Meses...

1 Capítulo I


Notas iniciais
Oie, oie! Sim, eu apaguei os capítulos e resolvi começar do zero. Não me matem, mas eu não estava conseguindo continuar daquele ponto, coisas tinham que melhorar e eu tive várias ideias que não se encaixariam naquela fic. "Tia Ana, você mudou a história?" Não, eu mudei apenas algumas coisas, como o sobrenome da Miranda e a cidade em que ela mora... Também coloquei ela com câncer e não uma doença desconhecida, porque seria complicado aprofundar uma doença que eu nem tinha escolhido hahaha. De resto, continua o mesmo, eu mudei os capítulos, então como eles se conheceram e algumas coisas que aconteceram mudaram... Mudei a capa e a sinopse, então quem quiser pode ir lá dar uma olhada. Eu vou tentar ao máximo postar com frequência, e espero que vocês gostem desse capítulo. Boa leitura.

Cá estou eu, lendo mais um dos clichês de Nicholas Sparks quando ouço o apitar do celular. Era Paige, provavelmente me chamando para a ida no shopping que falara mais cedo. Não to crendo que ela tem animação pra sair em uma noite de domingo, sendo que amanhã as queridas aulas voltarão.

Cambridge não é uma cidade conhecida por seus shoppings, mas abrira um novo por aqui e Paige enlouquecera. Mais uma mensagem chega e eu suspiro me rendendo. Mando uma resposta enquanto pouso o livro no criado mudo, dizendo que me arrumarei. Não sou a pessoa mais saidera do mundo, eu simplesmente prefiro ficar em casa, assistir Supernatural ou ler.

Levanto-me da cama, calçando meus chinelos e indo até o armário pegar minha roupa. Também não sou a pessoa mais estilosa, mas me viro. Pego o necessário e vou para meu banheiro. Esse com certeza foi um dos benefícios de ter vindo morar aqui, tenho meu próprio banheiro. Em Londres nosso apartamento era minúsculo tendo apenas 2 quartos e um banheiro, dou graças a deus por não ter tido irmãos.

Entro no box, e começo meu banho. Resolvo lavar meu cabelo, que estava parecendo um ninho de pássaros. Não, meu cabelo não caiu com a doença, bom, pelo menos até agora. Eu lido bem com a ideia de que vou ficar feia e beleza é o menor dos meus problemas... Poucas pessoas sabem que tenho câncer, e elas se resumem em meus avós, Paige e colégio. Esse último obrigatoriamente, já que na matrícula é preciso falar sobre a saúde.

Fecho os olhos e deixo a água cair sobre mim, vovó provavelmente deve está preparando a jantar e vovô assistindo jornal, todas as noites eram assim, exceto quando era dia do poker e juntava uma turma aqui em casa. Ouço meu telefone tocar, e resolvo apressar o banho. Paige já deve está irritada.

Saio do box, colocando minha roupa e me olhando no grande espelho que ali tinha. É, eu não estava tão mal. Penteio meus cabelos rapidamente, passo um gloss e coloco um colar. Pego meu celular que estava em cima da pia, e vejo mensagens de Paige falando que estava lá fora. A respondo, e saio do banheiro. Pego minha bolsa, contendo somente o necessário e vou rumo á sala.

Como imaginei, vovô estava no sofá assistindo um jornal, e pelo cheiro o jantar estava sendo preparado.

— Paige me chamou pra sair, eu volto antes das 22:00. – Ele tira o olhar da televisão para me encarar, e dar um meio sozinho. Vovó também vem pra sala interessada na conversa que se iniciara.

— John, eu to ouvindo direito ou ela ta falando que vai sair? — Como sempre dona Elizabeth sendo irônica, eu admiro muito o bom humor dos meus avós e o jeito leve que eles costumam levar a vida. Reviro os olhos, sabendo que não acabaria por ai.

— Não, eu ouvi também. Acho que chegou a hora Lizzie, vamos comprar nossos aparelhos auditivos, deitar na cama e esperar a luz amarela, branca ou azul celestial. — Não me contive, e ri. Assim como minha avó, senhor John não ficava atrás nas brincadeiras e ironias.

