Meses...

3 Capítulo III


Notas iniciais
Sim, podem jogar pedras hahaha. Mas coloquem uma coisa em suas cabecinhas: eu não vou nunca abandonar a Meses. Se tem uma coisa que eu raramente faço é abandonar fanfics e pode levar 50 anos, mas eu vou finalizar a Meses. Afinal, ela é um projeto que teria em torno de 15 capítulos, o que eu acho que talvez eu não consiga. Por que tia Ana? Porque eu teria que fazer capítulos grandes para colocar toda a história em apenas 15 capítulos e não ficar super corrido e em nexo, e eu não sou a melhor pessoa com capítulos acima de 3.000 palavras, então talvez tenha mais do que 15 e nem seja mais short fic haha. Eu vou escrever tudo o que eu tenho em mente, deu 15 capítulos, beleza, não deu? Bora continuar. Eu realmente espero que vocês gostem deste, pois tem um personagem novo vindo aí, que vai ter importância na história. Ele vai brotar no próximo. Enfim, boa leitura e me desculpem pela demora de 3 meses.

Assim que entramos no Bistrô de Carmen (amiga de vovó) sinto o aroma tão familiar do local. Lembro-me como se fosse ontem os aniversários que passava aqui e os bolos que ganhava como presente. Carmen é uma senhora de 60 e poucos anos, mas que aparenta 50 por sua linda pele negra ser tão lisa quanto a de uma pessoa mais jovem. Sempre invejei seus cachos e sempre admirei seu carisma e simpatia. Ah, e sua comida é a melhor.

Pego na mão de Nick instantaneamente, talvez por ainda estar tonta e o guio para a mesa que eu sempre sento, perto de uma janela. Sento-me, e olho para ele que até então não havia dito nada.

— Esse lugar é bem sua cara, bem fru fru. — Diz em tom claramente de brincadeira e começa a olhar o cardápio que sempre fica em cima da mesa. Nick tem cara de quem é comilão e provavelmente vai ficar indeciso com a variedade que Carmen oferece. Sim, eu era uma bolinha quando criança por culpa dela e seus cupkcakes maravilhosos.

Pego o outro cardápio, ignorando a piadinha de Nick e vou direto ao meu pedido de sempre: frango com quiabo. Com certeza a minha comida favorita, não importa quem cozinhe. Fecho o cardápio em seguida e espero pela decisão de Nick. Ele estava concentrado e parecia pensar, o que me fez ri por ser apenas um cardápio.

— Não me olhe com essa cara. Preciso saber o que vou colocar na minha barriguinha e acho que vou seguir você. Quero o que você pediu. — Ah ótimo, agora ele quer tomar o meu prato favorito, ouviram? Meu. Não tive muito tempo para protestar, pois Carmen chegou a nossa mesa com o seu sorriso amigável de sempre.

Ela olhou para Nick claro, e claro que fez aquele olhar. Por que as pessoas têm que ser assim? Veem coisas a mais em tudo. Eu tenho cara de quem ta pegando esse loiro oxigenado? Ta que ele não é oxigenado, masok. Subo meu olhar para ela e sorrio de volta, falando antes que ela conseguisse insinuar algo.

— Eu vou querer o mesmo de sempre tia Carmen, e meu colega de escola também. — Não quis nem olhar para Nick porque sabia que ele estava com uma de suas expressões, já que Carmen soltou uma risadinha. Tentei me concentrar na música que tocava baixinho para não ficar nervosa com toda aquela situação. Eu não estou em um encontro, ok?

— E posso saber quem é o colega de escola, muito bonito por sinal? — Minha cara já estava no chão agora. Olho rapidamente para Nick e ele está vermelho, não de vergonha, e sim por estar segurando uma bola de riso. Paige saberia lidar com essa situação, ela sempre consegue sair dessas situações.

Nick então prontamente se levantou e estendeu a mão para Carmen, que aceitou com a mesma rapidez, sorrindo. Não me faça passar vexame Nicholas, não faça.

— Sou Nicholas. Fiquei na escola até mais tarde com a Mi e resolvemos almoçar aqui. Fiquei sabendo que a senhora cozinha muito bem, mal posso esperar para provar sua comida. Eu amo comer. Amo comida no geral. — Mi? Mi? Quero sair correndo e me jogar no primeiro carro que aparecer. Agora sim que ela vai achar que temos algo. Prevejo eu chegando em casa e vovó com mil assuntos para tratar comigo.

