Message in a bottle
6 Capítulo 5
Notas iniciais
No sábado, oito dias depois de sua chegada a Cape Cod, Quinn voltou para Boston.
Destrancou a porta do apartamento e seu cachorro veio correndo do quarto dos fundos. Esfregou-se na perna dela, até que Quinn se abaixou e fez um carinho em sua cabeça e caminhou até sua cozinha, pegou a comida e deu-a a ele enquanto lhe acariciava de novo a cabeça, grata à vizinha Ella por ter cuidado de seu bichinho enquanto ela estava fora. Quando terminou de comer, seu cão encaminhou-se para as portas corrediças de vidro que levavam à varanda. O apartamento estava abafado por ter ficado aquele tempo todo fechado, então ela abriu as portas para arejá-lo.
Depois de desfazer as malas e pegar com Ella suas chaves extras e a correspondência, serviu-se de uma taça de vinho, foi até o aparelho de som e colocou o CD de John Coltrane que tinha comprado. Examinou as cartas enquanto o jazz tomava de conta do ambiente. Como sempre, tratava-se de contas para pagar, e ela as colocou de lado para vê-las depois.
Quando verificou a secretária eletrônica, havia oito recados. Dois eram de homens com quem já tinha saído, pedindo que ela ligasse quando pudesse. Quinn pensou por um instante e decidiu não retornar – nenhum dos dois a atraía, e ela não se sentia inclinada a sair só porque estava com tempo livre na agenda -. Havia também mensagens da mãe e da irmã, e ela escreveu um lembrete para telefonar para elas durante a semana. Não havia recado algum de Tommy. Àquela altura ele estaria fazendo rafting e acampando com o pai em algum lugar do Arizona.
Sem o filho, a casa parecia estranhamente silenciosa. Por outro lado, estava também arrumada, e isso de certa forma tornava as coisas mais fáceis. Era bacana só precisar limpar e colocar tudo em ordem de vez em quando.
Pensou sobre as duas semanas de férias que ainda tinha para tirar durante o ano. Tinha prometido à Tommy que passariam alguns dias na praia e ainda sobraria uma semana. Poderia tirá-la perto do natal, mas aquele ano, Tommy estaria com o pai, de modo que isso não fazia muito sentido. Odiava passar o Natal – que sempre fora seu feriado favorito – sozinha, mas não tinha escolha, e concluiu que era inútil ficar pensando nisso. Talvez pudesse ir às Bermudas, à Jamaica ou qualquer outro lugar do Caribe, mas o problema era que na verdade não queria viajar sozinha e não conhecia ninguém que pudesse acompanhá-la. Frannie talvez estivesse disponível, mas ela duvidava: os três filhos mantinham-na bastante ocupada e o marido dificilmente poderia se afastar do trabalho. Quem sabe ela poderia aproveitar o tempo livre para se dedicar às coisas que vinha pretendendo fazer na casa... mas isso parecia um desperdício: quem quer passar as férias pintando e trocando papel de parede?
Por fim, desistiu e resolveu que, se nada empolgante lhe viesse à lembrança, ela deixaria para tirar essa última semana de férias no ano seguinte. Talvez fosse com Tommy passar algumas semanas no Havaí.
Deitou-se na cama e pegou um dos romances que tinha começado em Cape Cod. Leu rápido e sem interrupção, e devorou quase cem páginas antes de se sentir cansada. À meia-noite, apagou a luz. Durante a madrugada, sonhou que caminhava ao longo de uma praia deserta, embora não soubesse por quê.
**
Na segunda-feira de manhã, havia uma montanha de cartas em sua mesa. Quando ela chegou, havia quase duzentas, e outras cinquenta vieram pelo correio da tarde. Assim que Quinn entrou no escritório, Santana apontou para a pilha com ar orgulhoso.
– Esta vendo? Eu falei – comentou ela com um sorriso.