— Não precisam fazer esse drama todo, só queria avisar... Qualquer coisa vou deixar meu celular ligado. Não se preocupem caso eu demore, sabe como Paige é. — E falando isso, ouço um som estridente de buzina do lado de fora. Dou um abraço rápido em cada um, e saio para fora. Devia ser umas 19:00 e ventava, acabo me arrependendo de não ter pego um casaco, mas não volto.

Entro na BMW vermelha e sinto o ar quente do ar condicionado. Tocava uma música que eu desconhecia, provavelmente pop.

— Animada? Vamos estrear o shopping novo, com certeza tem roupas maravilhosas em promoção. E precisamos renovar o guarda roupa para escola. — Diz, enquanto começa a dirigir.

— Você precisa. E não, eu não estou animada. Sabe que você interrompeu minha leitura? Saiba que eu não vou comprar nada, no mínimo uma batata frita. — Troco a música, colocando uma da Florence . Se era pra ir obrigada, que fosse ouvindo uma música boa.

— Ei! Era Bad Blood. Ok, eu sei que você não quer ir, mas eu precisava de companhia e o Daniel saiu com os amigos. — Ela se referia ao namorado dela, do qual eu não suporto ouvir falar. Pensei em uma pessoa idiota, agora pensem em uma pessoa idiota dividida por duas pessoas burras. Esse era Daniel Payne.

Suspiro derrotada, e encosto minha cabeça na janela. Ao menos ela deixou a música... As ruas estavam movimentadas, moramos perto de um lago e lá ocorre vários passeios de barcos. É a coisa mais romântica e fofa da cidade. Sem contar os pequenos restaurantes que estavam cheios e tocando músicas animadas.

Não nasci aqui, mas passei parte de minha infância aqui, e outra na Alemanha. Sim, meu pai era alemão e sua família veio para Londres na época da guerra... Acreditem ou não, ele veio sem saber uma palavra em inglês, sendo socorrido pela minha mãe. Não percebo que chegamos até notar a mudança drástica, agora as ruas estavam cheias de carros caros e com um ar mais moderno. Vovó vive dizendo que daqui a pouco a cidade inteira vai está assim, e eu me arrepio só em pensar nisso.

Paige estaciona o carro um pouco longe da entrada, devido á falta de vagas. Saio do carro em sincronia com ela.

— Lindo, não é? — A vejo admirando o grande prédio em nossa frente. Era realmente uma arquitetura muito bonita, mas ainda sim prefiro os cafés fofos perto de casa. Balanço a cabeça concordando com ela, e vou em direção a entrada com ela atrás.

Não demorou muito para entrarmos realmente no shopping, e obviamente estava muito cheio, o que me deu certo desânimo de ficar ali.

— Não quer vir outro dia? Aposto que tem alguma roupa pra ir na aula amanhã. — Pergunto, com uma pontada de esperança no peito. Esperança que foi embora assim que ela me respondeu.

— Claro que não, amanhã não é hoje. Anda, para de preguiça... Que tal assim: você vai comigo nas lojas, compramos algumas roupas e depois vamos nas batatas fritas. — Ela falava como se eu fosse uma criança, o que me fez ri um pouco. Minha ideia era muito melhor, então decidi compartilhar.

— Que tal assim: você vai comprar suas roupas, e eu vou comer minhas batatas fritas? — Ela pareceu pensar na ideia, e então, depois de um tempo, acenou com a cabeça indo correndo na direção da escada rolante.

Viva, consegui me livrar... Batata frita, lá vou eu. Okay, não vai ser tão fácil assim, levando em conta que eu não sei nem onde ir. Miranda, pra que servem as placas de informação? Vou andando, seguindo uma que indicava a praça de alimentação.

Cheguei mais rápido do que imaginava, e até que não estava tão cheia... Como alguém consegue preferir roupas á comida? Nunca saberei. Vou direto na fila do Bobs, não tem a melhor batata frita, mas tem o melhor milk shake. Não estava grande, mas tinha umas 6 pessoas na minha frente. Cruzo os braços, ansiando a minha vez, quando sou atingida com algo gelado na minha blusa. E algo meloso na minha calça.

