Mercenários

9 Capítulo 9


Notas iniciais
PS: Mudei a capa, mudei o título, como já havia alertado...no blog já postei mais algumas fotos também. Depois explicarei melhor sobre o motivo da mudança.
|
Boa leitura!

Mercenários

by Amanur

9

...



“Fomos um dos últimos a sair do casarão. Você já estava dormindo numa poltrona, com uma taça caída entre as pernas, do outro lado do salão, quando a encontrei. Itachi estava bêbado, se pendurando em mim, dando tapas nas minhas costas, e dizendo coisas meio sem nexo..


— É maravilhoso quando as coisas funcionam como queremos, não concorda, Naruto? Mas é tudo uma questão de jogada. Uma hora você tem a peça importante do jogo nas mãos, depois perde ela. — ele dizia — Mas se tiver inteligência, consegue recuperá-la, e dar o xeque-mate.

— Sim, Itachi, é incrível. — resmunguei.

— Você já vai? — ele pergunta, ao notar que eu olhava para você.

— Pois é... Preciso ir. Ela está exausta.

— Uhum. Que pena; gostaria de conversar mais. Apareça no meu escritório segunda feira. Já tenho outra tarefa a você. Há um banqueiro maldito que não quer me dar um crédito. Temo que vá pedir para alguém me investigar, por causa das altas transações de dinheiro que tenho feito.

— E para quê você quer esse crédito? — indaguei.

— Um experimento... Com o pai da donzela. — ele apontou para você, e logo entendi sobre o que se tratava.

— Itachi, prometa que você não vai envolvê-la nisso.


Ele lançou aquele sorriso sarcástico, misturado com aquele olhar de desdém.


— Não se preocupe. Eu que o diga, ela não só não pode, como não deve se envolver em qualquer coisa que diga respeito ao que fazemos...


Com essa, o deixei sob os cuidados de Lee que nos acompanhava naquele momento, para pegar você. Estava dominada pelo sono pesado, influenciado pelo álcool. Foi custoso despertá-la dos sonhos que tinha. Então, acabei carregando-a nos braços até o carro.


Neji quis nos acompanhar, mas o dispensei. No fim, aquela noite foi péssima para mim. Itachi era um cara tranquilo, de sangue frio. Frio até de mais... Mas quando cismava com alguma coisa, trazia o inferno a terra. Ele passara a noite inteira dando indiretas para mim, pela falta de competência que demonstrei da primeira vez, e mais um monte de coisas que preferi ignorar. E ainda por cima, o filho da puta ainda ficava flertando com você. Por sorte, eu acho, você acabou não indo com a cara dele também, e mal o olhava.. De qualquer forma, fiquei tenso o tempo inteiro, com medo de que ele pudesse reagir por sua falta de interesse nele.


Enfim, chegamos em casa. Quando Jyraya abriu os portões, para eu entrar com o automóvel, você acordou, meio confusa, sem saber onde estávamos.

— Eu tenho que voltar para os arbustos...— você resmungou.

— Que arbustos, Sakura?

— No pátio.

— Nosso pátio não tem arbustos. Apenas uma piscina e uma quadra de tênis... Aliás, sugiro que você tome um banho de piscina amanhã, para relaxar e se livrar dessa ressaca. — disse, enquanto a ajudava a subir as escadas.


Nesse momento, portanto, você se deu conta de onde estava. Você tinha sonhado com a ruiva, e sentia que precisava saber mais sobre ela... Sabia que era arriscado tentar falar comigo sobre o assunto, ainda mais estando alcoolizada. Mas se não fizesse isso agora, poderia não ter mais peito para fazer isso depois.


— Naruto, quem era aquela ruiva?

— Que ruiva?

— Uma, que andava arrastando os pés como se fosse um zumbi, e que tinha uma expressão tão triste que parecia carregar toda a tristeza do mundo nas costas.


Bom, como só havia uma ruiva que eu conhecia, e que batia com essa descrição, fiquei calado. Pensei se deveria mesmo dizer quem ela era.