Quinn pediu para que a recepcionista colocasse todos os seus telefonemas em espera e começou a abrir os envelopes no mesmo instante. Toda a correspondência, sem exceção, falava sobre a mensagem publicada na coluna. A maioria dos remetentes era do sexo feminino, embora alguns homens também tivessem escrito, e a unanimidade das opiniões à surpreendeu. Cada uma delas descrevia a emoção que a carta anônima suscitara. Muitas perguntavam se ela conhecia o autor, e algumas mulheres queriam, caso ele fosse solteiro, casar com ele.
Quinn descobriu que quase todas as edições dominicais do país tinham publicado a coluna, e as cartas vinham e lugares tão distantes quanto Los Angeles. Seis homens afirmavam ter escrito o texto, e quatro deles queriam cobrar direitos autorais – um chegou a ameaçar processá-la – Mas, ao examinar as caligrafias, ela constatou que nenhuma se parecia nenhum pouco com a da mensagem original.
Ao meio-dia, Quinn foi almoçar em seu restaurante japonês favorito e algumas pessoas em outras mesas mencionaram que também tinham lido o artigo.
– Minha mulher pregou a carta na porta da geladeira – comentou um homem fazendo-a rir alto.
No final do dia, ela tinha lido quase toda a pilha e estava bem cansada. Não tinha trabalhado na crônica seguinte e, como sempre, sentia a pressão do prazo de entrega iminente crescer. Às cinco e meia, começou a esboçar um artigo sobre a ausência de Tommy e o que isso significava para ela. Estava se saindo melhor do que esperava e já tinha quase terminado quando o telefone tocou.
Era a recepcionista do jornal.
– Oi, Quinn, sei que você pediu para segurar as ligações, e é o que eu estou fazendo – começou ela. – Não está sendo fácil, aliás. Você recebeu uns sessenta telefonemas. O aparelho não para de tocar.
– Então, o que está havendo?
– Tem uma mulher que não para de ligar. É a quinta vez hoje, sem contar as duas vezes na semana passada. Não quer dar o nome, mas a essa altura já reconheço a sua voz. Ela diz que precisa falar com você.
– Você não pode simplesmente pegar o recado? – Pergunta Quinn.
– Já tentei, mas ela é insistente. Fica pedindo que eu a mantenha na linha até que você esteja disponível. Diz que está ligando de outra cidade, mas que precisa falar com você.
Quinn pensou por um instante com os olhos fixos na tela à sua frente. O artigo estava quase pronto, faltavam apenas uns dois parágrafos.
– Não pode pedir para ela deixar um número para onde eu possa ligar? – Tentou novamente.
– Ela também não quer dar seu telefone, é muito evasiva.
– Você sabe o que ela quer?
– Não tenho a menor ideia, mas ela parece ser coerente, ao contrário de muita gente que ligou hoje. Um cara me pediu em casamento.
Quinn riu.
– Está bem, diga a ela para esperar na linha. Vou atendê-la aqui a alguns minutos.
– Certo.
– Em que linha ela está?
– Na cinco.
– Obrigada.
Quinn terminou o artigo depressa. Iria revisá-lo assim que desligasse. Pegou o fone e apertou o botão para atender.
– Alô.
A linha ficou em silêncio por um instante. Então uma mulher perguntou, com a voz suave e melodiosa:
– Falo com Quinn Fabray?
– Sim, sou eu.
Quinn recostou-se e começou a enrolar uma mecha de cabelo.
– Foi você quem escreveu o artigo sobre a mensagem na garrafa? – Quis saber a mulher do outro lado da linha.
– Fui eu. Em que posso ajudá-la?
A mulher tornou a ficar em silêncio. Quinn ouvia sua respiração – parecia que ela estava pensando no que diria a seguir-. Depois de um momento, ela perguntou:
– Pode me dizer os nomes que havia na carta?
Quinn fechou os olhos e parou de mexer no cabelo. Apenas outra mulher curiosa, pensou. Voltou a fitar a tela do computador e começou a reler o artigo.
– Não, sinto muito, não posso. Não quero que essa informação se torne pública.
A mulher se calou mais uma vez e Quinn começou a ficar impaciente. Leu o primeiro parágrafo o texto. Então a mulher surpreendeu-a:
– Por favor, eu preciso saber.