Acima de tudo, algo pesado em cima de mim. Era uma garoto, que aparentemente derramou refrigerante e hambúrguer em mim.

— Ah meu deus, meu deus, e essa foto vai para o álbum. O dia em que Nicholas derrubou uma garota na fila do Mc Donalds, ops, Bobs. — Fala depois de levantar, olhando discretamente para a placa do Bobs na hora do erro.

Eu ainda estava surpresa com esse "ataque", mas consigo levantar e encarar a situação da minha roupa. Pessoas encaravam, e algumas riam. Não duvido que também tenham tirado fotos, e não duvido que vão postar no youtube.

— O.K, eu estou calma, estou calma... — Noto que a minha vez chegou, mas saio da fila. Encaro o garoto em minha frente, ele é loiro, bonito e alto. Mas estava rindo, rindo, de mim. Também estava sujo, mas não como eu...

— Não precisa fingir que ta calma não, me desculpe. Tava andando depressa e não te notei... Me desculpe por ri da sua cara também, mas, será que pode dar um sorriso pra eu tirar uma foto e colocar no meu álbum? — Era só o que faltava, mantenha a calma Miranda, a calma. Dou um sorriso tímido, enquanto ele tirava o celular do bolso e batia uma foto.

Ótimo, Deus, pode me dar a recompensa agora. Eu sei que isso tudo foi um teste pra saber se eu sou uma pessoa bondosa, passei nele não foi?

Agora ele não ria mais, mas admirava a foto no celular com um sorriso.

— Bom, eu vou no banheiro dar um jeito nessa roupa, sinto muito pelo lanche. — Faço menção de me retirar, mas ele segura meu braço me fazendo virar e o encarar, agora mais perto.

— Não vai falar seu nome? Sou Nicholas como já sabe... Podemos recompensar aquele meu lanche juntos, ou vai desistir do seu milk shake? — Estava pronta para dizer que não, quando avisto Paige me procurando na entrada da praça. Conversar com um estranho ou fazer compras fúteis? Conversar com um estranho, me julguem.

— Ok, podemos lanchar juntos... Me chamo Miranda, e como sabe que eu iria comprar um milk shake? — Já tinha voltado pra fila, e ele estava atrás de mim, disposto a comprar no Bobs mesmo. O local da queda estava totalmente sujo, e não duvido que farão limparmos isso.

— Todos que vem no Bobs querem um milk shake, é o melhor. Ta fugindo de alguém ou é impressão minha? — Pergunta, olhando pra onde eu olhava, bem onde Paige estava.

Chegou minha vez, e eu faço meu pedido. Uma poção pequena de batatas fritas e um copo médio de milk shake de Ovomaltine. Enquanto não chegava, me viro para Nicholas.

— É impressão sua. Te espero na mesa, não vai ser difícil me encontrar, eu to parecendo um Big Mac humano. — Pego minha comida na bandeja, e vou levando cuidadosamente até a mesa mais próxima. Eu estava tão ridícula, mas quem nunca passou vergonha na rua? O problema é, metade da escola está aqui hoje, e amanhã tem o que? Escola. Uhhu.

Nicholas chegou logo depois, com uma bandeja recheada. Um pouco mais do que ele derrubara em mim, e uma garrafa d'água com um pano limpo. Me pergunto pra que ele pediu isso, mas noto que era pra mim já que ele me oferecia.

— Obrigada. — Agradeço, despejando um pouco de água no pano e passando na minha blusa. Graças a deus é escura, e minha calça é jeans.

Depois de dar uma limpada, começo a comer. Nicholas devorava tudo como se tivesse passado fome, e resolvo puxar papo.

— Eu menti, to fugindo da minha amiga. Ela quer me obrigar a fazer coisas de menininhas hoje, e eu to sem paciência. — Falo, depois de um longo gole na minha bebida. Nicholas agora comia algumas de suas batatas.

— Eu sei, vi uma garota procurando alguém, e vi você olhando pra ela com cara de desesperada. Por um momento, achei que fosse procurada da polícia, seria mais uma coisa pro meu álbum. — Procurada da polícia? Eu tinha cara disso? Tive que ri.

