Meses...

4 Capítulo IV


Notas iniciais
Meu deus, ainda tem alguém aí? Eu sei que demorei, e vou entender se tiverem desistido da fanfic... Eu já tinha começado esse capítulo a séculos, só não estava conseguindo terminar e isso junto com a mina falta de tempo e com a falta de comentários, resultou no hiatus. Sério, eu nunca dependi de comentários e odeio pessoas que falam que não vão postar o capítulo até ter tal número de comentários, mas preciso ao menos que vocês apareçam não só pra me motivar, mas pra dizer no que eu preciso melhorar, se estão gostando da história. Ás vezes eu sinto que estou escrevendo pras paredes e isso me deixa chateada, porque se tem algo errado na fanfic, ao menos me digam pra eu melhorar. Excluir a Meses sem terminar é algo que está muito longe de acontecer, mas que agora já não está mais tão impossível... Eu realmente pensei em terminar ela, mas não postar mais. Guardar pra mim, porque não vai fazer diferença mesmo. Eu amo escrever e posso ser nova, mas tenho maturidade pra entender quando algum projeto chega ao fim e se a Meses continuar assim, eu irei deixá-la e começarei novos projetos. Tenho uma fanfic nova planejada, com capa, sinopse e prólogo prontos e que só irei postar quando terminar a Meses, ou seja, estou aberta a mudar os planos e guardar a Meses no meu core. Enfim, eu espero que se tiver alguém lendo, goste do capítulo e tenha uma boa leitura.

Lembram-se daquele meu namoradinho de 13 anos? Que usava aparelho e não era uma pessoa muito bonita? Então, ele é o Nolan, e ele definitivamente não está mais na lista de “pessoas não muito bonitas” e não usa mais aparelho. Sabe o que mais? Ele está voltando. Eu passei uns bons cinco minutos parada, olhando aquela mensagem, antes de conseguir respondê-la e iniciar uma conversa. E sim, estamos conversando agora, enquanto tento comer a janta, com meus avós me encarando e fazendo perguntas.

— O que ele disse? Volta que dia? — Alternei meu olhar entre o celular e minha avó, para poder checar a resposta. A verdade é que eu nem sei o que pensar sobre isso direito, tudo me atingiu de uma forma estranha.

Não, eu não gosto dele, somos no máximo velhos amigos, mas o fato dele saber sobre minha doença me deixa meio desnorteada. Eu contei pra ele quando éramos pré adolescentes, naquele momento eu achava que ele seria meu marido e ele era legal comigo, continuou sendo depois de saber de tudo.

— Ele pega o avião hoje de madrugada, deve chegar amanhã. Vai ficar na casa dos avós. — Dou um gole no meu suco, enquanto mando mais uma mensagem pra ele, ainda sob os olhares de dois idosos curiosos.

Com isso tudo acontecendo eles esqueceram de comentar sobre Nick, o que eu to dando graças a deus e quase levantando a mão para Jesus. Não quero responder perguntas do tipo “ O que fizeram durante a tarde? “ ou “ Como assim ele te trouxe no colo? “. Minha avó e meu avô são incríveis, mas são intrometidos demais.

Algumas pessoas perguntam como é morar com os avós, se é mais fácil e mais divertido e eu na maioria das vezes respondo com um sim. Não tenho um pai ciumento, por exemplo, e o fato de eu estar morrendo me dá vantagens também. Eles quase nunca me dão regras, pois acham que eu devo curtir e aproveitar o resto da minha vida.

*

Depois de terminar de comer e conversar mais um pouco com Nolan, consigo fugir dos meus avós. Eu realmente não entendo a necessidade deles de quererem saber tudo sobre a minha “vida amorosa”. Adentro meu quarto e suspiro ao ver que já está escuro, o que me faz crer que o jantar durou mais do que devia.

Subo em minha cama, fazendo perna de índio e pego meu livro que se encontrava no criado mudo. Atualmente estou lendo um romance bobo, chamado Como eu era antes de você. Sim, pode parecer que eu sou o tipo de garota que ama romances, mas pra mim eles só servem para te iludir mesmo. Enfim, a história é boa e foi o único livro com mais de 30 páginas que Paige leu, então devo valorizar.

Assim que me entrego à leitura, sou interrompida por barulhos irritantes na varanda. Franzo o cenho tentando prestar atenção no que possa ser, notando que são pedrinhas. Reviro os olhos e fecho o livro, o deixando em cima da cama e me levantando da mesma. Eu não acredito que aquele ser ta aqui tirando o meu sossego...

Me culpo mentalmente por ter deixado a varanda aberta, depois de chegar até ela. Saio pra fora e olho para baixo, vendo um Nick risonho e com algumas pedrinhas nas mãos. Ele não tem o que fazer não?

— O que você ta fazendo aqui? Se meus avós te veem aí, eles... — Começo a falar, mas ele é mais rápido e, ainda com aquele sorriso que só ele tem, responde por mim.

