Mermaids
12 Capítulo 13
Alexis e Luke estavam no carro a caminho do Ocean Palace.
Luke estava perdido em seus pensamentos. A maioria envolvendo Alexis. Por que estava sentindo essas coisas quando estava perto dela? Não era assim que ele se sentia antes. No dia da inauguração do Ocean Palace, quando a vira pela primeira vez depois de quatro anos, ele não deixara de reparar o quanto estava bonita. Mas não era a mesma coisa agora.
Ele queria ficar perto dela o tempo todo, e conversar com ela e abraçá-la. Quando está trabalhando ou quando está em casa, tudo que ele pensa é como a Alexis está. Por que essas sensações agora?
– Luke? — Alexis o chamou, tirando-o de seus pensamentos.
– O que foi?
– Aqueles homens são provavelmente os assassinos das sereias.
– Sim — Luke concordou, vendo o olhar pensativo de Alexis enquanto dirigia.
– E eles são comerciantes. Eles devem vender os colares das sereias, e talvez seja o motivo dos assassinatos.
– Tudo se encaixa.
– Mas e as mortes nas Bahamas? Será que foram eles? Ou existe um tipo de quadrilha que faz esse tipo de coisa?
– Bem pensado... — Luke tentava falar, mas parecia que Alexis estava falando com ela mesma.
– O que mais está importunando minha cabeça é o porquê de eles irem para Capri. Eu estou com medo. E se eles matarem a minha mãe? Eu não aguento essa dúvida.
– Calma, você sabe que é melhor esperar.
– Esperar? E depois acontece mais alguma morte e eu não pude fazer nada.
– Você vai saber o que fazer. É nessas horas que é bom uma amiga. Não acha que está na hora de voltar a falar com as meninas?
– Não. Eu tenho você. Apesar de ser um paspalho.
– Eu vou ignorar o insulto, já que você acabou de dizer que eu sou seu amigo — Luke disse, sorrindo divertidamente.
– Não disse isso. Disse que é uma boa companhia.
– Com certeza eu sou. — disse Luke, e Alexis revirou os olhos. — É sério Lex, sei que eu estou te ajudando, mas não é a mesma coisa. Elas te entendem...
– Não, não me entendem.
– São suas amigas, e elas se preocupam com você. Tessa vive me ligando para saber como você está.
Alexis não disse nada, mantendo seu olhar na estrada.
– Que tal deixar de ser teimosa e fazer a coisa certa?
– Vou tentar. — Ela disse, e Luke sorriu vitorioso.
O resto da viagem foi em silêncio, e quando Alexis parou em frente ao hotel viu Tessa sair.
– Olha a Tessa ali.
– Não sou cega, estou vendo ela.
– Ótimo, e espero que não seja muda também. Então eu vou sair e você faz...
– Já sei o que tenho que fazer! — Alexis falou irritada.
– Tchau, sua chata. — Alexis olhou para Luke e sorriu timidamente.
– Tchau Luke.
– Se cuida. — Ele disse, olhando profundamente em seus olhos, e saiu.
Quando Luke saiu ela se sentiu estranha, não queria que ele fosse embora. Pelo contrário, queria que ele lhe desse um abraço. Não sabia o porquê, talvez ela tenha se acostumado. Alexis observou Luke entrar no hotel, inconscientemente implorando para que ele voltasse.
Ela estava se sentindo uma criança mimada. Queria sair do carro e gritar para Luke que ele tinha esquecido o abraço, e dizer para ele não ir embora pois não queria ficar sozinha.
Mas ela ignorou seus sentimentos e andou com o carro até Tessa que estava parada na frente do hotel, mexendo em seu celular. Ela buzinou e abriu a janela, e Tessa tirou seus óculos de sol, fitando-a surpresa.
– Lex?
– Oi Tessa. Quer uma carona?
Tessa entrou rapidamente no carro e ficou encarando Alexis por uns instantes.
– Onde você se meteu garota? — Vociferou Tessa. — Eu fui várias vezes na sua casa e ninguém sabia onde você estava, liguei inúmeras vezes para o seu celular e você não atendeu. A única maneira de saber como você estava era através do Luke. E me parece que você prefere ficar com um cara que vivia discutindo com você, ao invés de falar com suas amigas.
