Message in a bottle
24 Capitulo 23
Notas iniciais
Rachel acertou na previsão do clima ideal e os três se divertiram muito no mar. Ela ensinou para Tommy os princípios básicos de velejar – começando por como e quando manobrar de modo a prever a direção do vento baseando-se nas nuvens. Como na primeira ocasião que ela e Quinn velejaram, comeram sanduiches e salada, mas dessa vez tiveram a sorte de ver uma família de golfinhos brincando em volta do barco durante a refeição.
Já era tarde quando voltaram às docas, e depois de mostrar a Tommy como fechar o barco para protegê-lo de tempestades inesperadas, Rachel levou-os ao hotel. Como os três estavam exaustos, Quinn e Rachel despediram-se rapidamente, e tanto ela quanto Tommy já tinham se deitado antes que Rachel chegasse em casa.
No dia seguinte, Rachel levou-os a seu primeiro mergulho no mar. Após o nervosismo inicial, os dois começaram a se divertir e acabaram gastando mais dois tanques cada um durante a tarde. Graças ao bom tempo, a água estava clara, com excelente visibilidade. Rachel tirou algumas fotos deles explorando um dos navios naufragados em águas rasas em frente a costa da Carolina do Norte. Prometeu mandar revela-las naquela mesma semana e enviá-las assim que pudesse.
Tornaram a passar a noite na casa de Rachel. Depois que Tommy adormeceu, Rachel e Quinn ficaram sentadas lado a lado na varanda, sendo acariciadas pelo ar quente e úmido.
Conversaram sobre os mergulhos da tarde, em seguida Quinn ficou em silêncio por um instante.
– Não consigo acreditar que vamos embora amanhã à noite – comentou finalmente, com um traço de tristeza na voz. – O tempo voou.
– É porque ficamos muitos ocupados.
Ela sorriu.
– Agora você tem uma ideia de como é a minha vida em Boston.
– Sempre correndo?
Ela assentiu.
– Tommy foi a melhor coisa que me aconteceu, mas às vezes ele me deixa exausta. Tem que estar sempre fazendo alguma coisa.
– Mas você não mudaria isso, não é? Quer dizer, não ia querer criar um filho viciado em TV, ou que fica o dia inteiro sentado no quarto ouvindo música.
– Claro que não.
– Então agradeça por ele ser assim. É um garoto ótimo. Gostei muito da companhia dele, de verdade.
– Que bom. Sei que ele se sente da mesma forma. – Ela fez uma pausa. – Sabe, mesmo que dessa vez não tenhamos passado muito tempo a sós, parece que agora conheço você melhor do que quando vim sozinha.
– Como assim? Sou a mesma de antes.
Ela sorriu.
– É e não é. Na última vez, você me teve por inteiro, e nós duas sabemos que é mais fácil envolver-se com uma pessoa quando podemos passar bastante tempo na companhia dela. Dessa vez você viu como seria com Tommy por perto... E mesmo assim lidou com tudo muito melhor do que eu poderia imaginar.
– Bom, obrigada, mas não foi assim tão difícil. Contanto que você esteja por perto, não importa o que façamos. Gosto de ficar com você.
Rachel passou o braço pelos ombros de Quinn e puxou-a para si. Quinn apoiou a cabeça no ombro dela. Em silêncio, ficaram escutando as ondas que quebravam na praia.
– Vão passar a noite aqui outra vez? – perguntou Rachel.
– Estou pensando seriamente nisso.
– Vai querer que me comporte outra vez? – perguntou divertida.
– Talvez sim, talvez não.
Rachel levantou as sobrancelhas.
– Está flertando comigo?
– Estou tentando – confessou Quinn, e ela riu. – Sabe, Rachel, fico muito à vontade ao seu lado.
– À vontade? Você fala como se eu fosse um sofá...
– Não foi o que eu quis dizer. É que eu me sinto bem quando estamos juntas.
– E deveria mesmo. Eu também me sinto muito bem com você.
– Muito bem? Só isso?
Rachel balançou a cabeça.
– Não é só isso, não. – Por um segundo, sua expressão foi quase de timidez. – Depois que você foi embora da ultima vez, papai veio me fazer um sermão.
– O que ele disse?
– Que, se você me faz feliz, então eu não deveria deixá-la ir embora.
– E como você pretende fazer isso?
– Acho que vou ter usar meu charme para conquistá-la.
– Você já fez isso.
Rachel olhou de relance para ela, então voltou os olhos para o mar. Depois de um momento, falou baixinho:
– Então acho que vou ter que dizer que te amo.
