniciar a aula, ele era bem jovem, mas já tinha cabelos um pouco grisalhos, tinha pele meio bronzeada e olhos castanhos quase vermelhos, ou era a luminosidade que fazia parecerem vermelhos? O professor sorriu, observando cada um na turma e por fim se apresentou.

‒ Olá, me chamo Philip Weaster e serei seu professor de Geografia. ‒ Disse ele.

Notas finais
Obrigado por lerem. Quaisquer informações, reclamações ou dúvidas, podem mandar mensagem aqui ou no facebook cujo o link está nas notas finais do primeiro capítulo.
Este é o último capítulo disponível... por enquanto! A história ainda não acabou.