Quinn desviou os olhos da tela. Sentiu uma transparência absoluta na voz de sua interlocutora. Havia outra coisa também, que ela não conseguiu identificar.
– Sinto muito, não posso mesmo – disse finalmente.
– Então pode responder a uma pergunta?
– Talvez.
– A carta foi endereçada a Catherine e assinada por alguém chamado R. Berry?
Agora a mulher tinha toda a atenção de Quinn, que se empertigou na cadeira.
– Quem está falando? – insistiu Quinn, dessa vez com mais delicadeza.
Ouviu a mulher dar um suspiro profundo antes de retrucar:
– Meu nome é Michelle Turner e moro em Norfolk, na Virgínia.
– Como ficou sabendo da carta?
– Meu marido é da Marinha e está alocado aqui. Há três anos eu estava caminhando pela praia e encontrei uma carta parecida com a que você achou nas férias. Depois de ler o artigo, vi a mesma pessoa tinha escrito as duas cartas. As iniciais eram as mesmas.
Quinn parou por instante, pensando que aquilo era impossível. Três anos?
– Em que tipo de papel ela foi escrita?
– Era bege, e tinha o desenho de um veleiro no canto superior direito.
Quinn sentiu o coração disparar. Aquilo ainda lhe parecia inacreditável.
– A sua carta também tinha o desenho de um veleiro, não tinha? – indagou a mulher.
– Tinha – admitiu Quinn, num sussurro.
– Eu sabia. Soube assim que li o artigo – garantiu Michelle, como se um fardo tivesse sido tirado dos seus ombros.
– Ainda tem uma cópia da carta? – Quis saber Quinn.
– Tenho. Meu marido nunca a viu, mas de vez em quando eu a pego só para ler mais uma vez. É um pouco diferente da mensagem que você divulgou no artigo, mas os sentimentos são os mesmos.
– Poderia me enviar uma cópia por fax?
– Claro – respondeu a mulher, antes de fazer uma pausa. – É espantoso, não é? Quero dizer, primeiro eu tê-la encontrado há tanto tempo, e agora você achar a outra.
– É – murmurou Quinn. – É mesmo.
Depois de dar o número do fax a Michelle, Quinn mal conseguiu revisar o artigo recém-escrito. A mulher teria que ir a uma agência dos correios para enviar o texto, e Quinn ficou andando da escrivaninha até a máquina de fax a cada cinco minutos enquanto esperava a carta chegar. Depois de 46 minutos, ouviu a máquina começar a funcionar. A primeira página a sair foi a capa da agência por onde o fax fora enviado, aos cuidados de Quinn Fabray no Boston Times.
Ela observou a folha cair na bandeja enquanto ouvia o som da máquina copiando a carta linha por linha. Foi rápido – cada página levava apenas dez segundos para ficar pronta — , mas mesmo essa espera pareceu uma eternidade. Então o fax começou a imprimir uma terceira página e ela compreendeu que, assim como a carta que tinha encontrado, essa outra também devia ser escrita dos dois lados da folha.
Quando o bipe da máquina do fax sinalizou o fim da transmissão, Quinn pegou os papéis e levou-os para a mesa sem ler. Colocou-os virados para baixo por alguns minutos, tentando acalmar a respiração. É só uma carta, disse a si mesma.
Inspirou profundamente e ergueu a primeira página. Uma rápida olhada no desenho do veleiro provou que de fato se tratava do mesmo autor. Quinn colocou a página sob uma luz mais forte e começou a ler.
6 de março de 2006.
Minha querida Catherine,
Onde você está? Estou só, numa casa às escuras, eu me pergunto também: por que nos separados tão forçadamente?
Não sei as respostas a essas perguntas, por mais que me esforce para tentar entender. A razão é óbvia, mas minha mente me obriga a descartá-la e a ansiedade me corrói durante todo o tempo que não estou dormindo. Me perdi sem você. Sou uma pessoa sem alma, errante sem lar, sou como um pássaro solitário voando para lugar nenhum. Sou todas essas coisas e não sou nada. Esta, minha querida, é a vida sem sua presença. Anseio por você para me ensinar a viver de novo.