Eu te amo.
No céu acima delas, todas as estrelas brilhavam na escuridão. Nuvens distantes passavam pelo horizonte, refletindo a luz da lua crescente. Quinn escutou as palavras dançando em sua mente.
Eu te amo.
Dessa vez, não havia ambivalência, nem dúvidas quanto ao que ela dissera.
– Ama mesmo? – murmurou ela.
– Amo – confirmou ela, virando-se para encará-la. – Amo mesmo.
Quando Rachel respondeu isso, Quinn viu nos olhos dela algo que nunca vira antes.
– Ah, Rachel... – começou Quinn, hesitante.
Rachel a interrompeu com um gesto de cabeça.
– Quinn, não espero que sinta o mesmo por mim. Só queria que soubesse como me sinto. – Ela pensou por um instante e lembrou o sonho que tivera. – Nessas duas semanas, muitas coisas aconteceram... – Então ela ficou em silêncio.
Quinn começou a dizer alguma coisa, mas Rachel balançou a cabeça. Demorou um instante até recomeçar:
– Não tenho certeza se compreendo tudo, mas sei o que sinto por você.
Ela passou o dedo com delicadeza pelo rosto e pelos lábios da loira.
– Eu te amo, Quinn.
– E também te amo – disse ela, baixinho, esperando que as palavras fossem verdadeiras.
Depois disso elas ficaram abraçadas por um longo tempo, em seguida entraram em casa e fizeram amor, conversando em sussurros até o amanhecer. Dessa vez, após Quinn ir para o quarto, Rachel dormiu profundamente enquanto Quinn ficou acordada pensando no milagre que tinha reunido as duas.
##
O dia seguinte foi maravilhoso. Sempre que tinham uma oportunidade, Rachel e Quinn ficavam de mãos dadas, trocando alguns beijos furtivos quando Tommy não estava olhando.
Passaram o dia treinando, como na véspera, e depois que terminaram a última lição de mergulho, Rachel entregou-lhes, ali mesmo no barco, seus diplomas temporários.
– Agora vocês podem mergulhar onde e quando quiserem – disse ela a Tommy, que segurava o documento como se fosse ouro. – É só mandar esse formulário e o diploma definitivo chegará em poucos dias. Mas lembrem que nunca é seguro mergulhar sozinho. Vocês devem ir sempre com outra pessoa.
Como era o último dia deles em Wilmigton, Quinn fechou a conta no hotel e os três foram para a casa de Rachel. Tommy quis passar as últimas horas na praia, e Quinn e Rachel sentaram-se com ele perto da água. Rachel e Tommy ficaram algum tempo jogando frisbee e Quinn, quando percebeu que já era o final da tarde, entrou em casa para fazer algo para comer.
Os três tiveram um jantar rápido na varanda dos fundos, antes de Rachel levá-los ao aeroporto. Depois que Quinn e Tommy subiram a bordo, Rachel ficou alguns minutos contemplando o avião, até que a aeronave começou a se afastar em direção à pista. Quando o avião sumiu de vista, ela voltou para o furgão e foi para casa, já consultando o relógio para ver quanto tempo precisaria esperar para ligar para Quinn.
Dentro do avião, Quinn e Tommy ficaram folheando revistas. Mais ou menos na metade da viagem, o garoto virou-se de repente para ela e perguntou:
– Mamãe, você gosta da Rachel?
– Gosto, sim. Mas o mais importante é: você gosta dela?
– Acho que ela é bacana. Quero dizer, para um adulto.
Quinn sorriu.
– Você dois parecem ter se dado bem. Está feliz por ter vindo?
Ele assentiu.
– É, estou. – Fez uma pausa, brincando com a revista. – Mãe, posso lhe fazer uma pergunta?
– É claro que pode.
– Você vai se casar com a Rachel?
– Não sei. Por quê?
– Você quer?
Ela demorou alguns instantes para responder.
– Não tenho certeza. Sei que não quero me casar com ela agora. Ainda estamos nos conhecendo.
– Mas pode ser que se case com ela no futuro?
– Talvez.
Tommy pareceu aliviado.
– Que bom. Você parecia muito feliz quando estava com ela.
– Dava para perceber?
– Mãe, eu tenho 12 anos. Sei mais coisas do que você pensa.
Ela estendeu a mão e tocou a dele.
– Bem, o que você teria dito se eu respondesse que queria me casar com ela logo?
Ele ficou calado por um momento.
– Acho que eu iria querer saber onde iríamos morar.
Por mais que tentasse, Quinn não conseguiu pensar numa boa resposta. Onde?
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