Não preciso nem dizer que Carmen fez a cara de “amei você, quero te adotar” pra ele né? Todos amam o Nicholas. Que incrível, que mágico, mas eu quero matá-lo agora. Direciono meu olhar mortal para Nick e volto a encarar a mesa. Sim, o forro de doces fofos estava mais interessante que essa conversa constrangedora.

— E você já deve saber que sou Carmen, a dona daqui. Saiba que eu troquei as fraldas dessa menina, então estou de olho. — Ela dá uma risadinha e quando percebe o meu estado, se apressa. — O mesmo de sempre então? Se prepare para comer o melhor frango com quiabo Nicholas... — E finalmente saiu de perto, lançando olhadas para cá no caminho.

Levanto minha cabeça e me deparo com um Nicholas rachando de ri da minha cara. Esse menino pede pra morrer não é? Qual o problema dele? O encaro de braços cruzados, até a hiena parar de ri.

— Você tem que admitir que foi engraçado... Ela no mínimo achou que estamos em um encontro. E não é que estamos mesmo? Eu nem precisei convidar. — Sim, eu corei. Não pensei nesse almoço como um encontro em nenhum momento, mas parece que todos pensam. Eu estava com fome, ele também e estávamos juntos, em uma encrenca que ele próprio me enfiou. Não era um encontro.

Suspiro, tentando me acalmar e bebo um pouco da água que estava no centro da mesa. Só agora percebo que não estava mais tão tonta e agradeço mentalmente a Deus por isso.

— Isso não é um encontro. Viemos almoçar e eu te convidei porque sou uma pessoa muito boa com meus coleguinhas. — Soei um pouco mais irônica do que queria, mas diante de tudo que estou vivendo hoje, nada mais justo.

Ele devolve a ironia com um daqueles sorrisos de lado que qualquer uma se derrete e, surpreendentemente, pega em uma das minhas mãos que estava sobre a mesa. Agora ele estava sério, o que me deixou mais surpresa ainda.

— Você vai me contar por que ficou daquele jeito? Eu realmente fiquei preocupado. E tenho certeza que não foi só pela comida... — Vocês devem estar se perguntando o porquê de eu não contar pra qualquer um sobre minha doença, e eu respondo.

É uma coisa muito pessoal e eu não me vejo pronta pra contar para o Nick. Ele é irritante, eu sei, mas esses dias que passamos juntos estão sendo os melhores da minha vida, porque eu finalmente estou tendo algo para rir e aventuras. Sim, eu tenho a Paige, mas a Paig nem sempre está comigo e nem sempre me diverte.

Eu nunca fiquei até tarde no shopping, nunca fui expulsa da sala de aula e nunca almocei com um garoto antes. De repente, várias coisas começaram a acontecer e movimentar a minha vida. Ele, de alguma forma, está movimentando a minha vida.

E eu nunca imaginei que agradeceria tia Carmen por aparecer nesse momento. Ela pegou Nick segurando minha mão? Pegou, mas trouxe a comida. Claro que voltou com aquele olhar que eu ignorei totalmente porque a comida me esperava. Nick então soltou a minha mão, e me olhou como se dissesse: “Salva pelo gongo, mas ainda vai me dizer”.

Comemos em silêncio, porque assim como eu, Nick não consegue se concentrar em outra coisa além da comida. E como sempre tia Carmen arrasou no meu prato favorito.

Eu não vou mentir e dizer que não dei umas olhadas em Nick, porque dei sim. E eu não sei o que deu em mim para fazer isso, então fiquem quietos. Vou usar a desculpa que foi pra ver se ele estava gostando do prato, o que tive a resposta logo mais tarde, já que ele confirmou que gostou.

*

Como Nicholas consegue ser tão retardado? Ele passou o caminho falando sobre todos os seus encontros que acabaram mal por motivos estranhos e insistindo que isso aqui é o fim de um. Eu não falava nada, só ouvia. Era bom ouvir o Nick, ele daria um bom apresentador de TV.

— Eu? Apresentador? Vamos ver então... Oi meu povo e minha pova, hoje estamos aqui no Talk Talk com Nicholas e temos uma convidada extraordinária, chamada Miranda Ducke. Ela, que canta, toca e faz lindos quadros está aqui conosco para nos contar um pouco de sua vida. — Agora ele se superou. Eu não canto, não toco e meus desenhos não são isso tudo...