Tento lembrar o modo como ficávamos ao vento no convés do Happenstance. Você se recordar o tanto que trabalhos nele? Mas nos tornamos uma parte do oceano enquanto o reconstruíamos, pois sabíamos que tinha sido o mar que nos unira. Foi em ocasiões como aquela que compreendi o significado de felicidade verdadeira. À noite velejávamos na água escura e eu contemplava o luar refletindo a sua beleza. Olhava para você com admiração, sabendo no fundo do meu coração que nos amaríamos sempre. Será que é sempre assim quando duas pessoas se amam? Não sei, mas se a minha vida, desde que você foi tirada de mim, serve como exemplo, então acho que sei as respostas. De agora em diante, tenho a consciência de que estarei só.
Penso em você, sonho com você, imagino-a quando mais preciso de você. Isso é tudo que posso fazer, mas para mim não é suficiente. E nunca será, sei disso. No entanto, o que mais posso fazer? Se você estivesse aqui, iria me dizer, mas até isso me foi roubado. Você sempre conhecia as palavras certas para acalmara dor que eu sentia. Sempre sabia como fazer para que eu me sentisse bem.
Será possível que você saiba como eu fico sem você? Quando sonho, gosto de pensar que sim. Antes de nos conhecermos, eu andava pela via sem sentido, sem razão. Sei que de alguma forma cada passo que dei desde que eu aprendi a andar foi um passo na sua direção. Foi destino.
Mas agora, só em casa, acabei de compreender que o destino pode ferir alguém, assim como pode abençoá-lo também, e fico perguntando por que, entre todas as pessoas no mundo que poderia ter amado, tive que me apaixonar por uma que foi levada para longe de mim.
R. Berry
**
Depois de ler a carta, Quinn recostou-se na cadeira e levou os dedos aos lábios. O barulho da redação parecia vir de algum lugar muito distante dali. Ela estendeu a mão para a bolsa, pegou a carta que tinha encontrado e colocou as duas lado a lado sob a escrivaninha. Leu a primeira, depois a segunda, em seguida as releu em ordem inversa, sentindo-se quase como uma voyeuse, como se estivesse espionando um momento pessoal, secreto.
Ergueu-se da cadeira e afastou-se da escrivaninha, experimentando uma estranha perturbação. Foi até a máquina de refrigerantes e comprou uma latinha de suco de maçã, tentando compreender seus sentimentos. Quando voltou, suas pernas de repente pareceram fracas e ela caiu sobre a cadeira. Chegou a pensar que, se a cadeira não estivesse no lugar certo, ela teria desabado no chão.
Na esperança de clarear os pensamentos, começou a arrumar a bagunça em cima da escrivaninha. Colocou as canetas dentro da gaveta, os artigos que usara para pesquisar no arquivo, encheu o grampeador, apontou os lápis e os guardou numa xícara de café em cima da mesa. Quando terminou, nada estava fora do lugar, exceto as duas cartas, nas quais ela não tinha sequer tocado.
Havia pouco mais de uma semana que ela encontrara a primeira carta, cujas palavras tinham lhe impressionado profundamente, embora a sua parte pragmática a forçasse a tentar esquecer o assu;nto. Mas agora isso parecia impossível, depois de saber de uma segunda carta que talvez estivesse sido escrita pelo mesmo autor. Imaginou se haveria outras. E que tipo de homem mandaria cartas dentro de garrafas? Parecia um milagre que outra pessoa, três anos antes, tivesse encontrado uma delas e a guardado numa gaveta por ter se comovido com ela – mas isso tinha mesmo acontecido – E o que significava tudo aquilo?
Ela sabia que não devia ter muita importância para ela, mas tinha. Passou a mão pelos cabelos e olhou em volta. Por toda parte as pessoas estavam em movimento. Abriu a lata de suco de maçã e bebeu um gole, tentando entender o que se passava por sua cabeça. Não tinha certeza ainda, e seu único desejo era que ninguém fosse até sua mesa nos minutos seguintes, até que ela estivesse mais controlada. Guardou as duas cartas de volta na bolsa, enquanto a primeira frase da segunda delas não lhe saía da mente.
Onde você está?