Só agora então percebo seu sotaque, ele não parece ser daqui, e fico curiosa mas me perguntando se devo ou não perguntar. Não foi preciso, ele respondeu. É americano, e veio morar com os tios. Não conversamos quase nada depois, fiquei tentada em perguntar sua idade, mas tava na cara que tinha a minha... Tinha possibilidade dele ir pra minha escola, mas também não perguntei.

Depois de terminar nosso lanche, fomos surpreendidos com uma moça segurando dois rodos e alguns aparelhos de limpeza e nos mandando limpar. Olha que lindo, sabia que isso ia acontecer.

— Limpem essa sujeira, e não atrapalhem as pessoas. — Pego o rodo que ela me oferecia, com um olhar indignado. Okay, agora eu to começando a considerar a ideia de ir fazer compras...

Nicholas também não tava com cara boa, e tive que lhe mostrar como se segurava um rodo. Logo já estávamos limpando a área.

— Se você não tivesse me derrubado, não teríamos que ta passando esse mico. Olha o meu estado, minha avó vai achar que o Mc Donalds me serviu como nova atração. — Limpava o mais rápido possível, já que as pessoas olhavam e eu não estava a princesa mais linda.

Nicholas riu, mexendo a cintura enquanto limpava a outra parte. Ai que vergonha, só falta ele começar a dançar feito travesti.

— Seria uma atração muito linda e gostosa... Fala sério, não ta se divertindo? Quando teria a oportunidade de limpar o shopping comigo? Venha Elsa, vamos cantar. — E do nada, sim, do nada, ele começou a cantar Frozen rodando o rodo. Não me segurei e gargalhei, tava uma cena engraçada, mas parei de ri no momento que ele me puxou pra dançar.

Agora éramos nós dois, dançando e girando, enquanto ele cantava Let it go, e pessoas olhavam rindo. Não foi pra isso que eu vim ao mundo. Não é esse o meu propósito. Não tínhamos limpado tudo ainda, e o chão estava escorregadio, resultado: caímos de novo. Nicholas rindo feito hiena, e eu vermelha de vergonha.

Fomos interrompidos com uma voz grossa berrando com a gente, pelo jeito era o gerente ou alguém muito importante do shopping. Me levanto rápido, puxando Nicholas pra cima também. Nossa situação é patética.

— Quero que lavem toda a louça do Bobs no fim do expediente. De contrário, pagarão pelas pessoas que foram embora. — Ta, agora eu revoltei. Eu não tenho culpa se as pessoas foram embora, elas tem pernas e podem ir se quiserem, não obriguei ninguém. Definitivamente esse é o pior dia ever da minha vida.

*

São exatas 22:30 da noite, e estou com Nicholas lavando a louça da Inglaterra toda. Minhas mãos doem, estou suada e arrependida de ter corrido de Paige. Nick (como ele mandou chama-lo) ao contrário de mim, ainda cantava músicas da Disney e rebolava o traseiro. Como ele consegue? Eu só quero dormir.

— Dar pra calar a boca? Minha cabeça doí, meu corpo doí, eu to derrotada. — E provavelmente sem como voltar pra casa, já que Paige deve ter ido embora assim como o shopping inteiro. Nick parou, e eu realmente achei que ele tivesse me ouvido, mas agora cantava Celine Dion.

Respiro fundo, vendo que faltava pouco mais de 100 pratos pra eu lavar. Dividimos a cozinha, e é claro que eu lavei mais que Nick, já que ele mais dança do que faz o serviço. Não conversamos muito, só trocamos lamentações e agora tenho que ouvir desde Rei Leão á Celine Dion. Ele até que não cantava mal, mas eu preferia o som do silêncio.

— Eu te pago um táxi, não se preocupe. E se quiser, converso com seus pais sobre você ter chegado tarde. — Se eu ao menos tivesse pais... Ainda não me sinto pronta pra compartilhar isso com ele, então apenas fico quieta.

Calma Miranda, calma, já já você vai ta na sua cama. O difícil vai ser enfrentar amanhã.

Notas finais
Espero que tenham gostado, eu particularmente preferi esse do que o outro, deem críticas, sugestões, comentem e falem o que acharam. A opinião de vocês é muito importante, um beijo e até o próximo!