A rua estava vazia, com poucos carros passando e é claro que Nick ocupava o centro, com sua performance de apresentador. Estava muito engraçado, como tudo que esse garoto faz. Resolvi entrar na onda e me vesti no personagem.

— Olá meus fãs, eu sei, vocês me amam. Estou muito feliz de estar aqui no programa do meu melhor amigo, companheiro de frango com quiabo e que é um colírio pros olhos das garotas. — A última parte não é tão mentira, mas deixamos isso pra lá.

Ele andava de costas, rindo de mim e eu ia andando, esperando o momento que ele fosse cair. Pra quê. Quem tropeçou em uma pedra que surgiu da terra e foi salva pelo amiguinho? Miranda. De novo. Qual o meu problema em cair perto dele?

Nick me segurou, antes que eu caísse de cara no chão e ficamos naquela cena estranha e desconfortável de um encarando o outro. Meu pé ardia, já que estava de sapatilha, mas eu estava meio paralisada pelo choque da quase queda e pelos lindos olhos de Nicholas. Nunca tinha parado para pensar em como eles são hipnotizantes e eu devo estar parecendo uma retardada agora.

Ah, pra completar, pessoas começaram a surgir da terra também. E Nick? Tava rindo pra variar.

Ele envolve seus braços em minha cintura, de certa forma me consertando no chão novamente e suspira, sorrindo de forma fofa para mim. E dona Miranda sorri de volta! Ok, foi uma tentativa de sorriso, porque meu pé está doendo e eu não sou a melhor pessoa sorrindo. Sabe aquelas cenas de fanfics e filmes de romance? Ta meio parecendo com isso e eu to começando a ficar com medo da minha vida.

Quando você tem praticamente uma sentença de morte já escrita, você não espera se envolver com ninguém, muito menos dessa forma. Já é muito difícil ter que dar adeus aos meus avós e à minha melhor amiga e eu não quero ter mais uma pessoa para me despedir, sabe?

— Miranda e suas quedas... — Agora ele já estava mais afastado e eu consegui respirar. — Machucou? — Pergunta assim que me vê andando de mau jeito, por conta do pé. Não, eu não ia me machucar não. Uma pedra do tamanho de um planeta e eu não ia me machucar.

Exagerei? Um pouquinho, mas doeu. Faço que sim com a cabeça, meio incapacitada de responder depois disso tudo e ele se aproxima mais uma vez, agora para me pegar no colo. Pessoas voltaram a olhar de novo. E eu corei, de novo. Isso não é de mim, eu não coro facilmente com garotos, até porque não aparecem muitos na minha vida.

Não que eu seja super feia, ou super chata, ou super burra, só não sou uma Paige da vida sabe? Que consegue ficar calma com a palavra relacionamento e é super boa nisso.

Assim que ele me envolve em seus braços, sorrio como forma de agradecimento e coloco meus braços por volta de seu pescoço, sentindo o forte cheiro de perfume masculino que incrivelmente ficou perfeito nele. Normalmente eu não suporto esses cheiros, mas combinou com Nick.

— Você sabe que não precisa fazer isso... Eu só machuquei o pé e estamos chegando. — Falei a coisa mais óbvia de todas, mas a real é que eu não queria sair dos seus braços aconchegantes, que de certa forma me deixavam mais segura.

E estávamos chegando mesmo. Já podia avistar algumas casas vizinhas à casa de vovó e falando nela, nem quero pensar nela vendo essa cena. Com certeza iria surtar e já pensar que estamos juntos, porque é o que as pessoas mais pensam. Pow, não conheço ele nem a uma semana direito.

— Eu sei, mas gosto de ser cavalheiro, principalmente com você. — Já contei que ele é convencido? Pois é, até demais.

Em algum momento me rendo ao cansaço que se fez presente e apoio minha cabeça no ombro de Nick, fechando os olhos logo depois. Sabia que provavelmente ia acabar capotando, mas realmente estava cansada e ele não pareceu se incomodar com isso.

*

Como esperado, acordei em minha cama, sozinha e descansada. Não, eu não fiquei chateada por ele não ter me acordado e se despedido, porque não queria que ele me acordasse. Odeio ser acordada. Agora, o que eu to com medo mesmo e dos meus queridos avós. Eu não quero nem descer.