— É uma conhecida, de longa data... — murmurei.


Tínhamos chegado no nosso quarto, e a joguei na cama. Você fez cara feia pra mim, mas dei as costas para trocar de roupa e lavar o rosto.


— De onde, exatamente, a conhece?

— Por que quer saber? — indague, tirando as calças.

— Ela trabalha pra você?

— Vá dormir, Sakura.

— Eu te odeio.


Parei na porta do banheiro da nossa suíte. Eu sabia que você acabaria me dizendo isso, mais cedo ou mais tarde. E você não faz ideia de como me senti com aquelas duras palavras, que você cuspiu como se não fossem nada. Eu estava tentando fazer de tudo para não ser esse carrasco que você passou a ver. Mas era muita pressão sobre mim.


Esmurrei a porta e a fechei com força, me trancando dentro do banheiro, para não acabar te batendo outra vez. Eu estava com os nervos à flor da pele. E você se encolheu na cama, com medo, mas não disse nada. Trocou de roupas, pegou um travesseiro e um cobertor, e saiu para um dos quartos de hóspedes. Se atirou na cama e ficou roendo unha, pensando no que eu poderia estar escondendo, ou o que teria acontecido.


Quando saí do banheiro, e percebi que não teria a sua companhia aquela noite, fui até o quarto do mordomo, e pedi para que ele ficasse de olho em você.


— Seja lá o que ela fizer, não interfira. Apenas quero que anote tudo e me traga.

— Sim, senhor.


Voltei para o meu quarto, e tentei dormir.

Você, no entanto, não conseguiu. Como eu suspeitei, levantou-se da cama, no meio da noite. Vestiu uma sapatilha e tirou um maço de dinheiro da bolsa, o guardando dentro do seu vestido, entre os seios. Jiraya estava na cozinha, tomando um café com as luzes apagadas, quando a viu passar. Você foi até a prateleira de livros no corredor, e pegou aquele que você adora e odiava ao mesmo tempo... Em seguida, então, você pegou nossos cães, tanto para usá-los como desculpa, como para protegê-la e foi caminhando pelas ruas frias daquela madrugada, com passos apressados, olhando para todos os lados, desconfiada de que alguém pudesse segui-la.


A caminhada foi um pouco longa, mas nem tanto quanto da primeira vez, pois seus passos foram mais ágeis sem o peso do mendigo nos ombros e, claro, sem as dores no corpo. Você ainda tinha hematomas, e elas ainda eram doloridas, mas já estavam suportáveis.


Quando começou a entrar naquela zona mais obscura, cheia de prédios antigos, caindo aos pedaços, os cachorros desaceleraram os passos para farejar todos os cantos.


— Vamos, vamos, caminhem! — você tentou ordená-los.


Havia alguém caminhando do outro lado da calçada, cambaleando, se apoiando nas paredes. Você engoliu a seco, baixou a cabeça para não encara-lo, e tentou seguir o caminho. Ao chegar ao local, cheio de folhas secas e sujeira no chão, apertou a campainha de um pequeno prédio de três andares. Demorou um pouco para que lhe atendessem.


— Quem é que tá me enchendo o saco a essa hora, hein? —indagou uma voz embargada no sono, do outro lado do interfone.

— Sai, sou eu. E estou com os cachorros.

Ah... Entre, entre.


Você teve que subir os degraus no escuro, porque nem dinheiro para uma lâmpada nova, aquele condomínio fedorento tinha. E então, bateu na porta de número 202.


— Está tão tarde... Achei que não viria mais! — disse seu amigo, fazendo careta para os cães que foram entrando, farejando todos os cantos daquele cubículo — Espero que não façam sujeira no meu apartamento! Limpamos ele hoje!

— Limpamos? Você explorou o cara pra fazer faxina?

— Uma mão lava a outra, ora bolas. Não se preocupe, o levei no médico, como você pediu. Ele vai ficar bem.