– Olha, desculpa se eu sumi. Mas eu precisava de um tempo. E Luke me ajudou muito mais do que vocês, se quer saber.
– Ele só conseguiu aquelas informações sobre a sua mãe porque eu o mandei falar com o pai dele. Ele só ia atrás de você porque eu ou Monique pedíamos. Nós estamos por trás de tudo.
As palavras de Tessa abriam a mente de Alexis e a deixou completamente desnorteada. Então Luke não tinha agido por conta própria? Ele simplesmente recebera ordens. Ele não estava realmente preocupado com ela, ou queria ficar perto dela confortando-a. Isso a deixou desapontada e triste. Ela realmente achava que Luke se importava com seus problemas, e se sentiu uma tola por pensar que eles poderiam ter realmente uma relação civilizada.
– Alexis. Nós nos preocupamos com você, e nós nunca iriamos te abandonar. Se você não queria nossa ajuda, porque é teimosa de mais pra admitir que precise, tivemos que achar um intermediário. Sempre estávamos do seu lado. — Elas trocaram um olhar amigável e abraçaram-se.
Alexis se permitiu chorar um pouco. Por sua mãe, suas amigas e principalmente por Luke.
– Vai ficar tudo bem Lex, vamos ajudar a achar a sua mãe e a desvendar essas mortes.
Alexis apenas assentiu.
– Para onde você estava indo?
– Casa da Mô.
–-
Luke bateu na porta da sala de Andrew.
– Entra.
– Andrew. Sala bacana.
– Obrigado. Sente-se.
– Então, quer falar o que está rolando com a Alicia?
Andrew arregalou os olhos e fez uma expressão confusa.
– Eu...
– Não me venha com "eu não sei do que está falando" porque você sabe sim. Depois dessa viagem maluca que vocês dois fizeram estão agindo estranho, mal se olham nos olhos. E quando eu te perguntei sobre a viagem você ficou todo nervosinho.
– Eu não fiquei nervosinho.
– Eu te conheço Andrew. E quando você não quer falar de alguma coisa é assim que você fica: nervosinho.
Andrew sabia que era verdade, e ele iria falar sobre Alicia de qualquer forma, então não precisava ficar na defensiva. O melhor era desabafar.
– Vocês se beijaram? — Luke perguntou, calmamente.
– Antes fosse.
Luke arregalou os olhos para Andrew e conteve o riso.
– Vocês fizeram...
– Sim. — Andrew desviou os olhos de Luke e passou a encarar o chão.
– Foi ruim? É por isso que...
– Não. Pelo contrário, foi perfeito. E é isso que está me confundindo. É a melhor amiga da minha irmã, não posso gostar dela.
– Não vejo o problema nisso. A Alicia já é mais velha, não é mais aquela garotinha, é bonita e inteligente. Se você gosta dela, vai nessa.
– Mas agora ela não vai querer nada comigo, porque depois eu disse que foi um erro. Mas agora eu não consigo parar de pensar nela.
– Andrew, você é um otário.
– Valeu amigo — Andrew disse, ironicamente.
– Sei que não estou aqui pra te insultar, mas você precisa. Você fez a maior burrada que alguém poderia fazer. Você não pode transar com uma mulher e depois dizer que foi um erro. Ela deve estar achando que você não gostou, ou sei lá. Mulheres são assim.
Andrew passou as mãos pelos cabelos, com uma expressão de desespero.
– O que eu faço agora?
– Se declara pra ela. Seja romântico. Fala tudo que está comprimindo aí no seu coração.
– Você fala como se fosse fácil. Eu não sei fazer essas coisas.
– E eu não sei. — Luke riu. — Mas se ela for a garota, vai saber o que falar.
Andrew assentiu, e sorriu para o amigo.
– Obrigado.
– Amigos são pra isso.
– Agora me fala de você. Tá com alguém? Notei que tem passado muito tempo com a Alexis.
– Alexis? Não, ela é só uma amiga. Se bem que... — Luke parou para acabar não falando besteira. Ele não sabia expressar suas expressões direito, apesar de aconselhar seu amigo. Mas não tinha certeza de suas novas sensações.
– Se bem que...? — Andrew incentivou o amigo a continuar.
– Nada. É apenas uma amizade a se acostumar. Afinal brigávamos o tempo todo.
– Não sei se acredito. Mas agora eu tenho que trabalhar.
– Tudo bem.
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