— Eles me deixariam entrar, afinal de contas aqui está frio pra cacete. — Abro e fecho a boca duas vezes, percebendo realmente que aqui em fora está frio. Cambridge costuma ficar bem fria a noite, o que eu adoro porque adoro esse clima.

Sim, eu não vou deixá-lo ali em fora, mas também não consigo entender o que ele veio fazer aqui. Antes mesmo de eu fazer qualquer ação, Nick começa a subir por uma árvore ao lado da varanda, se sentindo um Romeu da vida. Ele é louco, se cai dali de cima quebra no mínimo uma das pernas.

— Você tem o que na cabeça, menino? — Pergunto assim que ele termina de subir, meio ofegante. Parece que o nosso Romeu não anda tão em forma assim...

— Você. — Responde com um meio sorriso encantador, que faria qualquer garota se derreter. Bufo baixinho e volto para o quarto, sabendo que ele está logo atrás. Pra ser sincera eu nunca sei quando Nick está falando algo sério, e, naquele momento, eu até quis acreditar que pudesse ser sério.

Calma Miranda, você ta lendo muito romance bobo. Volto a me sentar na cama e o encaro, percebendo que observava um pouco da bagunça do meu quarto. Não deve estar acreditando que por trás de uma nerd há uma bagunceira e tanto.

— Então... O que eu tenho pra te oferecer? Ainda não entendi o porquê de estar aqui. — Agora sim ele me encara, olhando diretamente para meus olhos. É estranho a forma como ele consegue prender nossos olhares, como se eu não conseguisse olhar pra mais nada quando ele está me olhando.

Balanço a cabeça de leve, encarando a capa do livro por um tempo. Sim, a capa está mais interessante.

— Queria saber se seu pé está bem, e... Te entregar isso. — Levanto meu olhar ao perceber que ele está me entregando dois ingressos pra um concerto que terá em Londres, cidade vizinha a 80 quilômetros daqui. Pego os dois e dou uma lida em um deles, descobrindo que será no próximo sábado. Por que ele ta me dando isso?

Eu sempre adorei música clássica e confesso que é um dos meus maiores sonhos ir a um concerto, mas não entendo... Isso não parece ser o tipo de programa que Nick curte fazer.

— Você por acaso gosta de música clássica? — Volto a olhar pra ele, com uma cara de muita interrogação. Ele solta uma risada fraca e passa a mão pelo cabelo, o deixando ainda mais bonito. Miranda, para de pensar nessas coisas mulher...

— Não, deus me livre. Recebi do meu tio e achei que você pudesse gostar. Pode levar algum amigo, ou a Paige, sei lá... — Meu pensamento vai logo em Nolan, que com certeza é a única pessoa da minha idade que gosta de concertos, mas algo me diz que não devo convidá-lo.

E mais uma vez eu estou confusa com eu mesma. Por que não devo chamá-lo? Com certeza ele vai aceitar e seria uma ótima chance de colocarmos o papo em dia, afinal, eu sinto falta dele. Por outro lado, uma curiosidade imensa de ver Nick em um concerto me atinge e sei que isso vai ser no mínimo divertido.

Mordo meu lábio inferior pra tentar esconder meu sorriso, começando a ficar animada com a ideia e até esquecendo de Nolan. Eu vou fazer o Nick gostar de música clássica.

— Que tal você? E sim, eu estou te convidando pra ir em um concerto comigo, mas isso ainda não é um encontro. — Me permito sorrir, principalmente ao olhar para seus olhos azuis que eu juro, vi brilharem com a proposta.

Eu posso estar fazendo a maior borrada da minha vida, posso estar começando a me apegar a pessoas que eu não posso me apegar, mas algo dentro de mim me diz que eu não devo me limitar e que eu devo viver a minha vida enquanto estou viva. No livro que eu estou lendo, um dos protagonistas ta pra morrer, e eu juro que só soube depois de começar a ler.

Ele é fechado, frio, grosso, tudo o que eu poderia estar sendo mas que não estou e nem quero estar. No início eu só queria continuar vivendo a minha vida e esperar, sem nada de importante acontecendo. Mas, agora, eu acho que quero sentir e viver coisas novas e se colocaram um idiota na minha vida, que acima de tudo me deixa mais leve e o mais próximo possível de feliz, eu vou viver isso.

— Tudo bem, isso ainda não é um encontro. Ainda. Eu aceito sim, como poderia não aceitar com você me implorando com carinha de gato? — Solto uma risada com a sua péssima atuação, jogando um dos pequenos ursinhos da cama, nele.

Nick, então, tentou fazer uma voz de bebê no ursinho, me fazendo rir mais. Quando nos demos conta, já estávamos deitados na cama, com o ursinho entre nós e conversando bobagens. Não sei se vovó e vovô ouviram algo, mas, se ouviram, não falaram nada.