Sento-me na cama, pegando o celular que estava no criado mudo. Já era quase 18:00, o que indica que eu não dormi tanto, pois saímos do restaurante as 16:00. Rolo a tela, vendo algumas mensagens de Paig, que queria falar comigo obviamente.

Entre ligar pra Paige e ouvir insinuações de vovó, fico com a primeira opção. Espero alguns minutos e logo escuto a voz da minha pequena amiga.

— Se prepare para me dizer tudo o que rolou. Liguei pra sua casa e sua avó me disse que você não tinha chegado ainda... A coisa foi tão boa assim? — Eu sabia que ela ia começar com alguma coisa assim. Para Paige não existe um almoço de amigos e sim um possível rolo. Não importa se você conheceu a pessoa ontem, saiu com ela hoje, já estão prometidos. Palavras de Paige.

Levanto-me da cama, deixando o celular no viva voz e em cima da mesma, e começo a preparar minhas coisas para entrar no banho. Preciso urgentemente de um banho quente e relaxante.

— Não rolou nada Paige, só almoçamos. Ele foi o retardado de sempre e só. Viemos conversando no caminho, mas não foi nada demais. — Se eu entrasse em detalhes, ela já ia começar a planejar o casamento, os partos dos filhos, chá de bebê e nossa vida.

Qualquer sinal de alguma coisa já é certeza para Paige e por isso tenho que tomar cuidado com o que conto para ela. Posso estar me sentindo atraída pelo Nick? Claro, porque ele é lindo e me diverte, mas não quer dizer que eu vou me apaixonar e amá-lo pelo resto da minha vida. Afinal, eu nem o conheço direito.

Pego meu pijama de coelhos, sim, coelhos e levo para dentro do banheiro, voltando rapidamente para o quarto.

— Como nada? Nem um selinho? Nem uma pegada? Amiga, você quer umas aulas? Seja rápida, porque as piranhas da escola já estão comentando do novato fofo. — O que não era surpresa. Eu sabia que iriam comentar. Aqui é interior, mas as meninas não estão mortas.

E justamente por ser interior que elas caem matando no primeiro que chega. Eu não ligo, ele provavelmente vai ser um tornar um amigo muito especial para mim, mas todos já sabemos que não tem possibilidades de rolar algo a mais.

— E eu com isso? Paige, você ta esquecendo de que eu conheço ele a dois dias? E que eu não estou em condições de me envolver com alguém? — Pego o celular, indo para o banheiro e fechando a porta.

Sento-me em cima do vaso sanitário (cena linda) e encosto minha cabeça na parede, prevendo que com vovó vai ser pior.

— Você tem câncer, mas não ta morta. Não quer nem pegar ele? Ai você pode largar e voltar pra sua fossa. — Acho incrível como Paige consegue ser insensível com garotos. Daniel é o primeiro namorado sério dela e mesmo assim ela não é a namorada mais carinhosa.

Aliás, duvido que haja algum amor entre eles. Minha amiga sempre teve um ditado: “Homem só serve pra gente usar, abusar e roubar o money”. Já eu não penso assim. Não consigo ficar com uma pessoa só por ficar. E sim, já discutimos por isso.

— Vamos lembrar que eu não sou você né fofa? E eu vou tomar banho agora, depois a gente se fala. — Me despeço dela e vou para o Box feliz da vida.

Sempre amei tomar banho, era daquelas que tomava uns 500 por dia e ficava viajando no meio deles. Dessa vez nem tanto, sabia que vovó já devia estar me esperando com um lanche e coisas pra falar comigo.

Depois de alguns minutos no paraíso, saio do chuveiro e me enrolo na toalha para responder uma mensagem que acabara de chegar. Era de um número desconhecido, ótimo, cadeia me achou no whatsapp.

“Lembra-se de mim? Haha estou voltando para Cambridge e queria saber se minha primeira namorada ainda se encontra ai. E se não se lembrar, eu sou o Nolan.”

Notas finais
Espero que tenham gostado! Comentem povo, eu preciso das opiniões de vocês para poder continuar produzindo a fanfic. Tentarei não demorar com o próximo, mas sejam pacientes hahaha. Beijos e até o próximo!