Aquele miserável estava todo descabelado, enrolado num lençol encardido, vestindo apenas uma cueca samba canção. O minúsculo apartamento fedia a incenso, e aquelas cores berrantes que ele adorava sempre ofuscava seus olhos mesmo no escuro.


— Bom... Surgiu um imprevisto, e não pude vir antes... Ele está aqui?

— Está dormindo... Quer que eu o chame? Passou o dia inteiro fazendo perguntas sobre você.

— Espero que você não tenha falado mais do que deveria, Sai.

— Não se preocupe. — apesar da expressão séria, ele cruzou os dedos atrás de si, sem que você visse. Afinal, o idiota era mais fofoqueiro do que qualquer outra coisa — Apenas contei como nos conhecemos no teatro, e o quanto a sua família me odeia por levá-la para o mau caminho da dissimulação.


Nem eu gostava disso. Os atores, de modo geral, eram pessoas falsas, enganosas. Usavam suas habilidades para conquistar quem quisessem, para obterem o que quisessem. Eram manipuladores, e tanto eu quanto seu pai era contra você se tornar uma atriz. As mulheres, principalmente, eram promíscuas. Submetiam-se a qualquer coisa “em nome da arte”! Homem algum, em sã consciência, permitiria uma coisa dessas. Ainda mais sabendo o quão boa em atuação você era. Basta ver como você me enganava direitinho, em certas ocasiões. Ainda bem que aprendi a distinguir a Sakura com quem me casei, da Sakura atriz...


— Chame-o. Preciso dar algumas instruções a ele... — você disse — E quero saber o que aconteceu.


Sai a deixou sozinha na sala minúscula, onde, à proposito, seu amigo dormia para deixar o mendigo fedorento ficar. Fiquei tão indignado com isso, que não conseguia compreender esse fato... Mas enfim, quando aquele fedorento surgiu no corredor, você ficou pasma. Ele parecia completamente diferente, com os cabelos cortados, a barba feita, e vestindo roupas limpas. Continuava magro demais, e com o nariz meio inchado e a boca ferida, mas já dava para distinguir um ser humano naquela aparição.


Ah, sim, você o comparou com uma aparição, pois era exatamente com o que ele se parecia. Uma aparição sombria de uma alma que vagava pela Terra. Havia um misto de rancor, raiva, pena, gratidão, cansaço, e mais um monte de coisa indefinida que a assustou. Aquele encontro foi totalmente inesperado. Por que, é claro, você sempre idealizava as coisas de maneira positiva, apesar do seu ceticismo fingido. Você achou que encontraria um homem maravilhoso por baixo de toda aquela sujeira e fedor, mas lá estava ele, se mostrando como realmente era... Ou havia se tornado.


— Você parece muito melhor, agora... — você comentou, meio sem jeito, concordando e discordando ao mesmo tempo da própria afirmação.


Mas Sasuke não respondeu. Só que não por que não quisesse, ou por qualquer outro motivo que você tivesse imaginado. Pelo contrário... Ao vê-la tão bem vestida, como sempre, é claro, ele tentou um sorriso, meio tímido (que você interpretou como uma careta de desgosto), e ainda passou as mãos nos cabelos para colocá-los no lugar — afinal, estava dormindo. Ele ficou meio sem jeito, sem saber o que dizer primeiro... Ficou nervoso. Ele não era de bate-papos casuais. Preferia ir sempre direto ao assunto, por mais complicada fosse a situação.


Sai foi até a cozinha para preparar um café para os três, enquanto vocês sentaram para conversar na sala. Você também estava se sentindo meio deslocada com ele, sem saber como iniciar aquela conversa. Estavas louca para elogiá-lo mais (apesar de ele não parecer tão bem quanto você havia imaginado), mas preferiu se conter e manter distância. Então, começou a conversa pedindo desculpas por não ter ido vê-lo antes, e explicou superficialmente o ocorrido.


—... Então... Eu gostaria de saber exatamente o que aconteceu naquela noite. Por que eles bateram em você?