Fechou o programa do computador que tinha usado para escrever o artigo e, apesar de suas apreensões, acessou a internet.
Depois de um momento de hesitação, digitou “Wrightsville Beach” na barra de busca e apertou o Enter. Em menos de cinco segundos, vários resultados apareceram, entre eles:
Wrightsville Beach – Mariposa Web Pages
Wrightsville Beach, Carolina do Norte, Estados Unidos.
Ticar Real Estate Company – Imobiliária – Wilmington. Carolina do Norte.
Ver também agências em Wrightsville Beach e Carolina Beach
Wrightsville Beach, Carolina do Norte – Hospedagem – Cascade Beach Resort
Ali sentada com os olhos pregados na tela, ela de repente se sentiu ridícula. Mesmo se Santana tivesse razão e R. Berry morasse em algum lugar na região de Wrightsville Beach, seria quase impossível localizá-lo. Por que então ela estava tentando fazer isso?
Sabia por que, é claro. As cartas tinham sido escritas por alguém que amava profundamente uma mulher, alguém que agora estava só. Quando criança, ela acreditava no companheiro ideal – o príncipe ou o cavaleiro dos contos infantis. No mundo real, contudo, eles não existiam. As pessoas reais tinham rotinas reais, exigências reais, expectativas reais sobre como os outros deveriam se comportar. Sim, existiam homens bons, que amavam de verdade e permaneciam firmes diante de grandes obstáculos, o tipo que Quinn vinha querendo encontrar desde que ela e Noah se divorciaram. Mas como encontrar essa pessoa?
Ali, naquele momento, ela tinha certeza de que esse homem existia – e estava só. Saber disso mexia com ela. Parecia evidente que Catherine fosse quem fosse, já tinha morrido, ou ao menos desaparecera sem razão. No entanto, Berry ainda a amava o suficiente para lhe mandar cartas de amor durante pelo menos três anos. Ele no mínimo provara que era capaz de amar muito uma pessoa e – mais importante – permanecer totalmente comprometido com a amada mesmo muito tempo depois e ela ter partido.
Onde está você?
Essa pergunta ecoava em sua cabeça como uma canção ouvida no rádio pela manhã e que ficava se repetindo durante a tarde.
Onde está você?
Ela não sabia onde Berry estava, mas existia de verdade, e uma das coisas que ela aprendera bem cedo na vida fora que, quando uma pessoa encontra algo que mexe com ela, é melhor tentar descobrir mais sobre essa coisa. Se ela ignorar os próprios sentimentos, jamais descobrirá o que poderia acontecer, e por vários motivos isso é pior do que constatar que estava errada desde o início. Porque ainda que esteja equivocada, ela será capaz de seguir sua vida sem olhar para trás e sem ficar imaginando o que poderia ter acontecido.
Mas aonde isso tudo levaria? E o que significava? A descoberta da carta teria sido de alguma forma, um ato do destino ou apenas uma coincidência? Ou será que fora só um lembrete do que estava faltando em sua vida? Enquanto meditava sobre a questão. Quinn enrolava distraidamente uma mecha de cabelo até concluir que estava tudo bem, que poderia viver com isso.
No entanto, estava curiosa em relação ao misterioso escritor, e não fazia sentido negar esse sentimento, ao menos para si mesma. E como ninguém mais compreenderia – como alguém poderia entender, se ela própria não conseguia? – Quinn decidiu não revelar a ninguém o que estava sentindo.
Onde está você?
Bem no fundo, ela sabia que fazer buscas na internet e sentir-se fascinada por Berry não levaria a nada. Aquilo iria aos poucos transformar-se em uma história interessante que ela recontaria de vez em quando. Iria continuar com a vida, escrever sua coluna, ficar com Tommy, fazer todas as coisas que uma mãe solteira tinha que fazer.
E estava quase certa: sua vida iria prosseguir exatamente como ela imaginava. Mas três dias depois aconteceu algo que fez Quinn se lançar ao desconhecido levando apenas uma mala cheia de roupas e uma pilha de papéis que podiam ou não significar alguma coisa.
Ela descobriu uma terceira carta de Berry.
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