Ficamos um bom tempo assim, simplesmente curtindo o momento e divertindo um ao outro. Somos tão diferentes, mas temos tanto em comum, como nos filmes, sabe? E lá vou eu pensando em ilusões cinematográficas de novo. Olho uma última vez pra Nick, que já está se preparando pra descer, de novo pela árvore.

— Obrigada, não só pelos ingressos, mas pela noite divertida. — Com certeza eu passaria a noite terminando o livro e provavelmente chorando com o final, inconformada. Ou seja, ouvir as histórias mais que engraçadas de Nick foi mais válido.

Sorrio pra ele, sendo surpreendida por um abraço. Não sou muito de abraços, pra falar a verdade eu nem sei se abraço direito. Paige diz que meu abraço é estranho, então eu evito essas situações. Me afasto depois de uns segundos, meio atordoada com esse ato inesperado dele. Eu ainda não me acostumei a ficar tão próxima de Nick, principalmente porque o cheiro dele é meio viciante, digamos assim.

Recebo mais um meio sorriso dele, que logo sai do meu campo de visão sem falar mais nada. Suspiro e saio da varanda, agora sim fechando a porta. Me pego sorrindo meio boba, mas logo me recomponho ao ver vovó entrando no quarto devagar. Ela tem um sorriso no rosto, o que me faz já imaginar o que ela quer conversar...

— Vó não ta meio tarde pra gente ter essa conversa? Amanhã eu tenho aula e preciso acordar cedo. — O que eu quero mesmo é fugir dessa conversa, não to nem ligando pra aula. Caminho em passos lentos até a beirada da cama e me sento, a vendo se sentar do meu lado. Ótimo, ela me ignorou totalmente.

— Eu sei, serei breve. Ouvi as risadas de vocês, se divertiram então? — Respiro fundo, balançando a cabeça em confirmação. É incrível a confiança que ela e meu avô têm em mim, qualquer pai já entraria furioso no quarto se nos ouvissem.

Pego os dois ingressos que estavam atrás de nós duas e coloco em uma de suas mãos, que imediatamente sorriu. Sei que o primeiro encontro dos meus avós foi um concerto, exatamente em Londres.

— Ele veio me entregar isso, e eu o convenci a ir comigo. Estou com os pés no chão vovó, sei onde estou me metendo. Nick é ótimo, me diverte, mas eu não quero que passe disso. Seremos amigos, eu vou me permitir ficar próxima dele, mas não vai passar disso. — Sou direta, já que sei que ela deve estar imaginando mil finais felizes e já estar shippando, mesmo sem saber o que é isso.

Uma coisa é eu me permitir me aproximar, me permitir conhecê-lo e ter mais um amigo próximo, e outra coisa é eu me entregar totalmente nessa loucura e me apaixonar. Isso não pode acontecer, não nas circunstâncias em que eu estou.

— Você sabe que não precisa fazer isso, não é? Querida, ele gosta de você, percebi isso ao vê-lo te carregando nos braços hoje mais cedo. Miranda, você não está morta e se a vida está te dando essa oportunidade de sentir sentimentos novos, a agarre com todas as forças. Só não o machuque e não se machuque, entre nessa com cuidado. — “Só não o machuque”, sim, essa frase ficou ecoando na minha mente e me incomodou um pouco.

Eu não pensei nisso antes, não pensei que talvez eu possa iludi-lo no final de tudo. Mas eu também não quero me afastar, estou sendo egoísta e pensando só em mim, mas não consigo controlar isso. Eu não quero me apaixonar porque eu sei que não vou sobreviver e não quero mais pessoas tristes, mas acima de tudo eu não quero me apaixonar porque eu não quero me despedir de mais uma pessoa e imaginar que ele possa achar alguém no futuro, depois de mim e viver com ela algo que não viveu comigo.

Eu estou sendo egoísta, mas sinceramente, eu não estou ligando muito pra isso. Dou um rápido abraço em vovó, só para reconfortá-la e me levanto, dando a entender que estou indo me deitar.

— Não precisa se preocupar. Eu não vou machucar ninguém, Nick vai me entender no fim. — Dou um meio sorriso e me deito na cama, a ouvindo suspirar. Ela não acreditou em mim, mas nem eu mesma acreditei.

Sinto o seu beijo na minha testa, antes de vê-la saindo do quarto e apagando a luz e respiro fundo, me virando para o lado e pegando o mesmo ursinho que Nick brincara. O abraço, sentindo até um pouco do cheiro do perfume de Nick e, com isso, acabo adormecendo.

Notas finais
Hey, o que acharam? O próximo capítulo vai ser totalmente focado no Nolan, novo personagem, e o sexto já vai ser o concerto/encontro da Mi com o Nick. Tenho várias ideias pra esse date e espero poder compartilha-las com vocês. Espero que tenham gostado, comentem, isso é muito importante. Mil beijos e (tomara) até o próximo!
Este é o último capítulo disponível... por enquanto! A história ainda não acabou.