Sasuke suspirou, olhando-a nos olhos. Ele ainda desconfiava de que você pudesse querer enganá-lo de alguma forma, mas aqueles olhos esverdeados exibia a inocência de uma criança que acreditava ser adulta. Ele se reposicionou no velho sofá do seu amigo, e juntou as mãos. Baixou a cabeça, pensando se deveria mesmo contar algo.


— Suponho que apenas estivesse com medo de mim.

— Medo?

— Mendigos inspiram medos nas pessoas, por que a fome, a miséria e a solidão podem fazer com que o individuo cometa loucuras. Por isso as pessoas se afastam, nos evitam. — claro que ele sabia que o motivo de afastamento das pessoas poderiam ser muito outros...

— Mas isso não é motivo para fazerem o que fizeram.

— Talvez eles tivessem querendo evitar que eu fizesse algo no futuro...


Ele sabia que era tudo uma grande mentira. O motivo pela surra era muito mais baixo, mas achou melhor não falar nada. E você ficou encarando ele, certa de que ele estava escondendo algo. Afinal, você sabia que eu não era de sair batendo nas pessoas, por motivo algum... Pelo menos, não até pouco tempo.


Nesse momento, Sai surgiu carregando xicaras de café.


— Não sei vocês, mas perdi o sono com aquela porcaria de novela da radio. Ôh novelinha mais mal feita! Quem matou o garçom? Ah, faça-me o favor! Você viu, Sakura?

— Perdi todos os capítulos da semana. — comentou, tomando um gole daquela bebida horrorosa. Você sempre detestou qualquer coisa que ele fizesse, mas mantinha seu fingimento para não magoá-lo.

— Não perdeu grandes coisas... Então... Você vai ficar? — ele indagou ao mendigo.


Sasuke olhou dele para você, surpreso com a oferta. Achava que Sai estava apenas oferecendo uma pequena ajuda temporária, até que ele recuperasse o nariz, ou talvez até o dia amanhecer... Mas lá estavam os dois, aguardando sua resposta.


— Não posso aceitar.

— Por que não? — você indagou.

— Por que... Tenho coisas a fazer...

— Que coisas?— Sai indagou.

— Tenho pessoas me esperando... Companheiros de rua. Não posso abandoná-los.


Você mordeu o lábio inferior, pensando sobre sua vida. Sempre tivera tudo o que quis, e nunca se preocupou realmente com as pessoas até conhecer Temari, e o restante. E ali estava ele, sem nada, pensando nos outros.


De repente, se lembrou do dinheiro, e tirou de dentro do decote.


— Fique com isto. — e estendeu o braço a ele.


Sasuke trincou a mandíbula, e baixou os olhos. Ele tinha seu orgulho, e não queria aceitar o seu dinheiro. Já tivera sido um tanto constrangedor aceitar a ajuda de vocês, mas aquilo já era demais.


Mas ele pensou melhor, antes de abrir a boca. Se continuasse a se comunicar com você, como poderia explicar quando seu plano desse certo, e melhorasse de vida, como planejava? Ele estendeu a mão, e pegou o dinheiro.


— Obrigado. Prometo devolvê-lo, algum dia.


Você achou graça do modo como ele disse isso. Tanto pela maneira meio acanhada, como por que você não conseguia imaginar que ele fosse capaz disso, algum dia. Afinal, você não poderia ajuda-lo mais do que estava fazendo.


— Você gosta de ler? — você pegou o livro que havia deixado de lado no sofá velho.


Sasuke apenas afirmou com a cabeça.


— Bom, quero que leia isso. Não precisa ter pressa. Mas quero que me digas o que acha sobre o assunto.


Ele pegou o livro, meio desconfiado de suas intenções, mas aceitou o desafio. A capa não revelava muito; era um livro antigo, de capa dura já gasta e páginas amareladas. Não havia título escrito, nem nome de autor.”

Notas finais
Já pararam pra pensar no porquê de as pessoas se afastarem de mendigos, sem-tetos?
Espero que tenham gostado do cap...já estou na metade do décimo.... estou deixando de fazer um monte de coisa em casa só pra escrever! >__
Algum comentário?